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sexta-feira, 13 de março de 2009

Rubens Barrichello e um pedido

Na quarta-feira, no intervalo do cursinho, o professor Grijó me perguntou, inquisitor: “não vai falar sobre Rubens Barrichello?” O professor (“e escritor, ambos em atividade”, que você encontra na lista de links como o proprietário do blog Ipsis Litteris) queria a palavra de um “especialista” (?) sobre a volta por cima do piloto com mais largadas na história e que estava sob o risco de perder o emprego. É a primeira vez que escrevo atendendo a um pedido, e o post só se materializou, caro mestre, porque foi você quem pediu.

Antes de começar: nada contra o Tema da Vitória. Adoro ouví-lo, me trás lembranças deliciosas. Também não tenho problema algum com o sentimento de nacionalismo, pois o trago comigo. Só acho que ele precisa de moderação para não se tornar devoção cega.

Levemos então o assunto como numa mesa de boteco, ou na bancada da cantina. Porque falar muito a sério sobre Rubens Barrichello desperta paixões e reações imprevisíveis.

Barrichello é o mais experiente piloto da história. Fato, incorrigível, atestado pelas suas mais de 260 corridas. Do alto dessa superlativa estatística está um piloto respeitado pela F-1 e por todos os países por onde passa, mas que recebe uma indiferença dolorida em sua terra natal. O relativo insucesso de Barrichello na F-1 explica parte desse sentimento de rejeição que envolve o mais experiente dos pilotos: Rubinho conquistou apenas 13 poles e mirradas 9 vitórias em sua trajetória na F-1, mesmo passando 6 temporadas inteiras pilotando a Ferrari no melhor momento da escuderia em toda a história.

Mas isso não basta para tentar explicar o que falta a Rubinho para ser tratado dignamente como persona pública. Para falar de Barrichello é preciso mergulhar em várias histórias, sejam elas de psicologia de massas, do Brasil recente ou do próprio automobilismo brasileiro e mundial. É bom preparar o fôlego!

É preciso primeiro entender uma característica única do brasileiro: precisamos de um salvador da pátria. Precisamos de alguém que nos afaste da selva de pedra diária que vivemos a cada dia. Precisamos chorar diante de um televisor ao ouvir o tema da vitória. É a catarse que nos livra do sentimento antiquado de que somos um povo que não aconteceu e para atingirmos as poucas horas de alegria que uma vitória nos dá, recorremos ao esporte. O futebol e a F-1, por serem esportes mundiais, são as vitrines em que esperamos aparecer como campeões. No futebol somos genuínos gênios, quem duvida? Na F-1 fazemos o papel de desafiantes que vencem e convencem. Afinal, a gente dá um baile nos europeus no esporte deles, como tantas vezes Ayrton Senna fez com o francês Alain Prost.


Nessas horas, somos o maior país do mundo, Brasil-il-il! E nos livramos temporariamente do terceiro-mundismo indesejável que nos persegue. Podemos chorar porque vemos que há pessoas que podem vingar a decadência social, ética e econômica que nos rodeia. E continuamos a exigir que a safra de ídolos se renove em ritmo industrial, porque a dor é muita e precisamos continuar a chorar.

Foi assim quando começamos a desbravar o automobilismo e vimos Emerson Fittipaldi fazer história em 1972. O clima de ufanismo emergido no período militar nos fez acreditar que “ninguém segura esse país”. Dois anos antes vencíamos o mundial de futebol de forma consagradora, e a economia do milagre econômico ia de vento em popa. O título verde-e-amarelo de Fittipaldi foi apenas mais uma ótima notícia para a propaganda do regime militar.

Fittipaldi ainda venceu em 1974 e seus seguidos êxitos levaram o automobilismo nacional a, finalmente, ser “descoberto”. Nos anos 80 Nelson Piquet papou mais três títulos e nos mal-acostumamos a sermos campeões. Piquet, no entanto, nunca fez questão de vestir a carapuça do Brasil-il-il. Talvez por isso seja hoje um quase estranho entre os brasileiros que não acompanham F-1 de perto.

