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quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Mais do mesmo: há um algo a mais na vitória de Alonso

Durante o dia de domingo, visitei todos os blogs aí ao lado, como de costume. E alguns deles chamavam a atenção para a vitória de Alonso, com a mediana (para não dizer medíocre) Renault. Percebi que eu não havia dado o mesmo destaque ao êxito do espanhol. E é hora de corrigir o pequeno deslize.

Porque no último domingo, Alonso venceu com todos os rivais das equipes grandes na pista. Não houve Safety Car nem chuva nem nada que promovesse alguma bagunça nas posições. Os peixes-grandes simplesmente largaram mal, e isso faz parte do jogo. Alonso não tinha nada com os problemas depressivos de Hamilton, com fortes traços de garoto problemático e suicida, nem com os de Massa, igualmente confuso, com tendências homicidas. Alonso passou limpo na largada e seguiu sua vida.

Foi no ato contínuo que se desenrolou a partir daí que o espanhol mostrou porque é bicampeão. Seu carro, como ele mesmo já fez questão de deixar público, não é o melhor (nem de longe) do grid. Pelo histórico desse ano, a própria BMW de Kubica, que seguia no seu encalço, era um oponente temeroso. Mas Alonso andou como um alucinado lá na frente, contornou as possíveis desvantagens técnicas de seu carro e venceu. Imediatamente atrás do asturiano estavam uma BMW (Kubica) e uma Ferrari (Raikkonen)! Fernando não deu chances a ambos.

Uma vitória como essa separa o joio do trigo e deixa algumas coisas claras: Alonso pode, sem sombra de dúvidas, ser apontado como o melhor piloto da atualidade. Isso é subjetivo, vai muito do gosto de cada um, mas o bicampeão pode e deve figurar nessa categoria. Até mesmo em níveis um pouco mais ambiciosos. Alonso é, na minha opinião (e isso pode e deve ser debatido, com bons argumentos), o segundo melhor piloto da década. Está atrás somente daquele cara do queixão, que é, obviamente, o bambambam dos anos 2000, um dos grandes nomes da história.

Outra coisa curiosa, levantada pelo meu xará Fábio Campos, do excelente Grid GP, é que Alonso está com a mesma quantidade de vitórias de Kimi Raikkonen. A um primeiro oilhar, nada demais, são dois pilotos de sucesso e campeões mundiais. Há, porém, uma diferença gritante: Raikkonen está no melhor carro do grid (junto com a McLaren, claro), enquanto Alonso está num bólido que figura entre as equipes médias. Como disse o próprio Campos “piloto que é bom mesmo consegue, de uma maneira ou de outra, aparecer bem.”


Esse é Fernando Alonso. Pode-se não gostar dele e de seu jeito marrento e reclamão, mas não admitir sua qualidade é um quase que um crime.

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Japão - Memories

Uma grande exibição em Senna

Edição 1988 do GP Japão, em Suzuka.



Talvez essa seja a memória mais fácil com a qual me deparei nesses meses de atividade bloguística. Mas eu não poderia deixar passar em branco o aniversário de 20 anos do primeiro título de Ayrton Senna, conquistado no GP Japão de 1988.

Na verdade o debut de Senna no hall dos campeões ainda não completou duas décadas. O aniversário do primeiro campeonato de Ayrton é dia 30. Mas a seção Memories oferece as felicitações antecipadas.

Talvez eu nem precise escrever nada sobre o vídeo acima. Ele tem vida própria, quase fala sozinho. Além disso, essa corrida é uma das mais documentadas da história da F-1. Foi um ano de domínio absoluto da McLaren em que o então bicampeão Alain Prost travou um duelo em alto nível com Ayrton Senna, um dos grandes campeões sem coroa da década de 80, até aquele momento.

Os dois chegaram ao Japão, penúltima etapa daquele campeonato, para uma corrida decisiva. No qualifying dá Senna em 1º e Prost em 2º, providencial vantagem para o brasileiro na briga pelo título. Mas na largada o McLaren de Ayrton morre, “dá uma engasgada”, usando um termo nada técnico. O brasileiro perde inúmeras posições e vai pro meio do bolo. Na 11ª das 51 voltas da corrida, Senna era o 3º colocado. No giro de número 27, Prost é ultrapassado por Senna, que assume a liderança da prova para não mais perdê-la.

