Acreditar em destino é a tendência dos mais crentes. E se, por um acaso, tudo já estivesse escrito para o campeonato 2009 da Fórmula-1 se notaria a marca da ironia no traço desse escritor supremo que rege a categoria. Ironia que se faria notar de forma latente nessa 4ª etapa do mundial, em vários momentos e de variadas formas durante a corrida.
A ironia marcou a corrida de Felipe Massa, último vencedor das duas últimas edições da corrida barenita. Ou acham que é pouca ironia o brasileiro se encontrar com Kimi Raikkonen logo na 1ª curva e perder parte do bico? Na equipe mais conservadora do grid, em que seus pilotos jamais disputam posições de modo muito acalorado, um toque entre os dois titulares é raríssimo. Raikkonen já está absolvido de qualquer culpa, o toque sequer foi intencional. Mas ele não poderia ter escolhido pior lugar para acontecer. Foi no Bahrein que Massa virou o jogo e arremessou para longe a desconfiança com a qual chegou ao deserto em 2007 e 2008. O Bahrein foi o signo da virada na vida do brasileiro em seus últimos dois anos de Ferrari. Eis que em 2009 a virada não veio e Massa é um dos 6 pilotos que ainda não pontuaram na temporada.
Isso sem falar na inversão de papéis entre Massa e Button. O primeiro, acostumado a “colocar” volta no segundo em 2008, “levou” um giro de desvantagem na corrida de hoje. O mundo, literalmente, dá voltas.
Falando em Ferrari, a equipe chegou a liderar o GP Bahrein durante parcas oportunidades. Mas as voltas na ponta não longas e foram frutos da estratégia de paradas tardias adotada por Raikkonen. Pelo menos os italianos voltam à Europa com três pontos no bolso, amenizando um pouco a cobrança, mas não perdendo a obrigação de reagir na Espanha.
De Sebastian Vettel se esperava muito. Largando em 3º, mais pesado do que as Toyotas a sua frente, o alemão era o grande favorito da corrida desértica. Mas, ao contrário do que se imaginava, Vettel no seco não foi tão exuberante quanto no molhado. Fez uma corrida mediana, errou muito, não andou tão rápido quanto o necessário e sai do oriente com a impressão de que o 2º lugar foi até bom. É no mínimo curioso que um piloto tão bom no molhado ainda não tenha uma vitória memorável no piso seco. A ironia maior reside no fato de que Vettel não foi derrotado por Button e sim por Ross Brawn.
Minto, Button tem sim sua cota de responsabilidade, lógico, pela vitória. O mais curioso, entretanto, é que não foi ele quem ganhou o GP Bahrein. Na verdade, Ross Brawn e Michael Schumacher venceram a corrida, mesmo que nenhum dos dois tenha entrado num carro hoje. Brawn venceu por motivos óbvios. Há duvidas de que mesmo que, hipoteticamente, não tenha sido Ross o estrategista de Button, foi sua herança que triunfou no Sakhir? A corrida não foi decidida na 1ª volta, como o engenheiro disse a Button na volta da vitória. A corrida foi vencida na primeira parada de boxes, em que Button andou mais rápido e deu um baile na concorrência. Brawn continua dando as cartas na F-1, com suas estratégias mirabolantes. Schumacher e sua herança continuam vivos, apesar de o alemão já não ser piloto oficial há 2 anos e meio. E a F-1 muda, muda, muda, mas continua a ser a mesma de 5 anos atrás.
Button apenas repete o método de Schumacher. É uma espécie de Cláudia Leitte da F-1 (o Button não tem uma bunda tão boa, é verdade) que apenas reutiliza a cartilha notada e comprovadamente eficiente de Ivete Sangalo. É a isso que se resume o início de temporada da F-1 2009: a repetição de uma história que já deu certo. Há mesmo tantos méritos nisso?Então fica a dica: se quiserem fazer com que a F-1 mude mesmo, retirem o senhor Brawn do pit wall. Mas dêem um jeito de matar a herança deixada pelo projetista e também pelo executor das ações, Schumacher. Ou então, contentem-se com o rumo que a F-1 tomou. Enquanto pit stops existirem, existirá sempre um Brawn e um Schumacher dispostos a ganhar uma corrida.
