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domingo, 10 de maio de 2009

Espanha - Results & Coments [Excepcionalmente Curto]

Seria o GP Espanha, finalmente, a vingança de Rubens Barrichello contra o blogueiro falastrão que finalmente queimaria a língua?

A resposta é quase.

Porque a corrida de Barrichello foi boa, porque o brasileiro foi rápido durante toda a prova e correu disputando a vitória segundo a segundo com Jenson Button. Mas Rubinho não fez o suficiente.

A fase de Button é excepcional.

Mas mesmo que vencesse, é bom que se diga, Rubinho não estaria se vingando de ninguém, pelo menos não nesse blog. Por que o que andou sendo contestado por aqui há alguns dias foi o Barrichello fora da pista. Dentro dela, são outros 500 e outra esfera de discussão.

Mas o fato é que Jenson Button fez uma corrida segura e a mudança de estratégia operada em sua corrida se mostrou tremendamente correta na dinâmica da prova espanhola. 41 X 27, diferença que deixa Barrichello, o único que parece ter condições de superá-lo, obrigado a virar o jogo. Por mais que pareça difícil.

Quanto ao resto da corrida, foi mais uma amostra da F-1-Brawn. Jogo de xadrez, sem contato, distante, frio, psicológico, higiênico. Ao estilo das melhores dobradinhas Schumacher-Barrichello.

O tempo é curto, por isso, vamos em tópicos:

- Falamos ainda do estilo Brawn de vencer corridas. Certo? Errado? Eficiente, me parece ser a resposta. Porque F-1 jamais foi kart, e enfrentamento corpo-a-corpo raramente fez parte da sintaxe da categoria. O que não deixa de ser irônico (e uma tecla na qual insisto em bater) é ver a categoria tão igual aos anos Schumacher, justamente no momento em que várias mudanças regulamentares foram introduzidas e quando a atual geração começava a se desapegar da lembrança do heptacampeão. São curiosas as voltas que esse mundo dá;

- Jenson Button gostou do papel de predador. O inglês vestiu a fantasia de caçador e se sentiu confortável nela. O inglês começa a pintar como uma figura felina, sempre à espreita, preparando o bote. Button começa a adquirir auto-estima e ares de piloto dominador. Começam a surgir na face de Jenson os traços do cara com mentalidade de predador.

Como que faz bem estar em um carro de ponta;

- Pra Barrichello foi quase, mais uma vez. A manutenção da estratégia de três paradas se revelou ineficiente. Difícil entrar no pantanoso terreno do mérito, mas Barrichello fez uma corrida boa. Rápido, sem esmorecer, mas não suficientemente veloz para superar o “plano B” do companheiro.

O necessário numa hora dessas e deixar a pose de presa e assumir-se como caçador, como Button parece já ter aprendido. Explicações depois da corrida já não fazem diferença;

- O que acontece com a Ferrari? Complicado responder tão depressa. Clássico é dizer: os anos 80 parecem ter voltado a assombrar o time italiano. Paixão rubra, clamor da torcida, história tradicional misturados à boa vontade do staff, mas com uma pitada de erros circenses. E, como todos os erros circenses, os da Ferrari são infantis.

Serão necessários mais 21 anos de fila?

terça-feira, 28 de abril de 2009

Mais do Mesmo: Button tem início de ano à Alonso

Nos últimos dias esse blog encontra-se repetitivo. Explico: depois de tanto mudar, a F-1 continua a mesma, para grande irritação do escriba dessa página. A prova disso é a retumbante vantagem de Jenson Button na tabela.
Desde 2006 um piloto não sai da 4ª etapa do mundial com mais de 10 pontos de vantagem sobre o segundo colocado. Há três anos, Fernando Alonso fez um ótimo início de temporada na Renault, aproveitando-se de uma Ferrari que ainda se recuperava do péssimo ano de 2005. Michael Schumacher só conseguiu vencer justamente na 4ª corrida do ano, em Ímola, mas as vitórias só viriam com constância depois do GP Estados Unidos, onde a dobradinha de Schumacher com Felipe Massa simbolizou a virada da Ferrari no mundial. Depois disso a equipe passou a brigar pelo vitórias com freqüência, mas já era tarde. Alonso e a Renault comemorariam o bi em Interlagos no fim do ano.

Em 2006 Alonso saiu de San Marino com 36 pontos, contra 21 de Schumacher, o 2º no mundial. Sabe-se que o espanhol se valeu de sua regularidade para manter Michael a distância, ainda mais numa configuração de tabela que privilegia a marcação constante de pontos. Os 15 pontos conquistados até Ímola deram a Alonso e a Renault relativa tranqüilidade no campeonato. Schumacher chegou a última corrida com chances, mas depois da quebra do motor da F-248 em Suzuka as chances eram apenas simbólicas.

Ou seja, os 12 pontos de Button sobre Barrichello significam muitíssima coisa. Para a próxima etapa do mundial, em Barcelona, várias equipes prometem mudanças e introdução de melhorias em seus bólidos e a tv não pára de nos lembrar que o campeonato pode virar. Sim, ele pode, é claro. Mas também é bom observar que a Brawn dificilmente ficará parada a espera dos adversários, clamando para que eles a alcancem. Ross Brawn já deve estar se mexendo, a F-1, afinal, é o eterno jogo de jamais ficar parado. O BGP-001 é um ótimo projeto, daqueles que dificilmente caem no ostracismo com facilidade. Uma nova equipe pode surgir soberana, mas mesmo que isso aconteça, a Brawn não deve sair do pódio. E ir ao pódio numa tabela de pontos que admite vencedor e vice-vencedor conta muito. Fernando Alonso que o diga.

domingo, 26 de abril de 2009

Bahrein - Results & Coments [2]

Figuras de linguagem, Cláudia Leitte e heranças aproveitadas no Bahrein

Acreditar em destino é a tendência dos mais crentes. E se, por um acaso, tudo já estivesse escrito para o campeonato 2009 da Fórmula-1 se notaria a marca da ironia no traço desse escritor supremo que rege a categoria. Ironia que se faria notar de forma latente nessa 4ª etapa do mundial, em vários momentos e de variadas formas durante a corrida.

A ironia marcou a corrida de Felipe Massa, último vencedor das duas últimas edições da corrida barenita. Ou acham que é pouca ironia o brasileiro se encontrar com Kimi Raikkonen logo na 1ª curva e perder parte do bico? Na equipe mais conservadora do grid, em que seus pilotos jamais disputam posições de modo muito acalorado, um toque entre os dois titulares é raríssimo. Raikkonen já está absolvido de qualquer culpa, o toque sequer foi intencional. Mas ele não poderia ter escolhido pior lugar para acontecer. Foi no Bahrein que Massa virou o jogo e arremessou para longe a desconfiança com a qual chegou ao deserto em 2007 e 2008. O Bahrein foi o signo da virada na vida do brasileiro em seus últimos dois anos de Ferrari. Eis que em 2009 a virada não veio e Massa é um dos 6 pilotos que ainda não pontuaram na temporada.

