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quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Mais do mesmo: pixotada ferrarista nivela a disputa por baixo

A pole-position conquistada no sábado por Massa em Cingapura foi uma surpresa total. Esperava-se um domínio da McLaren, mas a Ferrari do brasileiro andou simplesmente 6 décimos melhor que o carro de Hamilton, mesmo com uma estratégia de paradas parecidas com a do inglês. É muita coisa.

E o que foi visto na noite de domingo no Marina Bay Circuit foi quase que conclusivo: a Ferrari trabalhou duro para fazer do F-2008 um carro definitivamente melhor do que o MP4/23. O favoritismo da McLaren foi esmagado por um bólido que não demonstrou problemas no aquecimento de seus pneus e que se saiu muito bem na pista travada de Cingapura. Massa largou bem e em 14 voltas abriu uma distância de mais de 4 segundos para Hamilton. Enquanto isso, Raikkonen fazia voltas de classificação no 3º lugar, possivelmente pronto para atormentar a vida do piloto da McLaren. A Ferrari certamente planejava uma dobradinha que lhe daria a liderança total no campeonato de pilotos e no de construtores.

Mas aí Piquetzinho bateu (e eu andei lendo algumas teorias arrepiantes sobre o acidente do Nelsinho. Há quem diga que tudo foi armado pela brilhante mente de Flávio Briatore para que Alonso surgisse na ponta. Eu prefiro acreditar que ninguém seria tão sórdido a esse ponto, apesar de já ter visto muita coisa errada na F-1). E a batida de Nelsinho promoveu a entrada maciça nos boxes. E na hora do pit stop toda a vantagem que a equipe de engenheiros construiu, que os pilotos testaram e “retestaram” e que estava dando a Massa a liderança do campeonato, tudo isso foi jogado fora por uma decisão precipitada do chefe dos mecânicos.

Não foi a primeira vez, como o leitor já deve saber. Tomara que tenha sido a última. Não só por Massa ser brasileiro, mas para que não tenhamos de ver uma equipe de tantos títulos como a Ferrari nivelando o campeonato por baixo. Porque foi isso que a mangueirada ferrarista conseguiu: entregar o campeonato a Hamilton, que a partir de agora não precisará mais se arriscar. O inglês poderá optar por ser conservador, se resignar em chegar ao pódio e não mais nos brindar com seu estilo agressivo, por vezes em excesso, é verdade, mas deliciosamente agressivo. Não mais teremos a perspectiva de um duelo entre Massa e Hamilton, que eu tenho certeza, não hesitariam em levar uma disputa de posição às últimas conseqüências se estivessem separados por poucos no campeonato. A não ser que aconteça algum problema com o inglês nas próximas provas, Massa continuará a ser o leão que sempre tem sido em 2008 porque não tem muito a perder. Mas Lewis pode se conformar em ser um gato doméstico, dócil, afável e sempre a espera da recompensa de seu dono.

E ainda há um dado: Raikkonen passa a ter um papel fundamental na vida de Massa daqui até o fim do ano. Afinal, o brasileiro precisa, além de ganhar, de que Hamilton chegue em 3º ou pior posição em todas as corridas que restam. Trocando em miúdos, a Ferrari precisa de três dobradinhas em três corridas se quiser ter um piloto campeão. Desempenho total, 100%, full time. E pelo que nós temos visto, Raikkonen dificilmente poderá proporcionar essa ajuda a Massa.

O fim de ano que poderia ser de uma interessante guerra mental e psicológica será o fim de ano de um piloto que não precisa se pôr em risco, contra outro que terá de se esfalfar se quiser ser o campeão. Foi essa a pior conseqüência do circo no pit stop vermelho em Cingapura. E com um dado alarmante: a bagunça interna da Ferrari parece sinalizar uma volta no tempo. É um arrepio frio que já deve ter passado pela espinha de Massa e Raikkonen. O elenco técnico do time italiano parece estar voltando aos anos 80, quando a equipe simplesmente perdeu uma década graças a sua própria desorganização.

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

De Olho No Videokê - Cingapura 2008

Pirulitos, entre muitos outros adereços passíveis de se pôr na boca, são feitos para serem chupados, como ensina a musa Ivete Sangalo em seu show no Maracanã. Portanto, chuuuuupa, Felipe Massa!

domingo, 28 de setembro de 2008

A Luz e a Escuridão [7]

Um detalhe negativo não do GP Cingapura em si, mas do regulamento da F-1. A regra do “pit lane open X pit lane closed” torna as corridas confusas e promove um grande prejuízo a quem está com pouco combustível no momento do Safety Car. Prejudica o espetáculo, tira o prazer de se assistir a uma corrida e desencadeia uma seqüência de punições que põem em cheque o aspecto esportivo da competição.

É algo a ser alterado para 2009.