Ao fim do balaio de gatos barenita, onde o pódio não tem champanhe e o anúncio oficial exibe uma tremenda loira decotada, enquanto as nativas ainda trajam a burca, apenas em um segmento da corrida a ironia não atuou. Foi com Rubens Barrichello. Ou talvez sim, como no momento em que ficou atrás de Nelsinho Piquet durante algumas voltas. Logo contra um Piquet, cujo maior representante do clã sempre fez questão de diminuir Barrichello, o ex-ferrarista fez uma bela ultrapassagem no final da reta principal. Fora isso, no entanto, Barrichello não teve companhia da ironia. A temporada do brasileiro vai se desenhando apenas como a manutenção daquilo que Rubinho sempre fez de melhor: sair-se pior do que o companheiro de equipe. Button dispara com 31 pontos e deixa o brasileiro com 19. Em quatro corridas Button venceu três e chegou ao pódio em uma. Barrichello apenas compareceu à cerimônia pós-corrida em uma oportunidade. Rubens vai se tornando lenda por ser o melhor escudeiro da história recente da F-1. É uma espécie de Coyote que sempre se da mal na briga com o Papa-Léguas. Aqui não há (será?) ironia. A figura de linguagem chama-se hipérbole.
GP Bahrein, após 57 voltas:
1. Jenson Button – Brawn – 1:31:48.182
2. Sebastian Vettel – Red Bull - a 7.187
3. Jarno Trulli –Toyota - a 9.170
4. Lewis Hamilton – McLaren - a 22.096
5. Rubens Barrichello – Brawn - a 37.779
6. Kimi Raikkonen – Ferrari - a 42.057
7. Timo Glock – Toyota - a 42.880
8. Fernando Alonso - Renault – a 52.775
9. Nico Rosberg – Williams – a 58.198
10. Nelson Piquet – Renault – a 1:05.149
11. Mark Webber – Red Bull – a 1:07.641
12. Heikki Kovalainen – McLaren – a 1:17.824
13. Sebastien Bourdais – Toro Rosso – a 1:18.805
14. Felipe Massa – Ferrari – a 1 volta
15. Giancarlo Fisichella – Force India – a 1 volta
16. Adrian Sutil – Force India – a 1 volta
17. Sebastien Buemi – Toro Rosso – a 1 volta
18. Robert Kubica – BMW – a 1 volta
19. Nick Heidfeld – BMW – a 1 volta
Tudo isso na primeira corrida de uma equipe que é descendente de um caos motorizado, a Honda dos anos 2000.
Sebastian Vettel e Felipe Massa agradeciam a Rubinho. Ocupando, respectivamente, o 2º e o 3º lugares, os dois faziam uma corrida que “dava para o gasto”, afinal, nenhum deles tinha chance de se aproximar de Button, que a essa altura já estava a 4 segundos de distância.
Mas Piquetzinho não foi o único a viver momentos delicados no GP Austrália. Giancarlo Fisichella também merece uma citação na sessão que se destina a lembrar das patacoadas da prova australiana. Veterano que é, Físico foi capaz de errar a entrada de boxes da Force India. Sensação de que, sai ano, entra ano, e a equipe indiana continua mergulhada entre as pequenas.
Do lado positivo da corrida, Nico Rosberg mostrava-se um ferrenho batalhador que não se intimidou diante da Ferrari de Raikkonen ou do carro de qualquer outro adversário. Pena que a escolha dos pneus macios para o terço final da corrida tenha lhe roubado a possibilidade de um pódio.
Como primeira demonstração oficial da hierarquia da F-1 para 2009, a classificação do GP Austrália deixou uma infinidade de marcas. A primeira e mais óbvia: a Brawn não era blefe. Os dois carros brancos (agora com patrocínio acertado com o Grupo Virgin, que foi especulado como virtual comprador da equipe em janeiro) fecharam todas (todas!) as etapas do treino classificatório na ponta da tabela. Mais rápidos em todos os setores da pista, Jenson Button e Rubens Barrichello disputaram uma classificação particular entre si. A primeira fila inteiramente brawniana é sinal de a nova regra aerodinâmica criou um efeito de bomba de nêutrons a sacudir a categoria máxima. E todo mundo parece ainda se acostumar a esse favoritismo já declarado, mas que ainda aguardava confirmação.
Ano de regras novas, mas com as mesmas e boas surpresas de sempre.
De toda forma, é notável o ganho de rendimento da equipe de Grove em relação a 2008.
Não adiantou trazer o KERS, apesar da aparente contribuição que o dispositivo forneceu aos rossos. Perto do desempenho da Brawn, talvez a alta cúpula da Ferrari já comece a questionar a real eficiência do sistema de recuperação de energia cinética.
Fato é que o número #1 no bico do MP4/24 não torna o carro de Hamilton mais veloz. O que era uma mera suposição na pré-temporada materializa-se como uma dura realidade para a McLaren: a equipe foi a que mais perdeu terreno com a mudança radical das regras.
Na corrida seguinte, na China, Vettel novamente surpreendeu. Numa prova em que Lewis Hamilton cometeu sua patacoada histórica, Vettel levou a Toro Rosso a um encorajador 4º lugar. A corrida chinesa também contou com pista molhada no seu início.
Enzo Ferrari se revira na tumba.