Isso sem falar na inversão de papéis entre Massa e Button. O primeiro, acostumado a “colocar” volta no segundo em 2008, “levou” um giro de desvantagem na corrida de hoje. O mundo, literalmente, dá voltas.

Falando em Ferrari, a equipe chegou a liderar o GP Bahrein durante parcas oportunidades. Mas as voltas na ponta não longas e foram frutos da estratégia de paradas tardias adotada por Raikkonen. Pelo menos os italianos voltam à Europa com três pontos no bolso, amenizando um pouco a cobrança, mas não perdendo a obrigação de reagir na Espanha.

De Sebastian Vettel se esperava muito. Largando em 3º, mais pesado do que as Toyotas a sua frente, o alemão era o grande favorito da corrida desértica. Mas, ao contrário do que se imaginava, Vettel no seco não foi tão exuberante quanto no molhado. Fez uma corrida mediana, errou muito, não andou tão rápido quanto o necessário e sai do oriente com a impressão de que o 2º lugar foi até bom. É no mínimo curioso que um piloto tão bom no molhado ainda não tenha uma vitória memorável no piso seco. A ironia maior reside no fato de que Vettel não foi derrotado por Button e sim por Ross Brawn.

Minto, Button tem sim sua cota de responsabilidade, lógico, pela vitória. O mais curioso, entretanto, é que não foi ele quem ganhou o GP Bahrein. Na verdade, Ross Brawn e Michael Schumacher venceram a corrida, mesmo que nenhum dos dois tenha entrado num carro hoje. Brawn venceu por motivos óbvios. Há duvidas de que mesmo que, hipoteticamente, não tenha sido Ross o estrategista de Button, foi sua herança que triunfou no Sakhir? A corrida não foi decidida na 1ª volta, como o engenheiro disse a Button na volta da vitória. A corrida foi vencida na primeira parada de boxes, em que Button andou mais rápido e deu um baile na concorrência. Brawn continua dando as cartas na F-1, com suas estratégias mirabolantes. Schumacher e sua herança continuam vivos, apesar de o alemão já não ser piloto oficial há 2 anos e meio. E a F-1 muda, muda, muda, mas continua a ser a mesma de 5 anos atrás.

Button apenas repete o método de Schumacher. É uma espécie de Cláudia Leitte da F-1 (o Button não tem uma bunda tão boa, é verdade) que apenas reutiliza a cartilha notada e comprovadamente eficiente de Ivete Sangalo. É a isso que se resume o início de temporada da F-1 2009: a repetição de uma história que já deu certo. Há mesmo tantos méritos nisso?

Então fica a dica: se quiserem fazer com que a F-1 mude mesmo, retirem o senhor Brawn do pit wall. Mas dêem um jeito de matar a herança deixada pelo projetista e também pelo executor das ações, Schumacher. Ou então, contentem-se com o rumo que a F-1 tomou. Enquanto pit stops existirem, existirá sempre um Brawn e um Schumacher dispostos a ganhar uma corrida.

Ao fim do balaio de gatos barenita, onde o pódio não tem champanhe e o anúncio oficial exibe uma tremenda loira decotada, enquanto as nativas ainda trajam a burca, apenas em um segmento da corrida a ironia não atuou. Foi com Rubens Barrichello. Ou talvez sim, como no momento em que ficou atrás de Nelsinho Piquet durante algumas voltas. Logo contra um Piquet, cujo maior representante do clã sempre fez questão de diminuir Barrichello, o ex-ferrarista fez uma bela ultrapassagem no final da reta principal. Fora isso, no entanto, Barrichello não teve companhia da ironia. A temporada do brasileiro vai se desenhando apenas como a manutenção daquilo que Rubinho sempre fez de melhor: sair-se pior do que o companheiro de equipe. Button dispara com 31 pontos e deixa o brasileiro com 19. Em quatro corridas Button venceu três e chegou ao pódio em uma. Barrichello apenas compareceu à cerimônia pós-corrida em uma oportunidade. Rubens vai se tornando lenda por ser o melhor escudeiro da história recente da F-1. É uma espécie de Coyote que sempre se da mal na briga com o Papa-Léguas. Aqui não há (será?) ironia. A figura de linguagem chama-se hipérbole.

GP Bahrein, após 57 voltas:

1. Jenson Button – Brawn – 1:31:48.182
2. Sebastian Vettel – Red Bull - a 7.187
3. Jarno Trulli –Toyota - a 9.170
4. Lewis Hamilton – McLaren - a 22.096
5. Rubens Barrichello – Brawn - a 37.779
6. Kimi Raikkonen – Ferrari - a 42.057
7. Timo Glock – Toyota - a 42.880
8. Fernando Alonso - Renault – a 52.775
9. Nico Rosberg – Williams – a 58.198
10. Nelson Piquet – Renault – a 1:05.149
11. Mark Webber – Red Bull – a 1:07.641
12. Heikki Kovalainen – McLaren – a 1:17.824
13. Sebastien Bourdais – Toro Rosso – a 1:18.805
14. Felipe Massa – Ferrari – a 1 volta
15. Giancarlo Fisichella – Force India – a 1 volta
16. Adrian Sutil – Force India – a 1 volta
17. Sebastien Buemi – Toro Rosso – a 1 volta
18. Robert Kubica – BMW – a 1 volta
19. Nick Heidfeld – BMW – a 1 volta
20. Kazuki Nakajima – Williams – a 8 voltas

quarta-feira, 15 de abril de 2009

É Tão Legal...

Acabou a festa, o difusor foi considerado legal pelo Conselho Mundial, a FIA fez o dever de casa e deu o veredicto esperado. Brawn, Toyota e Williams vão poder continuar a usar o equipamento com “dois andares”, se aproveitando da melhor eficiência aerodinâmica proporcionada pelo difusor “duplex.”

À Ferrari, Renault e CIA, resta chorar, reclamar, resmungar e espernear.

E não fiquem em prantos a vida toda, porque o tempo (e possivelmente, o dinheiro) para readaptar os carros ao difusor duplo será curto.

O mundial segue calmamente, para alívio de todos. E a Brawn, sem alguém que tenha um carro tão competitivo como o seu e com o difusor definitivamente legal, agora é, com toda a certeza, franca favorita a tudo nessa primeira metade de campeonato. Assim como a Ferrari podia se gabar de ser enquanto o Brawn era o responsável pelas patrulhas na primeira metade dessa década.