Muita coisa contribuiu para o show de Senna naquele GP Japão. No meio da prova um sereno manhoso caiu e cobriu o asfalto de Suzuka com um fina “capa” escorregadia, que vitimou alguns mais afoitos. Nessas condições Senna pilotava como ninguém e Prost, naquele que se tornou um de seus defeitos mais célebres, não guiava com tanta destreza. O francês ainda sofria com um problema de câmbio que complicava sua pilotagem e tornava difícil até mesmo a simples tarefa de impedir o avanço da March de Ivan Capelli. Senna, que não tinha nada com os problemas de Alain, aproveitou as chances, recuperou o terreno perdido na largada e venceu o GP Japão.

Com a regra do descarte de pontos, Senna terminava o ano com 90, Prost com 87. Ayrton era campeão mundial de 1988!

Uma das mais marcantes exibições de talento de Ayrton (e olhe que foram muitas). Começava a ser construído um dos maiores mitos da história do esporte a motor, não só a nível de Brasil, mas também a nível mundial.

domingo, 12 de outubro de 2008

Tabela 2008, após 16 etapas

GP Japão, após 67 voltas:


01
Fernando Alonso
Renault
01h30m21s892

02
Robert Kubica
Bmw Sauber
+00m05s283

03
Kimi Raikkonen
Ferrari
+00m06s400

04
Nelsinho Piquet
Renault
+00m20s570

05
Jarno Trulli
Toyota
+00m23s767

06
Sebastian Vettel
Toro Rosso
+00m39s207

07
Felipe Massa
Ferrari
+00m46s158

08
Mark Webber
Red Bull
+00m50s811

09
Nick Heidfeld
Bmw Sauber
+00m54s120

10
Sebastien Bourdais
Toro Rosso
punido

11
Nico Rosberg
Williams
+01m02s096

12
Lewis Hamilton
Mclaren-Mercedes
+01m18s900

13
Rubens Barrichello
Honda
+1 volta

14
Jenson Button
Honda
+1 volta

15
Kazuki Nakajima
Williams
+1 volta

16
Giancarlo Fisichella
Force India
+46 voltas

17
Heikki Kovalainen
Mclaren-Mercedes
+51 voltas

18
Adrian Sutil
Force India
+59 voltas

19
Timo Glock
Toyota
+61 voltas

20
David Coulthard
Red Bull
+67 voltas

Classificação Geral de Pilotos, após 16 etapas:


01 - Lewis Hamilton (McLaren) - 84
02 - Felipe Massa (Ferrari) - 79
03 - Robert Kubica (BMW) - 72
04 - Kimi Raikkonen (Ferrari) - 63
05 - Nick Heidfeld (BMW) - 56
06 - Heikki Kovalainen (McLaren) - 51
07 - Fernando Alonso (Renault) - 48
08 - Sebastian Vettel (STR) - 30
09 - Jarno Trulli (Toyota) - 30
10 - Mark Webber (RBR) - 21
11 - Timo Glock (Toyota) - 20
12 - Nelsinho Piquet (Renault) -18
13 - Nico Rosberg (Williams) - 17
14 - Rubens Barrichello (Honda) - 11
15 - Kazuki Nakajima (Williams) - 9
16 - David Coulthard (RBR) - 8
17 - Sebastien Bourdais (STR) - 4
18 - Jenson Button (Honda) - 3
19 - Giancarlo Fisichella (Force India) - 0
20 - Adrian Sutil (Force India) - 0
21 - Takuma Sato (Super Aguri) - 0
22 - Anthony Davidson (Super Aguri) - 0

Classificação Geral de Equipes, após 16 etapas:


01 - Ferrari - 142
02 - Mclaren-Mercedes - 135
03 - Bmw Sauber - 128
04 - Renault - 66
05 - Toyota - 50
06 - Toro Rosso - 34
07 - Red Bull - 29
08 - Williams - 26
09 - Honda - 14
10 - Force India - 0
11 - Super Aguri - 0

Sessão-Coruja/Japão - Results & Coments [5]

A cereja do bolo

Quando se pensa que os comissários já fizeram toda a lambança (minha vontade é usar um outro termo, mas prezo pelo respeito aos meus poucos leitores), descobrimos que ainda falta o grand finale: Bourdais foi considerado culpado pelo insignificante incidente envolvendo ele e Felipe Massa na volta 50 do GP Japão. Mais 25 segundos no tempo de chegada do francês que cai da 6ª para a 10ª posição no resultado final.

