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terça-feira, 26 de maio de 2009

Mais do Mesmo: Vamos bajular o Chico Ferrari?

A transmissão de tv cravou: a Ferrari está de volta. De fato o desempenho da scuderia em Mônaco foi muito melhor do que a média das 5 corridas anteriores. Felipe Massa e Kimi Raikkonen foram constantes e o fim de semana monegasco foi tão bom que o brasileiro ficou com a melhor volta da corrida. A equipe italiana brigou pela 1ª fila na classificação e o 3-4 conquistado ao final do GP Mônaco ficou foi de bom tamanho.
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Foi a primeira vez no ano que os dois rossos terminaram uma corrida na zona de pontuação. Ironia das ironias, o melhor resultado da temporada da Ferrari vem justamente na pista em que a scuderia está a mais tempo em jejum: desde 2001 os italianos não comemoram uma vitória no principado. Mas a Ferrari voltou mesmo ao posto de equipe de ponta?

Inegável que Mônaco consagrou o poder de reação do cavalino rampante. Poder de reação que, aliás, já era louvado desde de Barcelona, quando Felipe Massa passou a corrida inteira brigando pelo pódio e se encaminhava para um relativamente bom 4ª lugar, até seu carro apresentar problemas com a medição de combustível. Com o desempenho de domingo, já se fala que a Ferrari já é a segunda força do grid, mas nunca é demais recordar: Monte Carlo é uma prova completamente atípica para qualquer categoria que corra lá. Mônaco não é propriamente o melhor lugar para se elaborar tendências sobre o resto do ano. A natureza particular da pista e da dinâmica da corrida no principado tornam Mônaco um caso único, sem paralelo entre as outras corridas do ano, mesmo as de rua. Por mais que o salto de qualidade da Ferrari seja visível, ainda é cedo para desconsiderar Red Bull e Toyota, que até aqui apresentaram desempenho mais sólido do que o do time italiano.

Mas para a Ferrari abrem-se concessões, e ao menor sinal de melhora, ela já “é a segunda equipe do grid”. O time de Maranello, talvez pela força de seu mito, certamente por carregar consigo uma parte da história da F-1 e, seguramente, devido aos recentes e numerosos títulos, torna-se uma espécie de Chico Buarque da F-1. Explico: dias atrás o cineasta Walter Carvalho cravou: “É uma tarefa complicada fazer algo com o Chico, porque ele pensa e você já começa a elogiar, antes de ele falar”. O paralelo com a Ferrari na F-1 torna-se então, fácil: antes mesmo de a recuperação da equipe ser comprovada, ela torna-se previamente favorita, mesmo que o parâmetro seja uma corrida que não reproduz a realidade dos autódromos do restante do campeonato.

Istambul Park, daqui a pouco menos de 15 dias, dará uma melhor noção do rearranjo de forças no mundial. Aí sim com maior segurança e menor ansiedade provocada pelo recente passado de excelência do time italiano.

segunda-feira, 25 de maio de 2009

Mônaco Memories: 2002

Crime e Castigo?

O principado de Mônaco sediava a corrida imediatamente posterior ao escândalo ferrarista de A1 Ring em 2002. A Fórmula-1 respirava os ecos da marmelada promovida por Ferrari e protagonizada por Michael Schumacher e Rubens Barrichello. Entre um rigoroso Bernie Ecclestone que afirmava que “a Ferrari tratou os torcedores como bobos” e um condescendente Jean Todt que assegurava que “F-1 é apenas um jogo em que você precisa, de vez em quando, apelar para a estratégia”, o circo aportava em seu palco mais visado.

Até aquela altura, o campeonato seguia sob um ritmo monótono. Nas duas primeiras corridas do ano houve alguma incerteza quanto a superioridade da Ferrari. Na Austrália, ainda correndo com o F-2001, Schumacher venceu fácil. Na Malásia, no entanto, a Williams aplicou uma sonora lavada nos italianos, fazendo a dobradinha com Ralf Schumacher em 1º e Juan Pablo Montoya em 2º, fato que levou a Ferrari a adiantar a estréia do F-2002. O novo modelo, que estava previsto para debutar apenas em Ímola, na abertura da fase européia do mundial, foi precocemente levado a Interlagos, para a 3ª prova do ano, o GP Brasil. E de Interlagos até Monte Carlo, o F-2002 estava invicto.

E logo em Mônaco, corrida mais cobiçada do ano, o F-2002 conheceria pela primeira e única vez a derrota. No sábado a pole ficou, como foi relativamente comum naquele ano, com Montoya, seguido por David Coulthard, da McLaren. Pela primeira vez fora da 1ª fila no ano, a Ferrari colocou seus carros no 3º e no 5º posto, respectivamente com Schumacher e Barrichello. A 4ª colocação ficou com Ralf Schumacher.

No domingo Montoya foi surpreendido pela excelente largada de David Coulthard. Partindo do 2º posto, o escocês roubou a ponta antes mesmo da freada da Saint Devote, e ao contornar a 1ª curva na liderança, apenas precisou assinar, como beneficiário, a nota promissória com vencimento em 78 voltas, assim como Jenson Button fez ontem. Atrás dele estavam Montoya, o Schumacher mais velho e o Schumacher mais moço, respectivamente.

O colombiano da Williams durou até a volta 46, quando abandonou com uma quebra no motor. Entre os 3 primeiros, Ralf adotava a estratégia de duas paradas, contra apenas uma de Coulthard e Michael Schumacher, que se tornavam os únicos candidatos à vitória.

A grande vantagem, entretanto, era de David. Além de estar com a mesma estratégia de Schumacher, o escocês tinha 7 voltas de combustível a mais do que o alemão. E aí ficou fácil. David venceu a única da McLaren no ano e a Ferrari acompanhou, incrédula, a única derrota do esmagador F-2002, derrota que ganhou traços de castigo divino depois dos acontecimentos da Áustria. Se em A1 Ring o vencedor foi escolhido atrás do pit wall, em Mônaco ele foi consagrado legitimamente entre os guard-rails do principado.

quarta-feira, 13 de maio de 2009

Fórmula-Racha?

Unilateralismo. Essa parece ter sido a palavra-chave escolhida por alguns personagens do circo da F-1 para demonstrar insatisfação com os rumos tomados pela categoria. Declarações em tom ameaçador têm ditado o ritmo do noticiário durante essa semana.

A Ferrari se reuniu ontem em Maranello e decretou: se o limite orçamentário passar, a equipe não disputa o mundial de 2010. A tática dos italianos é antiga e conhecida. Consiste em pressionar os opositores acenando para a torcida a possibilidade de a F-1 perder sua equipe mais famosa e tradicional. A notícia da possível saída da Ferrai do mundial foi recebida com ceticismo na Europa. Pouca gente acredita que a real retirada se concretize, até porque o debate em torno do teto ainda está no começo.

Até porque o problema não é o teto em si. A grande cláusula que incomoda as equipes é a que cria duas categoria dentro de uma só. Recapitulando, na semana passada a FIA divulgou um rascunho do regulamento para o ano que vem, e nele consta o tal teto orçamentário de 40 milhões de libras. Até aí os problemas não são tão graves. Limitação de custos é algo que há muito tempo é aguardado na F-1. O problema é que a FIA instituiu duas Fórmulas-1, uma para quem adotar o teto (na prática, equipes pequenas e garageiros sem ajuda de montadoras, caso único na F-1 de hoje, a Williams) e outra para quem quiser romper o limite de gastos (maioria esmagadora do grid de hoje, as montadoras que possuem grana para torrar).

Para os competidores que admitirem disputar o campeonato de 2010 sob o teto, várias regalias seriam permitidas, como uso de motores sem limitação de giros, testes ilimitados em túneis de vento e introdução de apêndices móveis, entre outras. Para quem puder e quiser trabalhar acima do teto, o desenvolvimento do carros ficaria praticamente como hoje, engessado, com motores congelados e testes rigorosamente diminuídos. Ou seja, a F-1 viraria duas e a união entre as equipes estaria em risco.

Sob tudo isso há o reincidente pano de fundo político que permeia a F-1. As sucessivas mudanças e a falta de solidez da F-1 a médio prazo se dão porque quem dirige a categoria está menos preocupado com coerência e mais com poder político. Max Mosley, o todo-poderoso presidente da FIA está claramente engasgado com a união das equipes sob a Associação dos Times de Fórmula-1 (em inglês, FOTA), que se tornou um contraponto político importante o suficiente para incomodar, e o tal regulamento para o teto orçamentário é nada mais do que uma tentativa de minar a agremiação das equipes. Mosley sempre foi unilateral por natureza e jamais se contentou apenas em regular a F-1. Ditar as regras faz parte de seu estilo e ao criar condições vantajosas para alguns e onerosas para outros, Mosley consegue semear discordâncias entre as equipes, retirando da FOTA a coesão que lhe foi peculiar até aqui. Assim, Mosley fica mais perto de voltar a imperar sobre a F-1 como sempre fez.

O prazo para inscrição das equipes para o mundial de 2010 termina no próximo dia 29. Mas a discussão apenas está começando. E o racha entre equipes e FIA deixou de ser possibilidade para ser realidade.

domingo, 10 de maio de 2009

Espanha - Results & Coments [Excepcionalmente Curto]

Seria o GP Espanha, finalmente, a vingança de Rubens Barrichello contra o blogueiro falastrão que finalmente queimaria a língua?

A resposta é quase.

Porque a corrida de Barrichello foi boa, porque o brasileiro foi rápido durante toda a prova e correu disputando a vitória segundo a segundo com Jenson Button. Mas Rubinho não fez o suficiente.

A fase de Button é excepcional.

Mas mesmo que vencesse, é bom que se diga, Rubinho não estaria se vingando de ninguém, pelo menos não nesse blog. Por que o que andou sendo contestado por aqui há alguns dias foi o Barrichello fora da pista. Dentro dela, são outros 500 e outra esfera de discussão.

Mas o fato é que Jenson Button fez uma corrida segura e a mudança de estratégia operada em sua corrida se mostrou tremendamente correta na dinâmica da prova espanhola. 41 X 27, diferença que deixa Barrichello, o único que parece ter condições de superá-lo, obrigado a virar o jogo. Por mais que pareça difícil.

Quanto ao resto da corrida, foi mais uma amostra da F-1-Brawn. Jogo de xadrez, sem contato, distante, frio, psicológico, higiênico. Ao estilo das melhores dobradinhas Schumacher-Barrichello.

O tempo é curto, por isso, vamos em tópicos:

- Falamos ainda do estilo Brawn de vencer corridas. Certo? Errado? Eficiente, me parece ser a resposta. Porque F-1 jamais foi kart, e enfrentamento corpo-a-corpo raramente fez parte da sintaxe da categoria. O que não deixa de ser irônico (e uma tecla na qual insisto em bater) é ver a categoria tão igual aos anos Schumacher, justamente no momento em que várias mudanças regulamentares foram introduzidas e quando a atual geração começava a se desapegar da lembrança do heptacampeão. São curiosas as voltas que esse mundo dá;

- Jenson Button gostou do papel de predador. O inglês vestiu a fantasia de caçador e se sentiu confortável nela. O inglês começa a pintar como uma figura felina, sempre à espreita, preparando o bote. Button começa a adquirir auto-estima e ares de piloto dominador. Começam a surgir na face de Jenson os traços do cara com mentalidade de predador.

