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segunda-feira, 4 de agosto de 2008

Não viu? Veja agora!



Ta aí, a fenomenal largada de Massa ontem. Repito: uma das melhores dos últimos anos!

*Pequeno detalhe: acho que nem o Galvão Bueno iria se entusiasmar tanto quanto o narrador da rede italiana de tv Rai.

Hungria - Memories

Eixo frouxo

Se você acha que Felipe Massa é o único brasileiro a ficar a pé com um problema mecânico em Hungaroring, se enganou:



O vídeo é da edição 2003 da prova húngara. Barrichello sofre o acidente na 20ª volta. A causa do acidente até hoje não foi totalmente esclarecida pela Ferrari. Aliás a equipe, numa atitude muito da canastra, pôs a culpa em Barrichello. Em uma nota, a equipe Ferrari diz que "Barrichello atingiu a zebra por duas vezes em um ângulo não muito comum entre as voltas de número seis e sete". Não contente com o absurdo, a nota de esclarecimento é encerrada com a maior de todas as bobagens: "depois de uma forte freada na reta no começo da volta 20, essa parte (o triângulo da suspensão) cedeu".

A nota é uma espécie de retrato dos anos que Rubinho passou na Ferrari. Sempre tratado como material de segunda, Barrichello quase sempre tinha que se virar com um equipamento que, por vezes, era inferior ao de Schumacher.

Em tempo: o que um piloto pensa quando se depara com um muro se aproximando em alta velocidade?

domingo, 3 de agosto de 2008

Tabela 2008, após 11 etapas

GP Hungria, após 70 voltas:


01
Heikki Kovalainen
Mclaren-Mercedes
01h37m27s067

02
Timo Glock
Toyota
+00m11s061

03
Kimi Raikkonen
Ferrari
+00m16s856

04
Fernando Alonso
Renault
+00m21s614

05
Lewis Hamilton
Mclaren-Mercedes
+00m23s048

06
Nelsinho Piquet
Renault
+00m32s298

07
Jarno Trulli
Toyota
+00m39s449

08
Robert Kubica
Bmw Sauber
+00m48s321

09
Mark Webber
Red Bull
+00m58s834

10
Nick Heidfeld
Bmw Sauber
+01m07s709

11
David Coulthard
Red Bull
+01m10s407

12
Jenson Button
Honda
+1 volta

13
Kazuki Nakajima
Williams
+1 volta

14
Nico Rosberg
Williams
+1 volta

15
Giancarlo Fisichella
Force India
+1 volta

16
Rubens Barrichello
Honda
+2 voltas

17
Felipe Massa
Ferrari
+3 voltas

18
Sebastien Bourdais
Toro Rosso
+3 voltas

19
Adrian Sutil
Force India
+8 voltas

20
Sebastian Vettel
Toro Rosso
+48 voltas

Classificação Geral de Pilotos, após 11 etapas:

01 - Lewis Hamilton (McLaren) - 62
02 - Kimi Raikkonen (Ferrari) - 57
03 - Felipe Massa (Ferrari) - 54
04 - Robert Kubica (BMW) - 49
05 - Nick Heidfeld (BMW) - 41
06 - Heikki Kovalainen (McLaren) - 38
07 - Jarno Trulli (Toyota) - 22
08 - Fernando Alonso (Renault) - 18
09 - Mark Webber (RBR) - 18
10 - Timo Glock (Toyota) - 13
11 - Nelsinho Piquet (Renault) - 13
12 - Rubens Barrichello (Honda) - 11
13 - Nico Rosberg (Williams) - 8
14 - Kazuki Nakajima (Williams) - 8
15 - David Coulthard (RBR) - 6
16 - Sebastian Vettel (STR0 - 6
17 - Jenson Button (Honda) - 3
18 - Sebastien Bourdais (STR) - 2
19 - Giancarlo Fisichella (Force India) - 0
20 - Takuma Sato (Super Aguri) - 0
21 - Anthony Davidson (Super Aguri) - 0
22 - Adrian Sutil (Force India) - 0

Classificação de Equipes, após 11 etapas:


01 - Ferrari - 111
02 - McLaren-Mercedes - 100
03 - Bmw Sauber - 90
04 - Toyota - 35
05 - Renault- 31
06 - Red Bull - 24
07 - Williams - 16
08 - Honda - 14
09 - Toro Rosso - 8
10 - Force India - 0
11 - Super Aguri - 0

Hungria - Results & Coments [8]

A sorte é prateada

Essa é, definitivamente, uma temporada atípica. Altos e baixos, corridas gêniais se revezando com incríveis patuscadas e dois pilotos chegando a suas respectivas primeiras vitórias. No Canadá foi Kubica, agora na Hungria, é a vez de Kovalainen.


