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sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

BOURDuada da vez: a demora foi justa, Toro?

Venceram os que apostaram em Bourdais na briga por uma vaga na STR, independente de Sennas, Buttons e Satos que correram por fora. O francês foi hoje finalmente confirmado como titular da Toro Rosso para a temporada 2009 da F-1.

A decisão do alto comando da STR não pode ser classificada de outra forma senão como sensata. Bourdais, afinal, era a escolha mais segura entre as opções apresentadas pela imprensa como postulantes a uma vaga: Jenson Button é uma incógnita britânica, um piloto que se perdeu depois de um começo promissor. Ninguém mais sabe onde o inglês é capaz de chegar. Takuma Sato não é todo de se jogar fora, mas a fama de “showman” e trapalhão conquistada depois de algumas passagens pela F-1 não contribui para sua imagem. Sua maior esperança de voltar a um cockpit da categoria máxima era conseguir um gordo patrocínio para injetar a grana na Toro Rosso. O japonês não conseguiu, como Bruno Senna também não. O último, aliás, era, de longe, o maior tiro no escuro: um piloto que apesar de rápido na GP2, não foi devidamente “testado” na F-1.

Além de todos esses, um veterano ainda era cotado para a vaga restante: Rubens Barrichello, sem emprego desde o desligamento da Honda, tal qual Button. O brasileiro, porém, nunca esteve entre os favoritos para ser o escolhido da equipe de Faenza.

Há consenso de que Bourdais é a escolha mais segura de todas.

Mas a Toro Rosso fez da vida do jovem Bourdais uma verdadeira novela. O francês passou 2008 tendo de assistir o companheiro Sebastian Vettel ser aplaudido de pé pelo mundo da F-1, especialmente após a vitória do alemão em Monza. Vettel se tornou o queridinho da F-1, com todos os méritos, aliás. Involuntariamente, o Schumi-Baby lançou uma tremenda pressão sobre o Tião francês, que, é bem verdade, penou para se adptar na primeira metade da temporada. Uma vez ambientado, porém, Bourdais mostrou seu valor: foi 4º colocado no grid de Monza, enquanto Vettel era o pole. Um desempenho aquém daquele conquistado pelo companheiro, obviamente, mas tão louvável o quanto, debaixo de chuva e com todos os grandes na pista. Apresentasse o mesmo ritmo de Vettel na corrida e a Toro Rosso poderia ter feito uma dobradinha. Poderia, porque o carro de Bourdais não partiu para a volta de apresentação, tendo que largar de trás do pelotão.

Em Spa, a má sorte outra vez fez companhia ao francês. Bourdais se encaminhava para um encorajador 3º, depois da batida de Raikkonen na penúltima volta caprichosamente chuvosa. O Tião francês se mantinha na pista úmida com pneus de pista seca e só não contava com a astúcia de Nick Heidfeld e Fernando Alonso, que entraram nos boxes na última hora para equipar-se com pneus intermediários. Além de perder posições para Heidfeld e Alonso, o francês não se segurou no piso escorregadio e cedeu aos avanços de Vettel e Kubica.

Bourdais, portanto, não é tão ruim quanto a demora da STR em resolver seu destino aparentou. Pode não ser tão sensacional como Vettel, mas é um piloto de qualidade, que seguramente não precisava esperar tanto tempo para ter sua renovação assegurada. Por mais que a situação de crise obrigue a Toro Rosso a primar pelo lado financeiro, não parece justo deixar o Tião francês na berlinda por tanto tempo.

Enfim, continua a saga dos tiões na STR: em 2009 serão Sebastien Bourdais e Sebastien Buemi os alvos do tal Fetiche de Faenza.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

NerdEsportes

Há na blogosfera, uma página especializada em esportes, o blog NetEsportes. E há na F-1 uma tendência de que Sebastien Bourdais continue na Toro Rosso esse ano, ocupando a vaga que está vaga. A esse fenômeno dá-se o nome de NerdEsportes.