Como que faz bem estar em um carro de ponta;

- Pra Barrichello foi quase, mais uma vez. A manutenção da estratégia de três paradas se revelou ineficiente. Difícil entrar no pantanoso terreno do mérito, mas Barrichello fez uma corrida boa. Rápido, sem esmorecer, mas não suficientemente veloz para superar o “plano B” do companheiro.

O necessário numa hora dessas e deixar a pose de presa e assumir-se como caçador, como Button parece já ter aprendido. Explicações depois da corrida já não fazem diferença;

- O que acontece com a Ferrari? Complicado responder tão depressa. Clássico é dizer: os anos 80 parecem ter voltado a assombrar o time italiano. Paixão rubra, clamor da torcida, história tradicional misturados à boa vontade do staff, mas com uma pitada de erros circenses. E, como todos os erros circenses, os da Ferrari são infantis.

Serão necessários mais 21 anos de fila?

segunda-feira, 27 de abril de 2009

Bahrein - Memories

Samba do árabe doido

Em 4 de abril de 2004 era dada a largada para o 1º GP Bahrein da história. Sobre a corrida há pouco assunto. Michael Schumacher e Rubens Barrichello largaram, passearam, desfilaram a competência da Ferrari e limitaram-se a dar 57 tranqüilas voltas. Era a 2ª dobradinha da Ferrari em 3 corridas e a 3ª vitória de Schumacher no ano, aproveitamento de 100% no ano que, junto com 2002, foi o mais fácil da vida do alemão.



Mas a corrida árabe começou bem antes, curiosamente em 2002, o ano mais vermelho de todos os tempos. Foi em Monza, no Grande Prêmio da Itália de dois anos antes da primeira corrida desértica, que as autoridades barenitas anunciaram que o país sediaria uma corrida de F-1. Era setembro de 2002 e o GP Itália assistiu a uma dobradinha ferrarista, para delírio de milhares de tiffosi histéricos que invadiram a pista para saudar Barrichello e Schumacher, respectivamente, 1º e 2º colocados. Dois anos depois, quando a prova barenita tornou-se realidade, a dupla rossa repetiu a dose lá no oriente, apenas com as posições invertidas.

As obras para a construção do circuito ao redor de Manama, a capital do minúsculo país, começaram em novembro de 2002. A expectativa era de que fossem gastos US$ 85 milhões. Ao final das obras, os gastos superaram os US$ 130 milhões, indicando que as autoridades não economizaram na intenção de exibir para o mundo um Bahrein moderno e atrativo.

As razões que levaram os sheiks a abrir o bolso? Luís Fernando Ramos, in loco, esmiúça aqui. O que dá pra adiantar: petrodólares jorram do solo barenita. Grana não é um problema.

Galvão Bueno fez questão de salientar, durante a transmissão global, aquilo que o Ico não deixou de observar em seu blog: a infra-estrutura do autódromo é impecável. Tudo de primeira, espaçoso, confortável, irrepreensivelmente correto. As corridas lá, entretanto, costumam ser mornas, mas atraem um bom público, público este mais interessado em badalação e em ser visto no maior evento do país do que propriamente na corrida e nos motores. E enquanto o luxo e a ostentação promovem grid girls vertiginosas nos cartazes oficiais, as nativas ainda vivem sob o julgo do falso e cínico conservadorismo árabe.

O GP Bahrein é, enfim, uma corrida de contrastes. Contraste entre a super-organização do evento e o evento em si, que sempre deixa a desejar no quesito qualidade da corrida e é, sobretudo, um contraste de si mesmo. Corridas de automóveis são tão presentes na cultura árabe quanto parar para rezar voltado para Meca às 5 da tarde no ocidente. São valores incompatíveis. Mas o Bahrein que se mostrar para o mundo e a F-1 não é nada mais do que uma vitrine.

É assim desde 2004. E vai continuar a ser.

domingo, 26 de abril de 2009

Bahrein - Results & Coments [2]

Figuras de linguagem, Cláudia Leitte e heranças aproveitadas no Bahrein

Acreditar em destino é a tendência dos mais crentes. E se, por um acaso, tudo já estivesse escrito para o campeonato 2009 da Fórmula-1 se notaria a marca da ironia no traço desse escritor supremo que rege a categoria. Ironia que se faria notar de forma latente nessa 4ª etapa do mundial, em vários momentos e de variadas formas durante a corrida.

A ironia marcou a corrida de Felipe Massa, último vencedor das duas últimas edições da corrida barenita. Ou acham que é pouca ironia o brasileiro se encontrar com Kimi Raikkonen logo na 1ª curva e perder parte do bico? Na equipe mais conservadora do grid, em que seus pilotos jamais disputam posições de modo muito acalorado, um toque entre os dois titulares é raríssimo. Raikkonen já está absolvido de qualquer culpa, o toque sequer foi intencional. Mas ele não poderia ter escolhido pior lugar para acontecer. Foi no Bahrein que Massa virou o jogo e arremessou para longe a desconfiança com a qual chegou ao deserto em 2007 e 2008. O Bahrein foi o signo da virada na vida do brasileiro em seus últimos dois anos de Ferrari. Eis que em 2009 a virada não veio e Massa é um dos 6 pilotos que ainda não pontuaram na temporada.

Isso sem falar na inversão de papéis entre Massa e Button. O primeiro, acostumado a “colocar” volta no segundo em 2008, “levou” um giro de desvantagem na corrida de hoje. O mundo, literalmente, dá voltas.

Falando em Ferrari, a equipe chegou a liderar o GP Bahrein durante parcas oportunidades. Mas as voltas na ponta não longas e foram frutos da estratégia de paradas tardias adotada por Raikkonen. Pelo menos os italianos voltam à Europa com três pontos no bolso, amenizando um pouco a cobrança, mas não perdendo a obrigação de reagir na Espanha.

De Sebastian Vettel se esperava muito. Largando em 3º, mais pesado do que as Toyotas a sua frente, o alemão era o grande favorito da corrida desértica. Mas, ao contrário do que se imaginava, Vettel no seco não foi tão exuberante quanto no molhado. Fez uma corrida mediana, errou muito, não andou tão rápido quanto o necessário e sai do oriente com a impressão de que o 2º lugar foi até bom. É no mínimo curioso que um piloto tão bom no molhado ainda não tenha uma vitória memorável no piso seco. A ironia maior reside no fato de que Vettel não foi derrotado por Button e sim por Ross Brawn.

Minto, Button tem sim sua cota de responsabilidade, lógico, pela vitória. O mais curioso, entretanto, é que não foi ele quem ganhou o GP Bahrein. Na verdade, Ross Brawn e Michael Schumacher venceram a corrida, mesmo que nenhum dos dois tenha entrado num carro hoje. Brawn venceu por motivos óbvios. Há duvidas de que mesmo que, hipoteticamente, não tenha sido Ross o estrategista de Button, foi sua herança que triunfou no Sakhir? A corrida não foi decidida na 1ª volta, como o engenheiro disse a Button na volta da vitória. A corrida foi vencida na primeira parada de boxes, em que Button andou mais rápido e deu um baile na concorrência. Brawn continua dando as cartas na F-1, com suas estratégias mirabolantes. Schumacher e sua herança continuam vivos, apesar de o alemão já não ser piloto oficial há 2 anos e meio. E a F-1 muda, muda, muda, mas continua a ser a mesma de 5 anos atrás.

Button apenas repete o método de Schumacher. É uma espécie de Cláudia Leitte da F-1 (o Button não tem uma bunda tão boa, é verdade) que apenas reutiliza a cartilha notada e comprovadamente eficiente de Ivete Sangalo. É a isso que se resume o início de temporada da F-1 2009: a repetição de uma história que já deu certo. Há mesmo tantos méritos nisso?

Então fica a dica: se quiserem fazer com que a F-1 mude mesmo, retirem o senhor Brawn do pit wall. Mas dêem um jeito de matar a herança deixada pelo projetista e também pelo executor das ações, Schumacher. Ou então, contentem-se com o rumo que a F-1 tomou. Enquanto pit stops existirem, existirá sempre um Brawn e um Schumacher dispostos a ganhar uma corrida.

Ao fim do balaio de gatos barenita, onde o pódio não tem champanhe e o anúncio oficial exibe uma tremenda loira decotada, enquanto as nativas ainda trajam a burca, apenas em um segmento da corrida a ironia não atuou. Foi com Rubens Barrichello. Ou talvez sim, como no momento em que ficou atrás de Nelsinho Piquet durante algumas voltas. Logo contra um Piquet, cujo maior representante do clã sempre fez questão de diminuir Barrichello, o ex-ferrarista fez uma bela ultrapassagem no final da reta principal. Fora isso, no entanto, Barrichello não teve companhia da ironia. A temporada do brasileiro vai se desenhando apenas como a manutenção daquilo que Rubinho sempre fez de melhor: sair-se pior do que o companheiro de equipe. Button dispara com 31 pontos e deixa o brasileiro com 19. Em quatro corridas Button venceu três e chegou ao pódio em uma. Barrichello apenas compareceu à cerimônia pós-corrida em uma oportunidade. Rubens vai se tornando lenda por ser o melhor escudeiro da história recente da F-1. É uma espécie de Coyote que sempre se da mal na briga com o Papa-Léguas. Aqui não há (será?) ironia. A figura de linguagem chama-se hipérbole.

GP Bahrein, após 57 voltas:

1. Jenson Button – Brawn – 1:31:48.182
2. Sebastian Vettel – Red Bull - a 7.187
3. Jarno Trulli –Toyota - a 9.170
4. Lewis Hamilton – McLaren - a 22.096
5. Rubens Barrichello – Brawn - a 37.779
6. Kimi Raikkonen – Ferrari - a 42.057
7. Timo Glock – Toyota - a 42.880
8. Fernando Alonso - Renault – a 52.775
9. Nico Rosberg – Williams – a 58.198
10. Nelson Piquet – Renault – a 1:05.149
11. Mark Webber – Red Bull – a 1:07.641
12. Heikki Kovalainen – McLaren – a 1:17.824
13. Sebastien Bourdais – Toro Rosso – a 1:18.805
14. Felipe Massa – Ferrari – a 1 volta
15. Giancarlo Fisichella – Force India – a 1 volta
16. Adrian Sutil – Force India – a 1 volta
17. Sebastien Buemi – Toro Rosso – a 1 volta
18. Robert Kubica – BMW – a 1 volta
19. Nick Heidfeld – BMW – a 1 volta
20. Kazuki Nakajima – Williams – a 8 voltas

sexta-feira, 24 de abril de 2009

Bahrein - Results & Coments [1]

Treinos de sexta quase sempre são inúteis. O costume é que eles tragam tendências absolutamente equivocadas para as atividades oficiais. Mas hoje, no autódromo de Sakhir, no Bahrein, as duas sessões de treinos livres tiveram um significado emblemático para a Ferrari: Felipe Massa e Kimi Raikkonen ocuparam as duas últimas posições do grid. É um sintoma agudo da crise que corta ao meio o time italiano.

