A decisão do alto comando da STR não pode ser classificada de outra forma senão como sensata. Bourdais, afinal, era a escolha mais segura entre as opções apresentadas pela imprensa como postulantes a uma vaga: Jenson Button é uma incógnita britânica, um piloto que se perdeu depois de um começo promissor. Ninguém mais sabe onde o inglês é capaz de chegar. Takuma Sato não é todo de se jogar fora, mas a fama de “showman” e trapalhão conquistada depois de algumas passagens pela F-1 não contribui para sua imagem. Sua maior esperança de voltar a um cockpit da categoria máxima era conseguir um gordo patrocínio para injetar a grana na Toro Rosso. O japonês não conseguiu, como Bruno Senna também não. O último, aliás, era, de longe, o maior tiro no escuro: um piloto que apesar de rápido na GP2, não foi devidamente “testado” na F-1.Além de todos esses, um veterano ainda era cotado para a vaga restante: Rubens Barrichello, sem emprego desde o desligamento da Honda, tal qual Button. O brasileiro, porém, nunca esteve entre os favoritos para ser o escolhido da equipe de Faenza.
Há consenso de que Bourdais é a escolha mais segura de todas.
Mas a Toro Rosso fez da vida do jovem Bourdais uma verdadeira novela. O francês passou 2008 tendo de assistir o companheiro Sebastian Vettel ser aplaudido de pé pelo mundo da F-1, especialmente após a vitória do alemão em Monza. Vettel se tornou o queridinho da F-1, com todos os méritos, aliás. Involuntariamente, o Schumi-Baby lançou uma tremenda pressão sobre o Tião francês, que, é bem verdade, penou para se adptar na primeira metade da temporada. Uma vez ambientado, porém, Bourdais mostrou seu valor: foi 4º colocado no grid de Monza, enquanto Vettel era o pole. Um desempenho aquém daquele conquistado pelo companheiro, obviamente, mas tão louvável o quanto, debaixo de chuva e com todos os grandes na pista. Apresentasse o mesmo ritmo de Vettel na corrida e a Toro Rosso poderia ter feito uma dobradinha. Poderia, porque o carro de Bourdais não partiu para a volta de apresentação, tendo que largar de trás do pelotão.
Em Spa, a má sorte outra vez fez companhia ao francês. Bourdais se encaminhava para um encorajador 3º, depois da batida de Raikkonen na penúltima volta caprichosamente chuvosa. O Tião francês se mantinha na pista úmida com pneus de pista seca e só não contava com a astúcia de Nick Heidfeld e Fernando Alonso, que entraram nos boxes na última hora para equipar-se com pneus intermediários. Além de perder posições para Heidfeld e Alonso, o francês não se segurou no piso escorregadio e cedeu aos avanços de Vettel e Kubica.
Bourdais, portanto, não é tão ruim quanto a demora da STR em resolver seu destino aparentou. Pode não ser tão sensacional como Vettel, mas é um piloto de qualidade, que seguramente não precisava esperar tanto tempo para ter sua renovação assegurada. Por mais que a situação de crise obrigue a Toro Rosso a primar pelo lado financeiro, não parece justo deixar o Tião francês na berlinda por tanto tempo.

Sim, os rumores de que o Quatro Olhos vá continuar na STR ganharam muita força desde que ele foi confirmado nos testes de Jerez de La Fronteira na próxima semana. Bourdais guiará o carro da equipe junto com seu novo companheiro de mesmo nome, Sebastien Buemi.
Se Massa brilhou, Hamilton também deu uma amostra clara de que automobilismo não é só estar no limite o tempo todo. Outrora criticado pelo instinto indomável, o inglês foi cerebral hoje em São Paulo. Tática absolutamente inteligente. Massa precisa se esfalfar, descontar 7 pontos de desvantagem que tem. A Hamilton basta ser o mínimo, correr pelo mínimo e, se tudo correr bem nas 71 voltas da corrida de amanhã, ser campeão. Isso também é automobilismo. Mesmo que o objetivo de Hamilton, em tese, fosse a 1ª fila, o 4º lugar está de bom tamanho. Ter a cabeça no lugar e poupar o equipamento, já desgastado pela corrida de Xangai na China, também são atributos esperados de um possível campeão.
O 4º lugar de Hamilton, portanto, ainda não deve ser motivo de comemorações estridentes da torcida brasileira. Nessa posição o inglês é campeão independente do resultado de Massa. Vale a lembrança: Hamilton precisa de uma 5ª posição para levar a taça por conta própria. Massa, se quiser sair de Interlagos como campeão, terá de vencer e torcer para que o piloto da McLaren chegue em 6º, ou pior posição.
O italiano acabou, talvez sem a intenção, dando uma senhora força à escuderia mais famosa de seu país. Graças a Trulli, há mais um carro separando a Ferrari de Massa da McLaren de Hamilton.
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E, falando em Vettel, STR e RBR, fica a pergunta: será que sair da Toro Rosso (uma das equipes mais simpáticas da F-1 em toda a história, me atrevo a dizer) em direção a Red Bull é um bom negócio para o alemãozinho?
Sem mais palavras minhas.
Entre as coisas que a corrida deixou claro, está a superioridade de Massa na Ferrari em 2008, devolvendo com juros o fim da temporada passada, em que Felipe teve de abdicar da vitória diante de sua torcida, no Brasil.
Kovalainen, o segundo, está em ótima posição para a longa corrida de amanhã, que promete tanta chuva quanto a classificação de hoje. As 53 voltas do gp de amanhã estarão sujeitas às circunstâncias que toda corrida molhada gera: Safety Car, erros dos adversários e até uma possível secagem da pista, que daria vantagem técnica à sua McLaren.



