domingo, 7 de setembro de 2008

Bélgica - Results & Coments [6]

Resumo do campeonato diante dos olhos de Spa

Sui generis. Assim foi o final do GP Bélgica. A chuva que ameaçou cair durante toda a prova veio no finznho, a duas voltas do fim. Não foi forte a ponto de gerar um spray e é aí que se nota o capricho que São Pedro reservou aos pilotos. Se a água viesse com força, torrencialmente, motivaria uma entrada geral nos boxes ou o fim prematuro da corrida. Mas a chuva veio mansa, suficiente para complicar a pilotagem com pneu de seco, mas para ainda permití-la por apenas uma volta. E entre os mortos e feridos do fim de corrida maluco em Spa, Raikkonen é o que, de longe, saiu no maior prejuízo.

O campeão vinha, finalmente, fazendo uma boa corrida. Depois de tanto tempo com saudade da posição número #1, Raikkonen estava onde o algarismo inscrito na frente de sua Ferrari sugeria. Kimi sabia que Spa, muito provavelmente, era sua última chance de se manter vivo na briga, nem tanto na do campeonato, mas na disputa interna da Ferrari. Foi competente na 1ª volta ao ultrapassar Massa e contou com a péssima partida de Kovalainen e com a rodada de Hamilton na La Source, no início do segundo giro. Dava pinta de, enfim, voltar à briga, ou pelo menos pôr uma dúvida na cabeça da direção da Ferrari. Mas a chuva que veio a duas voltas do fim mudou tudo.

Se a água viesse no meio da prova, muita coisa seria diferente. Todo mundo iria para seu pit stop, colocaria pneus apropriados e voltaria a pista. Ok, o pit lane iria ficar sobrecarregado e certamente uma zebra pintaria no pódio. Mas não seria tão cruel para Kimi. Como já disse, ficou parecendo que os céus tramaram contra o finlandês. A duas voltas do fim, não valia a pena ir ao box e trocar pneu. Porém, pilotar durante 14 km com pneu de seco na pista molhada seria um risco alto. Os ponteiros Raikkonen, Hamilton e Massa decidiram correr o risco. Pior para Kimi.

No circo que se formou na pista de Spa, Raikkonen ficou com o nariz vermelho. Entre saídas e escapadas o finlandês deu mais azar. Perder o controle do carro era uma possibilidade, e ela podia se concretizar em diversos pontos da pista, como chegou a ocorrer com Hamilton e com o próprio Kimi. Mas patinar na chegada da Bus Stop, onde o muro é bem próximo, foi um pecado caro demais. A batida a uma volta do fim foi, para Raikkonen, quase tão cruel quanto a explosão do motor de Massa em Hungaroring. Quase porque na Hungria Massa foi absolutamente isento de culpa, diferentemente de Kimi que, claro, foi vítima da chuva, mas podia ter maneirado e diminuído a velocidade no trecho.

Para Kimi é fim da linha, pelo menos na briga pelo título. Para que o finlandês volte a disputa alguma hecatombe precisa acontecer com Massa e, se for assim, certamente Hamilton já estará a um passo de se consagrar campeão.

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Além do talento, Hamilton vai revelando que é um cara que tem estrela. Depois de surpreender a Ferrari e fazer a pole ontem, perdeu a liderança num erro bobo na La Source. Parecia resignado com a 2ª posição, que naquela situação ainda lhe renderia 6 pontos de vantagem para Massa. Mas a chuva veio, Raikkonen ficou fora e o inglês venceu. Vitória importante, que o confirma como líder e lhe dá a confortável vantagem de 8 pontos sobre Massa. Restando apenas 5 corridas não dá pra dizer que Hamilton "já é campeão", afinal uma corrida em que o inglês não pontue e Massa vença e "adeus liderança". Mas o Hamilton é o cara que, sem dúvidas, não precisa mais arriscar a cada manobra.


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Massa não pode negar que o resultado lhe foi muito favorável. Mesmo que a Ferrari pense diferente (afinal a equipe podia marcar 16 pontos no mundial de construtores e disparar. Acabou tendo que se contentar com a metade disso, 8). Para Felipe o lucro é grande porque o GP Bélgica serviu para, finalmente, imobilizar Raikkonen, que agora está muito atrás na classificação. Restando 5 corridas, é hora de a Ferrari se preocupar com o crescente Hamilton, cada vez mais líder e cada vez mais isolado. Será curioso, mas o campeão vai ter de ser escudeiro do companheiro de equipe.
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No fim das contas todos no pódio tinham seus motivos para se considerar vencedores. Hamilton por ser de fato o campeão da corrida, Massa por se isolar na briga interna da Ferrari e Heidfeld por conseguir andar mais que Kubica. Depois de passar por dificuldades com o carro e de levar uma "goleada" de Kubica durante quase toda a temporada, o alemão da BMW é brindado com o 3º posto, que ganha contornos especiais para Nick. O comentário no paddock é que a direção da BMW estaria insatisfeita com o rendimento de Heidfeld e pensaria em dispensá-lo no fim do ano. O 3º lugar em Spa é um belo "tapa de luvas". Claro, Heidfeld deve muito a São Pedro, mas assumir o risco de parar no box para pôr os pneus intermediários na penúltima volta foi uma atitude inteligente e corajosa. Se a corrida ainda tivesse mais uma volta certamente o alemão a venceria.


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Vergonha alheia por Kovalainen. Largando em 3º conseguiu cair para 14º na primeira volta com uma McLaren. E sequer completou a prova.
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A corrida foi, enfim, uma crônica sobre o campeonato 2008. Quando tudo parece estar decidido, algo acontece e muda a ordem natural das coisas. Até o dia 2 de novembro em Interlagos tudo pode acontecer!

Um comentário:

andrea disse...

Olá sua mãe esteve aqui na agencia de viagens pta ver sobre o pacote da fórmula 1 e nos mostrou seu blog, muito legal, parabéns!!