Melhores tempos da sexta-feira no Bahrein:



1. Nico Rosberg (Williams) - 1.33.339


2. Fernando Alonso (Renault) - 1.33.530


3. Jarno Trulli (Toyota) - 1.33.616


4. Lewis Hamilton (McLaren) - 1.33.647


5. Sebastian Vettel (Red Bull) - 1.33.661


6. Mark Webber (Red Bull) - 1.33.676


7. Jenson Button (Brawn) - 1.33.694


8. Adrian Sutil (Force India) - 1.33.763


9. Timo Glock (Toyota) - 1.33.764


10. Rubens Barrichello (Brawn) - 1.33.885


11. Kazuki Nakajima (Williams) - 1.33.899


12. Nick Heidfeld (BMW) - 1.33.907


13. Robert Kubica (BMW) - 1.33.938


14. Giancarlo Fisichella (Force India) 1.34.025


15. Sebastian Buemi (Toro Rosso) - 1.34.127


16. Sebastien Bourdais (Toro Rosso) - 1.34.366


17. Nelson Piquet (Renault) - 1.34.411


18. Heikki Kovalainen (McLaren) - 1.34.502


19. Felipe Massa (Ferrari) - 1.34.564


20. Kimi Raikkonen (Ferrari) - 1.34.670


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Outros pitacos orientais:


- Incrível a proximidade entre Trulli e Button, os 3º e 7º colocados, respectivamente. São 5 carros separados por 0,078s. Claro, não diz nada sobre amanhã e domingo, mas não deixa de ser curioso;


- Outra curiosidade envolveu Sutil e Glock, separados por apenas 0,001s. Já pensaram em ganhar uma corrida por uma diferença de tamanha insignificância?!


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- Enfim, lá vem o GP Bahrein, em que Massa foi dominante nas últimas duas oportunidades. Esse ano, porém, é claro e inequívoco que para conseguir uma boa colocação, o brasileiro e a Ferrari precisam de mais uma corrida louca e com muita chuva, para tentar um golpe de sorte. Mas esperar por chuva no meio do deserto é querer demais.



Paciência, meu amigo, é o que te resta!


quinta-feira, 23 de abril de 2009

A Mesma Praça, Outro Jardim: Bahrein 2008

Depois de duas corridas a Temporada 2008 da F-1 desembarcava num dos mais falsamente orientais dos países do chamado Oriente Médio. O Bahrein, onde as mulheres de burca convivem lado a lado com a ostentação tipicamente ocidental iria desempatar um mundial que ainda não decidia se tinha como favorita a Ferrari ou a McLaren.

Na Austrália Lewis Hamilton vencera com tranqüilidade. Na Malásia a Ferrari caminhava para uma dobradinha, se Felipe Massa não tivesse abandonado após a sensação estranha. De forma forma, Kimi Raikkonen sagrou-se vencedor da prova malaia com muita facilidade. Correndo por fora estavam Robert Kubica e Nick Heidfeld, que pontuaram com consistência nas duas primeiras corrida de 2008.

Logo na sexta-feira, a Ferrari emite claros sinais de que o fim de semana seria vermelho. Felipe Massa lidera uma das sessões de treinos livres com mais de um segundo de vantagem para Raikkonen. O brasileiro, inclusive, chegava ao circuito de Sakhir intensamente pressionado pela falta de resultados convincentes nas duas primeiras corridas do ano. E não era a primeira vez que Massa desembarcava no oriente tendo de responder as dúvidas a respeito de sua capacidade.

Em 2007 ,Massa também chegou ao GP Bahrein com um peso nas costas. Em Melbourne Felipe fez uma corrida de recuperação, depois de ter um problema na classificação, e chegou em 6º. Raikkonen vencera sua primeira corrida pela Ferrari, feito atingido por poucos. Em Sepang, Felipe era o pole, mas largou mal e permitiu o avanço das McLaren de Alonso e Hamilton. Na tentativa de ultrapassar o inglês, ainda no início da corrida, escapou da pista e não conseguiu mais se recuperar, cruzando a linha de chegada num decepcionante 5º lugar. O Bahrein, terceira etapa do Mundial 2007 foi a resposta de Massa aos críticos. Pole e vitória incontestáveis, que livraram temporariamente a pressão dos ombros do brasileiro.

No ano passado a situação era muito parecida: Felipe chegava à terceira corrida do ano com zero pontos e a imprensa já especulava o rompimento de seu contrato com a Ferrari. A resposta estava por vir.

No sábado, Robert Kubica marcou uma surpreendente pole para a BMW, a primeira do piloto polonês e também da equipe alemã. Massa partia em 2º, seguido por Hamilton e Raikkonen. No domingo, Kubica não resistiu à boa largada de Felipe e foi ultrapassado antes da 1ª curva. Com um ritmo que só a Ferrari obteve no circuito barenita, Massa se aproveitou do ótimo rendimento do equipamento e não deu chances a Raikkonen, o único capaz de incomodá-lo. Vitória tranqüila e maiúscula, que marcou a virada pscológica da melhor temporada de Massa em sua carreira na F-1.

Como sinal do relativo equilíbrio existente entre as equipes na primeira metade de 2008, a BMW saiu do Bahrein como líder do mundial de construtores, um ponto a frente da Ferrari e dois a frente da McLaren. A equipe ainda lideraria os dois mundiais após o GP Canadá, com dobradinha e vitória de Kubica.

terça-feira, 7 de abril de 2009

Mais do Mesmo: um picolé, e o início de crise na Ferrari

Felipe Maciel já havia chamado atenção ontem: a cena mais insólita do GP Malásia não foi a dos carros rodando em linha reta ou a da câmera onboard de Rubens Barrichello denunciando a ausência de visibilidade. Foi a de Kimi Mathias Raikkonen de bermuda, chupando um picolé enquanto o restante dos pilotos ainda aguardava o hipotético reinício da prova. Com sua habitual frieza e seu senso de individualidade, Raikkonen definiu, num lance só, sua insatisfação com os erros da equipe Ferrari e sua indisposição de arriscar a pele numa pista indirigível. O ineditismo da cena fez com que o finlandês roubasse sua própria cena.

Acusem o campeão de 2007 do que quiserem: instável, talvez desinteressado, um tanto quanto distante em termos de torcida. Só não digam que o cara não possui personalidade. Raikkonen é, no poço de idéias por vezes enganosas e dissimuladas que é a F-1, um cara irremediavelmente autêntico. As vezes acaba ferindo o ego de quem prefere fazer cena. Esse tipo de atitude não existe com o nórdico. Quando entrevistado, Kimi costuma dar nomes aos bois e indicar falhas com uma tranqüilidade e honestidade incomuns. Raikkonen, aliás, é um dos poucos com personalidade suficiente para deixar claro que não gosta de microfones e não suporta a falsa badalação que rodeia a categoria máxima. O ferrarista carrega consigo um quê de Nelson Piquet, sem a irreverência do tricampeão, mas com um senso individual bem delineado que o difere da maioria dos pilotos na hora de agir e de dar declarações perante o público.

No último domingo, entretanto, Raikkonen nem precisou abrir a boca. Saiu do carro, tirou o macacão, e deliciou-se com um picolé. A sobremesa bem que poderia ser uma banana, numa mensagem subliminar enviada ao QG da Ferrari, que destruiu sua corrida. Mas um picolé também carrega alguns significados: o homem de gelo continua mais gelado do que nunca.

A cena remeteu a uma F-1 romântica, quando os pilotos ainda tinham alguma liberdade para agir por conta própria, para se indispor a correr em lugares que julgavam sem segurança, livres da tendência de serem tratados como gado ou massa de manobra. Talvez a imagem de Raikkonen, campeão, integrante da rubra e onipotente Ferrari, ainda não tenha sido avaliada em toda a sua grandeza: foi a maior demonstração de personalidade individual de um piloto em décadas! O cara negou-se a correr, mesmo sendo representante da equipe mais tradicional e cheia de pompa e blábláblá do paddock. Enquanto todo mundo permanecia no grid esperando pelo hipotético reinício da corrida, brigando por migalhas de pontos, Kimi enviava um Magnun de chocolate a todos: “eu não me arrisco por pouca coisa.” Simples assim.

Raikkonen não é uma liderança influente na GPDA, a Associação dos Pilotos de Grande Prêmio. O finlandês sequer expõe interesse em ser um dos guardiões da segurança nas pistas. Mas seu picolé e seu bermudão fizeram mais pelos pilotos do que o HANS (o tal Head and Neck Support, surgido no início da década para evitar o chacoalhar excessivo da cabeça dos pilotos em caso de colisões) ou a reforma de Hockenheim. Kimi Raikkonen, com um lúdico picolé, lembrou aos volantes da F-1 que ainda é possível se indispor com a categoria. Basta estar “nem aí” e manter-se gelado como um picolé, mesmo sob o calor malaio.
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A indiferença com a qual Raikkonen encarou o GP Malásia foi, sob uma das óticas, um protesto mudo contra as pixotadas da Ferrari. Equipar o carro do finlandês com pneus biscoito com o asfalto seco foi das maiores demonstrações de amadorismo dos últimos tempos. E logo na Ferrari, equipe que se notabilizou por ser uma papadora de vitórias profissional nos últimos anos. O pior é o boato que corre na imprensa alemã: quem teria sugerido a instalação dos pneus de chuva extrema no carro de Kimi? O heptacampeão e símbolo maior da reconstrução vermelha, Michael Schumacher! Se o rumor foi verdadeiro, fica no ar a pergunta: por que o alemão se intromete em estratégias de corrida? Seu cargo de “consultor” lhe fornece autoridade para tal função?

Eis a chave do problema de Maranello. O desmantelamento do dream team que botava ordem no galinheiro italiano (Rory Byrne, Ross Brawn, Jean Todt e CIA) nos últimos anos custou caro. A equipe se viu, de uma hora para outra, sem liderança. E num cenário desses sobram caciques para comandar poucos índios. O time começa a bater cabeça sem a presença de um macho alfa para subjugar os outros. Stefano Domenicali já deixou clara a inaptidão para ser o capo da máfia rubra ferrarista. E sem um líder personalista, os italianos já mostraram que são capazes de se anular, como os anos 80 e 90, com o gradual afastamento de Enzo Ferrari, exemplificaram bem.

O cavalo rampante, antes impecavelmente adestrado, começa a perder o rumo...

segunda-feira, 6 de abril de 2009

Malásia - Memories: 2002

Março de 2002, segunda etapa do mundial, Sepang.

A F-1 chegava a Sepang precedida por um GP Austrália movimentado. Na corrida anterior, Rubens Barrichello foi retirado da corrida pelo alemão Ralf Schumacher, da Williams, logo na primeira curva. Sem dois fortes candidatos à vitória, o GP Austrália apenas assistiu ao desfile de Michael Schumacher, ainda correndo com o carro de 2001, que recebeu a bandeira quadriculada com margem confortável em relação ao segundo colocado.

Na Malásia, porém, ficaria claro que a Ferrari precisava ser esforçar para colocar o F-2002 na pista o mais rápido possível. No sábado, o alemão da Ferrari até conseguiu cravar a pole, com Juan Pablo Montoya em 2º, Barrichello em 3º e o Schumacher caçula em 4º. O domingo, no entanto, seria um dia difícil para os italianos.

Na largada, Michael fechou a porta de Montoya, que se aproveitou da melhor partida proporcionada pelo motor BMW de sua Williams e dividiu a primeira curva com o então tetracampeão. A disputa culminou em um toque entre ambos. O bico da Ferrari de Schumacher se soltou e foi para o assoalho do carro do colombiano, que perdeu muitas posições enquanto tentava se livrar do apêndice ferrarista. Com os dois favoritos enfrentando problemas, Rubens Barrichello e Ralf Schumacher passaram a dominar as ações.