A vitória de Heikki foi fruto dos fatos da corrida. Se a três volts do fim Massa não tivesse quebrado o motor, Kova não venceria. E, aliás, mesmo com o problema de Massa, Kovalainen não venceria, pois teria Hamilton a sua frente. O furo do pneu da McLaren do inglês foi decisivo para o resultado final da corrida. Contando com a sorte, finalmente Kovalainen desencanta na F-1, se tornando o 5º piloto diferente a vencer no ano de 2008.

O finlandês recebeu as felicitações por parte de sua equipe: "bem-vindo ao mundo das vitórias", dizia Ron Dennis, com aquela empolgação tipicamente britânica. Mesmo recebendo a pecha de "pior piloto das equipes de ponta", Kovalainen reforça que a Finlândia é um dos países com mais tradição na F-1. Kova é o 4º piloto do país a ganhar um corrida e é precedido por compatrotas como o campeão Keke Rosberg (1982) e o bicampeão Mika Hakkinen (1998 - 1999). Ainda representando a Finlândia, Heikki é contemporâneo ao atual campeão do mundo, o também finlandês Kimi Raikkonen (2007).

--

Hamilton sai de Hungaroring do jeito que chegou: líder. E com mais vantagem na briga com a dupla Raikkonen - Massa. Com 62 pontos no mundial, contra 57 de Raikkonen, o segundo, Hamilton saiu com um lucro imenso da Hungria. Ainda mais tendo em vista que:

- A McLaren era favorita a corrida e tomou um passeio de Massa, que venceria não fosse o motor que deu pau a três voltas do fim;



- Hamilton sofreu um furo no pneu dianteiro-esquerdo e correu o risco de não pontuar. Chegar em 5º e sem Massa na pontuação ficou de bom tamanho para o inglês.

Hungria - Results & Coments [7]

O humano fez o que pôde, a máquina deixou a desejar


Quando Hamilton e Kovalainen conquistaram a 1ª fila ontem na classificação, as previsões eram todas iguais: Hamilton largando para vencer, Kovalainen segurando Massa e o brasileiro lutando para conseguir chegar ao pódio. Seria mesmo assim se, na largada, o piloto não tivesse feito a diferença. Hoje, em Hungaroring, Felipe Massa fez o que a muito tempo não se via na partida de uma corrida: o material humano fazendo a diferença.


Foi uma largada irretocável, agressiva, segura e beirando a genialidade. Em que outra prova, nos últimos anos, o leitor viu algum piloto partir da 3ª para a 1ª posição antes da segunda curva? Massa fez o que Raikkonen não vem tendo competência para fazer: dar uma resposta a McLaren no momento em que a equipe se sente favorita ao título.

E Massa partiu para fazer uma corrida absolutamente correta. Mais rápido do que as McLaren em toda a prova, Felipe levava a Ferrari ao mesmo patamar de competitividade que os carros ingleses. Depois de cruzar a primeira curva na liderança, não teve concorrentes, e pilotou o tempo todo para a vitória, sem ser incomodado pelos rivais. Quando o pneu de Hamilton furou, por volta do 40º giro, Massa teve tranquilidade para passar a administrar a corrida. Passou a "salvar o motor", como se diz na gíria do automobilismo, reduzindo o ritmo e poupando o propulsor. Parecia ali que o campeonato estava todo a seu favor.