Aí, o fim dos anos 80 viu nascer um fenômeno esportivo e midiático sem precedentes na história, até então. Porque quando Pelé brilhou, a tv não era aparelho indispensável nas casas do Brasil. Mas quando a estrela de Ayrton Senna reluziu com força, as condições para que o semi-Deus surgisse eram das mais favoráveis.

Queríamos e precisávamos chorar. O recém-implantado regime democrático não se mostrou, no primeiro momento, capaz de sanar o caos econômico. A hiperinflação nos aterrorizava. O remarcador de preços era o vilão-mor do cidadão. Os olhos se enchiam d-água, mas onde buscaríamos uma desculpa para nossas lágrimas?

O futebol não nos dava tal condição. Depois do fiasco da geração de 1982 a seleção brasileira tornou-se um signo decadente, somente ressucitado em 1994, coincidentemente ou não, no ano em que Ayrton morreu. As lágrimas começavam a se avolumar nos olhos. Ayrton vencia o mundial de 1988.

Choramos copiosamente.

E continuamos a chorar nos anos seguintes. Poupanças congeladas? Ayrton é o antídoto. O presidente é um rato sob processo de impedimento? Tome tantantan. O tricampeão nos poupou do suicídio coletivo.


É claro que a vitória simplesmente pela vitória não é capaz de nos transportar para o terreno da histeria coletiva. O modo como Senna fazia suas conquistas acontecerem eram, de fato, emocionantes. A disputa feroz com Prost em 1988 e 1989 na McLaren é uma delas. Foi uma briga que Ayrton ganhou em uma e perdeu na outra vez, enquanto os dois dividiam o mesmo teto. A forma como Senna foi derrotado, aliás, deu ao brasileiro ares de justiceiro divino. Em 89 Senna foi vencido no tapetão, numa decisão unilateral do presidente da FIA, o francês Jean-Marie Balestre, desafeto de Ayrton, conterrâneo de Prost. Em 1990, Ayrton se vingou de forma cinematográfica: a batida premeditada em Prost, agora na Ferrari, na decisão do título no Japão foi instantaneamente subentendida como o ato desesperado de um vingador que ajustou suas contas com o destino.

Senna jogou para a torcida e não há, obrigatoriamente, demérito algum nisso. Talvez realmente houvesse a intenção de “fazer as pessoas mais felizes no Brasil”. Ayrton fazia questão de sacudir com orgulho a bandeira do Brasil e suas palavras nos agradavam porque ele falava o que queríamos ouvir. Foi se santificando aos poucos, unindo suas performances geniais a um discurso que causava comoção. A morte abrupta e trágica, aos 34 anos, fazendo aquilo que amava e que tanto nos emocionou foi o passaporte para o Olimpo, e produziu uma pergunta imediata: de onde vamos tirar outro ídolo para nos alegrar nas manhãs de domingo?

Agora, talvez não precisássemos mais chorar as mágoas do cenário político-econômico. Queríamos mesmo era puramente reviver o glorioso sentimento que Ayrton nos concedeu. Como conseguiríamos?

O sucessor não estava pronto. O mais preparado deles era o tal de Rubens Barrichello. Mas o novato não estava em condições. Era muitíssimo jovem, em início de carreira e ainda vagava por equipes fracas. Era preciso dizer ao torcedor que ele precisaria de paciência, que precisaria se acostumar a ver corridas sem esperar pelo tantantan ao final. E nós, teimosos, ofendidos por não conseguirmos chegar nem ao pódio, começamos a cobrar de um jovem garoto mais do que ele podia nos dar.

Mesmo sem jamais vê-lo em um carro de ponta, chamamos o menino de “pé-de-chinelo”. A pressão continuava a crescer e Barrichello, talvez também vítima da baixíssima auto-estima que sentimos enquanto povo, não fazia questão de se isentar das responsabilidades. No fundo, no fundo, o sinal que ele dava para a torcida era o de que ele queria o peso de ser o novo Senna, mesmo pilotando uma Jordan. A falta de hombridade e de senso prático para admitir a impossibilidade de reviver as glórias de Ayrton talvez tenha sido o pior pecado de Barrichello.