Tabela 2008, após 15 etapas

GP Cingapura, após 61 voltas:


01
Fernando Alonso
Renault
01h57m16s304

02
Nico Rosberg
Williams
+00m02s957

03
Lewis Hamilton
Mclaren-Mercedes
+00m05s917

04
Timo Glock
Toyota
+00m08s155

05
Sebastian Vettel
Toro Rosso
+00m10s268

06
Nick Heidfeld
Bmw Sauber
+00m11s101

07
David Coulthard
Red Bull
+00m16s387

08
Kazuki Nakajima
Williams
+00m18s489

09
Jenson Button
Honda
+00m19s489

10
Heikki Kovalainen
Mclaren-Mercedes
+00m26s902

11
Robert Kubica
Bmw Sauber
+00m27s975

12
Sebastien Bourdais
Toro Rosso
+00m29s432

13
Felipe Massa
Ferrari
+00m35s170

14
Giancarlo Fisichella
Force India
+00m43s571

15
Kimi Raikkonen
Ferrari
+4 voltas

16
Jarno Trulli
Toyota
+10 voltas

17
Adrian Sutil
Force India
+11 voltas

18
Mark Webber
Red Bull
+32 voltas

19
Nelsinho Piquet
Renault
+48 voltas

20
Rubens Barrichello
Honda
+49 voltas

Classificação Geral de Pilotos, após 15 etapas:


01 - Lewis Hamilton (McLaren) - 84
02 - Felipe Massa (Ferrari) - 77
03 - Robert Kubica (BMW) - 64
04 - Kimi Raikkonen (Ferrari) - 57
05 - Nick Heidfeld (BMW) - 56
06 - Heikki Kovalainen (McLaren) - 51
07 - Fernando Alonso (Renault) - 38
08 - Sebastian Vettel (STR) - 27
09 - Jarno Trulli (Toyota) - 26
10 - Timo Glock (Toyota) - 20
11 - Mark Webber (RBR) - 20
12 - Nico Rosberg (Williams) - 17
13 - Nelsinho Piquet (Renault) - 13
14 - Rubens Barrichello (Honda) - 11
15 - Kazuki Nakajima (Williams) - 9
16 - David Coulthard (RBR) - 8
17 - Sebastien Bourdais (STR) - 4
18 - Jenson Button (Honda) - 3
19 - Giancarlo Fisichella (Force India) - 0
20 - Adrian Sutil (Force India) - 0
21 - Takuma Sato (Super Aguri) - 0
22 - Anthony Davidson (Super Aguri) - 0

Classificação Geral de Equipes, após 15 etapas:


01 - Mclaren-Mercedes - 135
02 - Ferrari - 134
03 - Bmw Sauber - 120
04 - Renault - 51
05 - Toyota - 46
06 - Toro Rosso - 31
07 - Red Bull - 28
08 - Williams - 26
09 - Honda - 14
10 - Force India - 0
11 - Super Aguri - 0

A Luz e a Escuridão [6]

A luz se transformou em trevas na Ferrari. A luz, que deveria guiar em bom caminho, trazer segurança e facilitar a vida do time italiano fez o papel inverso. Produziu um cena digna de filmes de comédia, acabou com a corrida do piloto que disputa o título e atingiu em cheio o ego da maior equipe da Fórmula-1.

Durante toda a história da humanidade eu jamais vi a luz trazer tantos problemas como hoje em Cingapura. Logo a luz, sempre associada ao progresso e à melhoria de vida dos indivíduos. Logo a luz, principal atrativo do gp notruno de Cingapura. Logo ela, símbolo da modernidade, que por sua vez tem como um de seus maiores símbolos o próprio automóvel, foi a responsável pela possível derrocada da Ferrari em 2008.

Na verdade não foi a luz a vilã da noite asiática e sim seu uso incorreto. O piloto, dentro de seu apertado cockpit, preocupado com mil e um fatores que podem interferir em uma corrida, é totalmente dependente da indicação do “homem do pirulito” no pit stop. O piloto não pode olhar para trás, ficar preocupado com o que acontece ou deixa de acontecer ao seu redor porque a maior preocupação é perder o menor tempo possível. Por isso existe o pirulito. Mas a Ferrari, símbolo máximo da velocidade e da eficiência nas pistas, achou que o “pirulito” era algo arcaico, inadequado, talvez “cafona” para um esporte tão baseado em tecnologia de ponta. Os italianos inventaram o sinalizador eletrônico, com luzes verdes, laranjas e vermelhas, tal qual num semáforo. Moderno, elegante, um passo a frente da concorrência, algo que demonstrava a vanguarda e a inovação. Tudo uma grande bobagem.

Nenhuma dúvida paira: o velho pirulito, o antigo, ultrapassado, mas eficiente pirulito teria evitado toda a dor da cabeça ferrarista em Cingapura. No momento em que o problema da bomba de combustível fosse detectado, a partida de Felipe Massa seria abortada imediatamente. O brasileiro não iria sair carregando a mangueira e os mecânicos, proporcionando um razoável risco de incêndio e de ferimentos sérios para o staff da Ferrari. O carro iria ficar parado, a mangueira seria retirada e Massa partiria normalmente de volta à pista. Perderia algum tempo, evidente, mas nada que se compare ao que foi perdido na sua parada no fim dos boxes, aguardando os mecânicos já ocupados com o pit stop de Raikkonen. Mecânicos que tiveram que atravessar todo o pit lane, fazer algum esforço, retirar a mangueira e só então devolver Massa à pista. Com o pirulito, o fora de moda e obsoleto pirulito, Massa não seria punido com um drive-through que simplesmente acabou com suas chances de pontuar. O prejuízo seria muito minimizado.