Porém, de vez quando as coisas não saem como o previsto. Chame de destino, eu prefiro falar em algo impoderável. Faltando 3 voltas para o fim, o motor da Ferrari de Massa explode e deixa o brasileiro a pé. É um caso em que não há culpados, afinal, máquinas dão defeito. Mas é duro falar em falha mecânica justamente num carro famoso pela confiabilidade e durabilidade de seus compostos. Dói ainda mais em Massa, saber que a vitória lhe daria a liderança do campeonato e uma folga de 3 pontos sobre o líder Hamilton. Com a quebra do motor do brasileiro, a liderança do mundial foi trocada por um indigesto 3º lugar, 8 pontos atrás de Hamilton, 3 atrás do companheiro de equipe (e apagadíssimo) Kimi Raikkonen.


Mesmo com um resultado de prova que beira a crueldade, a Ferrari não saiu no prejuízo total. Com o ritmo forte de Massa a equipe deu uma amostra de que tem força para competir em pé de igualdade com a McLaren. Afinal, Massa foi mais rápido que Hamilton e Kovalainen justamente na pista onde se esperava um passeio do time de Woking. Com um pouco de tranquilidade, a equipe ainda pode virar novamente o jogo num campoenato que ainda tem 7 corridas pela frente.

--

Raikkonen perdeu a corrida no sábado, ao se classificar em 6º. Na largada, enquanto seu parceiro de equipe fazia miséria la na frente, Raikkonen perdia posição para Alonso. Limitado pelo espanhol durante mais da metade da corrida, Kimi contou com um problema na parada do bicampeão e o furo no pneu de Hamilton. Deu sorte de chegar em 3º e está agora três pontos a frente de Massa, justamente quando se aproxima a hora de a Ferrari decidir com qual piloto vai brigar pelo título. Mas para um campeão do mundo, Raikkonen ainda deixa muito a desejar.

Hungria - Results & Coments [6]

A hora e a vez dos novatos!

As últimas duas provas foram de estréias no pódio. Em Hockenheim, Nelsinho Piquet debutou, chegando em 2º. E hoje foi a vez do alemão Timo Glock chegar em 2º e subir pela primeira vez para a festa.

Glock, com 26 anos, é filho da geração pós-Schumacher. O piloto é fruto dos anos de domínio de Michael na F-1 que provocou um efeito cascata: o automobilismo viveu (e ainda vive) um momento de evidência entre os germânicos. Dos 20 pilotos do atual grid, cinco (1/4) são alemães.

Ainda reflexo das ondas de impacto que a carreira de Schumi causa na F-1.

Hungria -Results & Coments [5]

Notinhas húngaras

- Corrida quente. Não por grandes brigas valendo posição, mas pelos sucessivos incêndios que ocorreram nos boxes. Barrichello, Nakajima e Bourdias (duas vezes) tomaram pequenos sustos com as labaredas que resolveram subir na hora de reabastecer o carro. A empresa que fabrica as bombas de combústivel deve fazer alguma investigação para averiguar o motivo de tantos defeitos na etapa húngara;

- O pódio da corrida de hoje foi, absolutamente, finlandês. Com dois nórdicos na festa do champagne, a comemoração foi, incontestavelmente, sem graça. Raikkonen, com sua habitual falta de emplogação e Kovalainen, o vencedor, nem parecia que havia faturado sua primeira vitória. Talvez porque ela tenha sido um simples "acidente" de percurso nas voltas que esse mundo dá. Mas isso é assunto pra mais tarde.

Daqui a pouco eu volto com as análises completas...

sábado, 2 de agosto de 2008

Hungria - Results & Coments [4]

Fazendo o dever de casa

Nenhuma surpresa na 1ª fila do GP Hungria: McLaren dominante, Hamilton em 1º, Kovalainen em 2º. Sorrisos prateados pra todo lado.

A McLaren não fez nada que não fosse esperado em Hungaroring. Com rendimento impecável no Q3, a dupla de pilotos colocou-se onde todos esperavam que eles estivessem. E numa pista onde tradicionalmente o pole vence, Hamilton pode ser o 1º piloto desde Michael Schumacher a vencer 3 corridas seguidas (em 2006, Schumacher venceu os gp's EUA, França e Alemanha, em seguida. Desde então nenhum piloto conseguiu vencer três provas consecutivas na categoria) e provar por A + B, que o momento da McLaren é mesmo de favoritismo.

