Foi com essa resposta que sir Frank Williams encerrou os rumores sobre uma possível venda da Williams para grandes corporações e/ou montadoras. É um grito de resistência daquele que é o último remanescente da era dos garageiros. Frank, junto com Bruce McLaren, Ken Tyrrel e outros pilotos-engenheiros serão sempre lembrados por criarem equipes com seu próprio esforço e fazê-las campeãs no automobilismo. Frank é, na verdade, o último dessa era um tanto quanto romântica, um fóssil vivo, um peixe fora da onda que é a nova ordem econômica da F-1.

Frank é um inadequado na atual forma de gerir a F-1. Ainda é um daqueles chefes de equipe personalistas, que concentram todo o poder da decisão. Ou então é apenas um velinho rico e dono de uma equipe de F-1. Talvez ele seja isso para os mais novos. Mas há de se lembrar que Frank já foi dono do maior império da F-1 por anos a fio. Sua Williams, hoje castigada pela falta de verba, já produziu campeões como Nelson Piquet, Nigel Mansell e Alain Prost. Sua Williams tem 7 títulos de pilotos e 9 de construtores na estante. Sua Williams já foi objeto de desejo e desavenças entre dois monstros da história do automobilismo: Senna e Prost guerrearam por uma vaga na equipe em 1993. Prost levou a melhor e sagrou-se tetracampeão no carro que Ayrton dizia ser "de outro mundo".

Desculpem o desabafo, mas creio que é uma coisa que eu precisava dizer. O esporte que vemos hoje está ficando cada vez mais nas mãos de pessoas jurídicas e não físicas. Isso não é bom. Montadoras não têm muita preocupação com o esporte. Já tratei disso aqui. Montadoras, repito, têm preocupação com lucro, produtividade, coisas do mundo corporativo. No momento em que perceberem que a F-1 não é tão rentável, pularão fora. E aí terão de surgir novos Frank Williams e Kens Tyrrel para salvar a categoria. Pelo bem do esporte.
Um comentário:
Fábio, mesmo na época dos garageiros havia luta de interesses nos bastidores.
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