Sim, os rumores de que o Quatro Olhos vá continuar na STR ganharam muita força desde que ele foi confirmado nos testes de Jerez de La Fronteira na próxima semana. Bourdais guiará o carro da equipe junto com seu novo companheiro de mesmo nome, Sebastien Buemi.

Era a última vaga em aberto para 2009. E quem vai ocupá-la é justamente o mesmíssimo piloto de 2008.

Sensatez, essa é a palavra a ser usada se Bourdais for mesmo o escolhido. Falta de alguém com algum dinheiro também é uma expressão válida.

E 2009 é um ano em que, definitivamente, as mudanças na F-1 ficaram (quase que) apenas por conta do regulamento.

sábado, 1 de novembro de 2008

Brasil - Results & Coments [4]

O porquê

O ano de 2008 se vai. Foi um ano atípico, com corridas divertidíssimas, vários vencedores e tudo o que a F-1 não via há muito tempo. Falamos disso aqui. E na última sessão classificatória do ano, os 20 pilotos do grid não deixaram de nos brindar com um treino emocionante.

O treino de hoje ganhou contornos ainda mais excitantes por ser crucial para a decisão do título entre Massa e Hamilton. E os dois não fugiram da raia. Cada um a seu modo, Felipe e Hamilton demonstraram porque estão decidindo o título em São Paulo.

Massa traduziu o que é o automobilismo na classificação de hoje. A sua maneira. Foi em busca de cada milésimo levando sua Ferrari ao limite. Quem acompanhou o treino sem piscar, como eu, percebeu que o brasileiro já foi muito rápido em sua primeira volta lançada, explorando todos os limites do carro e da pista de Interlagos. Felipe entrou na volta “pendurado”, como se diz na gíria do esporte a motor. Deixou o F-2008 escorregar na tangência da Junção, aproveitando o máximo da aderência que poderia ser extraída naquele ponto. Sua primeira volta de cara já foi muito boa, pelo menos meio segundo mais rápido do qualquer outro na pista. Demarcou o território e fez a torcida levantar com o tempo na casa de 1m12s4. Restou a Massa fazer outra volta muito boa e melhorar um pouco sua primeira marca: 1m12s368, 3ª pole position seguida da Ferrari no GP Brasil, 3ª pole position seguida de Massa na prova em Interlagos.

Se Massa brilhou, Hamilton também deu uma amostra clara de que automobilismo não é só estar no limite o tempo todo. Outrora criticado pelo instinto indomável, o inglês foi cerebral hoje em São Paulo. Tática absolutamente inteligente. Massa precisa se esfalfar, descontar 7 pontos de desvantagem que tem. A Hamilton basta ser o mínimo, correr pelo mínimo e, se tudo correr bem nas 71 voltas da corrida de amanhã, ser campeão. Isso também é automobilismo. Mesmo que o objetivo de Hamilton, em tese, fosse a 1ª fila, o 4º lugar está de bom tamanho. Ter a cabeça no lugar e poupar o equipamento, já desgastado pela corrida de Xangai na China, também são atributos esperados de um possível campeão.

O 4º lugar de Hamilton, portanto, ainda não deve ser motivo de comemorações estridentes da torcida brasileira. Nessa posição o inglês é campeão independente do resultado de Massa. Vale a lembrança: Hamilton precisa de uma 5ª posição para levar a taça por conta própria. Massa, se quiser sair de Interlagos como campeão, terá de vencer e torcer para que o piloto da McLaren chegue em 6º, ou pior posição.

Com o carro que tem nas mãos, Hamilton possui todas as condições de se sagrar campeão amanhã. É o franco favorito ao título, enquanto Massa é favoritíssimo à vitória. Mas há a previsão de chuva que deixa todos os pilotos em suspense. Pista molhada aumenta os riscos para todo mundo e, pelo retrospecto do ano, a McLaren de Hamilton sai-se melhor do que a Ferrari de Massa sob chuva. Mas há um dado muito impotante: água na pista aumenta os riscos para todo mundo e quem tem mais a perder nessas circunstâncias é Hamilton.