E no mais perfeito estilo "saiu melhor que a encomenda", Hamilton tem a seu lado, na 1ª fila, o companheiro de equipe Heikki Kovalainen. O solícito parceiro de Lewis certamente deve largar amanhã instruído a segurar Felipe Massa, principal adversário de Hamilton na disputa pelo mundial. E Heikki nem vai ter de fazer muita força, porque ultrapassar em Hungaoring, já é tarefa naturalmente complicada.

Talvez seja cedo para falar em favoritismo ao título, afinal, além da etapa de amanhã, ainda restam mais 7 até o final da temporada. Porém, o cenário que se desenrola nessa 2ª metade de campeonato é extremamente favorável a Hamilton. Mais até do que ano passado, já que agora o inglês não precisa se preocupar com um companheiro de equipe barraqueiro e bom o suficiente para limitá-lo. Hamilton também parece correr sozinho rumo ao título, já que a Ferrari vive um momento de maus resultados. E pra falar a verdade, mesmo enquanto tinham equipamento superior Raikkonen e Massa não foram suficientes para manter o piloto da McLaren a distância, mesmo com todos os erros cometidos pelo inglês. Se a cabeça continuar no lugar, e se conseguir lidar bem com a expectativa, Hamilton pode em 2008, soltar o grito que por pouco não foi liberado em 2007.


Grid de largada para o GP Hungria 2008:

1
L. Hamilton (ING)
McLaren
1m20s899
2
H. Kovalainen (FIN)
McLaren
1m21s140
3
F. Massa (BRA)
Ferrari
1m21s191
4
R. Kubica (POL)
BMW Sauber
1m21s281
5
T. Glock (ALE)
Toyota
1m21s326
6
K. Raikkonen (FIN)
Ferrari
1m21s516
7
F. Alonso (ESP)
Renault
1m21s698
8
M. Webber (AUS)
RBR
1m21s732
9
J. Trulli (ITA)
Toyota
1m21s767
10
N. Piquet (BRA)
Renault
1m22s371
11
S. Vettel (ALE)
STR
1m20s144
12
J. Button (ING)
Honda
1m20s332
13
D. Coulthard (ESC)
RBR
1m20s502
14
N. Rosberg (ALE)
Williams
sem tempo
15
N. Heidfeld (ALE)
BMW Sauber
1m21s045
16
K. Nakajima (JAP)
Williams
1m21s085
17
R. Barrichello (BRA)
Honda
1m21s332
18
G. Fisichella (ITA)
Force India
1m21s670
19
S. Bourdais (FRA)
STR
1m20s963 (punido)
20
A. Sutil (ALE)
Force India
1m22s113

Hungria - Results & Coments [3]

Festa japonesa, decepção italiana

Demonstrando um ótimo rendimento no travado circuto de Budapeste, a Toyota pôs os 2 carros no Q3, desequilibrando a briga pelo título de 4ª força mundial. A RBR, sua principal rival na disputa, ficou com um discreto 13º lugar de Coulthard e o 8º tempo de Mark Webber no treino de hoje.

Trulli, que já declarou estar vivendo o melhor momento de sua carreira (e está mesmo!), larga em 9º, posição que é até abaixo do que o italiano vem conseguindo até aqui. Surpresa mesmo é a posição do companheiro de equipe de Jarno:

Timo Glock, totalmente refeito do forte acidente sofrido em Hockenheim 15 dias atrás, fez o 5º tempo. Foi mais rápido que o atual campeão e piloto da Ferrari Kimi Raikkonen. É um grande feito do alemão, que terá uma tarefa ainda mais dura amanhã: segurar o campeão que se vê cada vez mais longe da briga pelo título.



Raikkonen, por sinal, mostra um dos mais fracos desempenhos de campeões em exercício nas classificações. Larga em 6º amanhã, assim como largou em Hockenheim na etapa alemã. É muito pouco para quem defende um título mundial, pilota uma Ferrari (que mesmo não sendo favorita é sempre candidata a estar, na pior das hipóteses, na 2ª fila) e já está 7 pontos atrás do líder num campeonato equilibradíssimo como esse. Nas próximas provas a Ferrari terá de decidir com qual dos dois pilotos será traçada a briga direta pelo título. Se a apatia de Raikkonen persistir, ele perderá a chance de ouro de se impor perante Massa.