Melhor para Massa, que ascende à 7ª colocação e diminui a diferença para Hamilton. Se era de 6, agora é de 5 pontos, restando duas corridas.

Fico com a impressão de que estão tentando empurrar a decisão para o GP Brasil a todo custo...

*Também não sei porque o blogger está uma hora a frente do horário real. Já chequei minha configurações e vi que estou no fuso "GMT-03h00-São Paulo". Algum bug deve ser o responsável pelo erro.

Sessão-Coruja/Japão - Results & Coments [4]

Ensaio sobre a cegueira

Se o ano de 2008 tiver que deixar uma marca na história da F-1, ela será a surpresa. Essa palavra de 8 letras é a mais repetida do ano até aqui. Corridas que mudam de cara logo no início, favoritos que caem, zebras que vencem e uma teimosa indefinição têm feito desse mundial um dos mais divertidos para se assistir.

Os líderes do campeonato deram um show, uma aula sobre o que não deve ser feito por quem deseja ser campeão. A largada foi o momento em que se viu isso com clareza para Hamilton. O inglês, que passou a semana dizendo que pilotaria pelo título, descumpriu sua promessa de pensar no campeonato. Não tolerou a boa partida de Raikkonen e quis reaver a posição na marra, no fim da reta. Bloqueou Kimi (atitude que lhe renderia um drive-through) e perdeu muitas posições, tudo isso sem a mínima necessidade. Hamilton podia muito bem negociar a ultrapassagem com Kimi numa boa, afinal era (e ainda é) líder do campeonato com boa vantagem e tinha o principal rival numa distante 5ª posição. Mas o inglês insiste em ser arrojado além da conta e em confiar demais em si mesmo. Bom, porque ele não desiste nunca e nos brinda com grandes lances? Pode ser, mas a coisa mais emocionante que Hamilton conseguiu protagonizar hoje foi a rodada, fruto da disputa de posição com Massa nas primeiras voltas.

Em resumo: a largada deixou a impressão de que todo mundo quis cruzar a primeira curva passando pelo mesmo lugar. E não é preciso ser nenhum gênio da física para supor que dois ou mais corpos não podem ocupar a mesma posição no mesmo espaço. A partida confusa resultou em perdas de posições, especialmente para Hamilton e Massa. Em determinado momento do começo da prova (que foi de tirar o fôlego, é bom que se diga) o brasileiro superou o britânico e aí se viu o grande prejuízo que foi a largada kamikaze do piloto da McLaren. Na sempre impetuosa gana por ganhar posições, Hamilton partiu pra cima de Massa na chicane e aí se desenhou o lance mais polêmico da corrida.

Massa tentou defender a posição, retardou a freada e perdeu o ponto de tangência da primeira perna do “S”. Hamilton contornou a curva por dentro, mas ficaria por fora na curva seguinte. Massa, que tentava corrigir o erro, colocou duas rodas de sua Ferrari na grama em “embicou” o F-2008 pra cima de Hamilton, que já tinha mais de meio carro de vantagem. Não deu outra: os dois se tocaram, Hamilton rodou, Massa seguiu e parecia que, naquele momento, o brasileiro conseguiria diminuir a desvantagem na tabela do mundial.


Mas na F-1 de hoje lances como esse são logo motivo de investigação dos comissários de prova e eles decidiram punir Massa com um drive-through. O problema é que na hora de julgar atitudes como as do parágrafo aí de cima, caímos na vala da subjetividade. Eu achei a punição a Massa correta. Vi uma pontinha de má-fé na manobra do ferrarista, que não aceitou a passagem limpa de Hamilton. Outros não concordarão, certamente vão argumentar que Hamilton fechou Felipe. Não vi isso em momento algum. Vi um Massa com duas rodas fora da pista tentar recuperar uma posição na marra e apelar para uma manobra excessivamente dura. Mas não é nessa discussão que quero ficar.

