Como A1-Ring saiu do calendário em 2003 para nunca mais voltar, achei que jamais tocaria no assunto "Áustria-2002" de forma profunda, específica.
Mas eis que, em um dia das mães, como aquele de 2002, Rubens Barrichello é protagonista de uma não-vitória, como aquela de 2002.
Há 7 anos uma outra situação (um time claramente hierarquizado), uma outra equipe (Ferrari), um outro companheiro (Michael Schumacher, com ares de manda-chuva), o mesmo engenheiro-estrategista: Ross Brawn.
No último domingo, porém, o script parece ter se repetido em alguns pontos: Barrichello fez uma corrida segura, rápida, veloz, mas acabou em segundo. Domingo passado não foi na última curva, na última volta, a 50 metros da linha de chegada. Mas ficou no ar uma sensação de deja vu.
Você, leitor, acha que a sensação se justifica? Brawn foi novamente acometido pela síndrome do "vamos preservar nosso piloto mais bem colocado"? Ou simplesmente os engenheiros de Jenson Button "leram" a corrida de forma mais eficiente?
Dúvidas, muitas dúvidas. Os próximos dias e o comportamento da Brawn na próximas corridas nos dirão mais.
Apesar de não ter me interessado muito quando soube da entrevista nas chamadas da Globo, parei para assistir ao Na Estrada, quadro do Esporte Espetacular comandado por Galvão Bueno. O convidado de hoje foi Rubens Barrichello.
Uma entrevista num tom intimista, com a presença da família, algo quase agradável. Quase se Rubinho não continuasse com a mania de se portar como vítima de uma terrível teoria da conspiração em que ele sempre é inocente.
Não é pancadaria gratuita contra Barrichello. É apenas uma chamada à realidade.
Para começar, preciso dizer que eu e Rubinho nos aproximamos na superficialidade. Enquanto eu via o início da matéria, me escandalizei com a beleza e o luxo de seu sítio no interior do estado de São Paulo. “Não é ídolo mas fez a vida”, pensei, numa babaquice que me revoltou instantaneamente. Claro que sim, Rubinho usufrui de um excelente nível de vida. Ou eu queria que ele tivesse vergonha de ser rico? Claro que não, Barrichello tem o nível de vida que sua profissão lhe proporciona e, até onde se sabe, prosperou de forma decente e honesta. Justíssimo! Me desculpei intimamente pelo pensamento raso. Coisa de latinoamericano estigmatizado pela patrulha esquerdista que nos rodeia, especialmente no meio acadêmico. Gostaria então que Rubinho também fizesse uma reflexão mental de (pelo menos) duas passagens muito inapropriadas em sua fala:
- “Ele [Michael Schumacher] faria qualquer coisa para ser campeão. Eu faço quase tudo para ser campeão, mas não o que ele faria”.
Essa é clássica e talvez seja a grande diferença entre um piloto bom, caso de Rubinho, e um que se coloque acima da média, caso de Schumacher. O piloto acima da média tem mesmo de querer fazer tudo para ser campeão, e desestabilizar os companheiros de equipe está dentro do pacote. Ser intransigente a ponto de considerar-se o dono do mundo foi um traço de personalidade observado em muitos dos maiores pilotos da história. Ayrton Senna e Nelson Piquet foram mestres em fazer isso e são heróis. Schumacher é vilão, só por não ser brasileiro? Ou seria só por que sua intransigência emudeceu a exuberante capacidade de um brasileiro?
Seria interessante largar o maniqueísmo barato e partir para a realidade, Mr. Rubens. Não há cordeiros na F-1, só lobos. Se deseja um ambiente lúdico e inocente, o mais recomendado é um campeonato de Gran Turismo na categoria infantil. Assim como é muito fácil para Galvão Bueno fazer uma reportagem em tom de absolvição, também é mais cômodo ser a eterna vítima. É mais cômodo, mas nem sempre mais condizente com a realidade.
- “Quando eles [Ralf e Michael Schumacher, em 2003] perderam a mãe e eu fiquei atrás dos dois em Ímola, vi eles disputando uma freada, batendo rodas (...) aquilo pra mim não caiu muito bem”.
Eu não sei qual é o nível cultural de Rubens Barrichello. Desconheço o que ele tem como verdade em seu entendimento de mundo. Mas me parece algo universal e comum a todos os seres humanos que julgar uma pessoa por um ato isolado é um tremendo pecado. Não no sentido cristão-apostólico do ato, mas sim no da honestidade necessária a toda relação interpessoal.
É possível rotular os Schumacher como frios e insensíveis tendo como base os acontecimentos de Ímola-03? Sim e não. Depende do objetivo de quem fala.
Alicia Klein, nas páginas 230 e 231 de A Máquina, me ajuda a explicar:
O episódio da morte da mãe de Schumacher, em 20 de abril de 2003, reforça a idéia de robô de coração gelado. A imagem do homem caloroso começava a se fixar no senso comum, até que a decisão – sua e do irmão Ralf – de disputar uma prova seguida à notícia do falecimento de Elisabeth Schumacher pôs tudo a perder. Em sinal de luto, Michael correu com uma faixa negra no braço e Ralf com o capacete pintado de preto.
Mas se ambos optaram por correr, isso não explicaria alguma coisa sobre a família? Rolf, o pai, separara-se da mulher seis anos antes para se casar com uma jovem senhora. "Meus pais se mataram de trabalhar dia e noite, durante a vida inteira", conta Michael. "Quando não precisaram mais e finalmente tiveram tempo para si, aí perceberam que na verdade não tinham absolutamente nada em comum". A partir daí, Elisabeth mergulhou de vez suas mágoas na bebida, falecendo em decorrência de uma cirrose hepática causada pelo alcoolismo. Afinal, quem pode julgar o que se passa na casa alheia, como cada um reage a determinadas situações, o que sente uma pessoa ao saber da morte de um ente querido? É certamente difícil compreender que Michael não só tenha participado daquele GP de San Marino, como o tenha vencido; sua formação cultural, nacional, emocional, familiar, entretanto, não pode ser colocada de lado para simples e superficialmente taxá-lo de insensível.
A reação da imprensa e de personalidades alemãs ao fato esclarece um pouco o comportamento desse povo. "Eu respeito a decisão. Claro que não foi fácil para eles tomá-la", revelou Rudi Voller, à época técnico da seleção de futebol da Alemanha. "Cada um deve ver por si. Agora uma coisa é certa: um piloto de Fórmula-1 tem de ser julgado por outros critérios. São pessoas excepcionais, que em uma situação excepcional se comportam de modo totalmente diverso da gente", argumentou o então presidente do Bayern de Munique e ídolo tedesco, Franz Beckenbauer. O periódico Suddeutsche Zeitung ressaltou: "o carro é um refúgio. O lugar de trabalho onde dominam as regras e a rotina, onde as pessoas se sentem bem em momentos difíceis". Frankfurter Allgemeine Zeitung: "Onde um piloto de F1 encontra sua tranqulidade? No carro de corrida. Eles fugiram, antes de serem confrontados com perguntas do tipo ‘como podem se concentrar?’ A participação dos irmãos mostrou onde um piloto se sente mais seguro em um dia tão horrível". O berlinense B.Z. engrossou o coro: "Os Schummies pareciam ter entrado no carro para fugir".
Ou seja, é muito fácil taxar os Schumacher’s de insensíveis por um fato como esse. Dependendo das intenções de que o faz, os irmãos alemães podem ganhar contornos de novos Hitler’s. É exagero, mas num caso desses é mais fácil exagerar do que se prender aos fatos.
É preciso tomar cuidado com a tentação do caminho mais fácil. Não sou advogado da família Schumacher nem odeio Rubinho a ponto de desclassificar tudo o que sai de sua boca. Só enxergo falta de responsabilidade da parte de Barrichello ao dar determinadas declarações. É preciso ser responsável e pesar as palavras antes de ir para frente de uma câmera da maior audiência do país. Cobro, intimamente, essa responsabilidade do William Bonner, do Cid Moreira ou do Galvão Bueno, quando esse se põe a usar eufemismos para relativizar o mau desempenho dos brasileiros e supervaloriza as vitórias. É preciso cuidado ao falar com milhões de pessoas via tela da tv. Especialmente quando o raciocínio usado possui a profundidade de um pires.
Os caras afanaram uma infinidade de artigos da loja da Ferrari em Vila Velha, região metropolitana daqui da Grande Vitória.
Bem que eles podiam passar aqui em casa pra fazer uma entreguinha depois do que eles chamaram de "brincadeira." Eu queria só uma, tá?
Piadas a parte, é aquela típica reação da juventude classe média que acha bonito bancar o desajustado. Aprontam e quando vêem que a coisa vai feder, pedem desculpas de forma automática e acham que isso resolve. Papai contrata advogados e paga a fiança do filinho. E tudo é carnaval!