Quem se aproveitou foi Hamilton. Se a corrida seguisse seu rumo normal, como nas 14 voltas iniciais, o inglês talvez sofreria o assédio de Raikkonen, que voava baixo, como um torpedo endereçado à McLaren de Lewis. Certamente a Ferrari preparava alguma tática para que Kimi estivesse a frente de Hamilton pelo menos em algum momento da prova, talvez com um pit stop mais curto. Mas a entrada do Safety Car mudou tudo, a luz tornou-se escuridão para Massa e o líder da classificação se viu cada vez mais líder. Com os 84 pontos que tem nas mãos, Hamilton pode seguir com segurança nas próximas etapas. Não precisa arrsicar, precisa apenas limitar Massa, para poder correr o sério “risco” de, dependendo da situação das próximas corridas, chegar ao Brasil com o caneco nas mãos. Para ser campeão, o menino-prodígio precisa apenas de três segundos lugares na próximas três etapas.

Sobre Raikkonen é a velha história: está perdido entre a própria desmotivação e a má adaptação ao F-2008. São essas as raízes de seus problemas na Ferrari. Mas não são desculpa para um campeão do mundo passar 4 provas seguidas sem pontuar. “Vergonhoso”, “constrangedor”, “fora da realidade” e “desinteressado” são alguns termos que serão usados para se referir ao desempenho do finlandês em 2008. Com toda a justiça.

No fim das contas, a luz foi a grande personagem do GP Cingapura. Também pelas razões óbvias: corrida noturna precisa de uma eficiente iluminação artificial, e ela deu conta do recado com louvor. Mas a luz do pit stop da Ferrari, essa fez a equipe italiana pagar mico outra vez. Foi a repetição do episódio de Valência, em que Raikkonen, também orientado pelo led verde que se acendeu, saiu carregando o mecânico. Também em Valência, a Ferrari quase joga fora a corrida de Massa ao liberar o brasileiro justamente no momento em que uma Force India deixava os boxes simultaneamente. Em todos os 3 casos os pilotos são os menos culpados porque são condicionados a confiar cegamente na indicação do pirulito ou, no caso da Ferrari, do led. Pelo menos a luz que causou os problemas era verde, talvez sinalizando a esperança de que a equipe encerre seu festival de equívocos e tenha vigor para tentar uma (improvável) virada. O time italiano liderou praticamente todo o campeonato de construtores até aqui e perdeu a ponta hoje para a McLaren. São trevas e mais trevas, com um ponto luminoso verde que orquestra o caos nos boxes italianos.

A Luz e a Escuridão [5]

Ele voltou a vencer. Depois de um longo jejum, depois de amargar um ano inteiro em um carro que não lhe dá condições de brigar nem por pódios, depois de viver a glória de ganhar dois títulos sobre Schumacher e de logo ser comparado ao hepta-campeão. Ele voltou a vencer, depois de viver um inferno astral na McLaren em 2007. Ele é Fernando Alonso, o espanhol que foi o responsável pelo começo do fim da hegemonia Schumacher-Ferrari.

Contrariando o “grande” Galvão Bueno, Alonso deu uma resposta aos que não mais o colocam na lista dos melhores da atualidade. Ok, Hamilton e Massa são ótimos, capazes de lances de grande talento, e não se pode desconsiderar Raikkonen, o campeão do mundo sobre o próprio Alonso em 2007. Mas o espanhol fez o que nenhum dos outros concorrentes conseguiu (eliminando Hamilton, que não teve oportunidade): desbancou Schumacher, alterou a ordem do poder na F-1 e tem todo o direito de estar travando o mercado de pilotos. Massa, Hamilton, Raikkonen, Kubica, todos são ótimos, pilotos futuramente campeões, mas ninguém tem o currículo brilhante de Fernando. É fato.

A vitória de hoje, claro, foi circunstancial. Alonso jamais teria chance de sonhar com a ela não fossem os acontecimentos tortos do gp cingalês. Mas quando teve chance de andar na frente, Alonso fez o mais sabe fazer: acelerou, dominou os adversários, e venceu. Foi bom ver o bicampeão fazendo seu gesto característico com as mãos na volta da vitória. É um gesto que representa as muitas vitórias que ele esperava conquistar e que ele de fato conquistou durante um período de sua carreira, mas que se tornaram escassas graças a sua má movimentação nos bastidores da F-1. Com as portas das equipes grandes fechadas para seu talento, Alonso terá de continuar a contar com a sorte para voltar a vencer.

E Alonso não fez pouco: largou em 15º, pulou para o 12º lugar logo nas primeiras voltas e contou com a “ajuda” do companheiro de equipe para vencer. Nelsinho bateu na volta 14, forçou a entrada do Safety Car e a estrela do campeão começou a brilhar. Alonso já havia feito sua parada e iria para as cabeças. Dito e feito! Poucas voltas após a saída do carro de segurança os líderes virtuais foram para seus pit stops, Alonso pulou na ponta e não mais a abandonou.

Voltou a vencer o bicampeão mundial, após um jejum de 379 dias desde o GP Itália do ano passado. Com a vitória de Alonso a temporada 2008 passa a ter 7 vencedores diferentes em 15 corridas, um equilíbrio que a Fórmula-1 não via há muitos anos.