O brasileiro precisou suar o macacão para manter o irmão de seu companheiro de equipe a uma distância razoável. Barrichello não conseguiu desgarrar de Ralf, mesmo estando o alemão com tanque cheio, para fazer apenas uma parada, contra duas de Rubinho. Como o brasileiro não foi capaz de abrir os pouco mais de 20 segundos necessários para fazer a segunda parada e voltar a frente, Ralf assumiu a ponta do GP Malásia. Barrichello seria o 2º, não fosse traído pela quebra do motor de sua Ferrari.

Enquanto a briga pela ponta acontecia de forma morna, Michael Schumacher e Juan Pablo Montoya esforçavam-se para avançar entre o pelotão. Schumacher caíra para o último lugar por precisar ir aos boxes recolocar o bico de seu carro. Montoya, no absurdo dos absurdos, foi considerado culpado pelo toque típico de corrida ocorrido na largada e também encontrava-se na rabeira. Os dois aproveitaram-se da superioridade do equipamento de Ferrari e Williams e conseguiram chegar ao pódio que apresentou Ralf Schumacher em 1º, fazendo dobradinha com Montoya, o 2º, e Michael Schumacher em 3º.

A dobradinha do time de Grove dava a falsa impressão de que a Ferrari encontraria uma rival a altura em 2002. Tremendo engano. Assim que o F-2002 entrou em cena, o campeonato imediatamente se decidiu em favor dos vermelhos.

sábado, 4 de abril de 2009

Malásia - Results & Coments [1]

Cavalo Manco

Button levou fácil. A Toyota conseguiu ótimas 2ª e 3ª posições. Rosberg não fez feio no 4º posto. Barrichello e Vettel estariam em melhores posições não fossem as punições pela troca de componentes do carro. Tudo isso, porém, ficou menor assim que a F-1 teve sinais claros do estado de convulsão em que se encontram as equipes ditas grandes até 2008.

Aqui o Ico explica, com autoridade de quem está in loco, cenas da insólita epopéia em que Lewis Hamilton e a McLaren se viram metidos desde o último GP Austrália. Conclusão: além de estar perdida na própria falta de competitividade, a McLaren continua com vocação para se meter em confusões e personalizar culpas que são coletivas.

A Ferrari mostrou que os fantasmas de 2008 ainda vivem em Maranello. Foi o resquício da falta de pulso que estigmatizou os rossos no ano passado que fez com que Felipe Massa ficasse de fora da classificação logo no Q1. A equipe quase acabou com o treino de Kimi Raikkonen junto ao do brasileiro, ao imaginar que os tempos dos pilotos marcados no início do treino se manteriam inalcançáveis ao longo da sessão, talvez iludida pela liderança nos treinos de sexta. Faltou, de novo, um líder que reunisse balls suficientes para enviar os dois ferraristas à pista malaia de novo.

Como se não bastasse a falta de rendimento, as grandes parecem estar perdidas dentro da própria rotina na F-1.

A despeito da pole fácil de Button, das ótimas classificações da Toyota e do grande resultado de Alonso, que levou seu Clio 1.0 ao Q3, a imagem que fala por mais de 1000 palavras é a do cavalo manco. Não, não se trata da mais nova posição sexual inspirada pelos apreciadores do também exótico canguru perneta. Trata-se do status que a Ferrari se esforça para alcançar desde o ano passado, quando as presepadas calamitosas se iniciaram.

Desde que assumiu o posto de diretor-esportivo da equipe italiana, Stefano Domenicali é o homem que mais tem sido obrigado a dar explicações. A orelha deve queimar a cada telefonema de Luca di Montezemolo.

"Explique-se, carcamano!"

Grid de largada, GP Malásia 2009:
1°. Jenson Button (Brawn), 1min35s181
2°. Jarno Trulli (Toyota), 1min35s273
3°. Timo Glock (Toyota), 1min35s690
4°. Nico Rosberg (Williams), 1min35s750
5°. Mark Webber (Red Bull), 1min35s797
6°. Robert Kubica (BMW), 1min36s106
7°. Kimi Raikkonen (Ferrari), 1min36s170
8°. Rubens Barrichello (Brawn), 1min35s651
9°. Fernando Alonso (Renault), 1min37s659
10°. Nick Heidfeld (BMW), 1min34s769
11°. Kazuki Nakajima (Williams), 1min34s788
12°. Lewis Hamilton (McLaren), 1min34s905
13°. Sebastian Vettel (Red Bull), 1min35s518
14°. Heikki Kovalainen (McLaren), 1min34s924
15°. Sébastien Bourdais (Toro Rosso), 1min35s431
16°. Felipe Massa (Ferrari), 1min35s642
17°. Nelsinho Piquet (Renault), 1min35s708
18°. Adrian Sutil (Force India), 1min35s908
19°. Giancarlo Fisichella (Force India), 1min35s951
20°. Sébastien Buemi (Toro Rosso), 1min36s107
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Pitacos malaios de última hora:
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- De repente pode pintar chuva na região de Sepang, e se ela vier, a corrida vira loteria. Se vier com força, somada às baixas condições de visibilidade (a largada será às 17hs na Malásia, para que a corrida acontecesse no meio da manhã na Europa) o GP Malásia pode acabar antes da hora.
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*A falta de posts no dia de ontem ocorreu graças a um problema técnico popularmente conhecido como "falta de tempo." E o problema pode se repetir nos próximos dias.

quinta-feira, 2 de abril de 2009

A Mesma Praça, Outro Jardim: Malásia 2008

Na temporada passada o Grande Prêmio da Malásia foi, junto com a etapa chinesa, a corrida mais entediante do ano. Poucas emoções numa prova em que o grande acontecimento foi a “sensação estranha” sentida pelo pole position.

A Fórmula-1 vinha da Austrália esperando confirmar, enfim, o favoritismo da Ferrari. A pista de Sepang tinha todas as características que, teoricamente, agradavam aos carros de Maranello. O consenso do circo era de que a etapa australiana, com suas quebras, batidas e abandonos que eliminaram mais da metade do grid, não havia revelado a real posição dos times. As longas retas e as curvas de raio médio/longo da pista malaia privilegiariam o F-2008.

Além disso, era a hora de a scuderia reagir. Àquela altura somente Kimi Raikkonen estava com pontos na tabela, apenas 2, enquanto Lewis Hamilton figurava soberano com os 10 tentos da vitória em Melbourne. Felipe Massa, muito criticado pelo vacilo na largada australiana, precisava reagir imediatamente, sob o risco de ficar muito para trás na classificação do mundial.

A classificação mostrou o resultado que todos esperavam: 1ª fila inteiramente vermelha, com Massa em 1º e Raikkonen em 2º. A 2ª fila deveria ser da McLaren, com Heikki Kovalainen cravando o 3º tempo e Hamilton o 4º. Mas a lentidão na volta de desaceleração de ambos atrapalhou as voltas rápidas de alguns pilotos, levando a direção de prova a punir os carros da Mercedes com a perda de 5 lugares no grid. Na briga pelo campeonato, a Ferrari não podia receber melhores notícias.

A corrida se desenrolaria no domingo de páscoa e pelo que foi visto na classificação, esperava-se um chocolate italiano. Sabia-se de antemão que Massa estava mais leve e que pararia mais cedo do que Raikkonen. Mesmo assim, na largada, o finlandês mostrou-se competitivo para com o companheiro de equipe brasileiro.

Mesmo largando do lado “sujo”, Kimi avançou rumo à 1ª curva com impetuosidade, levando Massa a espremê-lo no canto da pista. É e sempre foi raro ver dois ferraris brigando de forma tão acalorada, e a manobra de Massa logo foi chamada de “kamikaze.” De toda forma, as posições dos ponteiros não se alteraram, e o 1º terço da prova seguiu um ritmo monótno, com Massa não conseguindo escapar do assédio de Raikkonen, que o seguia de perto.

A única e grande virada da corrida aconteceu no momento da primeira rodada de pit stops. Confirmando as projeções, Massa entrou primeiro, deixando o caminho para que o campeão de 2007 fizesse uma volta voadora, um trabalho de boxes impecável e voltasse à pista na ponta. Sem ter muito o que fazer, Massa resignou-se a tentar, sem sucesso, acompanhar Kimi, que abria certa distância com relativa facilidade.

Pressionado pela imprensa pelo mau resultado em Melbourne e agora em segundo depois de marcar a pole, talvez Felipe tenha deixado transparecer uma ponta de desespero sob o capacete. O desempenho superior de Raikkonen depois da primeira parada deixava claro que se quisesse brigar pela corrida, o brasileiro teria que apertar o acelerador com força. Mas aquela era a F-1 sem controle de tração, e Felipe se esqueceu de que o ato de apertar o pedal com muita intensidade não mais seria corrigido por um sistema eletrônico.

Na 31ª volta, já com mais de 3 segundos de desvantagem para Kimi e sabendo da necessidade de não perder contato, Felipe roda na saída de uma curva lenta do circuito malaio de Sepang. Rodada típica de quem acelerou mais do que devia enquanto contornava a curva, mas jamais admitida por Felipe. Perguntado sobre o motivo do abandono, Massa afirmou ter passado por uma “sensação estranha” na área mecânica do bólido e jamais admitiu integralmente a culpa pela rodada, que iniciou seu período mais difícil na Ferrari.

Sem precisar dar explicações a ninguém, Kimi Raikkonen, agora sem a sombra de Massa, seguiu para uma das mais tranqüilas vitórias de sua carreira, chegando ao final da corrida 20 segundos antes do segundo colocado, o polonês Robert Kubica. Heikki Kovalainen fez boa corrida de recuperação e cruzou em 3º. Lewis Hamilton decepcionou, chegando ao final numa modesta 5ª posição.

Vídeos dos 10 minutos iniciais da prova, com a largada agressiva dos ferraristas e com uma das mais belas ultrapassagens do ano passado, de Heidfeld sobre Alonso e Coulthard, na volta 3:


Resumo de toda a prova:

domingo, 29 de março de 2009

Austrália - Results & Coments [4]

Enfim, a corrida, a Brawn e tudo mais

A corrida da madrugada ainda vai gerar muitos ecos, quem duvida?

Precisei de algumas horas de recuperação para começar a juntar os cacos, as imagens, os flashes, todas as impressões da corrida da madrugada. O que fica é a sensação de que fui jogado do alto de um prédio mas ainda não terminei de concluir que estou em queda livre (não há aqui nenhuma menção ao caso Isabela Nardoni, que completa um ano hoje. Só percebi a coincidência depois de o texto já estar pronto).

A Brawn venceu a primeira corrida de sua história com dobradinha. É lógico que o feito está na história. Ainda mais por não ser uma daquelas vitórias que resultam de circunstâncias absurdas e sim por ser um êxito de um time que já é apontado como favorito a mais vitórias durante o ano.

Tudo isso na primeira corrida de uma equipe que é descendente de um caos motorizado, a Honda dos anos 2000.

É uma vitória com mais valor do que a dobradinha da BMW em Montreal no ano passado, ocasião em que Kubica e Heidfeld foram beneficiados pelos erros dos pilotos e das equipes grandes em si.

Então é parabéns a Ross Brawn a Jenson Button e, em menor grau, a Rubens Barrichello. Sim, porque o brasileiro cometeu uma série de erros evitáveis, especialmente na primeira parte da corrida. Se chegou em 2º, deve o favor a Robert Kubica e a Sebastian Vettel, de quem falaremos mais tarde.