Aos ferraristas mais apaixonados, fica o consolo: Ross Brawn pintou a Ferrari de branco.

domingo, 29 de março de 2009

Austrália - Results & Coments [4]

Enfim, a corrida, a Brawn e tudo mais

A corrida da madrugada ainda vai gerar muitos ecos, quem duvida?

Precisei de algumas horas de recuperação para começar a juntar os cacos, as imagens, os flashes, todas as impressões da corrida da madrugada. O que fica é a sensação de que fui jogado do alto de um prédio mas ainda não terminei de concluir que estou em queda livre (não há aqui nenhuma menção ao caso Isabela Nardoni, que completa um ano hoje. Só percebi a coincidência depois de o texto já estar pronto).

A Brawn venceu a primeira corrida de sua história com dobradinha. É lógico que o feito está na história. Ainda mais por não ser uma daquelas vitórias que resultam de circunstâncias absurdas e sim por ser um êxito de um time que já é apontado como favorito a mais vitórias durante o ano.

Tudo isso na primeira corrida de uma equipe que é descendente de um caos motorizado, a Honda dos anos 2000.

É uma vitória com mais valor do que a dobradinha da BMW em Montreal no ano passado, ocasião em que Kubica e Heidfeld foram beneficiados pelos erros dos pilotos e das equipes grandes em si.

Então é parabéns a Ross Brawn a Jenson Button e, em menor grau, a Rubens Barrichello. Sim, porque o brasileiro cometeu uma série de erros evitáveis, especialmente na primeira parte da corrida. Se chegou em 2º, deve o favor a Robert Kubica e a Sebastian Vettel, de quem falaremos mais tarde.

Por enquanto, o assunto é a Brawn GP.

Button correu sozinho. Não viu Vettel no retrovisor de seu BGP001 porque nem o alemão, nem ninguém conseguiu desempenho paralelo ao seu. Largou e escapou, sabendo que o único com possibilidades de incomodá-lo era Rubens Barrichello. Mas Rubens Barrichello que é bom, nem perto de Button esteve.

O engate errado de marchas na hora da largada fez com que Rubinho ficasse estático por frações de segundo essenciais na hora da partida. Relegado ao meio do grid, Barrichello ainda se envolveu num toque com a McLaren de Heikki Kovalainen. Por uma incrível sorte, o BGP001 de Rubens apenas sofreu uma avaria relativamente amena, enquanto o MP4/24 de Kova abandonou com a suspensão quebrada. Posicionado na 7ª colocação, Barrichello encerrava momentaneamente o sonho de dobradinha da Brawn.

Sebastian Vettel e Felipe Massa agradeciam a Rubinho. Ocupando, respectivamente, o 2º e o 3º lugares, os dois faziam uma corrida que “dava para o gasto”, afinal, nenhum deles tinha chance de se aproximar de Button, que a essa altura já estava a 4 segundos de distância.

Para Massa e para a Ferrari, o GP Austrália se revelaria o pior dos pesadelos. Primeiro, a equipe rubra escolheu mau a estratégia, avaliando, erradamente, que os pneus macios eram os mais apropriados para a 1ª parte da corrida. Em 10 voltas tanto Massa como Kimi Raikkonen estavam com os calçados deteriorados e tiveram que entrar no boxes. Maranello passaria a trabalhar com a arriscada estratégia de 3 pit stops, a despeito das prováveis entradas do Safety Car.

Eis que pouco depois, Kazuki Nakajima acerta o muro de Melbourne rodando sozinho. Inevitável entrada do carro-madrinha no traçado australiano.

Na relargada, Nelsinho Piquet saiu da pista, atolando na caixa de brita. Pôs a culpa nos freios frios por causa do longo período de intervenção do Safety Car, mas sabe que as cobranças vão se intensificar ainda mais na Renault.

Mas Piquetzinho não foi o único a viver momentos delicados no GP Austrália. Giancarlo Fisichella também merece uma citação na sessão que se destina a lembrar das patacoadas da prova australiana. Veterano que é, Físico foi capaz de errar a entrada de boxes da Force India. Sensação de que, sai ano, entra ano, e a equipe indiana continua mergulhada entre as pequenas.

A personagem que mais sofreu, porém, foi a Ferrari. Além da falta de ritmo evidente durante a corrida, a equipe provou que a eficiência do KERS é altamente discutível. O equipamento teve pouca relevância para Massa e Raikkonen na disputa por posições. No fim das contas, nenhum dos dois terminou a corrida, Massa com problemas mecânicos, Raikkonen por bater sozinho no muro e danificar a parte dianteira do carro. Coroaram assim o pior começo de temporada vivido pelo cavalinho rampante em mais de 15 anos.

Quase no fim da corrida, no entanto, ocorreu o lance que decidiu a vida de Rubens Barrichello e determinou sua volta ao 2º lugar da corrida.

No giro 56, Barrichello estava em 4º, já resignado com a posição que, depois de tantos toques durante a corrida, não era ruim. Mas um incidente entre Vettel e Kubica mostrou que a sorte estava do lado do brasileiro em Melbourne.

Kubica, em 3º, com mais desempenho e pneus menos gastos, se aproximou rapidamente de Vettel, em 2º, que sofria com o desgaste dos compostos. Os dois dividiram uma curva lenta da pista e saíram tracionando lado a lado. Vettel, afobadamente, decidiu que tinha direito de ir empurrando Kubica para fora do traçado. O polonês, não menos burramente, teimou em se manter ao lado do alemão. Resultado: o toque que retirou as asas dianteiras de ambos. Fim abrupto e desnecessário para dois dos mais elogiados pilotos do grid.

Do lado positivo da corrida, Nico Rosberg mostrava-se um ferrenho batalhador que não se intimidou diante da Ferrari de Raikkonen ou do carro de qualquer outro adversário. Pena que a escolha dos pneus macios para o terço final da corrida tenha lhe roubado a possibilidade de um pódio.

Outro que surpreendeu positivamente foi Lewis Hamilton. Partindo da 18ª colocação e com o péssimo carro da McLaren, o campeão foi o único das equipes ditas grandes até o ano passado a terminar a prova. O desempenho de Hamilton, porém, deve ser analisado sob a luz das batidas/abandonos de Massa, Kubica, Vettel, Nakajima, Raikkonen, além dos problemas de pneus de Rosberg e da desclassificação de Jarno Trulli que, largando do fim da fila, fez uma corrida valente, mas foi punido por realizar uma ultrapassagem sob bandeira amarela.

Quem, definitivamente, vai deitar a cabeça no travesseiro maravilhado é Sebastian Buemi. O único estreante da temporada conseguiu terminar sua primeira participação na F-1 na zona de pontuação.