A imagem de hoje revela um contraste com a de ontem, na classificação, quando o espanhol teve um problema no carro que o impediu de ir ao Q3. Alonso desceu do carro desesperado, socou o ar e o próprio capacete e sabia que perdera a chance de talvez ir para a 1ª fila do grid. Eram as trevas. Hoje, desceu do carro de forma altiva, comemorando muito sua primeira vitória na temporada, deixando claro que esse sempre foi o objetivo desse rapaz de talento nato que sofre por estar em um carro fraco e sem chances de ascender às grandes equipes da categoria. É a luz


Momento de felicidade para Nico Rosberg, que atingiu a melhor posição de chegada em sua carreira na F-1. O segundo lugar do piloto da Williams poderia ser primeiro não fosse o penalty sofrido pouco depois da parada dos boxes. Inclusive, tenho quase certeza de que Nico saiu do pit lane com luzes verdes, portanto de forma lícita. Se alguém aí tiver um contato com a direção de prova...

sábado, 27 de setembro de 2008

Cingapura - Results & Coments [4]

Vamos punir / em outro lugar, baby

Nick Heidfeld foi punido e perdeu três posições no grid de largada em Cingapura. O alemão da BMW sofreu a sanção por ter bloqueado Rubens Barrichello no Q1. Heidfeld estava retornando aos boxes e não facilitou a passagem de Barrichello, que vinha em volta rápida.

Mas a FIA fez do episódio um salseiro. Primeiro porque punir Heidfeld não trará nenhum benefício prático para Barrichello. E para finalizar, a federação também canetou o brasileiro "por não usar a área de desaceleração" no momento do incidente com o piloto da BMW. Barrichello pagará multa de 10 mil euros.

Vai entender...

Cingapura - Results & Coments [3]

Olho de Coruja

Uma sessão de classificação empolgante hoje em Cingapura. Os líderes do campeonato trocaram décimos o tempo inteiro e no final, Felipe Massa marcou a melhor volta com folga e se tornou o primeiro pole noturno da Fórmula-1.

A diferença entre a volta de Massa, o pole, e a de Hamilton, o segundo, é de mais de 6 décimos. É muita sobra para uma disputa entre carros tão iguais e entre pilotos sempre tão próximos. A volta voadora de Massa deixa todo mundo com a seguinte pulga atrás da orelha: estaria o brasileiro com uma estratégia de paradas diferente?

A excelente volta de Massa é ainda mais surpreendente quando se pensa que, para essa corrida, a vantagem teórica era da McLaren. A maioria esmagadora dos palpites em relação à prova noturna de Cingapura era pró-Hamilton por uma série de fatores: a eficiência mecânica do MP4/23 e a deficiente aderência do F-2008 sendo os mais evidentes. Pelo que foi apresentado pela Ferrari desde os treinos de ontem, os problemas com aquecimento de pneus e aderência foram eliminados nos testes de semana passada.

O que se viu nos treinos de Cingapura foi algo praticamente inédito: Hamilton, esse sim, enfrentou alguns problemas com os pneus e quase ficou fora do Q3. No Q derradeiro o inglês não foi páreo para Massa. Amanhã, largam os líderes do campeonato lado-a-lado, para mais um duelo de talento, perícia e nervos. Hamilton parte por dentro, Massa por fora, prontos para dividir a primeira curva. Teremos surpresas?

Com essa possível evolução da Ferrari, a perspectiva para o fim do ano torna-se ainda mais interessante. Dois pilotos de grande potencial, ávidos por se tornarem campeões e duas equipes que lhes dão possibilidades de duelar em grande estilo. Prestem atenção, senhores, a história está para ser escrita.

Uma nota triste do treino: o precipitado comentário de Luciano Burti sobre o 10º lugar de Hamilton no Q2: “deve ter sentido a pressão”, disse o piloto-comentarista. Baseado em que? Numa simples má volta? Muito pouco para afirmar que o inglês já se sente pressionado.


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Os companheiros do líderes fizeram o papel que lhes cabia, o de coadjuvantes. Raikkonen e Kovalainen foram ótimas escadas, aqueles caras que distraem o público enquanto os protagonistas não chegam. Só isso.
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Kubica deu um jeito de enfiar a BMW entre Ferrari e McLaren. Típico do polonês voador. Enquanto isso, Heidfeld está onde se espera que o time alemão esteja: atrás das duas titãs.
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Vettel foi o único da família RBR/STR a ir ao Q3 e não fez feio: 7º lugar. Moral o rapaz já tem, e talento vê-se que também não falta. Claro, todo já sabe disso depois da galante exibição em Monza. Constrangedor para a Red Bull, que vê a equipe-irmã, mais uma vez, a sua frente.
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Depois de bater ontem no final do segundo treino livre, Glock parece ter se entendido melhor com a pista cingapuriana. 8º posto, única Toyota no Q3.
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Por fim, uma ótima surpresa: as duas Williams na fase final da qualificação. Rosberg é o 9º, Nakajima o 10º. Só se espera que a equipe tenha consistência na hora da corrida amanhã. Lembrem-se que em Monza Rosberg largou em 5º e recebeu a bandeirada apenas na 14ª posição.