No caso de chuva Massa ainda conta uma vantagem clara. O 1º colocado enxerga a pista a sua frente com tranqüilidade mas quem vem atrás não tem a mesma vida fácil. O “spray” gerado pelo carro da frente transforma o simples ato de ver o que acontece a frente num exercício quase impossível. E nesse caso o prejuízio seria todo de Lewis.
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Raikkonen larga em 3º e ganha importância na corrida de amanhã. O finlandês terá o fundamental papel de segurar Hamilton para que o parceiro Massa fuja na ponta. Isso só não basta, afinal, Hamilton comemora o campeonato em 4º. Mas, se não atrapalha o inglês, é certo que não ajuda.
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O 2º lugar de Trulli em Interlagos é a prova inequívoca de que a briga entre as equipes do pelotão intermediário está ferrenha. Se antes o título de “3ª potência” do grid era da BMW, hoje não há quem assegure tal supremacia com total certeza. Além da Toyota, Renault e STR também terminam o ano vendo seus projetos coroados e numa boa briga pelos pontos.

O italiano acabou, talvez sem a intenção, dando uma senhora força à escuderia mais famosa de seu país. Graças a Trulli, há mais um carro separando a Ferrari de Massa da McLaren de Hamilton.
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Kovalainen foi assim... Kovalainen. O finlandês da McLaren, mais uma vez, fica atrás de todos os oponentes importantes e larga em 5º. Tudo bem que a McLaren queria um parceiro que desse calma a Lewis Hamilton, mas Kova ultrapassa todos os limites da passividade. No final das contas, acaba sendo bom para o inglês. Quanto menos gente na frente, melhor.

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Alonso em 6º larga atrás de Hamilton. O espanhol deu declarações interessantes durante a semana, disse que seu ressentimento não é com Hamilton, mas sim com a equipe McLaren. Mas Alonso é malandro, uma hora morde, outra hora assopra. Pra quem não se lembra, o asturiano já declarou sua torcida por Felipe Massa e disse que, se possível, ajudará o brasileiro. Tem toda a chance de fazer isso amanhã.

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A STR? De novo com os dois carros no Q3, de novo com Vettel a frente de Bourdais. É incrível a superioridade da filial sobre a Matriz RBR. É de fazer a equipe-dona corar e blábláblá. Ainda mais levando em conta que o Tião alemão foi o 2º piloto mais rápido da pista no Q2. Coulthard e Webber jamais sonharam com tal façanha!

E, falando em Vettel, STR e RBR, fica a pergunta: será que sair da Toro Rosso (uma das equipes mais simpáticas da F-1 em toda a história, me atrevo a dizer) em direção a Red Bull é um bom negócio para o alemãozinho?
__

Fechando o Top-10, Glock, comprovando o já observado avanço da Toyota em 2008.


1
Felipe Massa
Ferrari
1min12s368
2
Jarno Trulli
Toyota
1min12s737
3
Kimi Raikkonen
Ferrari
1min12s825
4
Lewis Hamilton
McLaren
1min12s830
5
Heikki Kovalainen
McLaren
1min12s917
6
Fernando Alonso
Renault
1min12s967
7
Sebastian Vettel
Toro Rosso
1min13s082
8
Nick Heidfeld
BMW
1min13s297
9
Sébastien Bourdais
Toro Rosso
1min14s105
10
Timo Glock
Toyota
1min14s230

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

O Dia Depois de Domingo

Não se trata de uma das grandes produções hollyudianas, mas de uma das improvisadas postagens deste editor, que notou certa animosidade nas declarações dadas pelos pilotos na segunda pós-Japão.

