quarta-feira, 10 de setembro de 2008

Menos do mesmo

Apesar dos pesares, não é só da punição de Hamilton que se vive a vida. A F-1 continua e toca a seqüência do calendário. Próximos dias 12, 13 e 14 serão realizadas as atividades referentes ao GP Itália, em Monza.

Favoritos? Difícil apontar. Num balanço dos últimos anos, a Ferrari é a equipe que mais tem vencido no circuito italiano, mas ano passado a McLaren foi dominante durante todo o fim de semana. Os ingleses fizeram a 1ª fila na classificação de sábado e a dobradinha no domingo, com Alonso em 1º e Hamilton em 2º. Para a Ferrari restou o 3º lugar com um apagado Raikkonen, que não ameaçou a liderança de Alonso.

E ao olhar para trás, fica mais difícil apontar algum favorito. O ano de 2008 está sendo único, porque os que são apontados como favoritos costumam falhar nas corridas em que teoricamente há vantagem para determinada equipe. A corrida da Spa, exceto as últimas três voltas finais, provou que Ferrari e McLaren estão muitíssimo próximas, e que está cada vez mais difícil apontar qual das duas está em melhor fase.

A corrida belga também deixou clara uma suspeita que existia desde a 1ª metade do ano: a McLaren vai obter vantagem com a escolha da Bridgestone de levar compostos médios e duros para as provas da Itália e da China. Ficou claro que na última perna do GP Bélgica, após a segunda parada dos ponteiros, a McLaren de Hamilton rendia mais que a Ferrari de Raikkonen, ambos com pneus duros. Portanto há uma pequena (e teórica) vantagem para o time de Woking.

Porém, a pista de Monza é desafiadora para pilotos e equipes. Junto com Spa, o traçado italiano forma uma espécie de dupla divina para pilotos e fãs do esporte. É a maior média horária do ano e possui freadas fortíssimas, onde a velocidade cai de 350 km/h para menos de 100 km/h em questão de segundos. Portanto, eficiência aerodinâmica e boa capacidade de tração são essenciais, e são pontos em que, também teoricamente, a Ferrari desempata o jogo a seu favor.

Enfim, o GP Itália tem tudo para ser um dos mais excitantes do ano. E há um dado ainda mais interessante: Hamilton está mordido com a punição recebida em Spa-Francorchamps. Vai chegar a Monza querendo estragar a festa que os tiffosi estão preparando. Desde 2006 sem comemorar um triunfo vermelho diante de sua torcdia, a Ferrari terá de tomar muito cuidado com o prodígio inglês.

Outras notinhas...

- A McLaren decidiu recorrer da decisão tomada em Spa. A equipe vai entrar com a ação na Corte de Apelações da FIA e o resultado só deve sair daqui a um mês. E querem saber? Duvido que a decisão de domingo será revertida. Primeiro porque a tabela já foi afetada fortemente e a federação não deve querer intervir no resultado. Segundo por um motivo meramente regulamentar: drive through é uma punição inapelável, não pode ser contestada. Portanto deve ficar ficar tudo na mesma.

terça-feira, 9 de setembro de 2008

Mais do mesmo

Como era previsível, o assunto rendeu. Só não digo que foi a discussão mais evidente nos botecos país afora porque Fórmula-1 não é futebol. Mas a comunidade automobilística está, desde domingo, elétrica. A punição aplicada a Hamilton foi justa ou não foi justa?

Eu já li muita coisa, já reví a cena zilhões de vezes, já perdi a conta de quantos pitacos distribui pela blogosfera e não consigo me convencer da inocência do inglês, digam o que digam.

Pra mim, Hamilton levou vantagem a partir do momento em que, muito espertamente, ficou colado em Raikkonen ao sair da sua Bus Stop manca, de uma perna só. Se Hamilton contornasse a chicane corretamente jamais conseguiria estar tão próximo de Raikkonen. O amigo Juliano "Kowalski" Barata explica aqui (muito melhor do que eu), de forma quase que definitiva, porque Hamilton mereceu ser punido.