O GP Austrália foi, enfim, a corrida dos estreantes!

GP Austrália, após 58 voltas:

1. Jenson Button - Brawn GP - 58 voltas

2. Rubens Barrichello - Brawn GP - a 0s8

3. Lewis Hamilton - McLaren - a 2s9

4. Timo Glock - Toyota - a 4s4

5. Fernando Alonso - Renault - a 4s8

6. Nico Rosberg - Williams - a 5s7

7. Sebastien Buemi - Toro Rosso - a 6s

8. Sebastian Bourdais - Toro Rosso - a 6s2

9. Adrian Sutil - Force India - a 6s3

10. Nick Heidfeld - BMW - a 7s

11. Giancarlo Fisichella - Force India - a 7s3

12. Jarno Trulli – Toyota – punido

13. Mark Webber - Red Bull - a 1 volta

14. Sebastien Vettel - Red Bull - a 2 voltas

15. Robert Kubica - BMW - a 3 voltas

16. Kimi Raikkonen - Ferrari - a 3 voltas (problema mecânico)

17. Felipe Massa - Ferrari - a 13 voltas (batida/problema mecânico)

18. Nelsinho Piquet - Renault - a 34 voltas (escapada)

19. Kazuki Nakajima - Williams - a 41 votas (batida)

20. Heikki Kovalainen - McLaren - a 58 voltas (suspensão)

sábado, 28 de março de 2009

Austrália - Results & Coments [2]

A Identidade Brawn

A primeira classificação da temporada, apenas por ser a primeira, já guarda uma série de particularidades entre os torcedores. Costuma ser a primeira oportunidade efetiva de o torcedor ver os F-1 em ação depois do sempre longo período de “férias” da categoria. É uma sessão em que a ansiedade já é naturalmente maior, e nesse caso não só da parte da torcida, mas também dos pilotos, dos mecânicos, e do circo em geral. Apenas por isso, a primeira sessão classificatória já é especial, além de, claro, ser a primeira chance de apurar a geopolítica do paddock. E nesse quesito, a classificação do GP Austrália mostrou definitivamente que há algo de novo na F-1 2009.

Sei não, mas tenho a impressão de que foi qualquer coisa histórica a classificação dessa madrugada de sábado aqui no Brasil.

No princípio, carta fora do baralho, agora, favorita à vitória. A Brawn exibiu tanta superioridade na primeira classificação de 2009 que chega a soar estranho certificar-se de que a primeira fila é toda dela. Jenson Button, espinafrado até aqui nesse blog, dado como piloto sem motivação e como promessa que não aconteceu, é o pole. Rubens Barrichello, veterano, historicamente ignorado pela torcida de seu país, é o segundo. E os dois botaram um caminhão de tempo na concorrência.

Como primeira demonstração oficial da hierarquia da F-1 para 2009, a classificação do GP Austrália deixou uma infinidade de marcas. A primeira e mais óbvia: a Brawn não era blefe. Os dois carros brancos (agora com patrocínio acertado com o Grupo Virgin, que foi especulado como virtual comprador da equipe em janeiro) fecharam todas (todas!) as etapas do treino classificatório na ponta da tabela. Mais rápidos em todos os setores da pista, Jenson Button e Rubens Barrichello disputaram uma classificação particular entre si. A primeira fila inteiramente brawniana é sinal de a nova regra aerodinâmica criou um efeito de bomba de nêutrons a sacudir a categoria máxima. E todo mundo parece ainda se acostumar a esse favoritismo já declarado, mas que ainda aguardava confirmação.

A conquista da primeira fila no grid australiano é o maior reconhecimento que o trabalho de Ross Brawn poderia conseguir. Desnecessário citar mais uma vez os predicados do engenheiro mais cobiçado da atual F-1. Necessário, talvez, é o questionamento: a Honda resolveu sair cedo demais?

Tivesse ficado na categoria, a montadora poderia estar colhendo agora os louros de ser, finalmente, a favorita às vitórias no primeiro terço do campeonato. Esse, afinal, sempre foi o objetivo jamais alcançado pelos japoneses em sua volta à F-1 nos últimos anos. O símbolo maior da mediocridade da Honda nessa década é sua única vitória com Button num GP Hungria confuso, chuvoso e em que alguns favoritos abandonaram e outros ficaram relegados às posições intermediárias. A saída da montadora em dezembro, no cenário de agravamento da crise mundial, não deixa de ser sinal de que medíocre foi pensar em sair da F-1 ao menor sinal da iminência de um prejuízo. Uma dose de paciência e os executivos de olhos puxados poderiam estar diante de uma possibilidade de sucesso paralela a dos anos dourados da empresa na F-1 há 20 anos.

Enfim, a Brawn é favoritíssima amanhã. Resta apenas saber se o ritmo alucinado demonstrado em todos os treinos será mantido na corrida. Se sim, Button e Barrichello disputarão uma corrida isolada entre os dois. Devem chegar uma semana a frente do resto. E depois de fazer história marcando os dois melhores tempos na primeria classificação de sua vida, a Brawn é séria candidata a vencer seu primeiro grande prêmio com dobradinha.

É o maior tapa de luvas que a Honda poderia levar.
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Que Williams que nada! Sebastian Vettel foi quem mais chegou perto da BGP na classificação. Um louvável terceiro tempo na classificação põe o alemão em ótima condição para as 58 voltas de amanhã. É outra daquelas situações cheias de significado que só Vettel é capaz de produzir: sua antiga equipe, com os tais motores Ferrari que eram apontados como foco da superioridade em 2008, ficou para trás logo no Q1. A própria e toda pomposa Ferrari comeu a poeira de Vettel. O companheiro de equipe também ficou (muito) para trás. Por fim, Vettel leva um carro de motor Renault ao 3º lugar, enquanto os dois pilotos oficiais da montadora, com o carro próprio da montadora, sequer chegaram ao Q3.

Ano de regras novas, mas com as mesmas e boas surpresas de sempre.
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Como de costume, a acompanhar Vettel como grande showman da F-1, lá está Robert Kubica. Quarto lugar para o polonês, que continua a dar um banho em Heidfeld. Muda ano, mudam as regras, e a BMW continua a ter em Kubica seu piloto mais regular e competitivo.
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De onde muito se esperava, veio pouco: a Williams foi, de forma relativa, a decepção da classificação. Depois de fazer os dois melhores tempos nos treinos livres de ontem, a equipe inglesa foi discreta na classificação oficial: 5º lugar para Rosberg, 13º para Nakajima.