Mau piloto Rubinho nunca foi. A prova foi o interesse que ele despertou em 1999, quando seu bom desempenho lhe valeu o convite das duas equipes mais poderosas da F-1 à época: McLaren a Ferrari ofereceram trabalho a Rubens. O brasileiro assinou com os italianos e estava armada a condição ideal para novo frisson no Brasil-il-il.


“Agora vai”, nos fizeram pensar. E Barrichello não fez questão alguma de desmentir o coro global. Não está se dizendo aqui que a mídia ou a Globo ou Galvão Bueno são os responsáveis pela indiferença que nutrimos por Rubinho. Diz-se apenas que o tititi de quem precisa vender um produto gerou uma expectativa que não seria correspondida, por uma série de motivos, o principal deles atendendo pelo nome de Michael Schumacher.

O alemão chegara à equipe de Maranello 4 anos antes, contratado a peso de ouro para reorganizar o caos que imperava na fábrica italiana. Depois da morte de Enzo Ferrari, no final dos ano 80, o time vermelho mergulhou num caos homérico, motivado pela disputa de poder interno na empresa. O cavalinho rampante já havia passado décadas sem vencer um mundial e, a continuar naquele ritmo, iria dividir uma cova com seu fundador.

Bicampeão pela Benetton, Michael Schumacher arriscou uma carreira de sucesso indo para uma equipe que não era mais do que média em 1996, apesar de toda a história que ostentava. Sua missão era recolocar a Ferrari no hall das campeãs e para isso, Schumacher comeu poeira por 3 temporadas, fazendo um lento e gradual processo de reestruturação na equipe rossa. O poder do alemão e a confiança que os italianos depositavam nele era tal, que Schumi chegou a decidir a demissão e admissão de engenheiros e projetistas.

Schumacher resistia à pressão indomável da imprensa italiana, ansiosa por também soltar o “é campeão!”. Quando o carro estava bom o suficiente, em 1999, o alemão quebrou a perna ao sofrer um grave acidente no GP Inglaterra. Foi dado como acabado. Começavam os rumores de que a reestruturação ferrarista tinha chegado ao fim sem título algum para exibir.

No ano 2000 a pressão interna na Ferrari era avassaladora. A equipe investira pesado e os resultados não vinham. Era a hora do tudo ou nada dentro da equipe. O carro, finalmente, era o melhor do grid, mas não se podia ignorar a McLaren. Barrichello chegou de mala a cuia na casa italiana. E a residência tinha dono. Ele era alemão e tinha o queixo extremamente pronunciado.

Por tudo o que fez e por tudo o que representava dentro da equipe, sendo o responsável pela guinada da Ferrari em pouco mais de 4 anos, Schumacher era Deus no time italiano. Estava claro que o papel que cabia a Barrichello era o de escudeiro, segundo piloto. Óbvio, evidente. É assim que funciona a F-1, enfim.

Mas Rubinho acreditava (ou fingia acreditar) que podia brigar pelo título. Passou a choramingar para a imprensa e a protagonizar explicações que saiam pior do que o silêncio. As vitórias vinham em ritmo lento, algumas delas frutos de circunstâncias de corridas excepcionais. Em maio de 2002 ocorreu o episódio que se tornou símbolo do ambiente da Ferrari: Barrichello foi, numa decisão infeliz, para dizer o mínimo, forçado pela equipe a ceder a vitória do GP Áustria a Schumacher, na última volta. O mundo caiu sobre a Ferrari, lançada ao panteão das vilãs da história do esporte. Barrichello não demonstrou muita preocupação: “sou um funcionário dessa empresa, e uma empresa tem que lutar pelos seus ideais”. E o escárnio envolvendo seu nome no Brasil ganhou contornos inevitáveis.

Hoje, já fora da Ferrari, Rubens Barrichello anda pensando em lançar um livro quando se aposentar. Uma biografia em que promete revelar a caixa-preta dos anos de Ferrari. Hoje Barrichello demonstra irritação com os anos perdidos na casa de Maranello. Curioso o fato de essa irritação não aflorar enquanto Rubinho era pago pela escuderia italiana.

E mais: se estava tão insatisfeito com a situação no time rubro, porque não saiu?