Massa foi o mais ameno em suas palavras. Disse que o toque com Hamilton não deve provocar maiores problemas de relacionamento com o inglês: "Temos um bom relacionamento. Eu o admiro como piloto e pessoa, e tenho certeza de que isso é recíproco. Não tento levar os problemas para fora da pista. Nunca tive problema em cumprimentá-lo, discutir assuntos e me divertir. Sem problemas. Não vou mudar com ele." – disse o ferrarista, num ataque de otimismo. Já Hamilton parece ter levado o negócio mais a sério. O Inglês crê que a manobra de Massa foi proposital: “Fiz a curva normalmente. Ele veio de forma muito agressiva e me atingiu. Acredito que foi deliberado” – falou o piloto da McLaren.

Me atrevo a dar um testemunho pessoal sobre o caso: confesso que no momento do toque me emploguei e comentei com meu pai: “o bom relacionamento dos dois acaba aí” – pensei. Agora que a poeira começa a baixar, percebo que talvez não seja para tanto. Mas que Hamilton levou o incidente a mal, isso ninguém nega.

Mas quem deu as declarações mais agressivas foi o francês Sébastien Bourdais, da Toro Rosso. Sobre a controversa manobra em que ele e Massa se chocaram, o jovem pilotou opinou: “Foi próprio de alguém perigoso que não sabe pilotar. Está lutando pelo título e corre riscos desnecessários, como fez comigo e com Webber. É um sinal de arrogância.” Falou, claro, com o ressentimento de quem foi claramente garfado. Sim, pra mim não há outro termo. O que fizeram com Bourdais foi uma punição por um incidente simples. Fiquei mesmo com a impressão de que estão tentando empurrar a decisão para Interlagos a qualquer custo.

Porém, coloco algumas observações nas palavras de Sébastien. Quando o francês diz que Massa foi “perigoso e não sabe pilotar”, está se esquecendo de uma coisa básica: Massa está atrás na tabela de classificação e PRECISA correr riscos para ser campeão. Pode-se acusar o brasileiro de um monte de coisas, mas não de correr da fogueira que é estar atrás na tabela e com ânsia de ganhar o mundial. Massa quer e vai atrás. É certo que as declarações do piloto da STR estão motivadas pelo ressentimento de uma decisão injusta.

Quem deu a declaração mais coesa da segunda-feira foi Nick Heidfeld: “Eu pensei que Hamilton tinha aprendido uma lição no ano passado. Ele foi aconselhado pelo time na última corrida para ter cuidado. Do que pude ver no replay, a disputa na primeira curva não era necessária."

Sem mais palavras minhas.

domingo, 12 de outubro de 2008

Sessão-Coruja/Japão - Results & Coments [5]

A cereja do bolo

Quando se pensa que os comissários já fizeram toda a lambança (minha vontade é usar um outro termo, mas prezo pelo respeito aos meus poucos leitores), descobrimos que ainda falta o grand finale: Bourdais foi considerado culpado pelo insignificante incidente envolvendo ele e Felipe Massa na volta 50 do GP Japão. Mais 25 segundos no tempo de chegada do francês que cai da 6ª para a 10ª posição no resultado final.

Melhor para Massa, que ascende à 7ª colocação e diminui a diferença para Hamilton. Se era de 6, agora é de 5 pontos, restando duas corridas.

Fico com a impressão de que estão tentando empurrar a decisão para o GP Brasil a todo custo...

*Também não sei porque o blogger está uma hora a frente do horário real. Já chequei minha configurações e vi que estou no fuso "GMT-03h00-São Paulo". Algum bug deve ser o responsável pelo erro.

domingo, 14 de setembro de 2008

Itália - Results & Coments [5]

Adeus, Kimi!