Porém, há um dado interessante a respeito do comportamento dos dois pilotos da Ferrari. Segundo Raikkonen, a equipe vive um "momento difícil", mas "não pode desistir". Massa, no entanto, disse que "tinha possibilidade de brigar pela pole" mas foi "atrapalhado pelo tráfego no Q3". Enquanto Raikkonen, numa atitude extremamente realista, admite que o momento não é bom para a escuderia italiana, Massa insiste em culpar terceiros pela falta de rendimento, dele e/ou do carro.

Para a dupla ferrarista resta pensar no campeonato. Marcar o maior número de pontos possíveis e tentar minimizar o prejuízo (que certamente virá) e esperar os circuitos de alta velocidade (Spa e Monza) é tudo que o time do cavalinho rampante pode fazer no momento.

Hungria - Results & Coments [2]

Um prá lá, um prá cá

O treino classificatório para o GP Hungria foi, no final das contas, extremamente previsível. Previsível até na costumeira surra que Nick Heidfeld vem levando do companheiro Robert Kubica na briga da classificação.

Enquanto Kubica quase sempre está brigando para pôr o carro entre os 8 primeiros, Heidfeld vem se notabilizando por não conseguir chegar nem ao Q3. Hoje ele sequer foi ao Q2.

Heidfeld alegou que foi atrapalhado por Bourdais, da STR, em sua última tentativa de volta e a reclamação teve efeito. O francês perdeu 5 posições (caiu de 14º para 19º) e Heidfeld subiu uma. Portanto, não se engane com o 15º posto do alemão da BMW: ele ficou fora da briga no Q1.

Enquanto Heidfeld se engalfinha com os ocupantes do fim do grid, Kubica está entre os ponteiros. Justamente quando começava-se a falar que a BMW "perdeu o encanto", o polonês recoloca a equipe alemã entre carros de uma equipe de ponta como a Ferrari. Talvez o menino-prodígio da terra do papa João Paulo esteja motivado pela presença da torcida no autódromo húngaro. A Polônia fica a poucas horas de distância de Budapeste de carro e o circuito de Hungaroring, que já fora dominado pelos alemães na "era Schumacher", vestiu-se de rubro para vibrar com o polonês voador.

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

Hungria - Results & Coments [1]

Treino de sexta é curioso. As vezes dá uma clareada sobre o que pode acontecer no sábado e no domingo, as vezes não quer dizer absolutamente nada. E hoje as sessões matutina e verspertina foram distintas.

Melhores tempos do dia em Hungaroring:

1 - Lewis Hamilton (McLaren-Mercedes) - 1m20s554 (53 voltas)
2 - Nelsinho Piquet (Renault) - 1m20s748 (57)
3 - Heikki Kovalainen (McLaren-Mercedes) - 1m20s760 (50)
4 - Fernando Alonso (Renault) - 1m20s928 (53)
5 - Felipe Massa (Ferrari) - 1m20s981 (55)
6 - Kimi Raikkonen (Ferrari) - 1m21s009 (57)
7 - Nick Heidfeld (BMW Sauber) - 1m21s138 (68)
8 - Robert Kubica (BMW Sauber) - 1m21s363 (54)
9 - Jarno Trulli (Toyota) - 1m21s505 (67)
10 - Nico Rosberg (Williams-Toyota) - 1m21s581 (34)
11 - Timo Glock (Toyota) - 1m21s662 (61)
12 - Mark Webber (RBR-Renault) - 1m21s733 (66)
13 - David Coulthard (RBR-Renault) - 1m21s837 (50)
14 - Kazuki Nakajima (Williams-Toyota) - 1m21s902 (55)
15 - Sebastien Bourdais (STR-Ferrari) - 1m21s955 (67)
16 - Jenson Button (Honda) - 1m22s150 (68)
17 - Giancarlo Fisichella (Force India-Ferrari) - 1m22s197 (64)
18 - Adrian Sutil (Force India-Ferrari) - 1m22s358 (62
19 - Rubens Barrichello (Honda) - 1m22s448 (59)
20 - Sebastian Vettel (STR-Ferrari) - 1m22s945 (9)

