sábado, 1 de novembro de 2008

Brasil - Results & Coments [4]

O porquê

O ano de 2008 se vai. Foi um ano atípico, com corridas divertidíssimas, vários vencedores e tudo o que a F-1 não via há muito tempo. Falamos disso aqui. E na última sessão classificatória do ano, os 20 pilotos do grid não deixaram de nos brindar com um treino emocionante.

O treino de hoje ganhou contornos ainda mais excitantes por ser crucial para a decisão do título entre Massa e Hamilton. E os dois não fugiram da raia. Cada um a seu modo, Felipe e Hamilton demonstraram porque estão decidindo o título em São Paulo.

Massa traduziu o que é o automobilismo na classificação de hoje. A sua maneira. Foi em busca de cada milésimo levando sua Ferrari ao limite. Quem acompanhou o treino sem piscar, como eu, percebeu que o brasileiro já foi muito rápido em sua primeira volta lançada, explorando todos os limites do carro e da pista de Interlagos. Felipe entrou na volta “pendurado”, como se diz na gíria do esporte a motor. Deixou o F-2008 escorregar na tangência da Junção, aproveitando o máximo da aderência que poderia ser extraída naquele ponto. Sua primeira volta de cara já foi muito boa, pelo menos meio segundo mais rápido do qualquer outro na pista. Demarcou o território e fez a torcida levantar com o tempo na casa de 1m12s4. Restou a Massa fazer outra volta muito boa e melhorar um pouco sua primeira marca: 1m12s368, 3ª pole position seguida da Ferrari no GP Brasil, 3ª pole position seguida de Massa na prova em Interlagos.

Se Massa brilhou, Hamilton também deu uma amostra clara de que automobilismo não é só estar no limite o tempo todo. Outrora criticado pelo instinto indomável, o inglês foi cerebral hoje em São Paulo. Tática absolutamente inteligente. Massa precisa se esfalfar, descontar 7 pontos de desvantagem que tem. A Hamilton basta ser o mínimo, correr pelo mínimo e, se tudo correr bem nas 71 voltas da corrida de amanhã, ser campeão. Isso também é automobilismo. Mesmo que o objetivo de Hamilton, em tese, fosse a 1ª fila, o 4º lugar está de bom tamanho. Ter a cabeça no lugar e poupar o equipamento, já desgastado pela corrida de Xangai na China, também são atributos esperados de um possível campeão.

O 4º lugar de Hamilton, portanto, ainda não deve ser motivo de comemorações estridentes da torcida brasileira. Nessa posição o inglês é campeão independente do resultado de Massa. Vale a lembrança: Hamilton precisa de uma 5ª posição para levar a taça por conta própria. Massa, se quiser sair de Interlagos como campeão, terá de vencer e torcer para que o piloto da McLaren chegue em 6º, ou pior posição.

Com o carro que tem nas mãos, Hamilton possui todas as condições de se sagrar campeão amanhã. É o franco favorito ao título, enquanto Massa é favoritíssimo à vitória. Mas há a previsão de chuva que deixa todos os pilotos em suspense. Pista molhada aumenta os riscos para todo mundo e, pelo retrospecto do ano, a McLaren de Hamilton sai-se melhor do que a Ferrari de Massa sob chuva. Mas há um dado muito impotante: água na pista aumenta os riscos para todo mundo e quem tem mais a perder nessas circunstâncias é Hamilton.

No caso de chuva Massa ainda conta uma vantagem clara. O 1º colocado enxerga a pista a sua frente com tranqüilidade mas quem vem atrás não tem a mesma vida fácil. O “spray” gerado pelo carro da frente transforma o simples ato de ver o que acontece a frente num exercício quase impossível. E nesse caso o prejuízio seria todo de Lewis.
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Raikkonen larga em 3º e ganha importância na corrida de amanhã. O finlandês terá o fundamental papel de segurar Hamilton para que o parceiro Massa fuja na ponta. Isso só não basta, afinal, Hamilton comemora o campeonato em 4º. Mas, se não atrapalha o inglês, é certo que não ajuda.
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O 2º lugar de Trulli em Interlagos é a prova inequívoca de que a briga entre as equipes do pelotão intermediário está ferrenha. Se antes o título de “3ª potência” do grid era da BMW, hoje não há quem assegure tal supremacia com total certeza. Além da Toyota, Renault e STR também terminam o ano vendo seus projetos coroados e numa boa briga pelos pontos.

O italiano acabou, talvez sem a intenção, dando uma senhora força à escuderia mais famosa de seu país. Graças a Trulli, há mais um carro separando a Ferrari de Massa da McLaren de Hamilton.
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Kovalainen foi assim... Kovalainen. O finlandês da McLaren, mais uma vez, fica atrás de todos os oponentes importantes e larga em 5º. Tudo bem que a McLaren queria um parceiro que desse calma a Lewis Hamilton, mas Kova ultrapassa todos os limites da passividade. No final das contas, acaba sendo bom para o inglês. Quanto menos gente na frente, melhor.

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Alonso em 6º larga atrás de Hamilton. O espanhol deu declarações interessantes durante a semana, disse que seu ressentimento não é com Hamilton, mas sim com a equipe McLaren. Mas Alonso é malandro, uma hora morde, outra hora assopra. Pra quem não se lembra, o asturiano já declarou sua torcida por Felipe Massa e disse que, se possível, ajudará o brasileiro. Tem toda a chance de fazer isso amanhã.

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A STR? De novo com os dois carros no Q3, de novo com Vettel a frente de Bourdais. É incrível a superioridade da filial sobre a Matriz RBR. É de fazer a equipe-dona corar e blábláblá. Ainda mais levando em conta que o Tião alemão foi o 2º piloto mais rápido da pista no Q2. Coulthard e Webber jamais sonharam com tal façanha!

E, falando em Vettel, STR e RBR, fica a pergunta: será que sair da Toro Rosso (uma das equipes mais simpáticas da F-1 em toda a história, me atrevo a dizer) em direção a Red Bull é um bom negócio para o alemãozinho?
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Fechando o Top-10, Glock, comprovando o já observado avanço da Toyota em 2008.


1
Felipe Massa
Ferrari
1min12s368
2
Jarno Trulli
Toyota
1min12s737
3
Kimi Raikkonen
Ferrari
1min12s825
4
Lewis Hamilton
McLaren
1min12s830
5
Heikki Kovalainen
McLaren
1min12s917
6
Fernando Alonso
Renault
1min12s967
7
Sebastian Vettel
Toro Rosso
1min13s082
8
Nick Heidfeld
BMW
1min13s297
9
Sébastien Bourdais
Toro Rosso
1min14s105
10
Timo Glock
Toyota
1min14s230

3 comentários:

sérgio disse...

Pra mim dá massa na corrida e até no campeonato. Não coloquei fé no hamilton, ele pareceu sentir a pressão de novo.

Felipão disse...

Também achei que ele foi cerebral, Fabio...

Até pq, não acredito muito que o Trulli vá dar muitas voltas, ou que o Raikkonen, tímido nessa temporada, consiga segurá-lo...

Fábio Andrade disse...

Sérgio: finalmente apareceu. Já estava preocupado com seu sumiço.

Seu palpite falhou. Hamilton campeão!;

Felipão: vc acertou na parte do Trulli, mas no resto não deu.

Hamilton na cabeça!