Na rabeira, a infelicidade de Sébastien Bourdais, o companheiro de equipe do vencedor da prova. Justamente no momento em que o francês parece se adaptar ao carro, o motor de Bourdais apaga na largada, e deixa o garoto absolutamente fora da briga. Uma pena, que de certa forma é um remake do que aconteceu em Spa. Domingo passado, Bourdais estava para chegar ao pódio, mas a chuva no finalzinho o empurrou para o 7º lugar. Hoje, de novo, uma fatalidade tirou a boa chance que Sébastien possuía. Se bobeassse, a Toro Rosso podia sair de Monza com uma dobradinha, ou com os dois carros no pódio, seguramente;

David Coulthard é o figuraça do grid. Só hoje, o escocês se envolveu em dois acidentes: se enroscou com Fisichella e tirou o italiano da corrida. No fim, ainda conseguiu deixar partes do bico da sua Red Bull no meio da Parabólica, ao se envolver num toque com Nakajima (nessa, me parece que a culpa não foi de David). De qualquer forma, a freqüência com que Coulthard anda se envolvendo em confusões é curiosa.

Raikkonen deu provas concretas de que não merece ser tratado de igual para igual com Massa na Ferrari. Depois do modesto (para ser eufêmico) desempenho do finlandês hoje em Monza, não faz sentido uma equipe como a Ferrari continuar com o discurso da igualdade entre sua dupla de pilotos. Os que pensam que a escolha de um primeiro piloto é algo anti-esportivo, devem mudar de esporte favorito. É assim que a F-1 racionaliza suas ações, há algum tempo. Kimi, definitivamente, está deixando a desejar.

Eu não me lembro de ter visto um campeão em exercício tão apático como Raikkonen. Hoje em Monza, Kimi completou sua terceira corrida consecutiva fora da zona de pontuação, esteve totalmente sem ritmo na maior parte da corrida, só evoluindo quando o asfalto já secava, no fim da prova. No princípio, foi facilmente superado por Hamilton (que comprovou a tese de que tem mais capacidade para frear no último momento), e o 9º lugar acabou ficando de bom tamanho. Agora, o campeão começa a sentir a aproximação de Heidfeld na tabela de pontuação: Raikkonen estacionou nos 57, Kubica disparou, com 64, e Nick está se aproximando, já com 53 pontos. Se, nas próximas corridas, Kimi passar a desempenhar o papel de escudeiro, finalmente o óbvio passará a ser a verdade dentro da Ferrari.

Entre as coisas que a corrida deixou claro, está a superioridade de Massa na Ferrari em 2008, devolvendo com juros o fim da temporada passada, em que Felipe teve de abdicar da vitória diante de sua torcida, no Brasil.

sábado, 13 de setembro de 2008

Itália - Results & Coments [3]

O novo emergente

O Q3 de Monza foi, até agora, o mais inusitado do ano. Uma BMW, uma Ferrari e uma McLaren fora, e nenhuma das três na pole-position. Sebastian Vettel e sua Toro Rosso surpreenderam o público.

Foi uma pole que dependeu muito da chuva, que caiu caprichosamente com mais intensidade após o giro de Vettel no Q2 e complicou a vida dos outros pilotos. O alemão se garantiu no Q3 e não fez feio. Pelo contrário, superou as eventuais desvantagens de sua Toro Rosso e sagrou-se pole, ignorando solenemente a McLaren de Heikki Kovalainen, que fez de tudo para roubar o 1º posto de Sebastian, em vão. O precoce talento alemão, contra todos os prognósticos, é o pole em Monza.
_

Kovalainen, o segundo, está em ótima posição para a longa corrida de amanhã, que promete tanta chuva quanto a classificação de hoje. As 53 voltas do gp de amanhã estarão sujeitas às circunstâncias que toda corrida molhada gera: Safety Car, erros dos adversários e até uma possível secagem da pista, que daria vantagem técnica à sua McLaren.

Webber e Bourdais, em boas posições, acabaram eclipisados pelo grande feito de Vettel. Webber por ser da equipe “matriz”, a RBR, e não conseguir uma posição melhor que a “filial”. Bourdais, por ser companheiro de Vettel e, mesmo numa excelente 4ª posição, estar levando um certo baile do companheiro e quase-xará. Até a sorte lhe nega um olhar mais efetivo: semana passada, em Spa, Bourdais tinha chances de ir ao pódio, mas a última volta maluca encerrou seu sonho repentinamente.