Em 4 de abril de 2004 era dada a largada para o 1º GP Bahrein da história. Sobre a corrida há pouco assunto. Michael Schumacher e Rubens Barrichello largaram, passearam, desfilaram a competência da Ferrari e limitaram-se a dar 57 tranqüilas voltas. Era a 2ª dobradinha da Ferrari em 3 corridas e a 3ª vitória de Schumacher no ano, aproveitamento de 100% no ano que, junto com 2002, foi o mais fácil da vida do alemão.
Mas a corrida árabe começou bem antes, curiosamente em 2002, o ano mais vermelho de todos os tempos. Foi em Monza, no Grande Prêmio da Itália de dois anos antes da primeira corrida desértica, que as autoridades barenitas anunciaram que o país sediaria uma corrida de F-1. Era setembro de 2002 e o GP Itália assistiu a uma dobradinha ferrarista, para delírio de milhares de tiffosi histéricos que invadiram a pista para saudar Barrichello e Schumacher, respectivamente, 1º e 2º colocados. Dois anos depois, quando a prova barenita tornou-se realidade, a dupla rossa repetiu a dose lá no oriente, apenas com as posições invertidas.
As obras para a construção do circuito ao redor de Manama, a capital do minúsculo país, começaram em novembro de 2002. A expectativa era de que fossem gastos US$ 85 milhões. Ao final das obras, os gastos superaram os US$ 130 milhões, indicando que as autoridades não economizaram na intenção de exibir para o mundo um Bahrein moderno e atrativo.
As razões que levaram os sheiks a abrir o bolso? Luís Fernando Ramos, in loco, esmiúça aqui. O que dá pra adiantar: petrodólares jorram do solo barenita. Grana não é um problema.
Galvão Bueno fez questão de salientar, durante a transmissão global, aquilo que o Ico não deixou de observar em seu blog: a infra-estrutura do autódromo é impecável. Tudo de primeira, espaçoso, confortável, irrepreensivelmente correto. As corridas lá, entretanto, costumam ser mornas, mas atraem um bom público, público este mais interessado em badalação e em ser visto no maior evento do país do que propriamente na corrida e nos motores. E enquanto o luxo e a ostentação promovem grid girls vertiginosas nos cartazes oficiais, as nativas ainda vivem sob o julgo do falso e cínico conservadorismo árabe.
O GP Bahrein é, enfim, uma corrida de contrastes. Contraste entre a super-organização do evento e o evento em si, que sempre deixa a desejar no quesito qualidade da corrida e é, sobretudo, um contraste de si mesmo. Corridas de automóveis são tão presentes na cultura árabe quanto parar para rezar voltado para Meca às 5 da tarde no ocidente. São valores incompatíveis. Mas o Bahrein que se mostrar para o mundo e a F-1 não é nada mais do que uma vitrine.
O acontecimento de um GP China nesse período do ano é estranho. A prova oriental sempre esteve colocada na segunda metade no ano, quase no final, na ronda extra-Europa que a F-1 faz ao final das temporadas. Nesse ano, porém, a corrida em Xangai foi adiantada e o GP China 2009 irá se realizar pouco menos de 6 meses após a edição de 2008.
A corrida do ano passado, portanto, é recente, e bem fresca na memória de todos. Na verdade deveria ser uma corrida esquecível, pela monotonia com a qual Lewis Hamilton passeou pelo circuito de Xangai. Lewis só não foi o mais rápido no warmup de sábado, antes do treino classificatório. Em todas as outras as outras atividades, o inglês liderou a lista de tempos, ou seja, foi pole, venceu e fez a volta mais rápida da prova. Tudo isso na penúltima etapa de um mundial que seria decidido na última curva.
A escandalosa vantagem da McLaren e a característica do arquitetonicamente belo, mas esportivamente enjoado circuito chinês, fizeram do GP China (junto ao GP Malásia, que também foi um porre, diga-se) o mais chato de 2008.
O inglês correu como campeão, impecável, seguro, até mesmo pela imensa e surpreendente superioridade que o MP4/23 lhe proporcionou. Em Xangai, pista onde a Ferrari é a histórica vencedora, o F-2008 levou um baile massacrante. Restou a Felipe Massa, o oponente de Lewis na disputa pelo caneco, fazer uma corrida burocrática, distante até do companheiro Kimi Raikkonen, e contar com o jogo de equipe a 8 voltas do fim, quando o finlandês cedeu o 2º lugar ao brasileiro na intenção da minimizar o prejuízo da colossal vitória de Hamilton.
O campeonato se despedia da China e ia para São Paulo com o seguinte placar: Hamilton 94 X Massa 87.
O resto foi história.
Resumo do GP China, aquele oficial, que a FIA disponibiliza no site. Em alguns casos, como nesse de Xangai, o resumo fica mais interessante do que a corrida:
A F-1 chegava a Sepang precedida por um GP Austrália movimentado. Na corrida anterior, Rubens Barrichello foi retirado da corrida pelo alemão Ralf Schumacher, da Williams, logo na primeira curva. Sem dois fortes candidatos à vitória, o GP Austrália apenas assistiu ao desfile de Michael Schumacher, ainda correndo com o carro de 2001, que recebeu a bandeira quadriculada com margem confortável em relação ao segundo colocado.
Na Malásia, porém, ficaria claro que a Ferrari precisava ser esforçar para colocar o F-2002 na pista o mais rápido possível. No sábado, o alemão da Ferrari até conseguiu cravar a pole, com Juan Pablo Montoya em 2º, Barrichello em 3º e o Schumacher caçula em 4º. O domingo, no entanto, seria um dia difícil para os italianos.
Na largada, Michael fechou a porta de Montoya, que se aproveitou da melhor partida proporcionada pelo motor BMW de sua Williams e dividiu a primeira curva com o então tetracampeão. A disputa culminou em um toque entre ambos. O bico da Ferrari de Schumacher se soltou e foi para o assoalho do carro do colombiano, que perdeu muitas posições enquanto tentava se livrar do apêndice ferrarista. Com os dois favoritos enfrentando problemas, Rubens Barrichello e Ralf Schumacher passaram a dominar as ações.
O brasileiro precisou suar o macacão para manter o irmão de seu companheiro de equipe a uma distância razoável. Barrichello não conseguiu desgarrar de Ralf, mesmo estando o alemão com tanque cheio, para fazer apenas uma parada, contra duas de Rubinho. Como o brasileiro não foi capaz de abrir os pouco mais de 20 segundos necessários para fazer a segunda parada e voltar a frente, Ralf assumiu a ponta do GP Malásia. Barrichello seria o 2º, não fosse traído pela quebra do motor de sua Ferrari.
Enquanto a briga pela ponta acontecia de forma morna, Michael Schumacher e Juan Pablo Montoya esforçavam-se para avançar entre o pelotão. Schumacher caíra para o último lugar por precisar ir aos boxes recolocar o bico de seu carro. Montoya, no absurdo dos absurdos, foi considerado culpado pelo toque típico de corrida ocorrido na largada e também encontrava-se na rabeira. Os dois aproveitaram-se da superioridade do equipamento de Ferrari e Williams e conseguiram chegar ao pódio que apresentou Ralf Schumacher em 1º, fazendo dobradinha com Montoya, o 2º, e Michael Schumacher em 3º.
A dobradinha do time de Grove dava a falsa impressão de que a Ferrari encontraria uma rival a altura em 2002. Tremendo engano. Assim que o F-2002 entrou em cena, o campeonato imediatamente se decidiu em favor dos vermelhos.
Na temporada passada o Grande Prêmio da Malásia foi, junto com a etapa chinesa, a corrida mais entediante do ano. Poucas emoções numa prova em que o grande acontecimento foi a “sensação estranha” sentida pelo pole position.
A Fórmula-1 vinha da Austrália esperando confirmar, enfim, o favoritismo da Ferrari. A pista de Sepang tinha todas as características que, teoricamente, agradavam aos carros de Maranello. O consenso do circo era de que a etapa australiana, com suas quebras, batidas e abandonos que eliminaram mais da metade do grid, não havia revelado a real posição dos times. As longas retas e as curvas de raio médio/longo da pista malaia privilegiariam o F-2008.
Além disso, era a hora de a scuderia reagir. Àquela altura somente Kimi Raikkonen estava com pontos na tabela, apenas 2, enquanto Lewis Hamilton figurava soberano com os 10 tentos da vitória em Melbourne. Felipe Massa, muito criticado pelo vacilo na largada australiana, precisava reagir imediatamente, sob o risco de ficar muito para trás na classificação do mundial.