E eu exerço minha habilidade bloguística aqui, na coluna que gentilmente me é cedida semanalmente pelo amigo Deivison Conceição. E lembro aos corneteiros: não tentem comparar o acontecido domingo com a garfada histórica de Suzuka-1989.

Coluna do Fábio no Esporte Zone. Comentários são bem-vindos.

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

Bélgica - Memories

Sete vezes Schumacher

Edição 2004 da prova belga, Spa-Francorchamps.


A prova podia decidir o mundial daquele ano. E decidiu, mais uma vez a favor de Schumacher, histórica e impressionantemente 7 vezes campeão mundial de Fórmula-1. 2004 foi o último dos anos de domínio absoluto da Ferrari, mas fechou o ciclo com chave de ouro.

Ferrari campeã de construtores, Schumacher de pilotos e, posteriormente, Rubens Barrichello vice-campeão. Seria o correspondente à “Tríplice Coroa” do futebol brasileiro (campeonato estadual, Copa do Brasil e Campeonato Brasileiro). A conquista de Schumacher veio em um lugar que é especial somente por existir, mas que tem um significado ainda mais especial para o alemão. Em Spa, Schumacher estreou em 1991 e um ano depois venceu sua primeira corrida, iniciando a incrível rota que contaria com mais 90 triunfos. O hepta de Schumi parece também ter escolhido uma ocasião especial para se concretizar: foi a participação de número 700 da Ferrari na Fórmula-1.

A corrida, como de costume em Spa, foi movimentada. Trulli manteve a ponta na largada, Schumacher perdeu posições para Alonso (sim, o sistema de largada da Renault começava a apavorar) e Coulthard e caiu para o 4º posto. Barrichello, o 6º, se envolveu num toque na La Source e teve a corrida comprometida. Na seqüência vários carros se tocaram na saída da Eau-Rouge e o Safety Car foi acionado pela primeira da três vezes em que sua entrada se faria necessária.

A corrida recomeçou 4 voltas depois e um Schumacher extremamente conservador foi ultrapassado por Raikkonen na Eau-Rouge. Na mesma volta o alemão sofreu a primorosa ultrapassagem realizada por Juan Pablo Montoya e sua Williams, na Bus Stop, de forma pouco convencional. Montoya ainda repetiria a manobra contra o italiano Trulli da Renault, mas a disputa terminaria com o europeu fora da pista.

Na 11ª volta Raikkonen assumiu a liderança da prova para não mais abandoná-la. No final, um providencial Safety Car entrou em ação, graças ao estouro do pneu da Honda de Jenson Button. Schumacher fez sua última parada e se garantiu em 2º, com Montoya em 3º. O colombiano, porém teve um pneu estourado a poucas voltas do fim e Rubens Barrichelo, numa incrível recuperação, chegou ao pódio para assistir de perto à 1ª vitória de Raikkonen em 2004 e o 7º título de Schumacher.

Com os 128 pontos conquistados com o 2º lugar, Schumacher só poderia ser alcançado pelo companheiro de equipe, com 88. Mas nos critérios de desempate, Schumacher, com 12 vitórias até ali, era garantido como campeão da temporada 2004.

Aloncentrics

Eu, apesar de sempre procurar para ver no Youtube, nunca havia comentado nada sobre os Quemagomas, a animação (bem) bolada pela rede de tv TeleCinco, da Espanha. As bem-humoradas tiras quase sempre têm como protagonista o espanhol Fernando Alonso, e são exibidas antes dos gp's para o público.



O vídeo retratando a situação do bicampeão no GP Bélgica é fiel à realidade. Alonso anda sendo questionado sobre possíveis conversas com a Honda, com a BMW e sobre uma possível permanência na Renault. Todas as alternativas, porém, estão abaixo do que se imagina ser a prioridade do espanhol: sentar no sonhado cockpit vermelho em 2010. Há quem diga que Alonso e Ferrari já estariam acertados para daqui a duas temporadas.