Rosberg em boa colocação com a Williams. O 5º lugar lhe dá boas expectativas para amanhã.

Trulli, que não acreditava no potencial da Toyota em Monza, larga em 7º. Seu companheiro Glock também está no Top-10 italiano: 9º colocado. Apenas Toyota e Toro Rosso levaram os dois carros ao Q3.

Felipe Massa, em 6º, larga, talvez, para assumir a liderança do campeonato. Porém, terá de se superar e de superar a desconfiança causada por seu recente desempenho na chuva. Em Silverstone, o brasileiro defendia a liderança do campeonato, e fez uma corrida para esquecer: 13º, último dos que completaram, duas voltas atrás do líder, Hamilton, Massa fez sua pior apresentação em 2008. Amanhã em Monza, o fantasma da Inglaterra terá de ser vencido e Felipe precisará mostrar, mais uma vez nessa temporada, que merece ser chamado de top driver.

Enfim, boas chances para todos, total indefinição e chance de uma zebra surgir e vencer em Monza. Expectativa de corrida emocionante, com os líderes do campeonato precisando ganhar posições em correr riscos. Corrida na chuva vira loteria e, amanhã, veremos que tem mais sorte.


01
Sebastian Vettel
Toro Rosso
01m37s555

02
Heikki Kovalainen
Mclaren-Mercedes
01m37s631

03
Mark Webber
Red Bull
01m38s117

04
Sebastien Bourdais
Toro Rosso
01m38s445

05
Nico Rosberg
Williams
01m38s767

06
Felipe Massa
Ferrari
01m38s894

07
Jarno Trulli
Toyota
01m39s152

08
Fernando Alonso
Renault
01m39s751

09
Timo Glock
Toyota
01m39s787

10
Nick Heidfeld
Bmw Sauber
01m39s906

domingo, 7 de setembro de 2008

Bélgica - Results & Coments [5]

No embolado pelotão do meio algumas surpresas: Bourdais chegou a sonhar com o pódio, mas teve de se contentar com o 7º lugar. Não foi, ruim para a Toro Rosso que conseguiu colocar os dois carros na zona de pontuação (Vettel concluiu em 5º).

Para a BMW o fim de semana também não foi de se jogar fora. Além do 3º lugar de Heidfeld, a equipe conseguiu 3 pontos com a 6ª posição de Kubica.

Renault em 4º com Alonso, que deve o resultado a São Pedro. O espanhol, assim como Heidfeld, calçou os pneus intermediários na penúltima volta e avançou entre o pelotão. Assim como Nick, Alonso brigaria pela vitória se a houvesse uma volta a mais.

Fora Massa, os brasileiros não tiveram um dia dos mais proveitosos. Nelsinho bateu ainda no início da prova e Rubinho, com problemas de cãmbio abandonou. É triste lembrar que seu calvário com a Honda será ainda mais desgastante em Monza, onde velocidade de reta (um dos grandes problemas do carro japonês) é ainda mais crucial do que em Spa. É a constatação de o mundo dá mesmo muitas voltas: vencedor e aclamado pela massa vermelha em duas ocasiões (2002 e 2004), Barrichello deve passar em branco no circuito italiano, dessa vez.

sábado, 6 de setembro de 2008

Bélgica - Results & Coments [4]

Invertendo o jogo

No Top-10 a briga pela pole foi boa e surpreendente. Contrariando quem via a Ferrari como favorita à 1ª fila (eu incluso), a McLaren andou forte em todos os três "Q's". No Q derradeiro, o 3, Hamilton não deu chance a ninguém. Volta voadora, três décimos abaixo do segundo colocado. Sem deixar dúvidas de que, até o último metro do GP Brasil, a briga entre McLaren e Ferrari será acirradíssima.