A classificação mostrou o resultado que todos esperavam: 1ª fila inteiramente vermelha, com Massa em 1º e Raikkonen em 2º. A 2ª fila deveria ser da McLaren, com Heikki Kovalainen cravando o 3º tempo e Hamilton o 4º. Mas a lentidão na volta de desaceleração de ambos atrapalhou as voltas rápidas de alguns pilotos, levando a direção de prova a punir os carros da Mercedes com a perda de 5 lugares no grid. Na briga pelo campeonato, a Ferrari não podia receber melhores notícias.
A corrida se desenrolaria no domingo de páscoa e pelo que foi visto na classificação, esperava-se um chocolate italiano. Sabia-se de antemão que Massa estava mais leve e que pararia mais cedo do que Raikkonen. Mesmo assim, na largada, o finlandês mostrou-se competitivo para com o companheiro de equipe brasileiro.
Mesmo largando do lado “sujo”, Kimi avançou rumo à 1ª curva com impetuosidade, levando Massa a espremê-lo no canto da pista. É e sempre foi raro ver dois ferraris brigando de forma tão acalorada, e a manobra de Massa logo foi chamada de “kamikaze.” De toda forma, as posições dos ponteiros não se alteraram, e o 1º terço da prova seguiu um ritmo monótno, com Massa não conseguindo escapar do assédio de Raikkonen, que o seguia de perto.
A única e grande virada da corrida aconteceu no momento da primeira rodada de pit stops. Confirmando as projeções, Massa entrou primeiro, deixando o caminho para que o campeão de 2007 fizesse uma volta voadora, um trabalho de boxes impecável e voltasse à pista na ponta. Sem ter muito o que fazer, Massa resignou-se a tentar, sem sucesso, acompanhar Kimi, que abria certa distância com relativa facilidade.
Pressionado pela imprensa pelo mau resultado em Melbourne e agora em segundo depois de marcar a pole, talvez Felipe tenha deixado transparecer uma ponta de desespero sob o capacete. O desempenho superior de Raikkonen depois da primeira parada deixava claro que se quisesse brigar pela corrida, o brasileiro teria que apertar o acelerador com força. Mas aquela era a F-1 sem controle de tração, e Felipe se esqueceu de que o ato de apertar o pedal com muita intensidade não mais seria corrigido por um sistema eletrônico.
Na 31ª volta, já com mais de 3 segundos de desvantagem para Kimi e sabendo da necessidade de não perder contato, Felipe roda na saída de uma curva lenta do circuito malaio de Sepang. Rodada típica de quem acelerou mais do que devia enquanto contornava a curva, mas jamais admitida por Felipe. Perguntado sobre o motivo do abandono, Massa afirmou ter passado por uma “sensação estranha” na área mecânica do bólido e jamais admitiu integralmente a culpa pela rodada, que iniciou seu período mais difícil na Ferrari.
Sem precisar dar explicações a ninguém, Kimi Raikkonen, agora sem a sombra de Massa, seguiu para uma das mais tranqüilas vitórias de sua carreira, chegando ao final da corrida 20 segundos antes do segundo colocado, o polonês Robert Kubica. Heikki Kovalainen fez boa corrida de recuperação e cruzou em 3º. Lewis Hamilton decepcionou, chegando ao final numa modesta 5ª posição.
Vídeos dos 10 minutos iniciais da prova, com a largada agressiva dos ferraristas e com uma das mais belas ultrapassagens do ano passado, de Heidfeld sobre Alonso e Coulthard, na volta 3:
Melbourne, início de outono no hemisfério sul, abertura do mundial de F-1 de 2001.
A temporada começava ainda sob o impacto do ano anterior. Meses antes, Michael Schumacher conquistara seu primeiro mundial de pilotos pela Ferrari, primeiro título da equipe desde Jody Scheckter em 1979, devolvendo assim a auto-estima aos tiffosi.
A McLaren, grande rival e única capaz de figurar no imaginário como equipe capaz de barrar o bem-nascido F-2001, prometia fazer oposição forte ao conjunto italiano, promessa não cumprida ao longo do ano.
Schumacher fez a pole e venceu, seguido por David Coulthard e Rubens Barrichello. Mika Hakkinen, grande adversário do alemão nas temporadas anteriores, não completou a corrida.
Mas o fato que mais chamou atenção durante a corrida não foi a tranqüila vitória do alemão da Ferrari, nem o abandono de Hakkinen, nem a corrida de recuperação de Rubinho, que largou mal e chegou a ocupar a 5ª posição. Foi o assustador acidente entre Ralf Schumacher e Jacques Villeneuve ainda no início da prova.
Visivelmente mais veloz, Villeneuve se aproximou rapidamente do alemão da Williams. Numa curta reta da pista de Melbourne, o canadense embutiu sua BAR na traseira de Ralf. A sobra de velocidade de Jacques era tamanha que o canadense se aproximou demais do carro do Schumacher caçula. Os dois colidiram, o carro de Villeneuve levantou vôo e os destroços se espalharam por toda a parte.
A terrível conseqüência da incrível batida foi a morte de um comissário de pista atingido pelos detritos voadores provenientes da batida, além de ferimentos em cerca de uma dezena de espectadores que se encontravam nas imediações do local do acidente. Foi a última vez que alguém morreu numa pista durante uma corrida de F-1.
Ou seja, os últimos anos foram de tanta evolução na segurança da F-1 que os dois pilotos envolvidos num acidente pavoroso como esse saem ilesos, enquanto um indivíduo localizado fora do carro perde a vida. Quer dizer que é mais seguro estar dentro de um carro durante a corrida do que estar nas proximidades assistindo a ela?
Para tentar compreender a discussão em toda sua amplitude é recomandável a leitura de outros dois artigos do Médici, encontrados aqui e aqui. Boa sorte!
Em março do ano passado a Fórmula-1 se perguntava: a Ferrari seria imbatível em 2008? A pré-temporada fora muito proveitosa à equipe italiana e Felipe Massa e Kimi Raikkonen, o então campeão, chegavam a Melbourne na condição de favoritos absolutos. Nada como um grande prêmio tumultuado para estragar as previsões de domínio dos comentaristas!
A outra grande novidade daquela corrida de estréia era o fim do controle de tração. A medida humanizou a pilotagem e tirou os pilotos de seu pedestal inalcançável de perfeição. Era preciso aprender a dosar o pé no acelerador e controlar o carro com perfeição nas saídas de curva. Felipe Massa aprenderia a necessidade de um rápido aprendizado de forma um tanto quanto traumática.
Depois de muita expectativa pela F-1 sem controle de tração, o dia 15 de março viu acontecer a primeira classificação sem o dispositivo em anos. A sessão foi marcada por imagens de um Lewis Hamilton escorregando com as quatro e controlando o MP4/23, para delírio dos mais saudosistas. Muita gente apressou-se em dizer que verdadeira F-1 estava de volta.
Logo no Q1 a Ferrari começou a desenhar o caos que lhe era reservado para o domingo: Kimi Raikkonen, o homem que defendia o título, apresentou um problema mecânico e ficou limitado ao 16º lugar no grid. Um mau começo para quem vinha de uma pré-temporada arrasadora.
Ficou, portanto, para Felipe Massa a expectativa de pole position, sobretudo pelo desempenho da Ferrari nos testes de inverno e pelo grande destaque que toda a mídia e os comentaristas davam ao F-2008. Para desespero de quem fez apostas levando em consideração as páginas do jornais, o brasileiro não fez nada melhor do que o 4º tempo. A pole ficava com a McLaren de Lewis Hamilton. Em 2º, uma grande surpresa: Robert Kubica, da BMW, ficara a apenas 0,155s do inglês. Era a demonstração de força da equipe que se mostraria desafiante em 2008.
Kovalainen em 3º e Heidfeld em 5º suscitavam expectativas de que a corrida fosse particularmente disputada entre McLaren e BMW, com a Ferrari de Massa correndo por fora. Mas o domingo australiano faria da abertura da Temporada 2008 uma das mais confusas e divertidas do passado recente.
Logo na primeira volta vários toques fizeram com que 5 carros abandonassem a prova. O toque mais relevante, no entanto, não era o mais grave do ponto de vista do impacto, mas sim da importância de quem se acidentou: Felipe Massa rodou infantilmente na saída da curva 1, batendo de leve na proteção de pneus e vendo todo o pelotão passar por si. Era o começo do inferno-astral da Ferrari na corrida, e de Felipe no campeonato.
Difícil avaliar até em qual ponto a ausência do controle de tração foi a responsável por incidentes como os de Massa e os outros que se viram durante a corrida. É preciso levar em conta que a geração atual é marcada pela divertida rotina de afobamento misturada a falhas um tanto quanto pitorescas, sem falar nas características particulares do circuito de Albert Park, um misto de parque com ruas da própria cidade de Melbourne, onde o asfalto geralmente fica repleto de detritos que dificultam a pilotagem fora do “trilho.” Além disso tudo, o muro está sempre a uma distância relativamente próxima.