Balanço final, caro Grijó: Barrichello sempre foi sim, um piloto de qualidade. Uma pena que decisões e palavras infelizes o tenham levado à memória coletiva como um simples falastrão atrapalhado.

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

O Escriba Recomenda

Duas dicas de leitura para o fã da velocidade que, eventualmente, passa por aqui, ambas do site Grande Prêmio:

Uma é a coluna Retrovisor, garantia de bons risos num episódio envolvendo Nelson Piquet, narrado por Roberto Brandão. Para acessá-la, clique aqui.

A outra é bem menos efusiva e trata de um tema um pouco mais tenso: segundo o site, fontes ligadas à Ferrari revelaram que a scuderia detectou que Kimi Raikkonen está andando menos do que pode propositadamente. Estaria fazendo o chamado "corpo mole." E de quebra ainda caiu na noitada cingapuriana após a classificação de sábado. Clique aqui para conferir a matéria de Victor Martins na íntegra.

Se os fatos relatados na reportagem de Martins realmente procederem, Raikkonen estará dando um show de falta de profissionalismo que queimará seu filme não só com a Ferrari, mas com todo o grid.

quarta-feira, 23 de julho de 2008

Para não passar em branco

Como que não estava por aqui no domingo do GP Alemanha, vou fazer uns comentários rápidos, apenas para que a corrida não passe por aqui em branco:

- Lewis Hamilton humilhou a concorrência. O inglês, aliás, sequer teve concorrentes. Correu sozinho e usou e abusou da superioridade que sua McLaren lhe ofereceu. McLaren que, inclusive, parece ter virado a disputa contra a Ferrari. Hamilton saiu da Alemanha como líder isolado, 3 pontos a frente de Massa, e 7 a frente de Raikkonen;


- Porém, a McLaren já está atraindo a atenção da FIA. Os desempenhos muito acima da média que a equipe apresentou em Silverstone e em Hockenheim despertaram desconfianças. Um jornal europeu afirmou que o motor do carro de Hamilton está lacrado e será investigado antes do GP Hungria. Suspeita-se que a McLaren esteja usando uma espécie de controle de tração disfarçado, um dispositivo que dosaria a potencia do motor à marcha escolhida pelo piloto, evitando que as rodas patinassem. Aguardemos o resultado;

- A McLaren usando o tal dispositivo ou não, o fato é que a corrida foi ruim para a Ferrari. Raikkonen, que já vinha mal desde o sábado, largou em 6º e chegou em 6º. Massa, o 2º no grid, não foi páreo para Hamilton em nenhum momento e terminou a corrida em 3º tendo que aguentar a pressão da BMW de Heidfeld. Não era o esperado para a equipe que começou o ano moendo as rivais.

Na briga interna pequena vantagem para Massa. 54 pontos para o brasileiro e 51 para o finlandês. Com mais da metade da temporada realizada, aproxima-se a hora de a equipe decidir que será o homem a lutar pelo título;

- Nelsinho Piquet fez história em Hockenheim. Lá, onde seu pai iniciou uma carreira campeã em 1978, Piquetzinho subiu pela 1ª no pódio da F-1. Sorriu e se mostrou visivelmente emocionado com o feito. O 2º lugar de Piquet teve muito de sorte pois sem a batida de Glock e a posterior entrada do Safety Car o brasileiro não iria para a ponta. Mas o estreante mereceu o feito por ter se portado bem quando se viu entre os líderes da prova. Não tentou segurar Hamilton (demonstrando inteligência, já que não tem carro para isso) nem deixou Massa se aproximar. E ainda aproveitou para calar a boca dos críticos. De quebra, conseguiu o que seu companheiro de equipe e bicampeão mundial Fernando Alonso deseja desde o início do ano: um pódio;


- Kovalainen vai alimentando os rumores sobre sua substituição no fim do ano. Largou em 3º, chegou a ameaçar Massa nas primeiras voltas e depois desapareceu. O contraste entre a atuação de gala de Hamilton e o rendimento discreto do finlandês é constrangedor;

- E o pódio do GP Alemanha foi histórico para o Brasil. Desde o ano de 1991 que o país não tinha 2 representantes na festa do champanhe. Naquela ocasião Ayrton Senna e Nelson Piquet subiam ao pódio do GP Bélgica. Senna era o vencedor, Piquet o 3º. No pódio de domingo o nome Piquet estava outra vez em cena, agora com o filho do tricampeão, Nelsinho Piquet, o 2º colocado. Massa em 3º foi o outro brazuca a fazer história na Alemanha.