Hamilton também foi punido com um drive-through por causa de sua manobra de largada, em que teria bloqueado Raikkonen. E ainda durante a corrida surgiu a informação de que o incidente secundário envolvendo Massa e Bourdais estava sob investigação e o veredicto sairá após a corrida. Exceto no caso da disputa entre Massa e Hamilton (em que reitero: achei justa a punição aplicada a Felipe por notar um exagero em sua tentativa desmedida de manter a posição), as outras punições me trazem uma sensação de irritação enorme. Juro que não me lembro (a não ser que esteja muito enganado) de ter visto alguma deslealdade na largada de Hamilton. Vi nervosismo, vi a famosa falta de paciência e a vontade de resolver a corrida na primeira curva, mas não enxerguei nenhuma manobra perigosa e/ou desleal. No caso Massa-Bourdais então, não vi nada. O francês saía do boxes, o brasileiro seguia pelo traçado normal e tentou dividir a curva. Os dois não se entenderam e houve um suave toque. Exageros das duas partes sem maiores conseqüência para ambos. Apenas.

Mas a F-1 insiste em sua revoltante caça às bruxas. Um lance mais agressivo, num tom um pouco menos formal, já levanta suspeitas dos comissários. Falei sobre essa questão no GP Cingapura, em que também aconteceram várias canetadas em seguida (naquela ocasião motivadas pela regra que fecha o pit lane em caso de Safety Car), e continuo a não me conformar. Punição tem como objetivo impedir que um competidor ganhe vantagem indevida (como no famoso caso Hamilton-Raikkonen em Spa ou na colisão Massa-Hamilton hoje) e/ou ponha em risco a segurança de seus pares. Mas do jeito que as coisas seguem na F-1, os comissários estão virando árbritos, como no futebol, e decidindo corridas e campeonatos no apito. O excesso de rigor parece ter como meta acabar com as disputas de posições e tornar a F-1 um passeio no parque, em fila indiana.

Alguém dentro da FIA precisa acordar para essa característica asquerosa que a categoria ganhou de um tempo pra cá. Essa cegueira da federação, que não enxerga excessos nas inúmeras investigações levantadas a cada corrida, pode levar o lado esportivo da F-1 ao descrédito. A coisa está ficando muito impessoal, asséptica, livre de qualquer risco. Isso não é automobilismo. Automobilismo é rendimento total, é briga ferrenha, é espremer no canto da pista, é levar uma disputa às últimas conseqüências, claro, respeitando o adversário e as regras de esportividade. As punições sem sentido distribuídas a cada corrida estão matando esse lado nervoso e saboroso da F-1. É com pesar que me certifico disso.

Entre os mortos e feridos da chuva de canetas assassinas, Hamilton sai de Fuji num lucro razoável. Não pontuou, mas manteve-se 5 pontos a frente de Massa, que só marcou dois pontinhos magros com o 7º lugar. Felipe não teve um fim de semana digno de quem quer ser campeão: foi mal na classificação e beirou a deslealdade em seu lance com Hamilton. Precisa vencer na China e depende dos resultados de Lewis para empurrar a decisão até o GP Brasil.

Hamilton sorri, apesar do péssimo 12º lugar. Se vencer na China no próximo domingo e Massa chegar em 5º ou pior posição, o britânico já será proclamado campeão com uma corrida de antecedência. Seria um fim de campeonato improvável depois de tanto equilíbrio.

Resumo da obra: os dois aspirantes a campeão demonstraram nervosismo e ímpeto além da conta. No caso particular desse campeonato, melhor para Hamilton.

*Atualizado em 12/10/08, às 06H32min

Sessão-Coruja/Japão - Results & Coments [3]

Virada francesa, zebra polonesa

E quem diria que Dom Alonso das Astúrias iria emendar duas vitórias seguidas, hein? O espanhol venceu sua segunda nesse ano, no melhor estilo das vitórias nos anos do bicampeonato e em 2007 na McLaren. É bom sublinhar que a sorte esteve do lado do espanhol nas duas últimas corridas, mas Alonso fez por merecer os êxitos conquistados até aqui. Foi sua vitória de número 21, que o isola como o 11º maior vencedor da história da F-1.