Hoje, porém, a tv italiana Sky revelou que Alonso estaria contratado por três anos pela BMW. Deve se tratar de mais uma das "bombas" que pipocam toda semana na imprensa da Europa, mas imaginar a situação é um exercício interessante. A BMW é a mais promissora das equipes emergentes e Alonso, aliado ao polonês voador Robert Kubica, formaria uma dupla igualmente capaz de lutar por vitória e até por títulos, no médio prazo. Alonso atestaria seu certificado de "piloto que faz a diferença": conduziu a Renault a dois mundiais e, numa situação hipotética, também faria da BMW uma equipe campeã.

Deixe a imaginação rolar. Já pensou?

domingo, 7 de setembro de 2008

Decimão

Graças à confusão pós-Spa um dado interessante acabou passando em branco. Com a vitória de hoje, Felipe Massa se torna o quarto melhor brasileiro na Fórmula-1. A vitória de hoje foi a décima de sua carreira.

Felipe superou Rubens Barrichello, que possui 9 triunfos, e desde o GP Brasil 2006 já havia deixado José Carlos Pace, que possui apenas 1 vitória, para trás. Massa está agora atrás apenas dos brasileiros campeões.

O Ranking de Vitórias do Brasil na F-1:
1. Ayrton Senna - 41
2. Nelson Piquet - 23
3. Emerson Fittipaldi - 14
4. Felipe Massa - 10
5. Rubens Barrichello - 9
6. José Carlos Pace - 1
TOTAL: 98

Entre os pilotos em atividade, Massa também é o 4º mais vitorioso, superado pelos campeões Fernando Alonso (19), Kimi Raikkonen (17) e pelo escocês David Coulthard (13).

Os Maiores Vencedores em Atividade na F-1:
1. Fernando Alonso (19)
2. Kimi Raikkonen (17)
3. David Coulthard (13)
4. Felipe Massa (10)
5. Rubens Barrichello (9)
6. Lewis Hamilton (8)
7. Giancarlo Fisichella (3)
8. Jarno Trulli (1)
.Jenson Button (1)
.Robert Kubica (1)
.Heikki Kovalainen (1)

Bélgica - Results & Coments [7]

Vai dar o que falar


Felipe Massa é o novo vencedor do Grande Prêmio da Bélgica de Fórmula-1. Numa decisão polêmica, a FIA (Federação Internacional de Automobilismo) julgou que a manobra da ultrapassagem de Hamilton sobre Raikkonen foi irregular. Logo após o término da corrida a vitória de Hamilton ficou "sob investigação" e por volta das 13hs em Brasília (18hs na Bélgica) saiu a decisão: 25 segundos, que em teoria seria o tempo de um drive-through, foram adicionados ao tempo de chegada de Hamilton.

Com a punição, Felipe Massa, que cruzou 14s461 depois de Hamilton, herda a vitória em Spa. O brasileiro fica agora a apenas dois pontos do inglês na classificação, restando cinco corridas para o final da temporada.

Nick Heidfeld também ganhou uma posição, passando do 3º para o 2º lugar.

O problema desse tipo de decisão é a discussão que é gerada. Muito vai se falar da atuação da FIA no caso e de uma possível e velada proteção que a entidade oferece à Ferrari. O assunto não é novo, foi ressucitado no GP Europa, e agora ressurge com força total. Em Valência muita gente achou branda a punição aplicada à Ferrari pelo quase-acidente entre Felipe Massa e Adrian Sutil. A equipe foi punida em 10 mil euros (uma sumidade, diga-se) e ficou por isso. Talvez a FIA não quisesse se meter num campeonato tão bem disputado. Mas a decisão de hoje interferiu veementemente na tabela de classificação.