De toda forma, é notável o ganho de rendimento da equipe de Grove em relação a 2008.
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Toyota no meio do Top-10, dando a impressão de que não basta um difusor eficiente para garantir lugar na ponta.
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Ferrari no meio do texto? Sim, e com algum esforço para estar aqui. Não é confortável a posição do time italiano: 7º lugar para Massa, 9º para Raikkonen. Rumor da vez: os dois vermelhos ficaram no limite do Q2, em 9º e em 10º, e tiveram que suar o macacão para seguir para a superpole. Novos tempos em Maranello.

Não adiantou trazer o KERS, apesar da aparente contribuição que o dispositivo forneceu aos rossos. Perto do desempenho da Brawn, talvez a alta cúpula da Ferrari já comece a questionar a real eficiência do sistema de recuperação de energia cinética.

Porém, jamais se pode desconsiderar os italianos. Nunca se sabe o coelho que os carcamanos podem tirar da cartola e o KERS ferrarista parece ser bem desenvolvido e se integra bem ao conjunto da F-60. Mas mesmo que não haja cartola nem coelho, a Ferrari não é totalmente desconsiderada. É mais um exemplo da tal força psicológica que um nome carrega consigo e sobre a qual falávamos num outro dia. O cavalinho rampante possui essa tal força, é inegável.

Mas, inevitavelmente, a Ferrari já não é mais aquela favorita de 5 meses atrás. O mundo dá voltas...
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Previsão de acirramento da pressão envolvendo o nome de Nelsinho Piquet na Renault. O brasileiro não passou do Q1, ficando com uma indigesta 17ª posição. Depois de passar 2008 justificando os resultados medíocres, levando 18 x 0 na briga de classificações com Alonso e dando desculpas que as vezes eram piores do que o silêncio, Piquetzinho começa 2009 outra vez explicando as razões de um mau resultado. Nelsão, o pai, estava em Melbourne, talvez ciente de que sua presença é necessária para apaziguar a cobrança sobre o filho.

O carro continua ruim, mas a inevitável comparação com o 12º lugar de Alonso coloca Nelsinho numa fogueira. E não há mais a desculpa de que o garoto é estreante.
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Kovalainen 14º, Hamilton 15º. Escancarada a situação de decadência da McLaren. Hamilton, aliás, sequer foi a pista no Q2, ausência justificada pela equipe em razão de um problema de câmbio. Será isso mesmo, ou o time prateado não quis queimar a imagem da estrela?

Fato é que o número #1 no bico do MP4/24 não torna o carro de Hamilton mais veloz. O que era uma mera suposição na pré-temporada materializa-se como uma dura realidade para a McLaren: a equipe foi a que mais perdeu terreno com a mudança radical das regras.
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Na turma que sempre vai embora mais cedo, além do já citado Piquet, há pelo menos uma novidade: Toro Rosso, acostumada a ir ao Q3 no ano passado, não passou do Q1 hoje em Melbourne.

Enquanto isso, a Force India começa 2009 do mesmo jeito com terminou 2008: fim da fila.
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O difusor que tanto deu o que falar mostrou-se um atributo periférico na classificação. Dos 6 carros que usam a polêmica peça (Brawn, Toyota e Williams) apenas a Brawn real e unicamente brigou pela ponta. Garantia, portanto, de que não apenas uma parte isolada do carro a razão do sucesso da equipe, mas o conjunto como um todo.
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Só pelo que aconteceu hoje, a história já vai se lembrar com carinho desse GP Austrália. Cresce a expectativa a respeito do que se dirá no futuro sobre o dia de amanhã. Estamos diante do fim de uma era e iniciando outra?

As 58 voltas do domingo vão nos responder.

Grid de Largada, GP Austrália 2009:

1°. Jenson Button (Brawn), 1min26s202

2°. Rubens Barrichello (Brawn), 1min26s505

3°. Sebastian Vettel (Red Bull), 1min26s830

4°. Robert Kubica (BMW), 1min26s914

5°. Nico Rosberg (Williams), 1min26s973

6°. Felipe Massa (Ferrari), 1min27s033

7°. Kimi Raikkonen (Ferrari), 1min27s163

8°. Mark Webber (Red Bull), 1min27s246

9°. Nick Heidfeld (BMW) 1min25s504

10°. Fernando Alonso (Renault), 1min25s605

11°. Kazuki Nakajima (Williams), 1min25s607

12°. Heikki Kovalainen (McLaren), 1min25s726

13°. Sébastien Buemi (Toro Rosso), 1min26s503

14°. Nelsinho Piquet (Renault), 1min26s598

15°. Giancarlo Fisichella (Force India), 1min26s677

16°. Adrian Sutil (Force India), 1min26s742

17°. Sébastien Bourdais (Toro Rosso), 1min26s964
18°. Lewis Hamilton (McLaren), sem tempo
19°. Timo Glock (Toyota), punido
20°. Jarno Trulli (Toyota), punido
Atualizado em 28/03/09, às 17:04

sexta-feira, 27 de março de 2009

Austrália - Results & Coments [1]

Difundindo uma Idéia

Melhores tempos do dia em Melbourne:

1. Nico Rosberg - Williams, 1min26s0532
2. Rubens Barrichello - BrawnGP, 1min26s1573
3. Jarno Trulli - Toyota, 1min26s3504
4. Mark Webber - Red Bull, 1min26s3705
5. Jenson Button - BrawnGP, 1min26s374
6. Timo Glock - Toyota, 1min26s443
7. Kazuki Nakajima - Williams, 1min26s560
8. Sebastian Vettel - Red Bull, 1min26s740
9. Kimi Räikkönen - Ferrari, 1min26s750
10. Adrian Sutil - Force India, 1min27s040
11. Felipe Massa - Ferrari, 1min27s064
12. Fernando Alonso - Renault, 1min27s232
13. Giancarlo Fisichella - Force India, 1min27s282
14. Nick Heidfeld - BMW, 1min27s317
15. Robert Kubica - BMW, 1min27s398
16. Heikki Kövalainen - McLaren, 1min27s453
17. Sebastien Bourdais - Toro Rosso, 1min27s479
18. Lewis Hamilton - McLaren, 1min27s813
19. Nelsinho Piquet - Renault, 1min27s828
20. Sebastien Buemi - Toro Rosso, 1min28s076

Pitacos Australianos:

- Pouco a comentar, até porque só consegui ver primeira sessão, e ainda assim em condições nada favoráveis. O que dá pra dizer é que se a Brawn, a Toyota e a Williams mantiverem o bom rendimento na classificação e na corrida, a chiadeira vai ser grande. A difusão da idéia de que é o difusor que concede superioridade aos três times vai proporcionar um chororô grande nas outras equipes;

- Ah, a Williams liderou a primeira sessão com força total: Rosberg foi o 1ª, Nakajima o 2º. Marcão não deve estar se contendo, né?