Na corrida, Alonso foi beneficiado pela largada desastrosa dos líderes. Sem Hamilton, Raikkonen e Kovalainen a sua frente, o espanhol encontrou em Kubica seu grande oponente no gp japonês. O polonês da BMW liderou a prova e deu pinta de ter carro pra vencer, mas do meio para o fim notou-se que o bólido alemão não se adaptou ao traçado de Monte Fuji. Numa conversa de rádio Kubica deixou claro que o acerto do carro não era o ideal e reclamou que o carro saía de frente. Parou cedo, permitiu a passagem de Alonso e o espanhol não se fez de rogado: acelerou o quanto pôde e ganhou com certa sobra.

As duas vitórias seguidas de Alonso sugerem uma real evolução do carro da Renault. Já havia dito antes e repito: pode ser o empurrão que faltava para o espanhol decidir seu futuro em 2009, e continuar na equipe francesa. O modelo da montadora já se mostra capaz de brigar com a BMW em determinadas condições, como se viu hoje. Olhando com um pouco de otimismo, um cenário promissor se desenha para 2009.

A grande ironia do resultado da corrida se monta ao olharmos o resultado do GP Japão do ano passado: há um ano atrás, Alonso saía de Monte Fuji desiludido com um abandono que lhe custava o título. O espanhol bateu sozinho, perdeu o controle de sua McLaren na encharcada pista de Fuji, e deixou Hamilton na confortável liderança do campeonato, com 12 pontos de vantagem. Esse ano, acontece o contrário: Hamilton fez besteira logo na largada, foi punido, e passou longe de pontuar. Enquanto isso, Alonso pilotou como Alonso e levou o GP Japão com relativa tranqülidade.

Eu ontem havia salientado: Alonso pode se meter na briga do campeonato, mesmo sem estar com chances de título. Esperava-se que o espanhol pudesse oferecer alguma resistência a Massa (mesmo que isso implicasse numa supremacia do arquirival e desafeto de Alonso, Lewis Hamilton). Mas a largada foi tão confusa que o asturiano nem precisou oferecer problemas a Massa: o brasileiro tratou de se enrolar por conta própria.

O bom momento da Renault refletiu também a corrida de Piquetzinho. O filho de tricampeão fez uma ótima corrida de recuperação depois de ter um problema na classificação ontem e largar em 12º. Nelsinho rompeu a meta em 4º, a um passo de um inédito pódio com os dois pilotos da Renault (em 2008). É uma pena que esse bom resultado tenha chegado logo agora que já se fala em dispensa do brasileiro depois do ano medíocre que tem feito até aqui, no geral.

Os 15 pontos conquistados hoje confirmam a tese de Alonso: a Renault volta a ser a 4ª equipe do ano na tabela de construtores, e com folga. Suplantaram de vez a Toyota, discreta em sua corrida doméstica.

Kubica apavorou na largada mas não teve ritmo para acompanhar Alonso e esse é o sinal inequívoco da melhora na qualidade do carro da Renault. A BMW é a terceira força do campeonato mas o modelo francês mostrou-se competitivo contra o monoposto alemão, que é pilotado por um dos pilotos reconhecidos como de maior talento no grid. A largada do polonês foi um tiro impressionante: enquanto todo mundo se enroscava na primeira curva, Kubica passava alegremente, quase dando um tchauzinho para os afoitos líderes do campeonato. Nas 15 voltas finais o polonês ainda teve de segurar o sonolento Raikkonen, que criou uma ou duas chances perigosas de ultrapassagem, mas não as concretizou. Com o segundo lugar de hoje, Kubica figura como um azarão típico: não tem o melhor equipamento, mas é oportunista e está sempre à espreita, pronto a ocupar uma vaga deixada pelos erros das equipes grandes. O polonês passa a ameaçar a vice-lidernaça de Massa e, contando com mais falhas dos dois pilotos que efetivamente brigam pelo campeonato, é uma potencial zebra. Acha impossível? Raikkonen também era zebra até o GP Brasil ano passado.

sábado, 11 de outubro de 2008

Sessão-Coruja/Japão - Results & Coments [2]

Hoje o sono é imperial, vai tudo numa postagem só:

Terminado o Q1 em Fuji, caíram as Force India e as Honda, como é o praxe. Mas para a surpresa geral, também há uma BMW fora.

