quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Um Caso Clínico

A temporada de F-1 se foi. Um ano divertido, saboroso, uma disputa empolgante até a volta final. Agora, porém, os motores pararam de roncar. Hamilton, o campeão, foi descansar em alguma ilha paradisíaca com sua também paradisíaca Pussucat Doll. Corridas de novo, só no finalzinho de março do ano que vem.

Daqui até lá os domingos serão mais monótonos. As manhãs não mais terão o sibilo dos F-1 rasgando retas e contornando curvas. Pra quem respira o esporte, tudo vai parecer mais chato. Namoradas e mães vão se irritar com a incessante obsessão de cidadãos que passarão a contar cada dia até o esperado 29 de março de 2009.

As linhas acima não carregam nenhuma ponta de exagero. Será assim em muitos lares que abrigam os F-1-maníacos. Daqui até março são quase 5 meses de espera. Durante esse período irá se questionar o motivo de a F-1 não se estender, pelo menos, até dezembro. Quem passa o ano dizendo que “devia ter F-1 toda semana” intensificará os apelos: “F-1 devia ser o ano todo.”

Se você, leitor, apresenta o quadro acima, saiba que você é mais um dos atingidos por uma síndrome grave, que assola milhões de pessoas pelo mundo. A ciência ainda busca uma definição, mas informalmente a patologia é conhecida por Depressão Pós-Temporada de F-1 (DPT). As pessoas que sofrem desse mal costumam entrar em severo processo de isolamento nos períodos compreendidos entre o fim de uma temporada e o começo de outra. É comum flagrar esses pacientes no Youtube, revendo lances da temporada que passou ou até mesmo de outros anos mais distantes. Segundo alguns estudiosos, a compulsão por vídeos de F-1 não é mais do que uma tentativa do inconsciente de reviver momentos de bem-estar proporcionados pelo vício.


Os sintomas da DPT não são muito diferentes dos da depressão comum. Acompanhe:

- Pessimismo: é comum o paciente pensar que sua vida não terá mais alegria enquanto a temporada não recomeçar. Os domingos passam a ser dias de luto.

- Desesperança: cada dia parece uma guerra a ser vencida. E o relógio insiste em não correr, os dias insistem em não passar. Uma profunda desesperança se instala, acompanhada de uma forte irritabilidade;

- Sentimento de pena de si mesmo: é típico. Quando a Globo exibe as chamadas da temporada que vem, a coisa ferve;

- Dificuldade para realizar tarefas cotidianas: é um dos sintomas mais irritantes para quem convive com o depressivo. Muitos conflitos são gerados por causa desse sintoma específico, porque o paciente já pega o calendário de 2009 e começa a marcar os finais de semana em que haverá F-1, portanto, dias de reclusão quase monásticos. Aí, namoradas, família e amigos entoam um coro em uníssono: “você vai deixar de ir ao casamento da Aninha?”; “vai faltar no aniversário do Marcão?” Se houver algum compromisso profissional no mesmo fim de semana da F-1 há o grande risco de o depressivo pós-temporada perder o emprego;

- Perda do desejo sexual: é o único sintoma da depressão clássica que não foi observado em pacientes com DPT.

5 comentários:

sérgio disse...

Resumiu tudo Fábio

Ron Groo disse...

pqp, estou infectado.
E o pior que este virus que causa a DPT só é curado com altas doses de adrenalina e um cheirinho de gasolina no ar.

Marcos Antônio Filho disse...

Eu tb estou com DPT,mas não paresento esse último sintoma..ufa ainda bem!rsrsrsrs

Diego Maulana disse...

O jeito é rever as corridas desse ano no famoso Youtube, para que os sintomas sejam menos avassaladores.

http://nomundodavelocidade.blogspot.com/

Fábio Andrade disse...

Sérgio: valeu!;

Groo: é, rapaz, tá osso. Vou pro posto de gasolina aqui do bairro pra ficar cheirando gasosa, rs!;

Marcão: eu tmb nem sinto esse último sintoma =D;

Diego: salve o Youtube!

Obrigado, senhores!