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Mais notinhas cingapurianas:

- Pista excessivamente ondulada. Ontem eu havia chamado atenção para o fato, mas a transmissão via internet não me permitiu observar as ondulações com a mesma clareza de hoje, pela tv. O asfalto de Cingapura é um verdadeiro pula-pula, deixando o carro difícil de controlar. Talvez role um festival de rodadas em função disso amanhã;

- A chuva não veio. Será que vem amanhã?

- Corrida longa prevista. Devemos chegar perto de 1h50min de prova, isso com tempo bom e sem Safety Car. Se chover ou houver alguma batida certamente a bandeirada será dada em razão do limite de tempo (2 horas).


01
Felipe Massa
Ferrari
01m44s801
02
Lewis Hamilton
Mclaren-Mercedes
01m45s465
03
Kimi Raikkonen
Ferrari
01m45s617
04
Robert Kubica
Bmw Sauber
01m45s779
05
Heikki Kovalainen
Mclaren-Mercedes
01m45s873
06
Sebastian Vettel
Toro Rosso
01m45s964
07
Timo Glock
Toyota
01m46s244
08
Nico Rosberg
Williams
01m46s328
09
Nick Heifeld
BMW
punido
10
Kazuki Nakajima
Williams
01m47s547

*Atualizado às 19:39

Cingapura - Results & Coments [2]

Abandono negro


Poucas novidades no Q1 e no Q2 de hoje em Cingapura. Na primeira degola, ficaram as habituais Force Índia, a Honda de Barrichello, e a Renault de Piquet. Talvez a maior surpresa seja Bourdais, fora da briga logo na primeira etapa do treino classificatório.

No Q2 as coisas ficaram mais dramáticas e o treino terminou mais cedo para a Renault. Ainda na volta de aquecimento, Alonso encostou o carro número 5 em uma das áreas de escape da pista urbana, desceu do carro e demonstrou desespero e perplexidade ao se ver sem chances de ir ao Q3. A irritação do espanhol tem um motivo muito simples: Alonso sabia que tinha chances de uma boa posição no grid porque a Renault, surpreendentemente, se adaptou bem ao traçado cingalês. O bicampeão liderou duas das três sessões de treinos livres e com uma estratégia de paradas um pouco mais ousada, poderia pensar até em largar na 1ª fila. Mas, a frase-clichê do mestre Fangio existe para ser usada nesses momentos (e eu não tenho o menor desconforto em usá-la, afinal, citar Fangio jamais será algo desabonador): carreras son carreras.

Então, treinos são treinos.

A patologia automotiva que vitimou a Renault de Alonso foi um problema na alimentação de combustível do motor, como informou o Carlos Gil da Tv Globo.

11
Jarno Trulli
Toyota
01m45s038
12
Jenson Button
Honda
01m45s133
13
Mark Webber
Red Bull
01m45s212
14
David Coulthard
Red Bull
01m45s298
15
Fernando Alonso
Renault
01m44s971
16
Nelsinho Piquet
Renault
01m46s037
17
Sebastien Bourdais
Toro Rosso
01m46s389
18
Rubens Barrichello
Honda
01m46s583
19
Adrian Sutil
Force India
01m47s940
20
Giancarlo Fisichella
Force India
00m00s000

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

Cingapura - Results & Coments [1]

Melhores tempos dos treinos de sexta-feira em Cingapura:

1. Lewis Hamilton (McLaren) – 1.45.518
2. Felipe Massa (Ferrari) – 1.45.598
3. Fernando Alonso (Renault) – 1.45.654
4. Heikki Kovalainen (McLaren) – 1.45.797
5. Kimi Raikkonen (Ferrari) – 1.45.961
6. Nico Rosberg (Williams) – 1.46.164
7. Robert Kubica (BMW) – 1.46.384
8. Jenson Button (Honda) – 1.46.901
9. Nick Heidfeld (BMW) – 1.46.964
10. Kazuki Nakajima (Williams) – 1.47.013
11. Timo Glock (Toyota) – 1.47.046
12. Mark Webber (RBR) – 1.47.137
13. Nelsinho Piquet (Renault) – 1.47.145
14. Sebastian Vettel (STR) – 1.47.300
15. Sebastien Bourdais (STR) – 1.47.487
16. David Coulthard (RBR) – 1.47.640
17. Giancarlo Fisichella (Force Índia) – 1.47.965
18. Rubens Barrichello (Honda) – 1.48.009
19. Jarno Trulli (Toyota) – 1.48.059
20. Adrian Sutil (Force Índia) – 1.48.311

Notinhas cingapurianas:

- O show está garantido em Cingapura! Pelo menos o de imagens. Os fotógrafos vão ter muito o que registrar nesses três dias de atividades na ilha asiática. A combinação de iluminação artificial e F-1 rendeu imagens lindas;


- E não foi só a F-1 que deu show. A própria cidade de Cingapura (pelo menos essa parte “1º mundo”) fez questão de ser soberba perante o circo. As câmeras sob os helicópteros captaram a cidade, que não parou por causa dos 20 carros de Bernie Ecclestone e CIA. A vida continuou ao redor e sobre o “Marina Bay Circuit”, com os carros de passeio a circular pelas ruas próximas e pelos viadutos que se localizam acima da pista. Um show de luzes, incrementado pelos letreiros dos prédios que piscavam e reluziam;