A apresentação modesta (como têm sido modestas todas as apresentações nesse 2009 de crise) foi feita em Jerez de La Fronteira, tradicional palco de testes da F-1. O carro foi projetado pelo festejado Adrian Newey que, como tantos outros técnicos da área, salientou que as mudanças no regulamento são das mais radicais das últimas décadas: "este ano terá provavelmente a maior mudança nas regras desde 1983, quando os carro-asa foram proibidos. É uma mudança drástica. Começamos com uma folha em branco e consideramos todas as implicações das novas regras e como interpretá-las.” – disse o projetista, que também foi cético em relação ao aumento das ultrapassagens. Segundo Newey, “ficará um pouco mais fácil, só que não será uma mudança grande como as pessoas desejam. O desenho dos circuitos ainda é o fator mais importante para que haja trocas de posição. No ano passado, o pelotão estava muito próximo, com um grid bem apertado e cinco equipes vencendo corridas. Acredito que o novo regulamento vai gerar um efeito contrário, com só um ou dois times acertando em cheio e vencendo todas as provas."
Dona dos números #14 e #15, a RBR espera, finalmente, vencer sua primeira corrida na F-1. Para começar a testar o novo carro, a equipe escolheu Vettel, que já realizou o shakedown na pista espanhola. Webber só pega no volante do RB5 na quarta-feira, quando estará apto a retomar suas atividades após a recuperação de sua fratura na perna.
A decisão do alto comando da STR não pode ser classificada de outra forma senão como sensata. Bourdais, afinal, era a escolha mais segura entre as opções apresentadas pela imprensa como postulantes a uma vaga: Jenson Button é uma incógnita britânica, um piloto que se perdeu depois de um começo promissor. Ninguém mais sabe onde o inglês é capaz de chegar. Takuma Sato não é todo de se jogar fora, mas a fama de “showman” e trapalhão conquistada depois de algumas passagens pela F-1 não contribui para sua imagem. Sua maior esperança de voltar a um cockpit da categoria máxima era conseguir um gordo patrocínio para injetar a grana na Toro Rosso. O japonês não conseguiu, como Bruno Senna também não. O último, aliás, era, de longe, o maior tiro no escuro: um piloto que apesar de rápido na GP2, não foi devidamente “testado” na F-1.
Se Massa brilhou, Hamilton também deu uma amostra clara de que automobilismo não é só estar no limite o tempo todo. Outrora criticado pelo instinto indomável, o inglês foi cerebral hoje em São Paulo. Tática absolutamente inteligente. Massa precisa se esfalfar, descontar 7 pontos de desvantagem que tem. A Hamilton basta ser o mínimo, correr pelo mínimo e, se tudo correr bem nas 71 voltas da corrida de amanhã, ser campeão. Isso também é automobilismo. Mesmo que o objetivo de Hamilton, em tese, fosse a 1ª fila, o 4º lugar está de bom tamanho. Ter a cabeça no lugar e poupar o equipamento, já desgastado pela corrida de Xangai na China, também são atributos esperados de um possível campeão.
O 4º lugar de Hamilton, portanto, ainda não deve ser motivo de comemorações estridentes da torcida brasileira. Nessa posição o inglês é campeão independente do resultado de Massa. Vale a lembrança: Hamilton precisa de uma 5ª posição para levar a taça por conta própria. Massa, se quiser sair de Interlagos como campeão, terá de vencer e torcer para que o piloto da McLaren chegue em 6º, ou pior posição.
O italiano acabou, talvez sem a intenção, dando uma senhora força à escuderia mais famosa de seu país. Graças a Trulli, há mais um carro separando a Ferrari de Massa da McLaren de Hamilton.
__
E, falando em Vettel, STR e RBR, fica a pergunta: será que sair da Toro Rosso (uma das equipes mais simpáticas da F-1 em toda a história, me atrevo a dizer) em direção a Red Bull é um bom negócio para o alemãozinho?
A temporada que se encerra no próximo domingo em Interlagos deixará suas marcas na história. Não é papo-clichê-de-blogueiro, é constatação. Se 2007, com seu escândalo de espionagem, com o racha dentro da McLaren e com a perda do título para o azarão Raikkonen, jamais será esquecido, 2008 também tem suas razões para ser lembrado por muito tempo, a começar pelos dados citados no 1º parágrafo: 7 pilotos venceram corridas nesse ano, o que comprova a tese que essa é uma das temporadas mais imprevisíveis dos últimos anos. Além disso, pelo menos 3 dessas vitórias são de pilotos apontados como expoentes da próxima geração de campeões, a exceção, talvez, de Kovalainen, que ainda não mostrou a que veio. Kubica e Vettel, que já chamavam a atenção do público mesmo antes de estrearem como vencedores, são os caras que, certamente, vão “aposentar” Alonso, Massa, Raikkonen e CIA (não cito Hamilton nessa turma de “aposentáveis” porque o inglês tem quase a mesma idade de Robert e Sebastian). Por essas, e algumas outras, 2008 merecerá citação no futuro: foi nesse ano que brilhou pela primeira vez a estrela de dois futuros campeões.