Por enquanto, o assunto é a Brawn GP.

Button correu sozinho. Não viu Vettel no retrovisor de seu BGP001 porque nem o alemão, nem ninguém conseguiu desempenho paralelo ao seu. Largou e escapou, sabendo que o único com possibilidades de incomodá-lo era Rubens Barrichello. Mas Rubens Barrichello que é bom, nem perto de Button esteve.

O engate errado de marchas na hora da largada fez com que Rubinho ficasse estático por frações de segundo essenciais na hora da partida. Relegado ao meio do grid, Barrichello ainda se envolveu num toque com a McLaren de Heikki Kovalainen. Por uma incrível sorte, o BGP001 de Rubens apenas sofreu uma avaria relativamente amena, enquanto o MP4/24 de Kova abandonou com a suspensão quebrada. Posicionado na 7ª colocação, Barrichello encerrava momentaneamente o sonho de dobradinha da Brawn.

Sebastian Vettel e Felipe Massa agradeciam a Rubinho. Ocupando, respectivamente, o 2º e o 3º lugares, os dois faziam uma corrida que “dava para o gasto”, afinal, nenhum deles tinha chance de se aproximar de Button, que a essa altura já estava a 4 segundos de distância.

Para Massa e para a Ferrari, o GP Austrália se revelaria o pior dos pesadelos. Primeiro, a equipe rubra escolheu mau a estratégia, avaliando, erradamente, que os pneus macios eram os mais apropriados para a 1ª parte da corrida. Em 10 voltas tanto Massa como Kimi Raikkonen estavam com os calçados deteriorados e tiveram que entrar no boxes. Maranello passaria a trabalhar com a arriscada estratégia de 3 pit stops, a despeito das prováveis entradas do Safety Car.

Eis que pouco depois, Kazuki Nakajima acerta o muro de Melbourne rodando sozinho. Inevitável entrada do carro-madrinha no traçado australiano.

Na relargada, Nelsinho Piquet saiu da pista, atolando na caixa de brita. Pôs a culpa nos freios frios por causa do longo período de intervenção do Safety Car, mas sabe que as cobranças vão se intensificar ainda mais na Renault.

Mas Piquetzinho não foi o único a viver momentos delicados no GP Austrália. Giancarlo Fisichella também merece uma citação na sessão que se destina a lembrar das patacoadas da prova australiana. Veterano que é, Físico foi capaz de errar a entrada de boxes da Force India. Sensação de que, sai ano, entra ano, e a equipe indiana continua mergulhada entre as pequenas.

A personagem que mais sofreu, porém, foi a Ferrari. Além da falta de ritmo evidente durante a corrida, a equipe provou que a eficiência do KERS é altamente discutível. O equipamento teve pouca relevância para Massa e Raikkonen na disputa por posições. No fim das contas, nenhum dos dois terminou a corrida, Massa com problemas mecânicos, Raikkonen por bater sozinho no muro e danificar a parte dianteira do carro. Coroaram assim o pior começo de temporada vivido pelo cavalinho rampante em mais de 15 anos.

Quase no fim da corrida, no entanto, ocorreu o lance que decidiu a vida de Rubens Barrichello e determinou sua volta ao 2º lugar da corrida.

No giro 56, Barrichello estava em 4º, já resignado com a posição que, depois de tantos toques durante a corrida, não era ruim. Mas um incidente entre Vettel e Kubica mostrou que a sorte estava do lado do brasileiro em Melbourne.

Kubica, em 3º, com mais desempenho e pneus menos gastos, se aproximou rapidamente de Vettel, em 2º, que sofria com o desgaste dos compostos. Os dois dividiram uma curva lenta da pista e saíram tracionando lado a lado. Vettel, afobadamente, decidiu que tinha direito de ir empurrando Kubica para fora do traçado. O polonês, não menos burramente, teimou em se manter ao lado do alemão. Resultado: o toque que retirou as asas dianteiras de ambos. Fim abrupto e desnecessário para dois dos mais elogiados pilotos do grid.

Do lado positivo da corrida, Nico Rosberg mostrava-se um ferrenho batalhador que não se intimidou diante da Ferrari de Raikkonen ou do carro de qualquer outro adversário. Pena que a escolha dos pneus macios para o terço final da corrida tenha lhe roubado a possibilidade de um pódio.

Outro que surpreendeu positivamente foi Lewis Hamilton. Partindo da 18ª colocação e com o péssimo carro da McLaren, o campeão foi o único das equipes ditas grandes até o ano passado a terminar a prova. O desempenho de Hamilton, porém, deve ser analisado sob a luz das batidas/abandonos de Massa, Kubica, Vettel, Nakajima, Raikkonen, além dos problemas de pneus de Rosberg e da desclassificação de Jarno Trulli que, largando do fim da fila, fez uma corrida valente, mas foi punido por realizar uma ultrapassagem sob bandeira amarela.

Quem, definitivamente, vai deitar a cabeça no travesseiro maravilhado é Sebastian Buemi. O único estreante da temporada conseguiu terminar sua primeira participação na F-1 na zona de pontuação.

O GP Austrália foi, enfim, a corrida dos estreantes!

GP Austrália, após 58 voltas:

1. Jenson Button - Brawn GP - 58 voltas

2. Rubens Barrichello - Brawn GP - a 0s8

3. Lewis Hamilton - McLaren - a 2s9

4. Timo Glock - Toyota - a 4s4

5. Fernando Alonso - Renault - a 4s8

6. Nico Rosberg - Williams - a 5s7

7. Sebastien Buemi - Toro Rosso - a 6s

8. Sebastian Bourdais - Toro Rosso - a 6s2

9. Adrian Sutil - Force India - a 6s3

10. Nick Heidfeld - BMW - a 7s

11. Giancarlo Fisichella - Force India - a 7s3

12. Jarno Trulli – Toyota – punido

13. Mark Webber - Red Bull - a 1 volta

14. Sebastien Vettel - Red Bull - a 2 voltas

15. Robert Kubica - BMW - a 3 voltas

16. Kimi Raikkonen - Ferrari - a 3 voltas (problema mecânico)

17. Felipe Massa - Ferrari - a 13 voltas (batida/problema mecânico)

18. Nelsinho Piquet - Renault - a 34 voltas (escapada)

19. Kazuki Nakajima - Williams - a 41 votas (batida)

20. Heikki Kovalainen - McLaren - a 58 voltas (suspensão)

sábado, 28 de março de 2009

Austrália - Results & Coments [2]

A Identidade Brawn

A primeira classificação da temporada, apenas por ser a primeira, já guarda uma série de particularidades entre os torcedores. Costuma ser a primeira oportunidade efetiva de o torcedor ver os F-1 em ação depois do sempre longo período de “férias” da categoria. É uma sessão em que a ansiedade já é naturalmente maior, e nesse caso não só da parte da torcida, mas também dos pilotos, dos mecânicos, e do circo em geral. Apenas por isso, a primeira sessão classificatória já é especial, além de, claro, ser a primeira chance de apurar a geopolítica do paddock. E nesse quesito, a classificação do GP Austrália mostrou definitivamente que há algo de novo na F-1 2009.

Sei não, mas tenho a impressão de que foi qualquer coisa histórica a classificação dessa madrugada de sábado aqui no Brasil.

No princípio, carta fora do baralho, agora, favorita à vitória. A Brawn exibiu tanta superioridade na primeira classificação de 2009 que chega a soar estranho certificar-se de que a primeira fila é toda dela. Jenson Button, espinafrado até aqui nesse blog, dado como piloto sem motivação e como promessa que não aconteceu, é o pole. Rubens Barrichello, veterano, historicamente ignorado pela torcida de seu país, é o segundo. E os dois botaram um caminhão de tempo na concorrência.

Como primeira demonstração oficial da hierarquia da F-1 para 2009, a classificação do GP Austrália deixou uma infinidade de marcas. A primeira e mais óbvia: a Brawn não era blefe. Os dois carros brancos (agora com patrocínio acertado com o Grupo Virgin, que foi especulado como virtual comprador da equipe em janeiro) fecharam todas (todas!) as etapas do treino classificatório na ponta da tabela. Mais rápidos em todos os setores da pista, Jenson Button e Rubens Barrichello disputaram uma classificação particular entre si. A primeira fila inteiramente brawniana é sinal de a nova regra aerodinâmica criou um efeito de bomba de nêutrons a sacudir a categoria máxima. E todo mundo parece ainda se acostumar a esse favoritismo já declarado, mas que ainda aguardava confirmação.

A conquista da primeira fila no grid australiano é o maior reconhecimento que o trabalho de Ross Brawn poderia conseguir. Desnecessário citar mais uma vez os predicados do engenheiro mais cobiçado da atual F-1. Necessário, talvez, é o questionamento: a Honda resolveu sair cedo demais?

Tivesse ficado na categoria, a montadora poderia estar colhendo agora os louros de ser, finalmente, a favorita às vitórias no primeiro terço do campeonato. Esse, afinal, sempre foi o objetivo jamais alcançado pelos japoneses em sua volta à F-1 nos últimos anos. O símbolo maior da mediocridade da Honda nessa década é sua única vitória com Button num GP Hungria confuso, chuvoso e em que alguns favoritos abandonaram e outros ficaram relegados às posições intermediárias. A saída da montadora em dezembro, no cenário de agravamento da crise mundial, não deixa de ser sinal de que medíocre foi pensar em sair da F-1 ao menor sinal da iminência de um prejuízo. Uma dose de paciência e os executivos de olhos puxados poderiam estar diante de uma possibilidade de sucesso paralela a dos anos dourados da empresa na F-1 há 20 anos.

Enfim, a Brawn é favoritíssima amanhã. Resta apenas saber se o ritmo alucinado demonstrado em todos os treinos será mantido na corrida. Se sim, Button e Barrichello disputarão uma corrida isolada entre os dois. Devem chegar uma semana a frente do resto. E depois de fazer história marcando os dois melhores tempos na primeria classificação de sua vida, a Brawn é séria candidata a vencer seu primeiro grande prêmio com dobradinha.

É o maior tapa de luvas que a Honda poderia levar.
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Que Williams que nada! Sebastian Vettel foi quem mais chegou perto da BGP na classificação. Um louvável terceiro tempo na classificação põe o alemão em ótima condição para as 58 voltas de amanhã. É outra daquelas situações cheias de significado que só Vettel é capaz de produzir: sua antiga equipe, com os tais motores Ferrari que eram apontados como foco da superioridade em 2008, ficou para trás logo no Q1. A própria e toda pomposa Ferrari comeu a poeira de Vettel. O companheiro de equipe também ficou (muito) para trás. Por fim, Vettel leva um carro de motor Renault ao 3º lugar, enquanto os dois pilotos oficiais da montadora, com o carro próprio da montadora, sequer chegaram ao Q3.

Ano de regras novas, mas com as mesmas e boas surpresas de sempre.
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Como de costume, a acompanhar Vettel como grande showman da F-1, lá está Robert Kubica. Quarto lugar para o polonês, que continua a dar um banho em Heidfeld. Muda ano, mudam as regras, e a BMW continua a ter em Kubica seu piloto mais regular e competitivo.
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De onde muito se esperava, veio pouco: a Williams foi, de forma relativa, a decepção da classificação. Depois de fazer os dois melhores tempos nos treinos livres de ontem, a equipe inglesa foi discreta na classificação oficial: 5º lugar para Rosberg, 13º para Nakajima.