Os quatro pilotos das duas equipes que comandam o campeonato trocaram décimos durante todo o treino, mas a McLaren foi superior em todas as etapas. Mais uma vez, uma equipe apronta surpresas na "casa" da outra. Pelo histórico e pelas características da pista esperava-se um domínio da Ferrari, mas a McLaren surge, outra vez, com pinta de quem está invertendo o equilibrado jogo do mundial 2008.


Apesar de a 2ª posição parecer um mau negócio, visto que se esperava que a Ferrari dominasse a 1ª fila, Massa tem motivos para se manter otimista. Mais uma vez se impôs sobre Raikkonen (que, definitivamente, parece estar perdido dentro do cockpit do F-2008 nas classificações) e largará ao lado do rival na briga pelo título. Amanhã, há váriaveis que podem mudar muito a cara da corrida: a largada será fundamental. Passar bem pela La Source, que costuma complicar a vida dos pilotos, é essencial; a chuva pode aparecer para molhar o circuito de Spa e fazer do GP Bélgica uma grande loteria; e a estratégia, mais do que em qualquer outra pista, vai ser decisiva. Nesse ponto, porém, Massa e a torcida da scuderia devem ter um pouco mais de atenção, afinal, a Ferrari já jogou alguns pontos fora com os erros na leitura da dinâmica da corrida.

Para ter chance e estar na briga da corrida é necessário, acima de tudo, estar sempre perto de Hamilton, não permitir que o inglês abra grande diferença. É uma lição que, espera-se, Massa já deve ter assimilado depois do gp belga do ano passado. Na ocasião, Massa não conseguiu manter o mesmo ritmo do companheiro Raikkonen e não esteve, em nenhum momento, próximo da vitória.

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Na segunda fila, finlandesa, dois exemplos de pilotos superados com folga pelos companheiros de equipe. Com Kovalainen a situação nem é tão surpreendente, mas o que acontece com Raikkonen chega a ser incrível. O campeão está numa escandalosa má fase. Algumas reportagens que tentam explicar a zica de Kimi apontam que o finlandês está encontrando dificuldades em se adaptar às inovações do F-2008. O curioso é que no início do ano o comentário era outro. Dizia-se que Massa reclamava que o novo modelo da Ferrari não combinava com seu estilo de pilotagem. Mais uma inversão de jogo, essa interna, dentro da equipe que ainda não decidiu o homem do título.

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A BMW, que não apresenta mais aquele brilho da início do ano, não fez cócegas na duas equipes-titãs. Ok, o 5º lugar de Heidfeld e o 8º de Kubica não são ruins, mas para quem sempre se intrometia entre Ferraris e McLarens esperava-se mais. Novidade no time é Heidfeld andando mais que Kubica. É apenas a segunda vez no ano que o alemão larga a frente do polonês.

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Alonso em 6º, deve estar rezando para que a chuva caia e pinte uma chance de pódio. Não é impossível.

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A boa surpresa do treino, enfim, é a STR. Os precoces Bourdais e Vettel, em 9º e 10º, respectivamente, fazem bonito. Sem dúvidas a Toro Rosso é a equipe que apresentou maior evolução desde o início do ano (para se ter uma idéia da proeza que significa estar entre os 10: a equipe é descendente da Minardi). E não só o carro evoluiu, os pilotos também são protagonistas dessa melhoria. Jovens, taxados de afoitos por alguns, os dois "sebastians" vão calando a boca do críticos pouco a pouco. Bourdais, em especial, vai se firmando na equipe depois de um início de ano difícil e de muitas críticas. O francês, para surpresa geral, liderou o Q1, ignorando Massa, Hamilton e cia.