Assistir ao nascimento de talentos tão interessantes é um alento depois dos “anos-Schumacher.” Nada contra o alemão, pelo contrário, não escondo de ninguém minha idolatria pelo queixudo. O grande negócio é que durante o domínio do heptacampeão na F-1, os jovens talentos não conseguiam espaço para aparecer. A dobradinha Schumi-Ferrari foi tão unânime (em termos de resultados), que não ofereceu espaço à renovação. Durante anos foi escasso o número de pilotos que chegaram à sua primeira vitória, dada a previsibilidade das corridas. De 2006 pra cá, no entanto, a situação mudou de figura. Ainda que ano passado apenas Hamilton tenha debutado no lugar mais alto do pódio, os novatos já começavam a incomodar. Em 2008, mesmo com a briga pelo título aberta a vários pilotos até o fizinho da temporada, os garotos-prodígio aproveitaram as mancadas da equipes grandes para aparecer.
A McLaren também errou, lógico, mas as falhas estiveram dentro de um limite mínimo. Enquanto equipe, o time de Woking não cometeu falhas graves. Erros e atitudes precipitadas ficaram por conta do favorito ao título, Lewis Hamilton: as cortadas de chicane em Magny-Cours e Spa e a patuscada no pit stop de Montreal são as mais lembradas.
Quem também, assina seu nome no livro de causos de 2008 é Fernando Alonso. Descartado no início do ano na fraca Renault, o bicampeão recuperou a confiança, voltou a vencer com autoridade e renovou a esperança de que a Renault possa voltar a crescer em 2009.
Destaques do lado negativo: Kimi Raikkonen é o maior deles. O atual campeão esteve irreconhecível em 2008. Depois de vencer o mundial em 2007, Raikkonen apagou, e provou ser um piloto ímpar. Não é piada, é fato. Kimi vai bem em anos ímpares e some em anos pares. Acompanhe: em 2003 Raikkonen disputou o título com Schumacher até o último gp, no Japão, e perdeu o campeonato por míseros 2 pontos. Em 2004, sua McLaren não foi páreo para os carros da Ferrari, e o finlandês só venceu uma corrida, o GP Bélgica. Em 2005 novo período de luzes, e Raikkonen voltou a ter bons resultados. A confiabilidade do carro, entretanto, era um problema, e as constantes quebras lhe fizeram dar adeus ao título, que ficou com Alonso. Em 2006, novas trevas, nenhuma vitória e um jejum que só seria quebrado em 2007 no GP Austrália. No final do ano o finlandês, na Ferrari, finalmente sagrava-se campeão do mundo. E 2008 foi isso que a gente viu: apenas duas vitórias e sem chance de ser campeão.
Um caso a se tratar com uma numeróloga.
Domingo que vem, a essa hora, o ano de 2008 já terá “morrido” para a F-1. Assim que o GP Brasil acabar os olhares se voltarão para 2009 e para as intensas mudanças que a categoria sofrerá. Qualquer que seja o resultado, a história estará feita.
Os pneus da McLaren de Lewis estavam tão degradados que o britânico sequer conseguiu concluir a curva que dá acesso aos boxes. “Abriu” a tangência, subiu na caixa de brita e ficou empacado na única e minúscula área de escape não-asfaltada do autódromo de Xangai. Pagou pela inexperiência e adiou o sonho para Interlagos.
As atenções do GP China 2007 ainda foram divididas com os bons 5º lugar da Honda de Jenson Button e o 4º posto de Sebastian Vettel, da Toro Rosso.
Na hora da largada chovia muito e a partida foi dada com Safety Car, para que os pilotos pudessem se ambientar à pista encharcada. Porém, a medida que era cautelar foi prorrogada além do limite: o carro de segurança adiou o início real da corrida por 20 voltas, ou longos 40 minutos. Havia muita água e neblina na pista, condições nada seguras para a realização de um gp de F-1.
Mas automobilismo é feito de riscos, está na essência do esporte. Talvez entendendo isso, a direção de prova finalmente ordenou a saída do Safety Car da pista e, finalmente teve início o GP Japão. No momento da relargada ficou claro que a corrida seria muito confusa. A chuva forte só permitia ao líder enxergar com nitidez. O resto do grid teria de se guiar pela luz piscante dos carros da frente. O spray formado pela passagem dos carros era muito intenso.
A diferença entre a volta de Massa, o pole, e a de Hamilton, o segundo, é de mais de 6 décimos. É muita sobra para uma disputa entre carros tão iguais e entre pilotos sempre tão próximos. A volta voadora de Massa deixa todo mundo com a seguinte pulga atrás da orelha: estaria o brasileiro com uma estratégia de paradas diferente?
__
__