De toda forma, é notável o ganho de rendimento da equipe de Grove em relação a 2008.
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Toyota no meio do Top-10, dando a impressão de que não basta um difusor eficiente para garantir lugar na ponta.
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Ferrari no meio do texto? Sim, e com algum esforço para estar aqui. Não é confortável a posição do time italiano: 7º lugar para Massa, 9º para Raikkonen. Rumor da vez: os dois vermelhos ficaram no limite do Q2, em 9º e em 10º, e tiveram que suar o macacão para seguir para a superpole. Novos tempos em Maranello.

Não adiantou trazer o KERS, apesar da aparente contribuição que o dispositivo forneceu aos rossos. Perto do desempenho da Brawn, talvez a alta cúpula da Ferrari já comece a questionar a real eficiência do sistema de recuperação de energia cinética.

Porém, jamais se pode desconsiderar os italianos. Nunca se sabe o coelho que os carcamanos podem tirar da cartola e o KERS ferrarista parece ser bem desenvolvido e se integra bem ao conjunto da F-60. Mas mesmo que não haja cartola nem coelho, a Ferrari não é totalmente desconsiderada. É mais um exemplo da tal força psicológica que um nome carrega consigo e sobre a qual falávamos num outro dia. O cavalinho rampante possui essa tal força, é inegável.

Mas, inevitavelmente, a Ferrari já não é mais aquela favorita de 5 meses atrás. O mundo dá voltas...
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Previsão de acirramento da pressão envolvendo o nome de Nelsinho Piquet na Renault. O brasileiro não passou do Q1, ficando com uma indigesta 17ª posição. Depois de passar 2008 justificando os resultados medíocres, levando 18 x 0 na briga de classificações com Alonso e dando desculpas que as vezes eram piores do que o silêncio, Piquetzinho começa 2009 outra vez explicando as razões de um mau resultado. Nelsão, o pai, estava em Melbourne, talvez ciente de que sua presença é necessária para apaziguar a cobrança sobre o filho.

O carro continua ruim, mas a inevitável comparação com o 12º lugar de Alonso coloca Nelsinho numa fogueira. E não há mais a desculpa de que o garoto é estreante.
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Kovalainen 14º, Hamilton 15º. Escancarada a situação de decadência da McLaren. Hamilton, aliás, sequer foi a pista no Q2, ausência justificada pela equipe em razão de um problema de câmbio. Será isso mesmo, ou o time prateado não quis queimar a imagem da estrela?

Fato é que o número #1 no bico do MP4/24 não torna o carro de Hamilton mais veloz. O que era uma mera suposição na pré-temporada materializa-se como uma dura realidade para a McLaren: a equipe foi a que mais perdeu terreno com a mudança radical das regras.
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Na turma que sempre vai embora mais cedo, além do já citado Piquet, há pelo menos uma novidade: Toro Rosso, acostumada a ir ao Q3 no ano passado, não passou do Q1 hoje em Melbourne.

Enquanto isso, a Force India começa 2009 do mesmo jeito com terminou 2008: fim da fila.
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O difusor que tanto deu o que falar mostrou-se um atributo periférico na classificação. Dos 6 carros que usam a polêmica peça (Brawn, Toyota e Williams) apenas a Brawn real e unicamente brigou pela ponta. Garantia, portanto, de que não apenas uma parte isolada do carro a razão do sucesso da equipe, mas o conjunto como um todo.
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Só pelo que aconteceu hoje, a história já vai se lembrar com carinho desse GP Austrália. Cresce a expectativa a respeito do que se dirá no futuro sobre o dia de amanhã. Estamos diante do fim de uma era e iniciando outra?

As 58 voltas do domingo vão nos responder.

Grid de Largada, GP Austrália 2009:

1°. Jenson Button (Brawn), 1min26s202

2°. Rubens Barrichello (Brawn), 1min26s505

3°. Sebastian Vettel (Red Bull), 1min26s830

4°. Robert Kubica (BMW), 1min26s914

5°. Nico Rosberg (Williams), 1min26s973

6°. Felipe Massa (Ferrari), 1min27s033

7°. Kimi Raikkonen (Ferrari), 1min27s163

8°. Mark Webber (Red Bull), 1min27s246

9°. Nick Heidfeld (BMW) 1min25s504

10°. Fernando Alonso (Renault), 1min25s605

11°. Kazuki Nakajima (Williams), 1min25s607

12°. Heikki Kovalainen (McLaren), 1min25s726

13°. Sébastien Buemi (Toro Rosso), 1min26s503

14°. Nelsinho Piquet (Renault), 1min26s598

15°. Giancarlo Fisichella (Force India), 1min26s677

16°. Adrian Sutil (Force India), 1min26s742

17°. Sébastien Bourdais (Toro Rosso), 1min26s964
18°. Lewis Hamilton (McLaren), sem tempo
19°. Timo Glock (Toyota), punido
20°. Jarno Trulli (Toyota), punido
Atualizado em 28/03/09, às 17:04

quinta-feira, 26 de março de 2009

A mesma praça, outro jardim: Austrália 2008

Em março do ano passado a Fórmula-1 se perguntava: a Ferrari seria imbatível em 2008? A pré-temporada fora muito proveitosa à equipe italiana e Felipe Massa e Kimi Raikkonen, o então campeão, chegavam a Melbourne na condição de favoritos absolutos. Nada como um grande prêmio tumultuado para estragar as previsões de domínio dos comentaristas!

A outra grande novidade daquela corrida de estréia era o fim do controle de tração. A medida humanizou a pilotagem e tirou os pilotos de seu pedestal inalcançável de perfeição. Era preciso aprender a dosar o pé no acelerador e controlar o carro com perfeição nas saídas de curva. Felipe Massa aprenderia a necessidade de um rápido aprendizado de forma um tanto quanto traumática.

Depois de muita expectativa pela F-1 sem controle de tração, o dia 15 de março viu acontecer a primeira classificação sem o dispositivo em anos. A sessão foi marcada por imagens de um Lewis Hamilton escorregando com as quatro e controlando o MP4/23, para delírio dos mais saudosistas. Muita gente apressou-se em dizer que verdadeira F-1 estava de volta.

Logo no Q1 a Ferrari começou a desenhar o caos que lhe era reservado para o domingo: Kimi Raikkonen, o homem que defendia o título, apresentou um problema mecânico e ficou limitado ao 16º lugar no grid. Um mau começo para quem vinha de uma pré-temporada arrasadora.

Ficou, portanto, para Felipe Massa a expectativa de pole position, sobretudo pelo desempenho da Ferrari nos testes de inverno e pelo grande destaque que toda a mídia e os comentaristas davam ao F-2008. Para desespero de quem fez apostas levando em consideração as páginas do jornais, o brasileiro não fez nada melhor do que o 4º tempo. A pole ficava com a McLaren de Lewis Hamilton. Em 2º, uma grande surpresa: Robert Kubica, da BMW, ficara a apenas 0,155s do inglês. Era a demonstração de força da equipe que se mostraria desafiante em 2008.

Kovalainen em 3º e Heidfeld em 5º suscitavam expectativas de que a corrida fosse particularmente disputada entre McLaren e BMW, com a Ferrari de Massa correndo por fora. Mas o domingo australiano faria da abertura da Temporada 2008 uma das mais confusas e divertidas do passado recente.

Logo na primeira volta vários toques fizeram com que 5 carros abandonassem a prova. O toque mais relevante, no entanto, não era o mais grave do ponto de vista do impacto, mas sim da importância de quem se acidentou: Felipe Massa rodou infantilmente na saída da curva 1, batendo de leve na proteção de pneus e vendo todo o pelotão passar por si. Era o começo do inferno-astral da Ferrari na corrida, e de Felipe no campeonato.


Difícil avaliar até em qual ponto a ausência do controle de tração foi a responsável por incidentes como os de Massa e os outros que se viram durante a corrida. É preciso levar em conta que a geração atual é marcada pela divertida rotina de afobamento misturada a falhas um tanto quanto pitorescas, sem falar nas características particulares do circuito de Albert Park, um misto de parque com ruas da própria cidade de Melbourne, onde o asfalto geralmente fica repleto de detritos que dificultam a pilotagem fora do “trilho.” Além disso tudo, o muro está sempre a uma distância relativamente próxima.

A verdade é que pelas as circunstâncias da corrida, a primeira da F-1 sem o controle de tração em anos, tudo foi interpretado como festa e louvou-se o banimento do CT como o motivo das seqüências de quebras e batidas. A comemoração em torno da saída do dispositivo não era totalmente injustificada, porém, era exagerada. As corridas subseqüentes, como o chatíssimo GP Malásia provariam que apenas a ausência de um aparelho eletrônico era muito pouco para fazer da F-1 o show que os organizadores desejavam (e ainda desejam).

A corrida seguiu, com os dois ferraristas a vir do final do pelotão, tentando desesperadamente avançar. E em suas tentativas de ultrapassagem, Raikkonen e Massa não hesitaram em exagerar e levar suas disputas às últimas conseqüências. Resultados: duas saídas de pistas para Raikkonen; um enrosco de Massa com Coulthard que resultou em fim de corrida para o escocês, com a suspensão quebrada. A manobra discutível de Massa, que tentou dividir a curva mesmo estando com mais de meio carro atrás da RBR, gerou palavras duras da parte de David: “eu olho para frente, não para trás. Ele tinha melhor visão do que iria acontecer. Ele está disputando o mundial, eu não.”
Para completar o fim de semana de pesadelo de Massa, seu F-2008 não completou a prova, confirmando o péssimo início de ano do brasileiro.

Voltas depois, um susto: a Toyota do estreante Timo Glock saiu da pista, atingiu um desnível na grama e levantou vôo como um avião. O carro voltou a pista semi-destruído, provocando imagens plasticamente bonitas para quem gosta de batidas. Glock saiu do que restou de sua Toyota ileso.


Enquanto isso, Lewis Hamilton seguiu intocável, a despeito das seguidas entradas do Safety Car. Correu sozinho, como se não existissem adversários.

Quase no final da corrida, o impensável acontece com a Ferrari: a favoritíssima equipe vê Kimi Raikkonen abandonar a prova a 6 voltas do fim, porém, classificado em 8ª, devido às várias quebras que reduziram o número de carros a chegar ao final a apenas 7.De toda forma, foi um duro golpe no cavalinho rampante. Dois motores quebrados na primeira corrida do ano, prévia do campeonato complicado que seria vivido pelo tiffosi.

A grande surpresa do final da corrida era a presença de Rubens Barrichello entre os pontuáveis. Beneficiado com a hecatombe que dizimou mais da metade dos carros ao longo da corrida, o brasileiro caminhava para um pódio. No entanto, a entrada nos boxes com as luzes vermelhas acionadas levou o brasileiro a ser desclassificado após o fim da corrida.