- Um treino, porém, é muito pouco. Na verdade, um final de semana não é o suficiente para afirmar com certeza que há uma nova ordem na F-1. Mas já é interessante imaginar um novo cenário no grid, com as grandes buscando evolução a todo preço;

- Fica assim então: na próxima madrugada rola a classificação, às 3 da matina na Globo. Nada como uma sessão-coruja para começar bem a temporada.

quinta-feira, 26 de março de 2009

O Ano da Confusão

Num outro dia eu chamava atenção para a possibilidade de vivermos em 2009 um dos campeonatos mais confusos da história, com contestações, e decisões de prova saindo no tapetão. Não imaginava, porém, que o salseiro se iniciasse antes de o primeiro ronco de motor ser ouvido em Melbourne.

Os difusores (peça localizada no fundo da parte traseira do carro, com o objetivo de “limpar” o ar e proporcionar maior estabilidade) da Brawn, Williams e Toyota, que levantaram suspeitas das outras equipes, foram considerados legais pelos comissários. Ferrari, Renault e Red Bull, autoras do pedido de investigação, já avisaram que irão recorrer da decisão na Corte de Apelações da FIA por considerarem a peça irregular nos carros das equipes primeiramente citadas. O imbróglio: a reunião da corte só será possível depois do GP Malásia, em abril. Ou seja, duas corridas podem ficar com o resultado em suspenso, dependendo de uma decisão que não será resolvida na pista.

É um péssimo começo para uma temporada que gerou muita expectativa positiva.

quarta-feira, 25 de março de 2009

Pré-2009: O que vem do meio, te atinge?

Num ano que começaria já sob ambiente confuso, com ecos da crise financeira a assolar as montadoras e causarem a saída de uma delas, as novas regras instituídas à F-1 apenas ajudariam as equipes médias a sonhar com a possibilidade de evoluir e chegar mais perto das grandes. Foi com esse intuito que o regulamento técnico foi alterado: para democratizar a vitória e tirá-la da panelinha Ferrari-McLaren. A grande pergunta que se faz a poucos dias da abertura do mundial é: será que vai funcionar?

O leitor já deve estar sabendo: a crise exige que as equipes diminuam os gastos para que a categoria continue viável. Além disso, a influência da aerodinâmica nos carros, alma da F-1 moderna, foi reduzida, teoricamente com o objetivo de facilitar a aproximação e, por extensão, as ultrapassagens. O ambiente de mudanças produziu carros esquisitos e uma tremenda incerteza quanto à efetividade das medidas, que ainda só começaram a ser implantadas. Para os próximos anos são esperadas padronizações de várias partes do carro, além da adoção de um limite de gastos que torne a F-1 atrativa a um maior número de interessados. É, talvez, o fim da era de orçamentos com três dígitos na casa do milhões.

Antes de falar nas tais equipes médias, um esclarecimento: a Toyota, por exemplo, pode ser considerada uma equipe média? Uma equipe que gastou, estima-se, mais de 400 milhões de euros em 2008? Sim, para efeitos práticos, sim. O termo “média” será usado aqui para designar equipes que ficam no meio do grid. Será uma atribuição “geométrica” e não financeira.
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A expectativa em torno dessas equipes ditas médias aumentou muito com a nova F-1 que estréia no próximo fim de semana. Entre as médias, muito se espera da BMW, a equipe que incomodou as grandes na primeira metade do ano passado, liderando os mundiais, tanto de construtores como de equipes. BMW que, aliás, cumpriu todas as metas de seu plano de desenvolvimento na F-1. Em 2007 a equipe esperava brigar por pódios, conseguiu. Em 2008 os bávaros ambicionavam as primeiras poles e vitórias e conseguiram. Em 2009 o alvo do time é brigar pelo caneco. A continuar com a rigorosidade monástica de trabalho quem põe em dúvida a capacidade dos alemães?

Considerando ainda a dupla de pilotos com a qual Mário Theissen, o chefe de equipe, trabalha, é impossível não criar esperanças de bons resultados para a BMW. Robert Kubica e Nick Heidfeld formam uma dupla que, no conjunto da obra, só fica devendo à Ferrari, em nível badalação que envolve os dois nomes. Kubica por ser um dos novatos-gênios que chegaram à F-1 nos últimos anos, demonstrando talento suficiente para já ser apontado como um dos melhores do grid. Heidfeld pela experiência de mais de 150 largadas e pelo talento que, se ainda não se converteu em vitórias, é inegavelmente presente no estilo de pilotagem do alemão.

Juntando o bom trabalho desenvolvido pela BMW à qualidade de sua dupla de pilotos, cresce a expectativa em torno das reais capacidades do time bávaro.
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As outras equipes consideradas médias vêm de um grande equilíbrio. Em 2008 Renault, Toyota, Red Bull, Williams e Toro Rosso brigaram ferozmente pelos lugares intermediários e pelo direito de ir ao Q3, sessão final de classificação em que só são admitidos os 10 mais rápidos. Para todas essas equipes, há expectativa de crescimento e de maior acirramento na disputa. Mas no quesito “piloto”, duas podem desequilibrar.

Fernando Alonso da Renault e Sebastian Vettel na Red Bull são sinônimos de interesse e curiosidade da parte do público. Foram duas das surpresas de 2008, por motivos obviamente diferentes: Alonso por conseguir extrair leite de pedra e vencer duas corridas com o fraco R28, provando suas capacidades e seu oportunismo a quem ainda tivesse dúvidas. Vettel pela boa temporada e pela constante presença nos pontos, sem falar nas impressionantes pole e vitória com chuva em Monza. Ambos ganharam credenciais de showman no ano passado e, sem a obrigação de vencer (afinal, estão em times médios), são candidatos a continuar surpreendendo.
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A Toyota chegou a impressionar nos testes de inverno. O TF109, modelo da equipe para a temporada, chegou a liderar algumas sessões de testes, mas ainda não mostrou confiabilidade suficiente para ser apontada como favorita. A Williams mantém-se sob as nuvens, e a capacidade de seu FW31 ainda desperta dúvidas. Na Toro Rosso o maior destaque é a semelhança do STR4 com o RB5 da co-irmã RBR. Nada mais.

Resta, enfim, a maior surpresa da pré-temporada: a Brawn GP. O time que chegou abalando as estruturas e liderando sistematicamente os treinos vai a Melbourne na condição de favorito. A continuar andando segundos a frente das rivais, a BGP é mesmo favorita, mas não ao GP Austrália e sim ao mundial. Mas é cedo para elevar a BGP a tão alto patamar. Uma equipe surgida de uma grande incerteza numa época de incertezas precisa ser avaliada com cuidado durante a temporada.

Não restam dúvidas, porém, de que o que vem de baixo pode sim atingir as grandes. E é esse o desejo do planeta-motor.