- Se o ambiente que rodeia a pista é daqueles bem americanos, com prédios imponentes compondo a paisagem que rodeia o traçado, a pista também segue o american model: muitas esquinas, curvas de 90º e poucas dificuldades. A iluminação cumpriu o que havia prometido: fez a noite virar dia em Cingapura;

- Esse estilo de pista me lembrou o traçado da pista de Seattle no Gran Turismo 3. Quem já jogou sabe do que estou falando;

- Chamou atenção a quantidade de ondulações no primeiro setor, pouco depois da reta principal. Os carros pularam bastante no trecho e a suspensão dos F-1 trabalhou freneticamente. Fez aquele “salto” pós-Cassino de Mônaco parecer um suave quebra-molas;

- Agora, o que interessa: carro na pista. E nos treinos se viu um domínio incessante de Hamilton e Massa, só quebrado no fim da 2ª sessão, quando Alonso, o rei do blefe, pulou na ponta. Mas seu tempo não foi o melhor do dia;

- O dono da melhor marca da sexta foi o líder do campeonato. Lewis Hamilton andou forte e foi seguido de perto por Massa. McLaren e Ferrari demonstraram que estão incrivelmente parecidas e os dois postulantes ao título travaram uma guerra mental interessante;

- O equilíbrio das duas maiores forças da temporada se explica: a McLaren se aproveita da pista travada, com muitas reacelerações, e a tal eficiência mecânica do MP4/23 torna-se evidente. Já a Ferrari desfruta como ninguém dos pneus macios e super-macios, e puxa a sardinha para o seu lado;

- Prestem atenção ao treino de amanhã: a Ferrari é melhor nos setores 1 e 3. A McLaren reina no setor 2, o mais extenso da pista;

- A BMW ficou com os 7º e 9º lugares, mas o que chamou a atenção no dia da equipe foi a ameaça de bomba nos boxes bávaros. Mecânicos tiveram que sair do paddock às pressas e a polícia chegou ao local. Nada foi encontrado e os trabalhos continuaram;

- Sensação em Monza, a Toro Rosso não deve repetir a performance em Cingapura: Vettel foi o 14º e Bourdais (pego numa conversa de rádio em que reclamava do equilíbrio do carro) o 15º;

- Alonso aprontou no finzinho da 2ª sessão. Suas voltas voadoras no fim dos treinos livres já são quase uma rotina. Puro blefe. Enquanto isso Piquetzinho ficou lá pra trás, com o 13º posto;

- A temperatura da pista ajudou hoje: esteve sempre na casa dos 28ºC, bem próximo da temperatura ambiente;

- Para amanhã, porém, a previsão do tempo não é tão otimista. Expectativa de chuva forte, assim como no domingo;

- Enfim, a grande novidade do gp desse fim de semana é o fato de a corrida ser a noite. De resto nada demais. O traçado é bem simplista, sem grandes desafios para pilotos e equipes;

- E um último lembrete: a classificação amanhã é às 11 da manhã. Se acordarem cedo vão ter que se contentar com a TV Globinho.

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

Sobre a chuva, e outras anedotas escolares

Está na enciclopédia Barsa, referindo-se à Cingapura:

“O clima equatorial caracteriza-se por temperaturas superiores aos 25°C durante todo o ano. As chuvas abundantes se distribuem por todas as estações. As maiores precipitações ocorrem de dezembro a março (monção do nordeste) e de maio a setembro (noção do sul) (...)”

Portanto eu imagino que o clima cingalês se aproxima muito ao do norte do Brasil, em cidades como Belém ou Manaus, as principais capitais da Amazônia. É lógico que é um chute porque eu, do alto da minha experiência de blogueiro-amador-que-nunca-saiu-do-estado-em-que-vive, nunca estive no norte. Mas meus conhecimentos sobre geografia são suficientes para entender que climas equatoriais são caracterizados por grande volume de chuva, bem distribuídas durante todo ano: em bom português isso quer dizer que chove praticamente todos os dias nessas regiões.

Daí partem histórias folclóricas disseminadas aqui embaixo, no sul-sudeste do Brasil. Alguns professores contam às turmas que na região amazônica a noção de tempo (cronológico) está intimamente relacionada ao clima, à chuva que cai diariamente e quase sempre na mesma hora. É dessa regularidade pluviométrica que nasceu uma espécie de relógio informal, que se baseia na chuva, e que inspirou uma anedota de um antigo professor do ensino médio. Segundo ele, localizar-se cronologicamente em função da água que cai regularmente é comum em algumas localidades do norte brasileiro e ouvir o diálogo que segue não é improvável entre os nativos da região:

- Apareça lá em casa mais tarde!
- Que horas?
- Ah, pode ser depois da chuva...

E, segundo viajantes e pessoas naturais da região com as quais já conversei, a coisa não falha: todos os dias são muito quentes, muito úmidos, com um mormaço incômodo que vira uma chuva caudalosa no fim da tarde.

Portanto, essa parece ser a salvação da corrida monótona que se desenha domingo próximo. Ao que parece, São Pedro enviará algumas nuvens à ilha-cidade-estado asiática. A previsão para domingo é de 40% de chances de chuva na hora da corrida. Aí sim a prova passa a prometer fortes emoções e a gente vai descobrir se chuva e iluminação artificial combinam ou não.