Vídeo: resumo da corrida contendo o incidente entre Raikkonen e Hamilton (o incidente está entre o período 2:54 e 3:10)



Por outro lado, a manobra de Hamilton não podia passar em branco. O inglês pode não ter agido com má fé, mas foi muito esperto. Ao cortar a chicane que ocupa o lugar da antiga Bus Stop, Hamilton ganhou a posição de Raikkonen ilegalmente. Percebendo o erro, o inglês devolveu a posição a Raikkonen, mas já armando o bote, melhor tracionado e embutido na Ferrari do finlandês, roubando-lhe a 1ª posição na La Source. Ficou evidente que Hamilton levou vantagem na manobra.

A FIA, com a decisão, ficou no limite da legitimidade. Julgamentos e decisões que afetam diretamente o resultado de uma competição sempre são controversos. Haverá grande discussão até o fim da temporada e, especialmente se o campeão for Massa, o resultado do ano de 2008 sempre será lembrado com esse porém, o de uma decisão no tapetão que mexeu com a realidade da disputa.

--

Depois de tudo isso, Massa, por razões óbvias é o grande vencedor do fim de semana. Mas de uma forma que não agrada a nenhum torcedor. A McLaren lançou um recurso contra a punição e na próxima semana a FIA decide se acata ou não o protesto.

Acho que dificilmente a federação voltará atrás numa decisão que por sí só já é complcadíssima.

Os próximos capítulos serão interessantes...



Tabela 2008, após 13 etapas

GP Bélgica, após 44 voltas:


01
Felipe Massa
Ferrari
01h22m59s394

02
Nick Heidfeld
Bmw Sauber
+00m9s383

03
Lewis Hamilton
Mclaren-Mercedes
punido

04
Fernando Alonso
Renault
+00m28s939

05
Sebastian Vettel
Toro Rosso
+00m29s037

06
Robert Kubica
Bmw Sauber
+00m29s498

07
Sebastien Bourdais
Toro Rosso
+00m31s196

08
Mark Webber
Red Bull
+00m57s237

09
Timo Glock
Toyota
punido

10
Heikki Kovalainen
Mclaren-Mercedes
+1 volta

11
David Coulthard
Red Bull
+1 volta

12
Nico Rosberg
Williams
+1 volta

13
Adrian Sutil
Force India
+1 volta

14
Kazuki Nakajima
Williams
+1 volta

15
Jenson Button
Honda
+1 volta

16
Jarno Trulli
Toyota
+1 volta

17
Giancarlo Fisichella
Force India
+1 volta

18
Kimi Raikkonen
Ferrari
+2 voltas

19
Rubens Barrichello
Honda
+25 voltas

20
Nelsinho Piquet
Renault
+31 voltas

Classificação Geral de Pilotos, após 13 etapas:


01 - Lewis Hamilton (McLaren) - 76
02 - Felipe Massa (Ferrari) - 74
03 - Robert Kubica (BMW) - 58
04 - Kimi Raikkonen (Ferrari) - 57
05 - Nick Heidfeld (BMW) - 49
06 - Heikki Kovalainen (McLaren) - 43
07 - Jarno Trulli (Toyota) - 26
08 - Fernando Alonso (Renault) - 23
09 - Mark Webber (RBR) - 19
10 - Timo Glock (Toyota) - 16
11 - Nelsinho Piquet (Renault) - 13
12 - Sebastian Vettel (STR) - 13
13 - Rubens Barrichello (Honda) - 11
14 - Nico Rosberg (Williams) - 9
15 - Kazuki Nakajima (Williams) - 8
16 - David Coulthard (RBR) - 6
17 - Sebastien Bourdais (STR)- 4
18 - Jenson Button (Honda) - 3
19 - Giancarlo Fisichella (Force India) - 0
20 - Takuma Sato (Super Aguri) - 0
21 - Anthony Davidson (Super Aguri) - 0
22 - Adrian Sutil (Force India) - 0

Classificação Geral de Equipes, após 13 etapas:


01 - Ferrari - 131
02 - Mclaren-Mercedes - 119
03 - Bmw Sauber - 107
04 - Toyota - 42
05 - Renault - 36
06 - Red Bull - 25
07 - Williams - 17
08 - Toro Rosso - 17
09 - Honda - 14
10 - Force India - 0
11 - Super Aguri - 0

