segunda-feira, 13 de abril de 2009

Minha Pele de Ébano

A mais nova pseudo-polêmica da F-1 é levantada pelo alemão Adrian Sutil, da Force India: estaria Lewis Hamilton sendo vítima de racismo?

Na qualidade de grande amigo do piloto inglês, Sutil levantou a discussão em declarações a diários europeus. O alemão questionou a quantidade e a freqüência com que Hamilton foi e é punido e tentou ligar as punições à cor da pele de Lewis.

Eu confesso: meu maior temor ao ver um negro pela primeira vez num esporte elitista como a F-1 não foi presenciar manifestações racistas nas arquibancadas. Meu maior temor foi ver a discussão a respeito do racismo, inevitável e ainda (infelizmente) presente na sociedade mundial, ser deturpada como ela parece estar sendo agora.

Hamilton se vê costumeiramente punido porque é simplesmente afobado. Talvez sua juventude explique sua falta de paciência para disputar posições e lhe valha alguns penaltys. Cor da pele não. Hamilton apenas pertence a uma geração que erra muito, assim como Massa, Raikkonen, Kubica e Vettel. Certamente há um exagero na quantidade de punições que os comissários andam distribuindo durante as corridas, mas o exagero se estende a todos, alemães, britânicos, italianos, brasileiros, japoneses, finlandeses e poloneses. Pretos, brancos, amarelos e mestiços.

Também entra na discussão uma possível perseguição que a McLaren esteja sofrendo, perseguição movida, talvez, por um vingativo Max Mosley que, eventualmente, acredite que Ron Dennis seja a força motriz por trás do tal vídeo sadomasô que expôs o presidente da FIA. Mas isso é só especulação, e, ainda que fosse fato confirmado, a perseguição nada teria a ver com a pessoa Hamilton, e sim com Ron Dennis e a equipe McLaren como um todo.

É preciso cuidado ao lidar com o assunto, especialmente quando a mídia (sobretudo a inglesa) parece motivada a jogar lenha na fogueira, transformando a reação do público em Interlagos, no último GP Brasil, em racismo. O racismo não esteve presente em São Paulo na última decisão de título. Hamilton foi sim vaiado a cada aparição nos telões espalhados pelo circuito paulista, mas em uma situação extremamente peculiar em que o inglês disputava o título contra o piloto da casa. Nada que justificasse o chororô de Anthony Hamilton, pai de Lewis, dizendo-se chateado e decepcionado pelo fato de o Brasil ser um país racista. Se parasse para pensar, Anthony, Lewis e CIA perceberiam que sequer faz sentido falar de racismo num país de tanta mistura como o Brasil.

Não fazia sentido falar em racismo em São Paulo em novembro como não faz agora. O aumento das punições é realidade para todos os pilotos. Faz parte da patética política adotada pela FIA, algo que já recebeu a consagrada denominação de race control pelo Daniel Médici. Botar a cor da pele dos indivíduos numa discussão como essa soa como falta de auto-estima da parte de quem o faz.

É recomendável parar com o mormaço a respeito da discussão a respeito do racismo na F-1, ou logo logo, de deturpação em deturpação, será exigida a adoção de cotas para negros no grid de largada. Falemos de discriminação quando (tomara que não precisemos) ela existir a sério. Nos mais, vamos continuar a acompanhar corridas de automóvel.

6 comentários:

Ron Groo disse...

Concordo com quase tudo que disse, menos a parte em que você afirma que o Brasil, por ser miscigenado não é racista.
É sim, e o pior é que é um racismo covarde, escondido, oculto e eufemisticamente chamado de "preconceito".

Felipão disse...

é... nisso eu concordo com o Groo. Sem contar que existe racismo com referência a tudo: homosexualismo, obesidade e etc.

GUSTAVO disse...

é por ai mesmo, mais acho que o Hamilton não está sendo punido por ser negro, ele as vezes faiz umas bobeiras mesmo.

Fábio Andrade disse...

Em tempo: Groo e Felipão, salientei que não faz sentido ser racista no Brasil porque somos um povo muito missigenado, mas não afirmei que o racismo inexiste por aqui. Ele existe, como o Groo lembrou, e é muito mais cruel do que o Apartheid, por exemplo, porque é velado.

Mas ele não faz sentido. Não faria em situação alguma, tanto mais num país em que a maioria das pessoas possui ascendências negras, indígenas e brancas na família.

Marcos Antônio Filho disse...

acho que o Sutil falou uma grande merda e quer suscitar uma polêmica a toa. Mas racismo infelizmente está presente ainda na sociedade brasileira, é algo que está enraizado há tempos e não quer se retirar.

Saraiva disse...

Também acho um exagero relacionar esses acontecimentos com o hamilton de racismo.