A verdade é que pelas as circunstâncias da corrida, a primeira da F-1 sem o controle de tração em anos, tudo foi interpretado como festa e louvou-se o banimento do CT como o motivo das seqüências de quebras e batidas. A comemoração em torno da saída do dispositivo não era totalmente injustificada, porém, era exagerada. As corridas subseqüentes, como o chatíssimo GP Malásia provariam que apenas a ausência de um aparelho eletrônico era muito pouco para fazer da F-1 o show que os organizadores desejavam (e ainda desejam).
A corrida seguiu, com os dois ferraristas a vir do final do pelotão, tentando desesperadamente avançar. E em suas tentativas de ultrapassagem, Raikkonen e Massa não hesitaram em exagerar e levar suas disputas às últimas conseqüências. Resultados: duas saídas de pistas para Raikkonen; um enrosco de Massa com Coulthard que resultou em fim de corrida para o escocês, com a suspensão quebrada. A manobra discutível de Massa, que tentou dividir a curva mesmo estando com mais de meio carro atrás da RBR, gerou palavras duras da parte de David: “eu olho para frente, não para trás. Ele tinha melhor visão do que iria acontecer. Ele está disputando o mundial, eu não.” Para completar o fim de semana de pesadelo de Massa, seu F-2008 não completou a prova, confirmando o péssimo início de ano do brasileiro.
Voltas depois, um susto: a Toyota do estreante Timo Glock saiu da pista, atingiu um desnível na grama e levantou vôo como um avião. O carro voltou a pista semi-destruído, provocando imagens plasticamente bonitas para quem gosta de batidas. Glock saiu do que restou de sua Toyota ileso.
Enquanto isso, Lewis Hamilton seguiu intocável, a despeito das seguidas entradas do Safety Car. Correu sozinho, como se não existissem adversários.
Quase no final da corrida, o impensável acontece com a Ferrari: a favoritíssima equipe vê Kimi Raikkonen abandonar a prova a 6 voltas do fim, porém, classificado em 8ª, devido às várias quebras que reduziram o número de carros a chegar ao final a apenas 7.De toda forma, foi um duro golpe no cavalinho rampante. Dois motores quebrados na primeira corrida do ano, prévia do campeonato complicado que seria vivido pelo tiffosi.
A grande surpresa do final da corrida era a presença de Rubens Barrichello entre os pontuáveis. Beneficiado com a hecatombe que dizimou mais da metade dos carros ao longo da corrida, o brasileiro caminhava para um pódio. No entanto, a entrada nos boxes com as luzes vermelhas acionadas levou o brasileiro a ser desclassificado após o fim da corrida.
Ao final das 58 voltas, Lewis Hamilton venceu com autoridade, seguido por Heidfeld e Rosberg (este último dando a falsa impressão de um bom ano para a Williams), num pódio incomum. Seria, na verdade, uma dobradinha da McLaren, não fosse a azarada entrada do Safety Car justamente às vésperas do reabastecimento de Kovalainen, que foi obrigado a esperar o pit lane se abrir. Mesmo assim, chocolate de Ron Dennis: a McLaren foi a única equipe a terminar a corrida com os dois carros intactos.
Só para anotar, duas notinhas passaram em branco nos últimos dias:
- Jean Todt desligou-se definitivamente da Ferrari. Presente na equipe de Maranello desde 1993, o francês foi um dos responsáveis pela reestruturação da equipe nos anos 90/2000. Como diretor-esportivo da escuderia italiana, Todt elevou o nível de profissionalismo da equipe rossa, profissionalismo que culminaria na acachapante rotina de títulos da equipe na última década.
De 1993 a 2007 Todt ocupou a cadeira da direção-esportiva da Ferrari. Desde então dedicou-se a expedientes internos dentro da empresa. No início dessa semana, afastou-se definitivamente da fábrica italiana, encerrando uma das passagens mais brilhantes e memoráveis da equipe.
De Olho no Videokê: Deixe a Menina, Ecclestone
- Na semana passada foi divulgada a separação formal entre Bernie Ecclestone e Slavica, a croata com traços de modelo com a qual o dirigente da F-1 foi casado durante 24 anos.
Do casamento entre Bernie e Slavica restam duas filhas. O divórcio deve ser conhecido como a mãe de todas de divisões de bens, tendo em vista a colossal fortuna de Ecclestone. Slavica foi a autora do pedido, alegando que o comportamento de Bernie era excessivamente peculiar e impedia a boa convivência entre os dois enquanto cônjuges.
Entendam “comportamento excessivamente peculiar” da forma que quiserem. A mim, parece apenas uma coisa: uma mulher deste tamanho é grande demais para ser guardada a sete chaves. Slavica, possivelmente, quer outros horizontes e um casamento com um homem da estatura (e da idade) de Ecclestone certamente não lhe proporciona essa nova “visão”, se é que me entendem. Afinal, um senhor nessa altura da vida já não deve proporcionar a Slavica a slavicada que ela merece e deseja.
Uma dica para o tio Bernie: deixe a menina, caro senhor.
"deixe a morena contente, deixe a menina sambar em paz..."
No dia 5 de março, há 12 dias, a FOTA se reunia em Genebra para discutir pontos importantes e aparar arestas entre seus membros. Da reunião saíram diversas propostas econômicas e esportivas com as quais as equipes pretendiam melhorar a categoria a qual pertencem. À época este blogueiro cravou que “notável é o efeito que essa paz declarada entre as equipes causa no outro lado da batalha. A FIA inquisitora que sempre fez o que quis sem dar satisfações agora possui um contraponto à altura. A federação que nunca se contentou apenas em regular a categoria mas sempre fez questão de governá-la com mãos de ferro será obrigada a repensar parte de suas ações. Equipes coesas significam menos espaço para a atuação imperial da entidade presidida por Max Mosley.”
Eu não poderia estar mais enganado.
Pouco menos de 15 dias depois da reunião da FOTA que, entre outras coisas, apresentou uma proposta cabível para o sistema de pontuação, a FIA mais uma vez prova que gosta de mandar e que não se importa com o rebuliço que isso vá causar. Na verdade, enquanto a entidade máxima do automobilismo estiver sendo comandada por um senhor que gosta de causar polêmica porque “a F-1 vive disso”, vamos ter que nos acostumar com as pirotecnias.
A repercussão da decisão tomada pela FIA em Paris foi apedrejada por todos os lados, mas a federação mantém-se impávida em sua posição. Tudo porque, na verdade, Max Mosley está cagando para as equipes e, digo até, para a torcida. O que ele quer é que a F-1 apareça, tenha mídia, saia na capa dos jornais. Mosley é o rei da esculhambação. É uma espécie de Chacrinha, mas que fala inglês e ao invés de perguntar "quem quer bacalhau?" oferece bananas à sua platéia.
É, enfim, um atrapalhado que não tem um plano de vôo sério para a entidade e para a categoria máxima. Um borra-botas, vovô babão que se diverte em puladas de cerca com mocinhas sapecas e é incompetente o suficiente para se deixar flagrar. Um típico e incorrigível Vacilão, como cantaria Zeca Pagodinho.
Mosley "deu lavagem ao macaco, banana pro porco, osso pro gato" e, na confusão que armou, fez de sua própria incoerência o signo máximo do tipo de gerente ao qual a F-1 esteve subordinada nos últimos anos.
Com menos votos do que a enquete destinada a Rubens Barrichello, o resultado da enquete de “O Melhor e o Pior de Gerhard Berger” saiu, elucidando a preferência dos blogueiros votantes a respeito do austríaco com mais grandes prêmios disputados na história da F-1.
Foram miúdos 7 votos para eleger o melhor e magérrimos 5 cliques para escolher o pior momento de Gerhard na F-1. O resultado não fugiu àquilo que o blogueiro imaginava. E as opções também se mostraram um convite à previsibilidade, enfim.
O Melhor
Pela Última Vez (GP Alemanha 1997)
A última vitória de Berger e da Benetton foi, sem dúvidas, um momento de glória para Berger. Cravou a pole no sábado e pilotou como um possuído no domingo, ignorando os carros e pilotos favoritos. Enquanto Frentzen (Williams) e Irvine (Ferrari) se enroscavam pelo circuito de Hockenheim, o austríaco manteve-se rapidíssimo nas longas retas do antigo traçado. Inalcançável, tornou sua última vitória na F-1 um dos seus feitos mais marcantes.
Com 5 dos 7 votos registrados nessa categoria, a vitória de Berger em Hockenheim foi eleita como seu grande momento.
*Por uma fatalidade muito grande, fico devendo o vídeo com o resumo da corrida. Incrivelmente o vídeo que eu disponibilizei na semana passada e que ilustrava o post foi retirado do ar.