* Atualizado em 07/09/08, 17H09min

Bélgica - Results & Coments [6]

Resumo do campeonato diante dos olhos de Spa

Sui generis. Assim foi o final do GP Bélgica. A chuva que ameaçou cair durante toda a prova veio no finznho, a duas voltas do fim. Não foi forte a ponto de gerar um spray e é aí que se nota o capricho que São Pedro reservou aos pilotos. Se a água viesse com força, torrencialmente, motivaria uma entrada geral nos boxes ou o fim prematuro da corrida. Mas a chuva veio mansa, suficiente para complicar a pilotagem com pneu de seco, mas para ainda permití-la por apenas uma volta. E entre os mortos e feridos do fim de corrida maluco em Spa, Raikkonen é o que, de longe, saiu no maior prejuízo.

O campeão vinha, finalmente, fazendo uma boa corrida. Depois de tanto tempo com saudade da posição número #1, Raikkonen estava onde o algarismo inscrito na frente de sua Ferrari sugeria. Kimi sabia que Spa, muito provavelmente, era sua última chance de se manter vivo na briga, nem tanto na do campeonato, mas na disputa interna da Ferrari. Foi competente na 1ª volta ao ultrapassar Massa e contou com a péssima partida de Kovalainen e com a rodada de Hamilton na La Source, no início do segundo giro. Dava pinta de, enfim, voltar à briga, ou pelo menos pôr uma dúvida na cabeça da direção da Ferrari. Mas a chuva que veio a duas voltas do fim mudou tudo.

Se a água viesse no meio da prova, muita coisa seria diferente. Todo mundo iria para seu pit stop, colocaria pneus apropriados e voltaria a pista. Ok, o pit lane iria ficar sobrecarregado e certamente uma zebra pintaria no pódio. Mas não seria tão cruel para Kimi. Como já disse, ficou parecendo que os céus tramaram contra o finlandês. A duas voltas do fim, não valia a pena ir ao box e trocar pneu. Porém, pilotar durante 14 km com pneu de seco na pista molhada seria um risco alto. Os ponteiros Raikkonen, Hamilton e Massa decidiram correr o risco. Pior para Kimi.

No circo que se formou na pista de Spa, Raikkonen ficou com o nariz vermelho. Entre saídas e escapadas o finlandês deu mais azar. Perder o controle do carro era uma possibilidade, e ela podia se concretizar em diversos pontos da pista, como chegou a ocorrer com Hamilton e com o próprio Kimi. Mas patinar na chegada da Bus Stop, onde o muro é bem próximo, foi um pecado caro demais. A batida a uma volta do fim foi, para Raikkonen, quase tão cruel quanto a explosão do motor de Massa em Hungaroring. Quase porque na Hungria Massa foi absolutamente isento de culpa, diferentemente de Kimi que, claro, foi vítima da chuva, mas podia ter maneirado e diminuído a velocidade no trecho.

Para Kimi é fim da linha, pelo menos na briga pelo título. Para que o finlandês volte a disputa alguma hecatombe precisa acontecer com Massa e, se for assim, certamente Hamilton já estará a um passo de se consagrar campeão.

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Além do talento, Hamilton vai revelando que é um cara que tem estrela. Depois de surpreender a Ferrari e fazer a pole ontem, perdeu a liderança num erro bobo na La Source. Parecia resignado com a 2ª posição, que naquela situação ainda lhe renderia 6 pontos de vantagem para Massa. Mas a chuva veio, Raikkonen ficou fora e o inglês venceu. Vitória importante, que o confirma como líder e lhe dá a confortável vantagem de 8 pontos sobre Massa. Restando apenas 5 corridas não dá pra dizer que Hamilton "já é campeão", afinal uma corrida em que o inglês não pontue e Massa vença e "adeus liderança". Mas o Hamilton é o cara que, sem dúvidas, não precisa mais arriscar a cada manobra.