GP Alemanha, após 67 voltas:


01
Lewis Hamilton
Mclaren-Mercedes
01h31m20s874

02
Nelsinho Piquet
Renault
+00m05s586

03
Felipe Massa
Ferrari
+00m09s339

04
Nick Heidfeld
Bmw Sauber
+00m09s825

05
Heikki Kovalainen
Mclaren-Mercedes
+00m12s411

06
Kimi Raikkonen
Ferrari
+00m14s483

07
Robert Kubica
Bmw Sauber
+00m22s603

08
Sebastian Vettel
Toro Rosso
+00m33s282

09
Jarno Trulli
Toyota
+00m37s199

10
Nico Rosberg
Williams
+00m37s658

11
Fernando Alonso
Renault
+00m38s625

12
Sebastien Bourdais
Toro Rosso
+00m39s111

13
David Coulthard
Red Bull
+00m54s971

14
Giancarlo Fisichella
Force India
+00m59s093

15
Kazuki Nakajima
Williams
+01m00s003

16
Adrian Sutil
Force India
+01m09s488

17
Jenson Button
Honda
+1 volta

18
Rubens Barrichello
Honda
+17 voltas

19
Mark Webber
Red Bull
+27 voltas

20
Timo Glock
Toyota
+32 voltas

Classificação Geral de Pilotos, após 10 etapas:


01 - Lewis Hamilton (McLaren) - 58
02 - Felipe Massa (Ferrari) - 54
03 - Kimi Raikkonen (Ferrari) - 51
04 - Robert Kubica (BMW) - 48
05 - Nick Heidfeld (BMW) - 41
06 - Heikki Kovalainen (McLaren) - 28
07 - Jarno Trulli (Toyota) - 20
08 - Mark Webber (RBR) - 18
09 - Fernando Alonso (Renault) - 13
10 - Rubens Barrichello (Honda) - 11
11 - Nelsinho Piquet (Renault) - 10
12 - Nico Rosberg (Williams) - 8
13 - Kazuki Nakajima (Williams) - 8
14 - David Coulthard (RBR) - 6
15 - Sebastian Vettel (STR) - 6
16 - Timo Glock (Toyota) - 5
17 - Jenson Button (Honda) - 3
18 - Sebastien Bourdais (STR) - 2
19 - Giancarlo Fisichella (Force India) - 0
20 - Takuma Sato (Super Aguri) - 0
21 - Anthony Davidson (Super Aguri) - 0
22 - Adrian Sutil (Force India) - 0

Classificação Geral de Equipes, após 10 etapas:


01 - Ferrari - 105
02 - Bmw Sauber - 89
03 - Mclaren-Mercedes - 86
04 - Toyota - 25
05 - Red Bull - 24
06 - Renault - 23
07 - Williams - 16
08 - Honda - 14
09 - Toro Rosso - 8
10 - Force India - 0
11 - Super Aguri - 0

domingo, 29 de junho de 2008

Especial de Domingo

Sensacional replay, duas décadas depois

McLaren 2007 e Williams 1986. Troque as peças, faça as adaptações necessárias. É basicamente o mesmo ambiente, com alguma ou outra variação. São coincidências que evidenciam fatores que desempatam a relação entre o piloto e o time: nacionalidade, simpatia do chefe e um certo efeito-Mansell que ligam Piquet a Alonso.

No ano passado a inglesa McLaren apresentou sua nova dupla de pilotos. Chegava a equipe, trazendo consigo o número 1, o bicampeão Fernando Alonso, encarregado de levar o time de volta ao topo da F-1. O outro integrante era um inglês, Lewis Hamilton, um garoto de impressionante velocidade nas categoria anteriores a Fórmula-1, festejado como a nova esperança britânica nas pistas.