O Pior
Estourando em Estoril (GP Portugal 1993)
Não havia sequer comparação. A patacoada de Berger no circuito português é uma das poucas cenas de imperícia em sua carreira. E é, inclusive controversa, porque dá indícios de algum problema mecânico, pela forma com a qual o carro se desgoverna e atravessa a pista.
Foi quase unanimidade, com 4 dos 5 votos na categoria “ O Pior”.
São esses, portanto, o melhor e o pior momento da carreira de Berger na F-1.
Em nova crise de monotonia proporcionada pela chatíssima pré-temporada, o De Olho na F-1 retorna a seu momento eleitoral. O escolhido da vez: o austríaco Gerhard Berger.
“Um piloto simpático” é o que se costuma dizer de Berger. Mas ele é mais do que isso. Está, é bem verdade, na galeria das promessas não cumpridas da F-1. Piloto de inegável talento, talvez tenha dado o azar de ser contemporâneo a Prost, Senna, Mansell e Piquet. Quando os 4 grandes se retiraram, Berger já não era moço o suficiente para se fazer notar entre jovens como Hill, Villeneuve e Schumacher.
Gerhard Berger é mais do que apenas um piloto simpático. Com 210 largadas, está entre os 10 pilotos com mais corridas disputadas na categoria máxima. Acumula passagens pela McLaren de ouro dos anos 80/90 e pela problemática Ferrari do mesmo período. Apesar das passagens por times tradicionais, seu número de vitórias é modesto: são 10, entre triunfos na Ferrari, McLaren e Benetton. Nessa última protagonizou uma curiosa coincidência: venceu a primeira corrida de sua carreira de do time, no México, em 1986, e também na Benetton subiu ao lugar mais alto do pódio pela última vez, em 1997 na Alemanha, naquela que foi a última vitória da equipe antes de ser vendida para a Renault em 2002.
Razões para explicar o magro número de êxitos de Berger são simples: carro de ponta mesmo, o austríaco só pilotou em uma equipe: a McLaren. E só durante dois anos (1990-1991). Nesse período dividiu espaço com Senna, semi-Deus na equipe chefiada por Ron Dennis. Em 1992 o austríaco até ganhou duas corridas (Canadá e Austrália, a última foi em sua despedida da McLaren), mas não fez nem cócegas às Williams do outro mundo que deram a Mansell seu único mundial.
Berger é célebre por ultrapassar a barreira do coleguismo e tornar-se amigo pessoal de Ayrton Senna, coisa raríssima já que o tricampeão, com sua gana extremada pela vitória, seu espírito competitivo afiado e sua desconfiança espinhosa, colecionou desafetos na F-1. Berger foi exceção. De 1990 a 1992, quando foi parceiro de Ayrton na McLaren, o austríaco viu-se como um dos poucos homens em que Senna confiava no circo da F-1. Continuaram com o bom relacionamento mesmo depois que Gerhard partiu para sua segunda jornada em Maranello, e se falavam regularmente até o fim da vida do brasileiro.
Berger foi um bom piloto. Tanto assim que encontrei dificuldades em encontrar maus momentos em sua carreira (ou seria minha simpatia pelo Gerhard que me cegou?) e precisei apelar para situações aparentemente corriqueiras.
Berger é, enfim, um homem que merece ser chamado de honesto (ou nem tanto, como descobriremos na segunda opção de votação dessa enquete).
O Melhor
Redenção Rossa
O ano de 1988, em se tratando de revezamento na lista de vencedores, foi tedioso. O MP4/4 da McLaren deu a Ayrton Senna e Alain Prost uma superioridade indisputada. Somente uma das 16 corridas daquele ano não foi vencida pelos pilotos de Ron Dennis. E havia de ser justamente o Grande Prêmio da Itália. E havia de ser com dobradinha da Ferrari. E havia de ser em circunstâncias dramáticas.
Aquela era a primeira corrida em solo italiano que não contaria com a folclórica figura de Enzo Ferrari. O Comendador falecera pouco tempo antes e os tiffosi sentiam-se órfãos da entidade que forneceu ares de mito ao corcel negro. Com sua mística personalista, Enzo parece ter calculado a comoção que aconteceria naquele 11 de setembro nada sombrio para os fanáticos ferraristas.
A primeira fila da classificação era previsivelmente branca e vermelha. Atrás, estavam os bólidos rossos. Na largada, Senna pula na frente, e passa a imprimir o inalcançável ritmo que só a McLaren era capaz de apresentar. Prost o seguia, mas com claros sinais de problemas mecânicos, não resistiu a Berger. O francês abandonou, deixando Senna seguir como favorito a mais um êxito. Mas eis que o destino sorri para a Ferrari!
Liderando com folga, Senna caminhava para uma importante vitória quando, na última volta, encontra um retardatário. O brasileiro tentou resolver a ultrapassagem sobre a Williams sem muita negociação e... pimba! Um enrosco bobo e evitável retira Ayrton da prova e abre caminho para um redentora dobradinha da Ferrari. Um dia de sonho no meio do pesadelo de (àquela altura) não vencer um mundial desde 1983, ano em que a Ferrari fora vencedora do campeonato de construtores pela última vez até então.
“Ora ora” – me indaga o leitor – “Berger apenas herdou as posições das McLaren, por que tanto destaque?” Simplesmente porque vencer em Monza é especial apenas por isso. Pilotando uma Ferrari então...
O Falso Espetáculo Australiano
O episódio é, no mínimo, curioso, mas muito divertido. Reza a lenda que a Ferrari desistira de qualquer esperança de bom desempenho naquela corrida. O motor consumia muito e a scuderia não tinha condições de pensar nem pódio. Então os italianos decidiram fazer das ruas de Adelaide um palco para um show realizado com playback.
A idéia folclórica era apenas correr leve, correr pela simples vontade de dar show, e não completar a corrida. Já que não havia chance de um resultado significativo, os carros de equipe italiana foram à pista apenas para impressionar, e nada mais. Era uma forma divertida de terminar mais um ano ruim para o time italiano.
E lá foi Berger. Sem grandes dificuldades, se aproximou e ultrapassou Senna. Seguiu com desconcertante facilidade à caça de Prost e também o deixou para trás. Uma façanha! Pouco depois, sabendo que não tinha a mínima chance de levar o carro adiante, já que combustível escasseava no tanque, Berger colidiu propositadamente em René Arnoux. Era uma forma “digna” de terminar a corrida sem levantar suspeitas a respeito da total falta de competitividade dos carros vermelhos.
Um falso show, mas com diversão garantida.
Pela Última Vez
Hockenheim 1997, Grande Prêmio da Alemanha. Seria a última vitória de Gerhard Berger na Fórmula-1 e a última da Benetton.
O austríaco conhecia bem as enormes retas da pista germânica. Vencera lá em 1994, inclusive. Berger estava disposto a dar um show em sua derradeira corrida em seu gp quase doméstico. Dono da pole position, o piloto da Benetton dominou o grid na largada. Mas pairavam dúvidas sobre a real performance da equipe na corrida. Conseguiria Berger resistir aos carros de ponta?
A verdade é que o austríaco sequer chegou a ser incomodado pelos carros top. Não houve Schumacher nem Hakkinen que fosse capaz de frear Gerhard Berger naquela tarde.
Aproveitando-se da arriscada, porém eficiente estratégia de duas paradas, Berger voou nas retas da antiga pista alemã. Não encontrou adversários em seu nível e quando alguém cismava de entrar em seu caminho, Berger fazia questão de despachar o quanto antes. Foi assim com Hakkinen, logo que Gerhard voltou dos boxes. Foi assim posteriormente com Fisichella, outro que demonstrou grande talento naquela tarde, mesmo que não tenha completado a corrida.
Pilotagem de perícia, de garra e de talento. Digna de ser a última vitória de Gerhard Berger.
O Pior
Circo em Ímola
Tarde chuvosa em Ímola, pista molhada, e um mico de dois importantes pilotos do grid em 1991.
Ainda durante a volta de aquecimento, Prost com a Ferrari e Berger com a McLaren tornam-se figuras principais de episódios vexatórios. Os dois perdem o controle de seus carros na pista molhada e rodam. Até seria aceitável durante a pressão de uma corrida, mas o fato torna-se circense por ser na volta de apresentação.
Gerhard ainda consegue voltar para a pista, Mas Prost...
Estourando em Estoril
Grande Prêmio de Portugal de 1993, Berger outra vez na Ferrari.
Na saída do pit stop do austríaco a Ferrari inexplicavelmente atravessa a pista, cruza perigosamente entre outros carros na reta principal e colide com o muro, arrebentando com o carro. Fim de corrida para Berger e metáfora da situação da outrora imponente marca do cavalinho: caos total e absoluto, com direito a nenhuma vitória naquele ano.