Ao final das 58 voltas, Lewis Hamilton venceu com autoridade, seguido por Heidfeld e Rosberg (este último dando a falsa impressão de um bom ano para a Williams), num pódio incomum. Seria, na verdade, uma dobradinha da McLaren, não fosse a azarada entrada do Safety Car justamente às vésperas do reabastecimento de Kovalainen, que foi obrigado a esperar o pit lane se abrir. Mesmo assim, chocolate de Ron Dennis: a McLaren foi a única equipe a terminar a corrida com os dois carros intactos.
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Pequeno resumo da corrida:


terça-feira, 24 de março de 2009

Pré-2009: As Grandes Damas

Conceitos e rivalidades são próprios do esporte, especialmente os de massa, que possuem longo alcance no mundo inteiro. A idéia que o pensamento coletivo forma sobre determinada agremiação ou desportista e a rivalidade criada através dos anos pelas disputas históricas são das coisas mais saborosas para se apreciar numa competição. Na F-1, conceitos sobre pilotos são altamente mutáveis. Tanto que diz-se que “um cara é tão bom quanto sua performance na última corrida.” Já entre as equipes, as rivalidades atravessam décadas, e quem é considerada “grande” precisa de um tempo para deixar de figurar entre as favoritas.

O histórico da F-1 construiu e demoliu ícones através das décadas, pela própria dinâmica que a política da categoria adquiriu. Equipes subiram, conheceram a glória, mas não conseguiram fôlego para resistir. Lotus, Tyrrel, Brabham e tantas outras são lembranças do passado da F-1. No grid atual apenas Ferrari, Williams e McLaren ostentam um histórico que lhes possibilite o rótulo de “equipes tradicionais”, apesar de a Williams há muito tempo não figurar entre as equipes favoritas.

As duas grandes damas, no final das contas, são Ferrari e McLaren. São as duas únicas que atravessaram décadas e enfrentaram períodos de jejum consideráveis, mas se mantiveram firmes a ponto de ainda serem competitivas. Não é por coincidência que exista entre esses dois times a maior rivalidade da F-1 atual. Eles lideram a maioria das estatísticas dos times e protagonizaram, nos últimos dois anos, disputas interessantíssimas pelo título. O acirramento da rivalidade ocorreu em 2007, com o célebre caso de espionagem pelo qual a McLaren foi considerada culpada. Depois disso, no entanto, a rivalidade entre os dois times parece ter encontrado uma fase mais madura.

Nesses dois anos, as duas equipes se confirmaram como as dominadoras, mesmo com o eventual avanço de uma BMW ou uma Renault correndo por fora. A prova da força psicológica de McLaren e Ferrari é tal que, mesmo não sendo as mais rápidas nos testes, as equipes titãs não são desconsideradas, o que é uma verdadeira surpresa, sobretudo, no caso da McLaren, que realmente andou mal nos testes de inverno. Seus pilotos também se mostraram mais fortes e amadurecidos a cada ano, exceto, logicamente, no caso de Heikki Kovalainen. Depois de serem as atrizes principais de dois campeonatos divertidos e levemente atrapalhados, Ferrari e McLaren terão em 2009 o ano das conclusões sobre o real valor de cada uma.

Quando se fala em Ferrari, há consenso: a equipe italiana possui a dupla mais forte do grid. Os dois pilotos de Maranello protagonizaram, cada um, uma disputa de título nos últimos dois mundiais. Apenas Kimi Raikkonen sagrou-se campeão. Desvantagem para Felipe Massa? Nem sempre. Há derrotas que seguramente podem ser mais redentoras do que êxitos e é essa noção de pesos e medidas diferentes que deixa Felipe em patamar de igualdade perante Kimi. Se Raikkonen tem a seu favor um título, Massa apresenta a imagem de um piloto dedicado, comprometido com a equipe, ciente do espírito coletivo que tanto agrada aos italianos. O maior veículo de propaganda de Massa como homem de equipe é seu próprio currículo: abriu mão da vitória em Interlagos em 2007 pensando no time, e tornou-se, portanto, fundamental na conquista de Raikkonen; ressurgiu das cinzas em 2008, depois de sofrer com a pressão pelos abandonos nas duas primeiras provas e mostrou força mental suficiente para passar de zebra a favorito. A guinada de Massa lhe proporcionou uma incrível ascensão na bolsa de apostas da F-1. Seu nome hoje é tão cotado quanto o de Lewis Hamilton, o atual campeão, e boa parte do reconhecimento de Felipe se deve à sua postura em 2008, ocasião em que o brasileiro não desistiu de acreditar no título em nenhum momento, mesmo contra todas as possibilidades.

O nome de Massa não é mais questionado dentro de Maranello e goza de um status extremamente alto no interior da fábrica das rossas.

Já Kimi Raikkonen terá seu ano decisivo. 2009 é o ano do vestibular do finlandês e, nessa prova, não parece haver suplência. Raikkonen já queimou suas balls com o fraco desempenho em 2008. Poucas vezes viu-se um campeão em exercício tão apático. Kimi já admitiu o apagão e parece se esforçar para melhorar seu desempenho. Parou de beber e perdeu peso, dando sinais de maior comprometimento com o trabalho. Mas isso é pouco para um piloto da Ferrari.

Por carregar consigo a identidade de um país, a equipe italiana é seguida como uma religião entre os habitantes da península itálica. Há pressão por todos os lados. Implacável e sufocante pressão movida pela torcida e alimentada pela imprensa, sempre disposta a se precipitar e cobrar mais empenho dos pilotos ao menor sinal de desinteresse. Nesse ponto a personalidade de Raikkonen já é uma bola fora. O nórdico já declarou não ter paciência para as obrigações comerciais, que no caso da Ferrari, equipe mais visada do grid, são rotineiras. Raikkonen é calado e não gosta de entrevistas. Curte badalação, mas não a do tapete vermelho, reservada às grandes estrelas, e sim a das boates regadas a bebedeiras e loiras vertiginosas. Seu comportamento é, muitas vezes, visto pelo expansivo torcedor italiano como negligente e desinteressado. Pilotos assim não costumam durar na mais rubra das equipes, mas a permanência de Raikkonen e a renovação de seu contrato até 2010 indicam que a cúpula da Ferrari confia no talento de Kimi, mesmo tendo a nítida noção de que o campeão de 2007 é um piloto que flutua rapidamente entre bons e maus momentos.

Enquanto equipe, a Ferrari também tem muito o que provar em 2009. É consensual a idéia de que quem derrotou Felipe Massa no ano passado não foi apenas Hamilton, mas também, e em grande proporção, a equipe do brasileiro. Erros motivados pela falta de liderança conseguiram fazer com que a equipe perdesse toda a vantagem que o F-2008 apresentou no início do ano. A Ferrari tinha o melhor carro do grid, mas sucumbiu à própria desorganização. Os italianos precisam provar que conseguem manter o mesmo nível de profissionalismo e confiabilidade dos anos Schumacher, mesmo sem o alemão por perto.

A McLaren começa o ano com o piloto campeão. Lewis Hamilton finalmente chegou lá, apesar de não feito em 2008 um ano tão bom quanto em 2007. Lewis se mostrou tão atrapalhado como em sua temporada de estréia, apesar do enorme e indiscutível talento. O inglês ainda precisa de polimento, especialmente na hora de disputar posições. Nessas horas fica explícito o afobamento do campeão e as manobras decididas no calor da emoção acabam descambando para as odiosas punições (nesses casos, em particular, há também de se lembrar da atual tendência de assepsia que rege a mente do comissários de pista e os leva a punir com rigor excessivo). Hamilton também sofre com a célebre falta de estrutura e de força mental que ficaram conhecidas no final da temporada 2007.

No entanto seu nome não encontra barreiras dentro da McLaren. Apadrinhado pelo chefão Ron Dennis, Hamilton é prioridade total na equipe de Woking. O inglês que já provou ser bom em acelerar as baratas motorizadas, parece ter uma atividade extra em 2009: desenvolver um carro que dá sinais de não ter nascido no melhor berço. O MP4/24 que a McLaren usará em 2009 causou má impressão na pré-temporada, apresentando problemas e relegando a equipe aos últimos lugares na lista de tempos. É a hora de ver se o menino Lewis evoluiu a ponto de ser considerado um piloto com razoável conhecimento técnico para melhorar um modelo durante o ano.

Mesmo não começando o ano como favorita, como até já foi admitido por Nobert Haug, integrante ao alto escalão do time, a McLaren jamais pode ser desconsiderada. O know-how da equipe é relevante graças à experiência de seu corpo técnico. É time para crescer durante a temporada, especialmente depois do que foi apresentado em 2008: a McLaren esteve impecável, oferecendo, quase sempre, estratégias e trabalhos de boxes infalíveis a seus pilotos. Enquanto equipe, parece ser a melhor do paddock. É a hora de confirmar de vez a qualidade e a capacidade de reação de seu elenco.

E a equipe de Woking ainda conta com uma tremenda vantagem perante a maior rival: a dupla de pilotos da McLaren é claramente díspar. Hamilton, além de ser melhor piloto do que Kovalainen, não sofre com um companheiro birrento e/ou carente de atenção. Kovalainen parece saber muito bem o seu lugar e o seu papel em Woking. É, talvez a maior vantagem da equipe. Enquanto Massa e Raikkonen dividem as atenções e travam uma espécie de guerra fria pela preferência da equipe, Hamilton já começa o ano com as atenções voltadas para si. É o sonho de todo piloto.

As grandes damas vão começar a duelar. Alguém arrisca uma aposta?

quinta-feira, 19 de março de 2009

Passaram em Branco

Só para anotar, duas notinhas passaram em branco nos últimos dias:

- Jean Todt desligou-se definitivamente da Ferrari. Presente na equipe de Maranello desde 1993, o francês foi um dos responsáveis pela reestruturação da equipe nos anos 90/2000. Como diretor-esportivo da escuderia italiana, Todt elevou o nível de profissionalismo da equipe rossa, profissionalismo que culminaria na acachapante rotina de títulos da equipe na última década.

De 1993 a 2007 Todt ocupou a cadeira da direção-esportiva da Ferrari. Desde então dedicou-se a expedientes internos dentro da empresa. No início dessa semana, afastou-se definitivamente da fábrica italiana, encerrando uma das passagens mais brilhantes e memoráveis da equipe.

De Olho no Videokê: Deixe a Menina, Ecclestone

- Na semana passada foi divulgada a separação formal entre Bernie Ecclestone e Slavica, a croata com traços de modelo com a qual o dirigente da F-1 foi casado durante 24 anos.

Do casamento entre Bernie e Slavica restam duas filhas. O divórcio deve ser conhecido como a mãe de todas de divisões de bens, tendo em vista a colossal fortuna de Ecclestone. Slavica foi a autora do pedido, alegando que o comportamento de Bernie era excessivamente peculiar e impedia a boa convivência entre os dois enquanto cônjuges.

Entendam “comportamento excessivamente peculiar” da forma que quiserem. A mim, parece apenas uma coisa: uma mulher deste tamanho é grande demais para ser guardada a sete chaves. Slavica, possivelmente, quer outros horizontes e um casamento com um homem da estatura (e da idade) de Ecclestone certamente não lhe proporciona essa nova “visão”, se é que me entendem. Afinal, um senhor nessa altura da vida já não deve proporcionar a Slavica a slavicada que ela merece e deseja.

Uma dica para o tio Bernie: deixe a menina, caro senhor.




"deixe a morena contente, deixe a menina sambar em paz..."

sábado, 7 de março de 2009

Semana Taciturna

Na correria da semana acabou passando em branco, mas Jerez de La Fronteira foi palco de testes coletivos durante 5 dias.

Os testes, no entanto, não atenderam à grande expectativa de mostrar o posicionamento das equipes na escala do favoritismo. Foi uma semana taciturna.

Taciturna?