Na McLaren do início do ano passado ninguém podia imaginar Hamilton andando mais que Alonso ou disputando vitória com o espanhol. O que se esperava era que Ron Dennis utilizasse a tática inteligente, a de definir com clareza a hierarquia dentro da equipe. Mas Dennis preferiu a burra estratégia da igualdade e deu aos dois pilotos condições iguais na pista. O que poderia ser uma cordial relação de apredizado descambou para uma explosão de ira do espanhol. Alonso, que esperava ser tratado como um reizinho, se ressentiu, estourou um escândalo de espionagem e a McLaren se perdeu em sua briga interna, entregando um título garantido ao azarão Kimi Raikkonen.

Na Williams de 86 uma situação parecida: Mansell era um piloto que, embora não fosse novato na F-1 como Hamilton, carregava a esperança da torcida inglesa nas costas. Rápido, arrojado e destemido, Mansell era capaz de fazer uma façanha monumental no começo da corrida mas perdê-la por acenar para a torcida na última volta, e se desconcentrar. Apesar de tudo era o que a Inglaterra, o país mais tradicional no automobilismo mundial, tinha de melhor na F-1. Como companheiro do inglês Mansell na inglesa Williams, Nelson Piquet (assim como Alonso na McLaren em 2007, bicampeão), era o piloto contratado a peso de ouro para ser o guia da equipe rumo a novas conquistas no campeonato. Tinha na gaveta um contrato que lhe garantia as “mordomias” de 1º piloto do time de Frank Williams. Mas...

Piquet não contava com o acidente de carro sofrido pelo chefão Frank. Sem o dono dando as cartas na casa, Patrick Head comandava a equipe e parecia não estar muito sintonizado com Piquet. Head não teve pulso nem para controlar a situação de litígio da dupla de pilotos nem para corrigir o comportamento dos mecânicos (ingleses), que claramente preferiam trabalhar para que Mansell fosse campeão ao invés de Piquet. Entre brigas internas e a agonia de Frank no hospital, a favorita Williams entregava o título ao azarão Alain Prost, da McLaren.

Avance no tempo, e chegue a 2007. Hamilton aparece na F-1 como o novato-sensação. Venceu quatro corridas, duas delas como um veterano: segurou Alonso durante todas as 73 voltas em Indianápolis e guiou como um campeão no encharcado circuito de Fuji. O garoto conquistou o coração da equipe e do patrão, que começou a dar sinais de que preferia o novato. Mas quando Hamilton se viu pressionado e obrigado a vencer para levar a taça, cometeu erros, arriscou corridas confortáveis e jogou o campeonato fora.



Em 1987, na Williams, Piquet não estava disposto a brincar de gato e rato com Mansell. Sabendo que o rival copiava os seus acertos, Piquet passou a não revela-los à equipe. Apenas seus mecânicos mais chegados ficavam sabendo das configurações do carro. Mansell, inexperiente e mau acertador de carros, teria de se virar para dar uma condição rápida ao carro. Nelson também agiu no terreno psicológico: para tirar Mansell do sério, Piquet se valeu da fraca força mental de Nigel. Chamava a esposa do bigodudo de “a mais feia do paddock” e sempre tinha um comentário ácido para as situações em que Mansell não completava as corridas. Não se sabe com certeza se foi por conta das anedotas agressivas de Piquet, mas naquele ano o brasileiro sagrou-se tricampeão de Fórmula-1, enquanto Mansell teve que se contentar com o vice.


20 anos depois, em 2007, Alonso se valeu de artimanhas parecidas para tentar fazer o campeonato pender para o seu lado: sabendo que Hamilton não tinha grande experiência em desenvolver o carro e que o inglês copiava o seu acerto, Alonso não mais permitia que suas configurações fossem passadas a Hamilton. O espanhol, porém não conseguiu levar a taça em 2007 e não teve clima para permanecer na McLaren no ano seguinte. Depois que o chefe Ron Dennis disse que “a equipe correu contra Alonso”, o bicampeão achou melhor arrumar as malas e voltar para a Renault. Talvez esse seja o único ponto onde as histórias não se equivalem: enquanto Piquet se despediu da Williams como campeão em 1987, Alonso saiu da McLaren em 2007 sem nada a comemorar.