Exagero no Principado
Na véspera daquela que seria uma das corridas mais estranhas da história, com apenas 4 carros cruzando a linha de chegada, um Berger exagerado rodou em plena classificação.
Faltavam poucos segundos para o fim daquele treino em Monte Carlo. Berger e Schumacher próximos, o austríaco sente-se mais rápido do que o alemão e tenta ultrapassá-lo para não perder tempo em sua última volta rápida e... vê o mundo ao contrário, na saída do túnel. Por sorte o Benetton não atinge guard-rail e muros, fazendo com que o incidente termine sem grandes conseqüências.
Votação aberta logo à direita, no alto da coluna de informações do blog. Convite ao voto e à revelação (facultativa, claro) dos mesmos mais do que feitos.
Enfim, chegou a folia de Momo. O rei provisório já recebeu as chaves simbólicas da cidade de Vitória das mãos do prefeito. Está decretado o carnaval.
Nos próximos dias, portanto, esse blog estará em recesso. O Olho-Chefe somente dará o ar da graça por aqui se algo muito excepcional acontecer. A parada momesca deve se estender até o dia 2 de março.
Enquanto eu estiver curtindo um decanso, Rio de Janeiro, Salvador e Recife darão conta de produzir os maiores carnavais do país. O triste, porém, é que em dois desses mega-eventos que são denominados populares, a festa já não é assim, tão povão.
No Rio o carnaval virou coisa para turista ver. O gigantismo da Marquês de Sapucaí transformou o desfile do carnaval carioca num super-evento, com renome internacional. Enche os olhos, é verdade. É algo hoje extremamente profissional. Mas o povo, povo mesmo, ficou meio de lado na festa. Hoje é festa para encantar e reafirmar o exotismo do país para os gringos.
Em Salvador a festa também se elitizou. E lá não é só festa para turista. É festa para turista rico, vide o preço dos pacotes para os principais blocos. Também hoje o carnaval soteropolitano é extremamente profissionalizado. Não há mais as “guerras” de trios (situação em que dois trios ficam muito próximos e o som de um se confunde com o do outro) e os percursos foram rigidamente estabelecidos. Porém a manifestação perdeu um pouco de seu romantismo, de sua ingenuidade. O carnaval da Bahia, até por englobar o principais nomes do show bussiness brasileiro (Ivete, Chiclete e as infinitas cópias que se seguiram), agigantou-se talvez além da conta. Tornou-se um pula-pula obrigatório e as vezes repetitivo.
A festa de Recife talvez seja a única que permanece acessível ao dono do carnaval, o povo. Ao som do frevo, os pernambucanos fazem a festa em seus tradicionais blocos. O mais famoso é o Galo da Madrugada, que arrasta a multidão desde cedo pelas ruas da Veneza Brasileira.
É claro, há alternativas para quem está em Salvador ou no Rio. Os blocos não morreram e o carnaval de rua ainda resiste nas duas primeiras capitais do Brasil.
E há festas menores por todo o Brasil. Quase toda cidadezinha, especialmente as litorâneas, possuem uma programação para o período. Então, aproveitem.
Fica aí uma demonstração de cada uma das super festas de encher os olhos:
Salgueiro 1993
Talvez o último dos sambas-enredo com personalidade. O “Explode-Coração”, como ficou conhecido, foi unanimidade no carnaval de 1993. Há quem arrisque dizer que nunca o público vibrou tanto com um samba-enredo. Letra de fácil compreensão aliada a uma competente exibição da escola fizeram a Sapucaí cantar em coro o refrão da campeã do ano de 1993.
We Are The World of Carnaval
Os baianos que animam os trios elétricos se auto-intitulam o mundo do carnaval. E não estão sem razão. O império do axé music construiu um domínio de nomes que você com certeza já ouviu falar, mesmo que não aprecie: Chiclete com Banana, Ivete Sangalo, Asa de Águia. Esses artistas lotam shows e micaretas pelo país e cobram dos mais altos cachês de que se tem notícia. Alguns deles até alcançaram reconhecimento pela qualidade instrumental (caso de Carlinhos Brawn) e/ou vocal de seus trabalhos (caso de Ivete Sangalo), mas a maioria continua dividindo opiniões. Uns amam, outros odeiam.
O Galo da Madrugada
É livre, é leve, é solto. O carnaval mais democrático do Brasil rola em Recife. O Galo da Madrugada arrasta dois milhões de pessoas entre os canais da capital de Pernambuco no sábado de carnaval. Sem cordão, sem isolamento, sem camarote para os bacanas.
Aproveitando o momento eleitoral pelo qual o blog passou na última semana, opine. Qual seu carnaval favorito? Sonha sair em um deles? Ou não, odeia carnaval?
Se você é dos que gostam, aproveite. Pule, grite, fantasie-se, sambe, saia atrás do trio, namore. Só não faça algo que traga arrependimento para o resto da vida.
Se você não gosta, durma, tranque-se em casa, retire-se, descanse. Só não se esqueça de deixar um comentariozinho aí embaixo, nem que seja para mandar o carnaval para o inferno.
Enfim, aproveite os próximos dias do jeito que achar melhor.
Vocês votaram e está estampado na barra ao lado o resultado da votação que elegeu o melhor e o pior momento de Rubens Barrichello na F-1. Como experiência essa primeira aparição da nova seção me ensinou algumas coisas, como olhar com mais atenção para a carreira do piloto antes de definitivamente disponibilizar as opções aqui. Muitos e muitos momentos melhores e piores me ocorreram depois de já ter o texto redigido e publicado.
Outra observação importante: a enquete não tem pretensão alguma de ser conclusiva ou representativa do pensamento da maioria dos fãs da F-1, como torna-se óbvio. Não há quantidade de votos suficiente para isso. É apenas um meio de movimentar o blog e provocar uma gostosa discussão, como a que aconteceu no post dedicado a ilustrar as opções.
A votação começou no dia 11 e se estendeu até ontem. Foram retumbantes 15 votos depositados em cada categoria, a maioria absoluta, presumo, da blogaiada que passa por aqui regularmente. E os votantes elegeram os seguintes episódios:
O Melhor
Confesso que já esperava a lavada da vitória de Hockenheim no ano 2000. Fiquei até surpreso com os 2 votos recebidos por cada uma das outras opções porque a exibição de Barrichello naquele foi de gala. É, particularmente falando, o maior momento da carreira do brasileiro, vencendo numa pista meio seca e meio molhada, tendo partido da 18ª posição.
Eis o resultado:
A Entidade de Hockenheim (GP Alemanha 2000) - 73% (11 votos)
O “Xis” de Magny-Cours (GP França 1999) / Vitória Vermelha (GP Itália 2004) – 13% (2 votos)
Pitacos eleitorais:
- Enfim, toda a justiça foi feita à 1ª e dramática vitória de Rubinho. Logo quando terminei de escolher as concorrentes para a categoria “O Melhor” imaginava que a manobra sobre Schumacher em Magny-Cours não era uma forte concorrente, até pelo que disse o Felipão: “foi um ato isolado e previsível, mas bonito.”
- A única concorrente a altura era a corrida de Monza em 2004. Estar em último e conseguir recuperar-se e vencer numa pista como Monza é dificílimo. Pistas de velocidade pura, como a italiana, não oferecem muitas possibilidades de recuperação. Sabendo disso, a Ferrari trabalhou com o mesmo expediente usado em Hockenheim 2000: deixar Barrichello mais leve do que o restante para que ele andasse mais rápido e elevar o número de paradas para 3. Isso implicaria em andar no limite durante todas as 50 voltas restantes, correndo o sério risco de errar. E Rubinho fez o papel que lhe foi reservado no script com louvor, sem precisar de Safety Car ou malucos entrando na pista. Reitero o que disse na postagem que apresentou as opções: uma vitória também dos projetistas que deram ao F-2004 uma superioridade enorme e de Ross Brawn e suas estratégias infalíveis. Mas também uma bela condução de Barrichello.
O Pior
Pra mim, era páreo duro. São três momentos de grande imperícia de Rubinho, especialmente os de Silverstone e Interlagos, em que Barrichello não prejudicou só a si próprio, mas a outros pilotos também.
Eis o resultado:
Abandono Verde-e-Amarelo (GP Brasil 2001) – 60% (9 votos)
Atropelamento em Silverstone (GP Inglaterra 1995) 26% (4 votos)
- Já esperava que a tal rodada em Melbourne não fosse causar muita comoção, mas me surpreendi com a superioridade que a batida na Williams de Ralf Schumacher provocou. Pode confessar Marcos Antônio, você votou várias vezes, né?