Sim, está no dicionário: taciturno (adj): calado, silencioso;

A semana disse pouco, mas teve algumas suspresas. A Toyota surpreendeu ao liderar as sessões com Glock, mas tudo logo virava decepção quando Trulli pilotava o bólido. A Ferrari não fechou sequer um dia na liderança, mas sempre esteve perto da ponta. A McLaren não impressionou e deixou no ar um cheiro de falta de confiabilidade em seu MP4/24. Mas continua muito cedo para qualquer conclusão.

E será cedo até o fim do GP Austrália no dia 29. Será cedo porque as mudanças no regulamento retiraram qualquer referencial para avaliar o desempenho dos carros. E testes de pré-temporada costumam ser, nas palavras de Nick Heidfeld, “jogos de adivinhação.”

Pitacos espanhóis:

- Números de Jerez: a Toyota foi a equipe que liderou por mais vezes os dias na pista espanhola: foram dois dias de domínio com Timo Glock colocando mais de 0,3s sobre a Ferrari;

- Os outros pilotos a liderar a tabela de tempos foram Nick Heidfeld, Fernando Alonso e Sebastian Vettel. O alemão da RBR, inclusive, causou certa comoção ao superar Felipe Massa por 1,275s no primeiro dia de atividades;

- A melhor posição da McLaren foi um 3º lugar de Hamilton na quinta-feira. O MP4/24 começa a levantar desconfiança. A equipe de Woking voltou a usar a asa traseira de 2008 e fala-se em dificuldades aerodinâmicas para o time. Na quinta-feira Hamilton ficou parado na pista, fato justificado pela equipe como pane seca intencional num teste do pescador de gasolina. Ainda na quinta-feira Hamilton rodou e bateu, culpa de uma “rajada de vento”, informou a McLaren em nota;

- A Renault foi a equipe mais instável da semana. Nelsinho Piquet fechou os dois primeiros em último. Na terça-feira, quando Fernando Alonso comandou o carro, sensível melhora e 3º melhor tempo. A RBR também seguiu a moda dia-sim-dia-não. Enquanto Vettel pilotava, resultados respeitáveis. Quando Webber estava a guiar, fim de “grid” para os energéticos;

- Sim, o menino já começou a apavorar o australiano;

- A BMW não andou mal, esteve no pelotão intermediário na maior parte do tempo e chegou a liderar um dia, o último;

- Tudo isso, porém, significa pouco. Ninguém dominou a tabela com autoridade de favorito. É repetitivo, mas é fato: só Melbourne começará a dissipar a nebulosidade que ronda a F-1 nessa pré-temporada.

quinta-feira, 5 de março de 2009

O Melhor e o Pior de... Gerhard Berger

Em nova crise de monotonia proporcionada pela chatíssima pré-temporada, o De Olho na F-1 retorna a seu momento eleitoral. O escolhido da vez: o austríaco Gerhard Berger.

“Um piloto simpático” é o que se costuma dizer de Berger. Mas ele é mais do que isso. Está, é bem verdade, na galeria das promessas não cumpridas da F-1. Piloto de inegável talento, talvez tenha dado o azar de ser contemporâneo a Prost, Senna, Mansell e Piquet. Quando os 4 grandes se retiraram, Berger já não era moço o suficiente para se fazer notar entre jovens como Hill, Villeneuve e Schumacher.

Gerhard Berger é mais do que apenas um piloto simpático. Com 210 largadas, está entre os 10 pilotos com mais corridas disputadas na categoria máxima. Acumula passagens pela McLaren de ouro dos anos 80/90 e pela problemática Ferrari do mesmo período. Apesar das passagens por times tradicionais, seu número de vitórias é modesto: são 10, entre triunfos na Ferrari, McLaren e Benetton. Nessa última protagonizou uma curiosa coincidência: venceu a primeira corrida de sua carreira de do time, no México, em 1986, e também na Benetton subiu ao lugar mais alto do pódio pela última vez, em 1997 na Alemanha, naquela que foi a última vitória da equipe antes de ser vendida para a Renault em 2002.

Razões para explicar o magro número de êxitos de Berger são simples: carro de ponta mesmo, o austríaco só pilotou em uma equipe: a McLaren. E só durante dois anos (1990-1991). Nesse período dividiu espaço com Senna, semi-Deus na equipe chefiada por Ron Dennis. Em 1992 o austríaco até ganhou duas corridas (Canadá e Austrália, a última foi em sua despedida da McLaren), mas não fez nem cócegas às Williams do outro mundo que deram a Mansell seu único mundial.

Berger é célebre por ultrapassar a barreira do coleguismo e tornar-se amigo pessoal de Ayrton Senna, coisa raríssima já que o tricampeão, com sua gana extremada pela vitória, seu espírito competitivo afiado e sua desconfiança espinhosa, colecionou desafetos na F-1. Berger foi exceção. De 1990 a 1992, quando foi parceiro de Ayrton na McLaren, o austríaco viu-se como um dos poucos homens em que Senna confiava no circo da F-1. Continuaram com o bom relacionamento mesmo depois que Gerhard partiu para sua segunda jornada em Maranello, e se falavam regularmente até o fim da vida do brasileiro.

Berger foi um bom piloto. Tanto assim que encontrei dificuldades em encontrar maus momentos em sua carreira (ou seria minha simpatia pelo Gerhard que me cegou?) e precisei apelar para situações aparentemente corriqueiras.

Berger é, enfim, um homem que merece ser chamado de honesto (ou nem tanto, como descobriremos na segunda opção de votação dessa enquete).

O Melhor

Redenção Rossa

O ano de 1988, em se tratando de revezamento na lista de vencedores, foi tedioso. O MP4/4 da McLaren deu a Ayrton Senna e Alain Prost uma superioridade indisputada. Somente uma das 16 corridas daquele ano não foi vencida pelos pilotos de Ron Dennis. E havia de ser justamente o Grande Prêmio da Itália. E havia de ser com dobradinha da Ferrari. E havia de ser em circunstâncias dramáticas.

Aquela era a primeira corrida em solo italiano que não contaria com a folclórica figura de Enzo Ferrari. O Comendador falecera pouco tempo antes e os tiffosi sentiam-se órfãos da entidade que forneceu ares de mito ao corcel negro. Com sua mística personalista, Enzo parece ter calculado a comoção que aconteceria naquele 11 de setembro nada sombrio para os fanáticos ferraristas.

A primeira fila da classificação era previsivelmente branca e vermelha. Atrás, estavam os bólidos rossos. Na largada, Senna pula na frente, e passa a imprimir o inalcançável ritmo que só a McLaren era capaz de apresentar. Prost o seguia, mas com claros sinais de problemas mecânicos, não resistiu a Berger. O francês abandonou, deixando Senna seguir como favorito a mais um êxito. Mas eis que o destino sorri para a Ferrari!

Liderando com folga, Senna caminhava para uma importante vitória quando, na última volta, encontra um retardatário. O brasileiro tentou resolver a ultrapassagem sobre a Williams sem muita negociação e... pimba! Um enrosco bobo e evitável retira Ayrton da prova e abre caminho para um redentora dobradinha da Ferrari. Um dia de sonho no meio do pesadelo de (àquela altura) não vencer um mundial desde 1983, ano em que a Ferrari fora vencedora do campeonato de construtores pela última vez até então.



“Ora ora” – me indaga o leitor – “Berger apenas herdou as posições das McLaren, por que tanto destaque?” Simplesmente porque vencer em Monza é especial apenas por isso. Pilotando uma Ferrari então...

O Falso Espetáculo Australiano

O episódio é, no mínimo, curioso, mas muito divertido. Reza a lenda que a Ferrari desistira de qualquer esperança de bom desempenho naquela corrida. O motor consumia muito e a scuderia não tinha condições de pensar nem pódio. Então os italianos decidiram fazer das ruas de Adelaide um palco para um show realizado com playback.

A idéia folclórica era apenas correr leve, correr pela simples vontade de dar show, e não completar a corrida. Já que não havia chance de um resultado significativo, os carros de equipe italiana foram à pista apenas para impressionar, e nada mais. Era uma forma divertida de terminar mais um ano ruim para o time italiano.

E lá foi Berger. Sem grandes dificuldades, se aproximou e ultrapassou Senna. Seguiu com desconcertante facilidade à caça de Prost e também o deixou para trás. Uma façanha! Pouco depois, sabendo que não tinha a mínima chance de levar o carro adiante, já que combustível escasseava no tanque, Berger colidiu propositadamente em René Arnoux. Era uma forma “digna” de terminar a corrida sem levantar suspeitas a respeito da total falta de competitividade dos carros vermelhos.



Um falso show, mas com diversão garantida.

Pela Última Vez

Hockenheim 1997, Grande Prêmio da Alemanha. Seria a última vitória de Gerhard Berger na Fórmula-1 e a última da Benetton.

O austríaco conhecia bem as enormes retas da pista germânica. Vencera lá em 1994, inclusive. Berger estava disposto a dar um show em sua derradeira corrida em seu gp quase doméstico. Dono da pole position, o piloto da Benetton dominou o grid na largada. Mas pairavam dúvidas sobre a real performance da equipe na corrida. Conseguiria Berger resistir aos carros de ponta?

A verdade é que o austríaco sequer chegou a ser incomodado pelos carros top. Não houve Schumacher nem Hakkinen que fosse capaz de frear Gerhard Berger naquela tarde.

Aproveitando-se da arriscada, porém eficiente estratégia de duas paradas, Berger voou nas retas da antiga pista alemã. Não encontrou adversários em seu nível e quando alguém cismava de entrar em seu caminho, Berger fazia questão de despachar o quanto antes. Foi assim com Hakkinen, logo que Gerhard voltou dos boxes. Foi assim posteriormente com Fisichella, outro que demonstrou grande talento naquela tarde, mesmo que não tenha completado a corrida.



Pilotagem de perícia, de garra e de talento. Digna de ser a última vitória de Gerhard Berger.

O Pior

Circo em Ímola

Tarde chuvosa em Ímola, pista molhada, e um mico de dois importantes pilotos do grid em 1991.

Ainda durante a volta de aquecimento, Prost com a Ferrari e Berger com a McLaren tornam-se figuras principais de episódios vexatórios. Os dois perdem o controle de seus carros na pista molhada e rodam. Até seria aceitável durante a pressão de uma corrida, mas o fato torna-se circense por ser na volta de apresentação.

Gerhard ainda consegue voltar para a pista, Mas Prost...




Estourando em Estoril

Grande Prêmio de Portugal de 1993, Berger outra vez na Ferrari.

Na saída do pit stop do austríaco a Ferrari inexplicavelmente atravessa a pista, cruza perigosamente entre outros carros na reta principal e colide com o muro, arrebentando com o carro. Fim de corrida para Berger e metáfora da situação da outrora imponente marca do cavalinho: caos total e absoluto, com direito a nenhuma vitória naquele ano.




Exagero no Principado

Na véspera daquela que seria uma das corridas mais estranhas da história, com apenas 4 carros cruzando a linha de chegada, um Berger exagerado rodou em plena classificação.

Faltavam poucos segundos para o fim daquele treino em Monte Carlo. Berger e Schumacher próximos, o austríaco sente-se mais rápido do que o alemão e tenta ultrapassá-lo para não perder tempo em sua última volta rápida e... vê o mundo ao contrário, na saída do túnel. Por sorte o Benetton não atinge guard-rail e muros, fazendo com que o incidente termine sem grandes conseqüências.




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