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Massa não pode negar que o resultado lhe foi muito favorável. Mesmo que a Ferrari pense diferente (afinal a equipe podia marcar 16 pontos no mundial de construtores e disparar. Acabou tendo que se contentar com a metade disso, 8). Para Felipe o lucro é grande porque o GP Bélgica serviu para, finalmente, imobilizar Raikkonen, que agora está muito atrás na classificação. Restando 5 corridas, é hora de a Ferrari se preocupar com o crescente Hamilton, cada vez mais líder e cada vez mais isolado. Será curioso, mas o campeão vai ter de ser escudeiro do companheiro de equipe.
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No fim das contas todos no pódio tinham seus motivos para se considerar vencedores. Hamilton por ser de fato o campeão da corrida, Massa por se isolar na briga interna da Ferrari e Heidfeld por conseguir andar mais que Kubica. Depois de passar por dificuldades com o carro e de levar uma "goleada" de Kubica durante quase toda a temporada, o alemão da BMW é brindado com o 3º posto, que ganha contornos especiais para Nick. O comentário no paddock é que a direção da BMW estaria insatisfeita com o rendimento de Heidfeld e pensaria em dispensá-lo no fim do ano. O 3º lugar em Spa é um belo "tapa de luvas". Claro, Heidfeld deve muito a São Pedro, mas assumir o risco de parar no box para pôr os pneus intermediários na penúltima volta foi uma atitude inteligente e corajosa. Se a corrida ainda tivesse mais uma volta certamente o alemão a venceria.


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Vergonha alheia por Kovalainen. Largando em 3º conseguiu cair para 14º na primeira volta com uma McLaren. E sequer completou a prova.
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A corrida foi, enfim, uma crônica sobre o campeonato 2008. Quando tudo parece estar decidido, algo acontece e muda a ordem natural das coisas. Até o dia 2 de novembro em Interlagos tudo pode acontecer!

Bélgica - Results & Coments [5]

No embolado pelotão do meio algumas surpresas: Bourdais chegou a sonhar com o pódio, mas teve de se contentar com o 7º lugar. Não foi, ruim para a Toro Rosso que conseguiu colocar os dois carros na zona de pontuação (Vettel concluiu em 5º).

Para a BMW o fim de semana também não foi de se jogar fora. Além do 3º lugar de Heidfeld, a equipe conseguiu 3 pontos com a 6ª posição de Kubica.

Renault em 4º com Alonso, que deve o resultado a São Pedro. O espanhol, assim como Heidfeld, calçou os pneus intermediários na penúltima volta e avançou entre o pelotão. Assim como Nick, Alonso brigaria pela vitória se a houvesse uma volta a mais.

Fora Massa, os brasileiros não tiveram um dia dos mais proveitosos. Nelsinho bateu ainda no início da prova e Rubinho, com problemas de cãmbio abandonou. É triste lembrar que seu calvário com a Honda será ainda mais desgastante em Monza, onde velocidade de reta (um dos grandes problemas do carro japonês) é ainda mais crucial do que em Spa. É a constatação de o mundo dá mesmo muitas voltas: vencedor e aclamado pela massa vermelha em duas ocasiões (2002 e 2004), Barrichello deve passar em branco no circuito italiano, dessa vez.

sábado, 6 de setembro de 2008

Bélgica - Results & Coments [4]

Invertendo o jogo

No Top-10 a briga pela pole foi boa e surpreendente. Contrariando quem via a Ferrari como favorita à 1ª fila (eu incluso), a McLaren andou forte em todos os três "Q's". No Q derradeiro, o 3, Hamilton não deu chance a ninguém. Volta voadora, três décimos abaixo do segundo colocado. Sem deixar dúvidas de que, até o último metro do GP Brasil, a briga entre McLaren e Ferrari será acirradíssima.

Os quatro pilotos das duas equipes que comandam o campeonato trocaram décimos durante todo o treino, mas a McLaren foi superior em todas as etapas. Mais uma vez, uma equipe apronta surpresas na "casa" da outra. Pelo histórico e pelas características da pista esperava-se um domínio da Ferrari, mas a McLaren surge, outra vez, com pinta de quem está invertendo o equilibrado jogo do mundial 2008.