Olho na Hora!

O GP Cingapura trás algumas novidades quanto ao horário do treino classificatório. A decisão do grid de largada não será no habitual horário das 9 da manhã e sim as 11, com transmissão ao vivo da Tv Globo.

A corrida de domingo será realizada na hora normal e esperada de sempre: 9 da matina, sempre no horário de Brasília.

Inclusive, será a última corrida matinal (para nós brasileiros) do ano. Daqui em diante são duas "sessões-coruja" (Japão-China) e uma pós-almoço (Brasil).

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

A noite é uma criança... chata!

O vídeo a seguir é uma simulação de como será a volta na pista de Cingapura, lar do 1º gp noturno da história da F-1:



Os recursos gráficos da simulação são meio capengas, mas já pra ter um idéia do que vamos ver domingo: uma longa e interminável fila indiana. O circuito cingalês é repleto de retas curtas se revezando com curvas de 90°. Uma seqüência enjoada de "acelera-freia-acelera" que não deve proporcionar muitas emoções.

O vídeo me faz sentir saudades de Mônaco.

terça-feira, 23 de setembro de 2008

Medo do escuro?

Domingo é dia de corrida noturna na F-1. E é esse o assunto da Coluna do Fábio no EsporteZone.


Comentários são bem-vindos.

Leituras Recomendadas

- Felipão, editor do BlogSport revela imagens e detalhes da iluminação do GP Cingapura;

- Ivan Capelli, do conceituado Blog do Capelli disseca a "linha tênue entre autoconfiança e presunção" nessa postagem que praticamente traduz Lewis Hamilton.

Duas leituras que ajudam a entender o que se passa e o que esperar dos próximos dias.

E daqui a pouco a FIA divulga o resultado do julgamento sobre o drive-through de Lewis em Spa. Não deve mudar nada, mas...

domingo, 21 de setembro de 2008

Quarteto Fantástico

Quatro corridas separam a Fórmula-1 de seu novo campeão. E o De Olho na F-1 faz uma prévia sobre as últimas etapas do mundial 2008.

Lewis Hamilton, Felipe Massa e o azarão Robert Kubica são os três pilotos com chances reais de título. Raikkonen, Heidfeld e Kovalainen têm chances matemáticas, mas estão fora da briga justamente por causa de seus companheiros de equipe.

No trio do título, Kubica é um improvável campeão. Possui chances, mas precisaria de uma combinação de resultados praticamente impossível para ser levar o título. Sua BMW, sabe-se, ainda não é carro para brigar por vitórias com McLaren e Ferrari. Mas, a STR também não tinha chances em Monza...

Portanto, para efeito prático, Kubica é zebra em todas as corridas. Mas lembrem-se do GP Itália e do fim da temporada passada. Fazer previsões é um risco.

- GP Cingapura (Cingapura) – A corrida do próximo domingo é uma grande incógnita para todos. Será a primeira vez na história que a F-1 entrará na pista para uma corrida noturna. O comportamento dos carros, a visibilidade e o nível de aquecimento dos pneus prometem ser pontos decisivos.

A pista é de rua e a vantagem teórica nesse tipo de traçado é da McLaren, com o MP4/23, que se sai melhor em pistas travadas. A favor da equipe inglesa ainda está a questão climática: o carro britânico obtém um desempenho melhor que o da Ferrari com temperaturas amenas. Com a ausência da luz solar, a temperatura da pista deve ficar próxima à temperatura ambiente, favorecendo o time de Lewis Hamilton.

Porém, o pneus, como sempre, podem ser fator ainda mais decisivo. Em Mônaco a vantagem teórica também era da McLaren mas a Ferrari fez a 1ª fila na classificação e teve boas chances na corrida. O motivo: os pneus macios e super-macios, os mesmos que a Bridgestone enviará para Cingapura. É justamente com esse tipo de pneu a Ferrari tem se saído melhor, ao contrário da McLaren, que se adaptou com mais eficiência aos pneus médios e duros. Esta escolha da fabricante dos “calçados” deve tornar a disputa um pouco mais equilibrada. Contudo, a vantagem ainda é da McLaren. Se chover então (e há possibilidades, segundo a previsão do tempo), o time de Woking é franco favorito.

Mas, pistas de rua sempre reservam surpresas.

- GP Japão (Monte Fuji) – Fazer uma prévia do GP Japão sem pensar em chuva é praticamente impossível. A pista de Fuji, numa área montanhosa e aos pés do morro que lhe dá nome, é caracterizada pela presença constante de nuvens carregadas. E na chuva, a vantagem, como já foi salientado, é da McLaren. O carro inglês rende mais debaixo d’água porque possui maior facilidade em gerar calor e aderência nos pneus, ponto em que a Ferrari leva um baile. É curioso, porque a equipe italiana trabalhava com a Bridgestone mesmo enquanto haviam duas fornecedoras de pneus e ainda assim a McLaren (que corria com calçados da Michelin) é superior, demonstrando grande capacidade de adaptação.


- GP China (Xangai) – Depois de receber a Olimpíada e a Para-Olimpíada, a China abre as portas para a Fórmula-1, pela 5ª vez em sua história. O gp chinês é disputado desde 2004 na pista de Xangai, construída especialmente para abrigar a categoria, que está de olho no mercado que mais cresce no planeta.