Heidfeld, que teve o vínculo estendido por mais um ano com a equipe alemã, ficou fora logo no Q1. E o mau desempenho não parece exclusividade de Nick: Kubica ficou apenas com o 14º lugar na primeira sessão, mas seguiu na briga. A BMW me parece não ter se entendido com a pista de Fuji, que exige um compromisso entre a longa reta e o miolo lento. Na reta, potência de motor é essencial e no miolo, equilíbrio, boa aderência e tração são fundamentais. Como se vê, pista complicada para acertar o carro.

Já Barrichello falou ao repórter Carlos Gil sobre a indefinição a respeito das vagas na Honda. Rubinho disse que foi procurado pela direção esportiva do time e disparou: “a Honda precisa de um piloto experiente e motivado. Não há ninguém melhor do que eu nesse momento”. Falou, claro, com o ressentimento de quem quer continuar no emprego. Mas a Honda parece acenar com uma reformulação em seu cast de pilotos.

No Q2 poucas surpresas: as duas Williams fora, uma Renault e as duas RBR. O detalhe, que já se tornou corriqueiro, é que a STR passou com os dois carros ao Q3 de novo. A RBR precisa provar o próprio energético para ganhar asas.

No Q que decide a pole, Hamilton exibiu uma supremacia não esperada: andou 2 décimos melhor do que Raikkonen, o 2º, e pôs quase meio segundo sobre Massa. O resultado é desastroso para as pretensões do brasileiro na corrida.

Massa sabe que tem de ser 100% daqui até a última volta do GP Brasil, e o começo dessa caminhada final não foi bom. O 5º posto conquistado pelo ferrarista é pouco pra quem está 7 pontos atrás do líder, que fez sua parte com muito louvor e é o pole. Falou-se no peso de cada carro para a corrida de amanhã e Raikkonen é quem parece estar mais leve lá na ponta, junto com Alonso. A Ferrari certamente quis jogar com uma estratégia diferente para o finlandês, para compensar seu rendimento ruim com o F-2008. Mas para que tudo desse certo, era preciso que Massa fosse o pole. Não saiu como o planejado.
Ironicamente, justo quando Raikkonen anda bem, Felipe se classifica mal. Ficou parecendo que os dois vermelhos trocaram de lugar. Felipe, sempre tão rápido nas classificações, andou para trás, enquanto Raikkonen finalmente sai em boa posição no grid. Certamente Massa não está muito mais pesado do que Hamilton, não há nenhuma vantagem em largar com uma quantidade muito maior de combustível. Massa parece simplesmente não ter acertado a volta. Eu vou bancar o afoito ao levantar essa questão tão cedo, mas será que Felipe sentiu a pressão?

Quem não sentiu pressão alguma foi Hamilton. Andou muito, fez o que se espera de quem briga pelo título e sai na pole nessa prova decisiva. Hamilton andou demais, pôs 2 décimos em Raikkonen, que dá pinta de estar bem leve. Apresentou uma grande superioridade, que pode facilitar ainda mais sua vida. Larga tranqüilo amanhã, sabendo que o arquirival na briga pelo caneco de 2008 está numa inesperada 3ª fila.

Na briga dos companheiros de equipe, Kovalainen não foi o melhor, mas será o mais útil amanhã. Porque de nada adianta o parceiro fazer uma grande volta se quem briga pelo título larga lá atrás. Agora ver o companheiro na pole e notar que o grande rival vem atrás torna Kovalainen peça fundamental no jogo de xadrez que irá se desenrolar amanhã em Fuji. Segurar Massa o quanto puder será a principal tarefa do nórdico da McLaren.

Alonso, petulantemente, se colocou entre Ferrari e McLaren. Sua Renault é uma intrusa no ninho, mas parece sinalizar uma providencial melhora. Talvez era o que faltava para que o espanhol anuncie sua permanência no time francês. E, talvez sem querer, o asturiano pode se envolver na decisão do título desse ano, mesmo sem possuir chances de ser campeão.