Adjetivando Ecclestone

Explica-se assim o mais novo caso que ilustra o senso de justiça torto que rege a mente dos homens que administram a F-1: a Brawn não aceitou a ajuda financeira de Bernie Ecclestone, que desejava se intrometer na FOTA. Em retaliação, Ecclestone considerou a BGP uma equipe totalmente nova e que, de acordo com o regimento da categoria, não receberá de imediato os dividendos relativos ao direito de imagem.

Em miúdos: a situação da BGP começa a inspirar cuidados. A equipe não tem patrocinadores e agora sabe-se que também não receberá os direitos da FOM.

Enquanto isso, Bernie Ecclestone vai provando aos poucos que apesar da senilidade ainda é um garotinho: quer comandar um negócio super-profissional com estratégias infantis. Para o chefão o jogo só vale se for jogado do jeito dele.

É assim que os chefões da F-1 querem incentivar novos empresários a criar equipes: tendo zero de bom senso e respeito a acordos.

Incoerente, infantil, irritante e, no mínimo, leviano. São os adjetivos usados com freqüência para ilustrar o grau de comprometimento de Ecclestone e CIA com o esporte que eles têm nas mãos.

segunda-feira, 16 de março de 2009

Rapidinha de Jerez: A Coqueluche

Ontem teve início mais uma semana de testes, dessa vez na tradicional pista de Jerez de La Fronteira, na Espanha. Dessa vez só quatro equipes trabalham (Brawn, McLaren, Renault e Williams). E adivinhem que equipe liderou com sobras outra vez?

Já pensaram na possibilidade de Jenson Button e Rubens Barrichello pintarem para o título (sempre há um bicudo que, nessas horas, me lembrará que a pré-temporada pode ser enganosa. Eu sei! O que faço aqui é um exercício imaginatório ao qual os jornais, as revistas e os sites recorrem com freqüência. Chama-se especulação) depois de serem dados como acabados?

É simplesmente por motivar dúvidas como essa, incabíveis há 3 semanas, por exemplo, que a Brawn é a coqueluche da pré-temporada, mesmo que o São Brawn que opera esse milagre seja de barro.

sexta-feira, 13 de março de 2009

Uma Semana às Avessas

A semana que acaba trás consigo uma marca: a da surpresa. Na verdade, são duas as marcas dos 4 dias de testes no circuito espanhol de Barcelona: a da surpresa e a da reviravolta. Houve nesses dias uma constatação que promete alterar a geopolítica das forças das equipes nesse início de temporada: a McLaren parece não ter força para estar entre as favoritas e a Brawn, incógnita ambulante até a semana passada, dá sinais de que pode vir para lutar por vitórias.

Antes é sempre bom relembrar: testes de pré-temporada podem ser extremamente enganosos. Em condições normais eles costumam não dizer muito sobre o campeonato, por vários motivos. Um deles: o ano é longo, com 17 corridas e pistas com características singulares. Outro: há sempre o risco de vermos tremendos blefes da parte de equipes que querem apenas impressionar para atrair patrocinadores, e a Brawn se encaixa perfeitamente sob essa ótica. Mas o bom desempenho da equipe não tem cara de blefe, até por um motivo óbvio: os testes durante o ano foram rigidamente diminuídos e uma equipe que nasceu na semana passada não tem muito tempo a perder com pirotecnias.

Comecemos, então, pelo final... da lista de tempos. A McLaren dá pinta de não ter carro bom o suficiente para brigar por vitórias nesse início de campeonato. Desde os testes de janeiro a equipe de Woking já demonstrava algum despreparo para essa F-1 de tantas regras novas. Nessa semana em Barcelona o carro deu claros sinais de que, se não estiver escondendo o jogo para surpreender em Melbourne, Lewis Hamilton terá que trabalhar duro para conseguir desempenhos razoáveis. Uma bela oportunidade para descobrirmos se o garoto é tão bom em melhorar máquinas como é acelerá-las.

O MP4/24 da equipe inglesa emitiu um aviso inequívoco: Woking está encontrando sérias dificuldades, especialmente na área aerodinâmica traseira do carro. Durante os últimos testes a McLaren, vez por outra, aparecera com o aerofólio de 2008. Em Barcelona, na maioria das vezes, o time prateado treinou com o apêndice desse ano, menor, mais fino e mais alto, mas continuou a deixar claro que a estabilidade não é a maior virtude do carro que Woking produziu para 2009. Com poucos testes durante o ano, a equipe que iniciou a pré-temporada como favorita depois de fazer o piloto campeão no ano passado viaja para a Austrália sob olhares desconfiados do público, depois de fechar dias seguidos com tempos nada animadores nos testes de inverno.

Na outra ponta da tabela está a maior surpresa da pré-temporada. E ela tem nome e um sobrenome de peso: Brawn GP, a equipe que nasceu dos escombros da Honda, provocou enorme susto. Em 4 dias de testes o time recém-nascido liderou dois, um com Button e outro com Barrichello, que fez o melhor tempo da semana. Nos outros dois dias o time de Brackley também andou rápido, fazendo dessa semana a mais interessante da F-1 desde o último dia 2 de novembro.

Há o sério risco de que as palavras tortas desse blogueiro subestimem o fantástico desempenho da BGP. Porque o que a equipe fez nessa semana de testes foi avassalador. De um mero sonho de termos 20 carros alinhando na Austrália, a Brawn se converteu na maior surpresa que de uma pré-temporada nos últimos anos. Foi uma bomba de nêutrons jogada sem prévio aviso no mundo da F-1.

A BGP é a boa surpresa por uma série de razões e desrazões que a categoria máxima viveu nos últimos meses. Primeiro, porque a equipe emergiu de uma estrutura vacilante que, apesar de investir milhões na F-1 há anos, colheu apenas uma vitória enquanto equipe própria: a Honda. Depois que a montadora anunciou sua retirada da F-1 em dezembro, a pré-temporada tornou-se um enjoado jogo de especulações, com apenas uma certeza informal que permeava a expectativa: fosse quem fosse o comprador da estrutura do time japonês, o resultado seria um só: fim de grid em 2009. É lógico! Fim de grid era tudo com o que a nova Honda poderia sonhar porque era essa a herança que a montadora deixaria: um carro extremamente ruim em 2008 (e também em 2007). Mas, não há nada como uma mudança radical nas regras e uma mente notável para mudar um panorama.