Xangai é, talvez, a pista onde se nota o maior favoritismo da Ferrari. Das quatro corridas realizadas lá até hoje, a equipe italiana só perdeu uma, em 2005, quando disputou a temporada com um carro extremamente mal-nascido. O traçado é do jeito que o F-2008 gosta: retas longas e curvas de média e alta velocidade, privilegiando a eficiência aerodinâmica dos carros de Felipe Massa e Kimi Raikkonen.

E a pista já deu sorte a um brasileiro: Rubens Barrichello foi o primeiro vencedor do GP China, em 2004, com a Ferrari. Foi sua 9ª e última vitória na Ferrari, última de Rubinho desde então.


Porém, a chuva também não está descartada no autódromo projetado por Hermann Tilke. As duas últimas edições da corrida na China tiveram pista molhada em algum momento da prova, e nessas condições, repete-se a história: vantagem inglesa.

- GP Brasil (Interlagos) – Pela 4ª vez em sua história, o autódromo de Interlagos encerrará uma temporada de F-1 e, provavelmete, decidirá o título. Se a disputa chegar indefinida em São Paulo, será a 4ª vez consecutiva que Interlagos proclamará o campeão.

O traçado da pista brasileira é um caso curioso: com suas curvas lentas e seu miolo travado, em tese, deveria favorecer a McLaren. Mas nos dois últimos anos a Ferrari venceu com folga em São Paulo: em 2006, Felipe Massa não teve adversários, e em 2007 venceria de novo, não existisse a necessidade de fazer o jogo de equipe com Raikkonen.

O fato é que a pista tem um caráter um tanto quanto dúbio: o miolo, do “Laranjinha” até a Junção, é a parte travada, de média/baixa velocidade, privilegiando a aderência mecânica que favorece o modelo da McLaren. Já o “anel externo” (a denominação não é usual, mas faço uso para facilitar as coisas por aqui) é a parte de alta velocidade, que se estende desde a Subida do Boxes até voltar ao “Laranjinha”. É nessa parte do circuito que os carros atingem os maiores picos de velocidade e é onde, em teoria, a Ferrari leva vantagem.



Nos últimos 10 anos, Interlagos faz questão de se apresentar como território neutro: 4 vitórias da Ferrari (2000, 2002, 2006, 2007), 4 da McLaren (1998, 1999, 2001, 2005) e 2 triunfos de outras equipes. É a pista em que há a maior dificuldade em apontar em favorito, mas é a que pode ter sua corrida decidida na escolha dos pneus.

A Bridgestone trará compostos médios e duros para a corrida brasileira, ao contrário do ano passado, quando vieram os compostos macios e super-macios, e a McLaren passa a possuir uma pequena vantagem. Mas, 2008 já provou ser um ano em que fazer previsões é correr grande risco de errar.

Enfim, o campeonato está aberto. A McLaren parece levar vantagem na maioria das etapas restantes, mas o desenvolvimento dos carros é veloz e está perto do limite. As duas equipes estão muito próximas no desempenho geral e certamente a Ferrari trabalhou duro para minimizar suas deficiências com o aquecimento de pneus. Promessa de um fim de ano emocionante.

terça-feira, 16 de setembro de 2008

Onde fica?

Entre as muitas dúvidas que o GP noturno de Cingapura trás, uma delas é primordial: onde raios fica Cingapura?

Alguns amigos têm me feito essa pergunta com certa freqüência. “Cingapura fica em algum da Ásia ou da África, né?”, me perguntam, já tentando arriscar uma resposta.

A República de Cingapura é uma espécie de cidade-estado localizada ao sul da parte continental da Malásia. Trata-se de uma ilha de cerca de 620 km², totalmente urbanizada, e com grande movimentação portuária. Por estar localizada numa região que concentra grande trânsito de navios (Cingapura fica no meio do caminho das rotas comerciais entre Europa e Ásia), os portos do país são uns dos maiores do mundo em tonelagem e em valor de carga.

Apesar do alto índice de densidade demográfica, Cingapura proporciona uma boa qualidade de vida a seus quase 4 milhões de habitantes. O IDH (Índice de Desenvolvimento Humano, um dos mais importantes indicativos da ONU) do país é de 0,881 (quanto mais próximo de 1, melhor. Para se ter uma idéia o IDH do Brasil é de 0,800 e o da Islândia, o melhor de todos, é de 0,968).

A corrida noturna em Cingapura foi motivada, entre outras coisas, pelo interesse em melhorar a audiência das corridas asiáticas na Europa. Provas como o GP Malásia acontecem em um horário pouco confortável para o telespectador europeu. Enquanto é tarde nessa porção de Ásia, é manhã na Europa e o horário de exibição da corrida no velho continente afasta a audiência. Para alavancar o índice de televisores sintonizados e tornar o horário mais confortável para o torcedor europeu, teve-se a idéia de um GP noturno em Cingapura, início de tarde na Europa.

Já se cogita a possibilidade de também empurrar o GP Malásia, em Kuala Lumpur, para a noite.

(PS1: ainda bem que eu não matei a aula de geografia essa semana)
(PS2: mal sabem os europeus que nós brasileiros temos que acordar as 4 da madrugada para ver a corrida malaia)