1
Lewis Hamilton
McLaren-Mercedes
1min47s338
2
Felipe Massa
Ferrari
1min47s678
3
Heikki Kovalainen
McLaren-Mercedes
1min47s815
4
Kimi Raikkonen
Ferrari
1min47s992
5
Nick Heidfeld
BMW
1min48s315
6
Fernando Alonso
Renault
1min48s504
7
Mark Webber
Red Bull
1min48s736
8
Robert Kubica
BMW
1min48s763
9
Sébastien Bourdais
Toro Rosso
1min48s951
10
Sebastian Vettel
Toro Rosso
1min50s319

sábado, 23 de agosto de 2008

Europa - Results & Coments [3]

Euforia espanhola

Assistindo ao treino ao vivo pela internet, pôde-se ter a dimensão do que Fernando Alonso significa para os espanhóis. A torcida, absolutamente apaixonada pelo ídolo da velocidade, saudava o bicampeão a cada passagem do Renault número 5. Mas não era uma saudação ensaiada, estimulada por animadores de torcida ou pela organização do evento. Era uma manifestação autêntica e eufórica de um povo que nunca teve um campeão na F-1 (e nem se importava com isso. Antes do fenômeno Alonso as transmissões sequer eram transmitidas ao vivo na Espanha) e hoje tem o maior piloto em atividade na categoria. O frisson que Alonso causa na Espanha é comparável ao que Mansell causava na Inglaterra ou ao que Senna provocava no Brasil.


Mas nem toda a empolgação da torcida espanhola foi suficiente para fazer a Renault ir ao Q3. Alonso ficou com o 12º lugar e Nelsinho Piquet com o 15º. O curioso é notar que, possivelmente, a Renault foi impedida de ir a Superpole graças ao bom desempenho da STR em Valência.

A Toro Rosso é a grande surpresa dessa etapa da F-1. Andou bem desde a sexta-feira, sempre incomodando a Ferrari, e hoje a equipe chegou a liderar o Q2 com Vettel. No final das contas, Bourdais larga em 10º e Vettel em 6º.

domingo, 3 de agosto de 2008

Hungria -Results & Coments [5]

Notinhas húngaras

- Corrida quente. Não por grandes brigas valendo posição, mas pelos sucessivos incêndios que ocorreram nos boxes. Barrichello, Nakajima e Bourdias (duas vezes) tomaram pequenos sustos com as labaredas que resolveram subir na hora de reabastecer o carro. A empresa que fabrica as bombas de combústivel deve fazer alguma investigação para averiguar o motivo de tantos defeitos na etapa húngara;

- O pódio da corrida de hoje foi, absolutamente, finlandês. Com dois nórdicos na festa do champagne, a comemoração foi, incontestavelmente, sem graça. Raikkonen, com sua habitual falta de emplogação e Kovalainen, o vencedor, nem parecia que havia faturado sua primeira vitória. Talvez porque ela tenha sido um simples "acidente" de percurso nas voltas que esse mundo dá. Mas isso é assunto pra mais tarde.

Daqui a pouco eu volto com as análises completas...

sábado, 5 de julho de 2008

Inglaterra - Results & Coments [3]

A frente dos ponteiros

Cinco posições fazem muita diferença entre dois pilotos de uma equipe pequena?

Pode até ser que não, já que a tendencia é que eles briguem pela rabeira, as últimas posições do grid. Mas não foi o que aconteceu com Sébastien Bourdias e Sebastian Vettel da STR. Os dois supreenderam por avançar para o Q2 e Q3, respectivamente. E na hora da discussão interna, Vettel mostra a estrela que brilhou no ano passado, mas que andava meio apagada em 2008.

Bourdais larga amanhã em 13º e Vettel na surpreendente 8ª posição, a frente de uma Ferrari (Massa) e uma BMW (Kubica), que por um acaso são os líderes do mundial. Sim, Vettel foi beneficiado pelos problemas sofridos pelos dois carros que ocupam a 5ª fila, mas a sorte faz parte do jogo. Ou alguém aí vai desmerecer Massa por ter vencido na França só porque ele contou com a sorte?

Não estou certo mais me parece ser a melhor posição de largada do Vettel e da STR. Se for, o dia foi histórico para a Red Bull, que patrocina as duas equipes, já que Webber larga na 2ª posição (esta, confirmadamente, a melhor posição da história da Red Bull Racing na F-1)