Desde o meio do ano passado, a Honda já abandonara o projeto do seu carro. O bólido era tão lento que a equipe imaginava que seria mais apropriado focar no desenvolvimento do monoposto de 2009. Foi essa a chave para o nascimento fulgurante que Brawn viveu nessa semana. Já ciente das mudanças que o regulamento sofreria para esse ano e sendo, junto com outros líderes de várias escuderias, um dos integrantes do conselho que formulou as regras da “nova” F-1, Ross Brawn começou a projetar o carro com meses de antecedência. Foi o trabalho desse engenheiro formado na Inglaterra e notável por fazer parte de vários projetos vencedores na F-1 a principal razão para o êxito e o otimismo que rondam a atual BGP.

O resultado do esforço de Brawn não poderia ter causado melhores impressões: de segunda-feira pra cá times campeões como a McLaren caíram e a Brawn ascendeu à condição de favorita para a primeira corrida do ano, em Melbourne. Mesmo equipes que vinham bem como Toyota, BMW e até mesmo a Ferrari acusaram o golpe: “o carro da Brawn está inalcançável” – afirmou Felipe Massa, que ficou quase 2 segundos atrás do melhor tempo marcado por Rubens Barrichello na quinta-feira.

É cedo para afirmar que a Brawn vem para o campeonato. Em duas semanas os times podem aprontar pequenas inovações em seus carros. Mas a Brawn é, sem dúvidas, a melhor notícia da pré-temporada.

quarta-feira, 11 de março de 2009

Ligando os Pontos: Ave Fênix ou Golpe Fantasma?

A novata Brawn GP causa surpresa geral no mundinho paralelo em que a F-1 gira. O desempenho da equipe que renasceu das cinzas onde a Honda estava sepultada surpreende torcida e imprensa especializada. Os bons resultados do time nos testes coletivos de Barcelona provam que a gestação do BGP001 foi tranqüila e que o modelo nasceu bem.

A equipe de Jenson Button e Rubens Barrichello tem andado bem nos testes de Barcelona, e não apenas por uma volta. Mesmo simulando trechos de corrida longos o carro da Brawn anda bem, demonstrando competitividade inesperada para um time que nasceu (até provem o contrário) na semana passada.
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Ikki de Fênix era apontado até pelos cavaleiros de ouro como o mais forte dos cavaleiros de bronze. Dentro da mitologia do anime Os Cavaleiros do Zodíaco, febre no Brasil dos anos 90, Ikki era o homem que representava a ave imortal. E como tal, o irmão de Shun se refazia das cinzas toda vez que era derrotado. Sua armadura voltava a existir mesmo quando transformada em pó, para desespero dos oponentes.

Ikki era, dos 5 pirralhos de bronze que levaram o amor a Athena a níveis estratosféricos, o que menos aparecia, mas era o mais objetivo quando entrava em cena. Normalmente surgia para resolver a parada, mesmo que isso lhe custasse a vida. Foi assim na fase Santuário do anime, quando ele lutou apenas uma vez, justamente para encarar o mais temido dos cavaleiros de ouro presente nas Doze Casas àquela altura: Shaka de Virgem. Mesmo arrasado pelo Tesouro do Céus de Shaka e sem os seus cinco sentidos, Ikki lança-se numa manobra suicida (mais tarde saberíamos que foi apenas uma saída pela tangente, Ikki levou Shaka consigo para uma outra dimensão) e eleva seu cosmo a um nível altíssimo. Acaba morrendo e leva junto o cavaleiro de ouro de Virgem.

Os golpes do fênix alcançam índices de letalidade invejáveis para qualquer cavaleiro. O Ave Fênix é o mais conhecido. Com sua capacidade de manipular o fogo, Ikki gera uma tempestade de brasas sobre os rivais, causando severos estragos físicos. É relativamente comum ver Ikki entrando na luta de forma triunfal, já metendo a porrada e gritando “ave fêniiix”, gerando algum pavor nos adversários.

O outro golpe do “homem invencível” tem efeito psíquico sobre os rivais. O Golpe Fantasma de Fênix leva o oponente de Ikki a ter ilusões que podem ser prazerosas ou traumáticas. O fato é que a mente do opositor ao cavaleiro de Fênix estará, inevitavelmente destruída.

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A Brawn GP está aí, dando uma de fênix ressurgido das cinzas. Mas qual é a dela? Está aplicando um sonoro Ave Fênix e indicando que pode realmente ser forte no campeonato ou é só Golpe Fantasma, ilusória superioridade apenas para fazer cena?

quinta-feira, 5 de março de 2009

É só o começo...

Está lá, na capa de todos os portais da internet: a Honda agora é Brawn GP. O arquiteto das corridas seguras de Michael Schumacher agora é dono de equipe.


Bom que os restos mortais daquilo que a montadora japonesa deixou ficaram nas competentes mãos de Brawn. É alguém que já está dentro do negócio há muitos anos. É alguém com anos na Ferrari, e não em qualquer momento do time, mas na melhor fase vivida pelo cavalinho rampante.

Button e Barrichello sobreviveram. Button eu realmente não sei porque. A desculpa de que foi a experiência do inglês seu cartão de visitas não cola. Button já me parece sem viço e, francamente, sem motivação para a F-1.

Rubinho, dizem, ganhou voto de confiança pessoal do chefe, já declarado admirador do brasileiro desde a fase ferrarista de ambos. A experiência de Barrichello, diz o senso comum, será essencial para o desenvolvimento da nova equipe. Esse, pelo menos, já deixou claro que quer continuar a correr, mesmo que isso soe ridículo a alguns. Esse, aliás, correu atrás de uma vaga com mais ímpeto do que Button, e isso conta muito na hora de avaliar a motivação de cada um.

Sim, contar com profissionais experientes (sobretudo um piloto) é extremamente necessário. Mas é só o começo.

O novo time de Brackley tem inúmeros e enormes desafios pela frente. Os primeiros são técnicos. A equipe que ressurge das cinzas da Honda aporta na F-1 justamente no momento em que acontecem as maiores mudanças no regulamento da categoria em anos. A Brawn GP terá de se desdobrar para se adequar a um momento em que nem os grandes times estão totalmente seguros. Ok, ok, os motores e o câmbio serão Mercedes, e isso é um senhor negócio. Mas e o jogo de xadrez que será lidar com o peso extra do KERS e com o desgaste dos pneus, sobretudo os traseiros?

Os outros grandes problemas que Ross Brawn encontrará serão frutos da volatilidade financeira proporcionada pela crise. De onde sairão patrocínios fortes e com possibilidade de se estabelecer?

A Brawn GP já entra atrasada na briga. Treinará menos do que as outras equipes, e isso não é nada bom para um time com herança de fim de grid em 2008.

Ross Brawn sabe que tempo perdido é espaço perdido nessa F-1 imprevisível de 2009. E amanhã já põe o BGP001 na pista de Silverstone, em caráter particular.

Enfim, serão 20 os carros no grid de 2009. Mas fará diferença?