Apesar de a 2ª posição parecer um mau negócio, visto que se esperava que a Ferrari dominasse a 1ª fila, Massa tem motivos para se manter otimista. Mais uma vez se impôs sobre Raikkonen (que, definitivamente, parece estar perdido dentro do cockpit do F-2008 nas classificações) e largará ao lado do rival na briga pelo título. Amanhã, há váriaveis que podem mudar muito a cara da corrida: a largada será fundamental. Passar bem pela La Source, que costuma complicar a vida dos pilotos, é essencial; a chuva pode aparecer para molhar o circuito de Spa e fazer do GP Bélgica uma grande loteria; e a estratégia, mais do que em qualquer outra pista, vai ser decisiva. Nesse ponto, porém, Massa e a torcida da scuderia devem ter um pouco mais de atenção, afinal, a Ferrari já jogou alguns pontos fora com os erros na leitura da dinâmica da corrida.

Para ter chance e estar na briga da corrida é necessário, acima de tudo, estar sempre perto de Hamilton, não permitir que o inglês abra grande diferença. É uma lição que, espera-se, Massa já deve ter assimilado depois do gp belga do ano passado. Na ocasião, Massa não conseguiu manter o mesmo ritmo do companheiro Raikkonen e não esteve, em nenhum momento, próximo da vitória.

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Na segunda fila, finlandesa, dois exemplos de pilotos superados com folga pelos companheiros de equipe. Com Kovalainen a situação nem é tão surpreendente, mas o que acontece com Raikkonen chega a ser incrível. O campeão está numa escandalosa má fase. Algumas reportagens que tentam explicar a zica de Kimi apontam que o finlandês está encontrando dificuldades em se adaptar às inovações do F-2008. O curioso é que no início do ano o comentário era outro. Dizia-se que Massa reclamava que o novo modelo da Ferrari não combinava com seu estilo de pilotagem. Mais uma inversão de jogo, essa interna, dentro da equipe que ainda não decidiu o homem do título.

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A BMW, que não apresenta mais aquele brilho da início do ano, não fez cócegas na duas equipes-titãs. Ok, o 5º lugar de Heidfeld e o 8º de Kubica não são ruins, mas para quem sempre se intrometia entre Ferraris e McLarens esperava-se mais. Novidade no time é Heidfeld andando mais que Kubica. É apenas a segunda vez no ano que o alemão larga a frente do polonês.

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Alonso em 6º, deve estar rezando para que a chuva caia e pinte uma chance de pódio. Não é impossível.

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A boa surpresa do treino, enfim, é a STR. Os precoces Bourdais e Vettel, em 9º e 10º, respectivamente, fazem bonito. Sem dúvidas a Toro Rosso é a equipe que apresentou maior evolução desde o início do ano (para se ter uma idéia da proeza que significa estar entre os 10: a equipe é descendente da Minardi). E não só o carro evoluiu, os pilotos também são protagonistas dessa melhoria. Jovens, taxados de afoitos por alguns, os dois "sebastians" vão calando a boca do críticos pouco a pouco. Bourdais, em especial, vai se firmando na equipe depois de um início de ano difícil e de muitas críticas. O francês, para surpresa geral, liderou o Q1, ignorando Massa, Hamilton e cia.


1
Lewis Hamilton
McLaren-Mercedes
1min47s338
2
Felipe Massa
Ferrari
1min47s678
3
Heikki Kovalainen
McLaren-Mercedes
1min47s815
4
Kimi Raikkonen
Ferrari
1min47s992
5
Nick Heidfeld
BMW
1min48s315
6
Fernando Alonso
Renault
1min48s504
7
Mark Webber
Red Bull
1min48s736
8
Robert Kubica
BMW
1min48s763
9
Sébastien Bourdais
Toro Rosso
1min48s951
10
Sebastian Vettel
Toro Rosso
1min50s319