sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Divina Caçoada

Foi como se Deus, lá de cima, caçoasse de certos mortais. Especialmente dos japoneses da Toyota, dos alemães da BMW e dos italianos da Ferrari. Ou não seria Deus o responsável pela inédita tempestade de areia durante os treinos da F-1 em Sakhir, no Bahrein?

E o mais curioso da situação toda é notar que Ele resolveu tirar uma com a cara de uma equipe como a Ferrari, justamente a despótica, tirânica e onipresente Ferrari, tão parecida com Ele, enfim. Ele, porém, não parece ter se importado com a ironia. Mandou ventos fortíssimos à região do circuito barenita e levantou poeira, com diria o refrão de certa música tocada à exaustão nos últimos carnavais.

Há indícios de que a trama do pai-maior tenha sido planejada com requintes de crueldade quase inéditos. Porque cada uma das equipes que foi ao Bahrein, quis se safar do possível mau tempo que assolou seu respectivo programa de testes de janeiro. Na ocasião a Toyota treinou junto com a maioria, no autódromo de Portimão, em Portugal, e foi vítima das chuvas ininterruptas que castigaram a região. A BMW tomou o cuidado de conferir a previsão do tempo antes de ir para Portugal, e evitou a chuva lusitana indo para Valência. Lá realmente o Sol brilhou, mas os fortes ventos incomodaram e trouxeram dificuldades para as avaliações aerodinâmicas. A Ferrari também teve uma palavrinha com a moça do tempo e fugiu dos testes coletivos: foi testar o F-60 no quintal de casa, em Fiorano. Também sofreu com a chuva.

Para evitar novas pirraças do inverno europeu, as três equipes desembolsaram uma grana e decidiram ir ao deserto barenita, onde o Sol era garantido. Aí, como num pesadelo, a areia resolve abandonar o solo e flutuar pelos ares, como se evaporasse.

Enquanto isso, McLaren, Toyota, RBR, STR e Williams rodavam em Jerez, na Espanha, sob céu de brigadeiro (para não dizer que foi perfeito, somente um dia se passou com tempo ruim na Espanha, a terça-feira).

Cômico. Para quem assistiu de fora, foi sim, cômico.
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Pitacos de Jerez

- Na Espanha, só deu STR. Buemi e Bourdais andaram cerca de 2 segundos mais rápidos do que qualquer outro carro em todos os dias de testes. A estranheza se deve ao uso do carro de 2008, ainda usando e abusando da carga aerodinâmica ilimitada que era permitida até então;

- Entre os carros que habitam a realidade de 2009, a McLaren deu um certo banho. Foi a mais veloz em 3 dos 4 dias de atividades. Mas também cabem observações sobre os carros de Woking: os monpostos ingleses usaram a asa traseira larga e baixa de 2008 em algumas sessões, provavelmente com problemas em se adaptar aos novos apêndices do MP4/24;

- A Renault começa a preocupar Fernando Alonso, em sua eterna insatisfação por não brigar pelo título. O bólido da montadora francesa fechou 3 dos 4 dias de testes ocupando o último lugar. Diz-se que o R29 sofre com o fraco desempenho nas retomadas de velocidade e no rendimento em reta. Colocando-se no lugar da equipe francesa, a mudança nas regras parece um pouco mais cruel: justamente quando a equipe se recuperava de duas temporadas ruins, o regulamento sofreu alterações abruptas e impediu a continuidade do trabalho de melhoramento, já que os carros desse não aproveitarão praticamente nada das temporadas passadas;

Pitacos do Sakhir

- No oriente, a Ferrai comandou as atividades na maioria das vezes. Somente no primeiro dia a Toyota foi melhor, com Timo Glock fazendo sua melhor volta 0,114s mais rápido do que Felipe Massa;

- Na quarta-feira só houve uma hora e meia de treinos. Depois do curto período, a areia invadiu a pista, impedindo qualquer atividade dos carros e do helicóptero de socorro, obrigatório em atividades envolvendo a F-1. Ninguém teve tempo para dar mais do que vinte e poucas voltas e, numa dessas, Massa estabeleceu a melhor marca do dia;

- Ontem, nada de trabalhos. A tempestade de areia se estendeu durante todo o dia. Numa temporada em que os testes foram radicalmente limitados, um dia perdido faz uma senhora diferença;

- Hoje a poeira se recolheu, e as equipes trabalharam para recuperar o tempo perdido. Todos os três pilotos que foram ao autódromo romperam a marca das 100 voltas realizadas. A melhor volta ficou com Kimi Raikkonen (Ferrari), seguido de muito perto por Jarno Trulli (Toyota). O piloto de testes da BMW, Christian Klien ficou a 0,341s do melhor tempo do dia;

- Raikkonen, aliás, foi o pivô da manchete mais inusitada da semana: parou de beber, segundo amigos próximos. Sim, o maior biriteiro da atual geração de pilotos teria sido visto tomando apenas refrigerante numa boate de Helsinque, ao lado de amigos embriagados. Kimi também teria iniciado uma dieta para compensar o ganho de peso que os carros terão com o KERS;

- Os testes do Bahrein continuam na próxima semana.
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Tempo bom no inverno da Europa, tempestade (ainda que de areia) prejudicando a rotina de testes no deserto e um Kimi Raikkonen abstêmio. É para levar a sério?

5 comentários:

Marcos Antônio Filho disse...

realmente esa foi uma semana atípica. E se o Raikkonen parar de beber,perco vária spaidas de bêbado,vou ter apenas piadas de bêbados que tiveram recaídas...rs

Felipe Maciel disse...

É verdade, quanta maluquice numa semana só... É melhor ter cuidado, pode ser o fim do mundo!

Se bem que já vejo o Kimi bebendo escondido...

Felipão disse...

Não dá pra entender o motivo para a STR usar esse carro de 2008...

Ron Groo disse...

Foi interpérie do tempo mesmo Fabio, se fosse obra de Deus pra atazanar a Ferrari, teria feito chover no deserto. E com força. rsrsrs
Belo texto.

Fábio Andrade disse...

Marcão: de fato, a semana foi estranhíssima. Tmb torço para que o Raikkonen não se cure de seu alcoolismo. Ele rende manchetes ótimas;

Maciel: MEDO do seu comentário, rs!

Sinceramente, duvido que alguém tão afeito aos destilados abandone seu objeto de desejo com tanta facilidade;

Felipão: o que me parece mais ou menos aceitável é que a equipe esteja dando quilometragem ao Buemi. Mas não vai ter muito efeito pq o estilo de pilotagem vai mudar um pouco com esses novos carros;

Groo: hahuahua. Desconfio que o Homem quis sabotar a italianada.

E obrigado!