- A surpresa é porque a cacetada de Rubinho no Schumacher mais novo é muito parecida com a que o brasileiro aplicou em Mark Blundell em Silverstone 1995. Apesar de também ter votado no episódio de Interlagos, esperava certo equilíbrio entre os dois atropelamentos provocados por Barrichello.
Fiquem, novamente, com os vídeos dos campeões:
O Melhor: A Entidade de Hockenheim (Alemanha 2000)
Valeu a pena ter uma hora a mais de sono graças ao fim do horário de verão. Dorminhoco reincidente das manhãs de domingo (nas férias da F-1, claro) hoje esse blogueiro acordou mais cedo, a tempo de ver o programa motorizado das manhãs globais, o Auto Esporte.
Aí vi a chamada sobre a matéria do KERS. E fiquei esperando...
Nada demais, como se nota, mas muito útil ao fã menos interado sobre as mudanças no regulamento.
A reportagem, no entanto, me fez cair na real, finalmente. Percebi certa perversidade no dispositivo durante a narração do repórter do programa.
“Lembra do filme Velozes e Furiosos?” Com essas palavras o Auto Esporte me fez entender o que vai se passar na F-1 em 2009. E a sensação não foi boa.
Antes que protestos irados ganhem as páginas do meu distinto blog, um esclarecimento: nada contra o filme, é um exercício de entretenimento relativamente interessante (o "relativamente" é obrigatório porque o filme só é digerível se o espectador não se rebelar contra a pose de mau dos aspirantes a rapper que povoam a película).
Enfim, ao citar Velozes, o tal carinha da matéria sobre o KERS me fez perceber algo que eu já havia desconfiado, mas não tinha entendido completamente. O Felipe Maciel, inclusive já havia chamado atenção para o delicado ponto em sua coluna no site Pit Stop:
Me lembrei do que foi salientado pelo Maciel imediatamente. E me irritei de vez com a mania de artificialidade que permeia a cabeça dos comandantes da F-1.
Uma pena que a FIA não abriu enquete para perguntar se os fãs são a favor do KERS. Eu me comprometeria a passar dias e noites votando contra.
Entediado que estou com essa Pré-Temporada em que só se fala de números, prejuízos, KERS e outros assuntos desinteressantes, resolvi dar ao blog alguma coisa nova, sair um pouco da pasmaceira instalada desde que a F-1 ingressou em seu período de férias.
Decidi que essa página precisava de uma injeção de ânimo, de sair um pouco dos pitacos sobre lançamentos de carros e comentários de pilotos. Achei que o conteúdo estava muito feijão com arroz.
Então, num arrombo de disposição para pesquisar e garimpar o Youtube, anuncio que o "De Olho" ganha mais uma seção. “O Melhor e o Pior de...” trará sempre 3 momentos de glória e 3 de vergonha de algum piloto. Uma enquete ficará no ar durante uma semana para que o leitor que passa por aqui dê a sua opinião e decrete: qual foi a glória inesquecível e a vergonha mais execrável realizada pelo piloto em foco. Não será uma seção periódica, surgirá assim que o humor de Olho-Chefe estiver razoavelmente agradável. O textos, sempre que possível, virão acompanhados de vídeos para ilustrar as situações narradas.
Para começar a nova atração do blog, escolhi ele, o mais zuado piloto de sempre: Rubens Barrichello. E tive muitos motivos para escolher o Barrica. O 1º deles é óbvio: foi com o Rubinho que comecei a me interessar por F-1, o que não era nada fácil, já que os resultados não apareciam com a freqüência esperada. Acompanhado de perto a carreira de Barrichello tenho muitas memórias visuais de momentos bons e de outros de fazer corar a bochecha. Então fica fácil para lembrar!
Começa agora, senhores, O Melhor e o Pior de... Rubens Barrichello.
O Melhor
O XIS de Magny-Cours
No molhado Grande Prêmio da França de 1999, Michael Schumacher jogou pesado com Rubinho. Tentou a ultrapassagem no grampo, depois da longa reta, em Magny-Cours. Barrichello, em seu último ano pela Stewart, mostrou ao alemão que topava a parada de igual para igual. Deixou Schumi com a linha de dentro, espalhou e retomou a posição num típico “xis”, para delírio de Cléber Machado.
A Entidade de Hockenheim
O Grande Prêmio da Alemanha do ano 2000 é, para muitos, a melhor exibição de Barrichello em todos os tempos. Largando da distante 18ª posição, Rubinho pilotou como se estivesse possuído por alguma entidade. Fez várias ultrapassagens na pista e, com alguma sorte, corria para chegar ao pódio, já que estava bem mais leve do que os outros, preparado para fazer 3 paradas. As entradas do Safety Car, porém, foram um grande negócio para Rubinho. O brasileiro acabou ascendendo ao 3º posto depois das duas entradas do carro-madrinha. Nas voltas finais, a chuva caiu sobre o circuito de Hockenheim. Hakkinen e Trulli, que estavam à frente de Barrichello, foram trocar os pneus de seco pelos de chuva. O ferrarista, porém, arriscou, continou na pista molhada com pneus de seco e, depois de 123 largadas, venceu sua primeira corrida na F-1.
Vitória Vermelha
Em 2004 não teve para ninguém: a Ferrari fez barba, cabelo e bigode. Equipe campeã, Schumacher campeão, Barrichello vice. Para celebrar, os vermelhos queriam fazer bonito diante de torcida em Monza. Até conseguiram, mas não sem uma dose de suspense.
Rubinho era o pole do grid daquele GP Itália. Mas um erro de calculo antes do início da prova quase pôs a corrida do brasileiro em risco: chovera na manhã daquele domingo em Monza e a pista encontrava-se úmida. Barrichello foi um dos únicos que optou por largar com pneus intermediários. Esperava obter vantagem com o asfalto molhado. Não contava com a alta velocidade dos carros na pista de Monza, que secou em 4 voltas. Rubinho, sem rendimento, foi então alcançado por Alonso. A equipe de Maranello preparava uma mudança de tática para tentar a vitória.
Barrichello foi imediatamente para os boxes, equipar-se com pneus lisos. Voltou em último, e sabia que precisaria andar 100% no limite para vencer, pois faria três paradas, e não duas, como era o planejamento inicial. Mais leve, Rubinho explorou toda a superioridade do F-2004 e venceu, mesmo precisando de um splash and go milimétrico a 12 voltas do fim.
Uma vitória também dos engenheiros que projetaram o avião F-2004 e de Ross Brawn e suas estratégias mirabolantes. Mas, sobretudo, uma inegável condução sem erros de Barrichello.
O Pior
Atropelamento em Silverstone
Finalzinho do Grande Prêmio da Inglaterra de 1995, Barrichello disputando com Mark Blundell uma posição entre os pontuam e... zaz! O brasileiro atropela a McLaren de Blundell. Fim de corrida para Rubinho a 2 voltas do encerramento.
Abandono Verde-e-Amarelo
O Grande Prêmio do Brasil de 2001 foi daqueles para Rubens se esquecer. Na volta de instalação, enquanto se dirigia para o grid, o carro de Barrichello sofre uma pane no miolo do circuito de Interlagos. Rubinho desce do carro e se dirige com pressa ao pit lane. Era preciso chegar aos boxes da Ferrari e sair com o carro reserva antes que o tempo-limite para ingressar no grid se esgotasse. Quase no limite, o piloto da Ferrari consegue sair dos boxes, mas sua corrida será breve. Tenso, Rubinho atinge Ralf Schumacher em cheio na freada do Lago. Fim de corrida para ambos.
Pião Australiano
Em 2003 a FIA estava disposta a barrar o domínio do binômio Schumacher-Ferrari. As regras do treino classificatório e a distribuição de pontos mudaram e o Grande Prêmio da Austrália mostraria se o efeito das alterações era real.
Na classificação, ficou a impressão de que 2003 seria como 2002. Schumacher fez a pole, Barrichello ficou com o 2º tempo. Na corrida, porém, tristes novidades para a Ferrari. Schumacher enfrentou problemas com a estratégia e com os defletores do carro, que se soltaram, e não passou do 4º lugar. E Rubinho...
Errou feio na volta 6, rodou e bateu sozinho. Começou o ano no zero, numa corrida que viu cair a marca de 53 pódios consecutivos com pelo menos um ferrarista presente. O ano, entretanto, seria de Schumacher, mais uma vez.
_
E então, qual a melhor e qual a pior exibição de Rubens Barrichello entre as citadas? Vote ali ao lado. E comente aqui embaixo.
O resultado sai na próxima semana.
*Certamente vão perguntar: “porque não escalar a marmelada de A1 Ring em 2002?” Porque na Áustria, a vergonha precisa ser dividida com a cúpula da Ferrari e com Michael Schumacher.
**Não, não me esqueci dos testes de Jerez e do Bahrein. Preifro me manifestar sobre eles na sexta-feira, quando tudo estiver acabado. Fazer um balanço geral deixa o blog mais simples e menos repetitivo.