Notinhas do dia:

- A 1ª sessão foi um engano coletivo: Ferraris fazendo 1-2 com Massa e Raikkonen, McLaren com a 2ª fila. Mas na 2ª sessão, Lewis Hamilton e Heikki Kovalainen pulverizaram os tempos da manhã;

- A dupla da McLaren fez dobradinha durante quase todo o treino vespertino. Kovalainen e Hamilton se alternaram algumas vezes na 1ª posição. Faltando menos de meia hora para o fim, Hamilton fez duas voltas voadoras e se garantiu na ponta;

- Kovalainen seria o 2º, mas Nelsinho Piquet voou no fim do treino. Faltando 3 minutos para o fim, o brasileiro marcou 1m20s748 e se colocou em 2º, entre as duas McLarens. Alonso também aprontou das suas: marcou o 4º tempo e ficou a frente das duas Ferraris. O tempo de Alonso, para se ter uma idéia do feito, é melhor do que o registrado por Massa na sessão matutina (liderada pelo ferrarista). A Renault é expert na arte do blefe (já aprontou essas surpresas algumas outras vezes);

- De manhã, a Ferrari foi dominante. A tarde, levou tempo até da Renault. A verdade é que em Hungaroring a McLaren parece estar um passo a frente. O tempo da melhor Ferrari (Massa - 1m20s981, no trieno matutino) é mais de 4 décimos pior que o da melhor McLaren (Hamilton - 1m20s554, no treino vespertino). Se durante a corrida a diferença estiver nesse patamar, o GP Hungria será mais um passeio da McLaren;

- Coulthard obteve mais destaque mostrando o traseiro durante a semana, isso é FATO;

- Barrichello só escapou da lanterna porque Vettel não deu muitas voltas antes de ter parar com problemas no carro. A sexta não foi nada proveitosa para o jovem alemão: probelmas nas duas sessões de treinos.

quinta-feira, 31 de julho de 2008

Se eles têm, nós também temos. Será mesmo?

Fico sabendo, por meio do blog do jornalista Lívio Oricchio, que durante a coletiva de imprensa de hoje, a dupla Kimi Raikkonen e Felipe Massa, da Ferrari, negou que a McLaren esteja passando a frente da equipe italiana em termos de performance de corrida. E Massa surpreendeu ao comentar sobre o célebre sistema de controle de potência da McLaren que, coicidentemente ou não, rendeu ótimos frutos ao time inglês desde que começou a ser usado: disse que se Hamilton e Kovalainen podem acionar o sistema por meio de borboletas no volante, ele e Kimi poderiam fazer uso do mesmíssimo recurso simplesmente pressionando um botão.

O que Massa e Raikkonen realmente quiseram dizer é: não foi o tal sistema de controle de potência que tornou a briga tão favorável à McLaren nas últimas duas provas. Segundo os ferraristas, o desempenho modesto da Ferrari em Hockenheim foi causado por uma dificuldade em se adaptar aos pneus duros.

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A maneira orquestrada e concisa com que Raikkonen e Massa responderam às questões sobre a queda do desempenho da Ferrari dá uma ar de tentativa de apagar o princípio de incêndio que ameaçou se formar desde Silverstone. Se eu tivesse que arriscar, diria que a McLaren continua favorita a corrida de domingo por acreditar que as palavras de Kimi e Felipe são um tremendo blefe. Afinal, Hamilton foi superior a Massa durante toda a prova em Hockenheim, e não só no momento em que o brasileiro esteve "calçado" com os pneus duros. Além disso, a pista húngara tem cara de McLaren, e creio que as altas temperaturas do verão europeu não mudarão o jogo a favor da Ferrari. As coisas devem permanecer como na foto abaixo: McLaren na frente, Ferrari tentando alcançar...
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Respostas começarão a ser dadas amanhã nos treinos livres

A mesma praça, outro jardim: Hungria 2007

Foi na Hungria, ano passado, que o racha existente dentro de equipe McLaren se tornou público em toda sua gravidade. Quer se lembrar? Acompanhe:


Foi no sábado, durante o Q3, última etapa da classificação para a corrida. No momento de fazer a última troca de pneus para tentar a última volta rápida, Fernando Alonso fica parado no box da equipe McLaren, mesmo já tendo recebido autorização para seguir. As imagens são curiosas: os mecânicos (todos de mãos levantadas, num sinal de que já haviam terminado o trabalho de troca de pneus) se entreolham enquanto Alonso continua parado. Atrás do espanhol, esperando vaga para fazer seu pit stop, estava Lewis Hamilton.

A cena havia sido programada por Alonso para impedir Hamilton de fazer sua volta rápida. O espanhol ficou obstruindo o box da McLaren com o objetivo de atrasar a volta de Hamilton a pista e fazer com que o inglês não pudesse abrir sua volta rápida. Alonso conseguiu o que queria.

A confusão da classificação no gp húngaro tem uma trama um tanto complexa: o leitor deve se lembrar que Alonso foi contratado pela McLaren a toque de caixa, trazendo para equipe alguns patrocinadores, e que o espanhol esperava ter as regalias de 1º piloto no time de Ron Dennis. É bom lembrar também que o bicampeão se considerava o fiel da balança que trouxe a McLaren de volta pra briga com a Ferrari, o cara que trouxe "os 6 ou 7 décimos" que faziam a disputa do campeonato estar tão equilibrada àquela altura.


Lembrando disso, vamos aos fatos: na McLaren em 2007 havia uma alternancia na ordem de saída para o Q3. Em cada gp, um dos dois pilotos tinha o direito de sair dos boxes na frente e fazer a volta primeiro do que o outro. No GP Hungria, era a vez de Alonso. Faltando poucos minutos para o fim do treino, Hamilton estava posicionado a frente de Alonso na pista. Foi o momento em que Ron Dennis interviu, e numa conversa de rádio deu ordens para que Hamilton permitisse a ultrapassagem de Alonso. O inglês se irritou com a ordem, não permitiu a aproximação de Alonso e disparou, via rádio, um recadinho para o chefe: "fuck you!"

A partir dái o que se viu foi o show de Alonso. O espanhol (que fez valer seu sangue latino fervente) respondeu à insobordinação de Hamilton com a mesma moeda. Fez pirraça no pit lane húngaro e impediu que Hamilton abrisse nova volta. Depois, partiu calmamente para cravar a pole position do GP Hungria.

Mas (sempre há um "mas" nesses casos) Alonso não se deu tão bem. As imagens (televisionadas, expondo para o mundo o estado de guerra dentro da equipe. Se cobrisse virava circo, se cercasse virava hospício) de Alonso parado, impedindo Hamilton de continuar seu treino foram interpretadas pela FIA como "atitude anti-desportiva". O espanhol perdeu 5 posições no grid e a pole caiu no colo do segundo colocado. E quem era o segundo? Olha a foto do cidadão aí:

Na Ferrari, o clima era muito menos bélico, mas não totalmente confortável. Massa ficou fora do Q3 por (adivinhem) um erro da equipe: Felipe ficou sem combustível durante sua segunda tentativa de volta no Q2 e teve de contentar com o 14º lugar. Raikkonen fez o 4º tempo, mas acabou subindo para 3º depois da punição imposta a Alonso.

Se no sábado o treino foi marcado por emoções fortes, a corrida no domingo foi, como de costume na Hungria, chatíssima. Hamilton liderou a prova de ponta a ponta e não deu chances ao rivais. Sofreu uma pequena pressão de Raikkonen no fim, mas nada suficiente para causar preocupações. Alonso foi 4º e Massa (vítima da fila indiana húngara) chegou em 13º.

Depois da corrida o Ron Dennis deu uma declaração curiosa: "era mais fácil controlar Senna e Prost", disse o dirigente, fazendo alusão aquela que talvez foi a maior rivalidade da história da Fórmula-1 e que ocorreu também dentro da equipe McLaren. Tal como na briga entre Senna e Prost (depois de fechar Senna na chicane em Suzuka, provocar uma batida e sagrar-se tricampeão, Prost não tinha mais o apoio da equipe e saiu da McLaren), Alonso se viu sem clima na equipe. Depois do episódio em Hungaroring, ficou claro para a F-1 que a saída do espanhol da McLaren era só questão de tempo.