Para você que, como eu, anda com ataques crônicos de DPT (Depressão Pós-Temporada de F-1), uma dica: visite a página disponibilizada no site oficial da F-1 com o resumo de cada corrida de 2008. É garantia de ótimos momentos da divetida temporada do ano passado.
Depois de clicar nesse link é só ir no "I agree" e escolher o vídeo da etapa que você quiser.
Ah sim, sua conexão precisa ser um pouco, digamos, robusta.
De um lado os pilotos reclamam do aumento (realmente abusivo) das superlicenças para 2009. _ _
O preço que os pilotos precisam desembolsar para participar da temporada da F-1 apresentou um aumento de mais de 700% no ano passado. Para esse ano, Mosley sinalizou um outro aumento (que elevaria o valor da licença para dez mil e quatrocentos euros + dois mil euros por ponto conquistado), para grande descontentamento dos pilotos.
A GPDA, entidade que representa os corredores, já entrou em contato com a FIA para tentar um consenso. A FOTA, representante das equipes, também deseja que a pendência se resolva o quanto antes e admitiu colocar o assunto em pauta na próxima reunião.
Max Mosley justifica que o motivo para o aumento das licenças é a inflação. Culpou também a incessante busca por mais segurança na F-1. _ _
Do outro, Frank Williams admite que sem as novas definições que reduziram os custos na F-1, a tradicional equipe com seu sobrenome não teria resistido. _ _
Os seguidos prejuízos sofridos pela equipe Williams nos últimos anos ameaçaram os horizontes da equipe de Grove. Só de 2006 a 2008 o time inglês registrou um desfalque de US$ 88 milhões.
"Devido à pressão econômica que sofremos, as mudanças no regulamento que fizeram com que os custos fossem reduzidos são um grande benefício para nós. Isso nos permite ter um novo começo" – disse o dirigente. A crise financeira e a saída de dois patrocinadores (Lenovo e Petrobras) agravariam ainda mais a situação da Williams.
Mas a contenção de custos que se abateu sobre o grid e um pagamento adiantado de mais de US$ 14 milhões aos quais a equipe tinha direito no Pacto de Concórdia amenizaram a situação. A Williams ainda sobrevive. _ _
Enfim, o dinheiro anda sendo a principal manchete do noticiário da F-1 há dois dias. Quem tem não quer gastar. Quem não tem precisou de um socorro providencial.
A grana sumiu. E os rapazes do Jota Quest me ajudam a perguntar (num clipe tão fraco quanto a música), num coro só:
Capixaba de Vitória, 21 anos, Fábio tem outra paixão motorizada além da Fórmula-1: os ônibus. Não chega a ser um busólogo fanático, apesar de trocar uma viagem de carro ou de avião por uma de ônibus no ato. Ainda em se tratando de escolhas não-convencionais, é torcedor do Fluminense, e espera por um desconto no dia do juízo final por tamanho sofrimento ainda em vida. Apesar de apreciar um bom jogo de futebol, nunca foi bom de bola na terra do futebol. E, numa hipótese nunca completamente abandonada, pode ter se estigmatizado por isso. Preferiu então passar as manhãs de domingo vendo carrinhos dando voltas em círculos a passar as tardes vendo 22 homens correndo atrás de uma bola.
Fábio Andrade já editou um blog próprio, o De Olho na F-1, durante um ano, entre junho de 2008 e junho de 2009. Gostou do que viveu e do que aprendeu na blogosfera, não resistindo ao convite de Felipe Maciel para voltar a blogar, agora no Blog F-1.
As imagens do dia
-
Há 40 anos, o Mundial de Formula 1 de 1986 chegava ao Autódromo do Estoril,
para o GP de Portugal. Faltavam três corridas para o final da temporada e
...
Adeus Kobe. E obrigado!
-
Kobe Bryant: parte o homem, permanece a lenda/Foto: Divulgação-LA Lakers
Era mais ou menos 16h30 de domingo, 26 de janeiro de 2020. Dia ensolarado
por aq...
Na estante: Formula 1 - The Knowledge
-
[image: Formula 1 - The Knowledge]Números estatísticos sempre deram um
sabor especial à história de qualquer modalidade esportiva. São eles que
nos ajudam...
CARA TEPAT DAN ALAMI MENGHILANGKAN JERAWAT
-
Memiliki wajah yang cantik dan bersih adalah dambaan setiap wanita,
tentunya terbebas dari masalah yang sering menghantui, jerawat. Banyak
wanita yang mela...
Da First à Life: A vida começa em 1990
-
*No papel, o F190 era lindo. Seria bom se funcionasse*
Depois do projeto de Lamberto Leoni afundar em 1989, deixando um rastro de
dívidas e má reputação,...
F1 2018 - Abu Dhabi: Vaza, Alonso
-
*O* GP de Abu Dhabi de 2018 marca algumas despedidas além da própria
temporada. Marcus Ericsson, Esteban Ocon, Vandoorne, Sirotikin e o
principal: Fernando...
Avaliação - VW Saveiro Trendline 2018
-
Das picapes compactas, a Saveiro sempre se destacou por ter o melhor
comportamento dinâmico, considerado muito parecido com carro de passeio.
Avalianos ...
Plunct Plact Zum
-
Há exatos 20 anos, a McLaren iniciava uma nova parceria técnica. Depois da
exitosa era Honda, na qual ganhou quatro títulos mundiais em cinco
temporadas, o...
‘Senna ri’
-
Cena rara em Portugal, 92 (Schlegelmilch)
Greta Garbo, tão bela quanto talentosa atriz da era de ouro de Hollywood,
era notória pela sisudez e melancolia. ...
Primeira vitória de Hirvonen com a Citroen
-
Mikko Hirvonen confirmou hoje a vitória no Rally de Itália, com isso
consegue chegar pela primeira vez ao lugar mais alto do pódio ao volante de
um Citr...
How to use Windows 7 without activation
-
http://m14hackersworld.blogspot.com
*How to use Windows 7 without activation*
*Hi do you know that it is possible to use Windows 7 and Vista for 120 days
...
Que nem ovo!
-
Amarelo nem é minha cor favorita, mas, como é visível, eu tenho um tombo
por carros nessa cor. Aqui, mais um amarelinho para colorir o trânsito
nosso de c...
PROCEDIMENTO PARA TROCA DE ÓLEO DO VW GOL
-
Devido a inúmeros comentários e mails que recebo, quando se trata do motor
do Volkswagen Gol Nova Geração, hoje eu vou publicar algumas fotos que fiz
para ...
[AVISO] - Mudaram as estações, mas nada mudou...
-
*Campinas *- Hoje, 3 de Novembro de 2011, marca uma mudança muito
importante para mim, Thiago Raposo, e para o Café com F1. Depois de algumas
semanas de...
OFF: Bandeira vermelha
-
O Splash-and-go paralisa suas atividades nesta data por motivos de força
maior e sem previsão para retorno.
O autor agradece aos leitores que se mantiveram...
ESTE BLOG MUDOU DE ENDEREÇO...
-
... e você está mais do que convidado para conhecer a casa nova! Este
querido e estimado espaço migrou agora para o TotalRace, um site que traz
no seu DNA ...
Fotos: Os 80 anos de Bernie Ecclestone
-
Nesta quinta-feira (28), Bernard Charles Ecclestone, o chefão da Fórmula 1,
completa 80 anos de vida. Confira algumas fotos de momentos marcantes do
inglês...
O futuro deste blog
-
Como os poucos leitores deste blog devem ter percebido, este blog não é
atualizado desde 6 de julho, pouco antes do GP da Inglaterra. Este hiato
foi a form...
...Deus castiga!
-
Lá vinha ele, todo pimpão, louco pra devorar um Porsche Targa com seu
Subaru Legacy. Piloto com síndrome de Big Brother, narrava a sua atuação -
e a dos...
Mudança de endereço...
-
Amigos, a partir de agora temos um novo lugar para o nosso encontro.
O Blog *mudou para este endereço - clique aqui*.
Daqui em diante, faço parte do time d...
Seguindo novos rumos - O fim
-
Caros amigos e leitores, após 1 ano e 8 meses na ativa é com uma dor no
coração que anuncio o fim do Loucos por F-1.
Infelizmente estava praticamente impos...
Alisson em busca do ouro olímpico
-
[image: Alisson dos Santos campeão]
O atletismo brasileiro presenciou mais um capítulo memorável na carreira de
Alison dos Santos. Ao cruzar a linha de cheg...
Não existe mundo ideal
-
No meu mundo, você sabe que eu te amo.
nele, eu posso seguir seus passos,
posso ver o mundo inteiro no seu olhar.
posso ser eu mesmo sem as amarras que uso,
...