As duas Toyota passaram com facilidade ao Q3 e largam em boas posições: Trulli 7º; Glock 8º. Certamente vão brigar para chegar ambos nos pontos e fazer a festa em casa;

Kubica salva (mais uma vez) a BMW com o 6º tempo. Muito diferente do companheiro Heidfeld. De todo modo, a BMW deixa a desejar em Fuji;

As STR passaram ao Q3 mas o desempenho foi discreto: Vettel é 9º, Bourdais é 10º

Notinhas da madrugada:

- Choveu pela manhã em Fuji e a pista virou um sabão. Sem aderência, o traçado se tornou um desafio para os pilotos. O pouco grip promoveu algumas rabeadas na pista japonesa e complicou a pilotagem.

- As listras verdes da campanha ambiental só serviram para piorar a visualização dos pneus. Ficou difícil, dependendo do ângulo, diferenciar macios de duros;
_
Grid de largada para o GP Japão:

01
Lewis Hamilton
McLaren
01m18s404
02
Kimi Raikkonen
Ferrari
01m18s644
03
Heikki Kovalainen
McLaren
01m18s821
04
Fernando Alonso
Renault
01m18s852
05
Felipe Massa
Ferrari
01m18s874
06
Robert Kubica
BMW Sauber
01m18s979
07
Jarno Trulli
Toyota
01m19s026
08
Timo Glock
Toyota
01m19s118
09
Sebastian Vettel
Toro Rosso
01m19s638
10
Sebastien Bourdais
Toro Rosso
01m20s167
11
David Coulthard
Red Bull
01m18s187
12
Nelsinho Piquet
Renault
01m18s274
13
Mark Webber
Red Bull
01m18s354
14
Kazuki Nakajima
Williams
01m18s594
15
Nico Rosberg
Williams
01m18s672
16
Nick Heidfeld
BMW Sauber
01m18s835
17
Rubens Barrichello
Honda
01m18m882
18
Jenson Button
Honda
01m19s100
19
Adrian Sutil
Force India
01m19s163
20
Giancarlo Fisichella
Force India
01m19s910

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

O Tempo Não Pára

Senhoras e senhores, preparem-se para entrar no fuso-horário do Japão e se liguem nos horários do treino classificatório e da corrida:

- A classificação é na madrugada de sexta para sábado, às 2 da manhã, com transmissão ao vivo da Tv Globo;

- A corrida acontece na noite de sábado para domingo, à 1:30 da madruga, também com transmissão da Globo;

Pra quem pretende emendar, como eu, é acordar na hora de dormir e deitar na hora de levantar. Uma verdadeira salada de horários.

Sessão-Coruja/Japão - Results & Coments [1]

Melhores tempos da sexta-feira em Monte Fuji, palco do GP Japão:

1. Timo Glock (Toyota) 1min18s383
2. Fernando Alonso (Renault) 1min18s426
3. Lewis Hamilton (McLaren) 1min18s463
4. Felipe Massa (Ferrari) 1min18s491
5. Kimi Raikkonen (Ferrari) 1min18s725
6. Mark Webber (Red Bull) 1min18s734
7. Kazuki Nakajima (Williams) 1min18s734
8. Sebastian Vettel (Toro Rosso) 1min18s761
9. Heikki Kovalainen (McLaren) 1min18s830
10. Jarno Trulli (Toyota) 1min18s863
11. Robert Kubica (BMW) 1min18s865
12. Nelsinho Piquet (Renault) 1min18s888
13. Nico Rosberg (Williams) 1min18s981
14. Sebastién Bourdais (Toro Rosso) 1min19s040
15. Rubens Barrichello (Honda) 1min19s258
16. Adrian Sutil (Force India) 1min19s287
17. David Coulthard (Red Bull) 1min19s327
18. Giancarlo Fisichella (Force India) 1min19s482
19. Nick Heidfeld (BMW) 1min19s894
20. Jenson Button (Honda) 1min19s999

Notinhas sonolentas:

- Eu quase não tive contato com esses treinos. Cheguei em casa ontem às 23hs e vi o finalzinho do treino da “manhã”. Na hora do treino vespertino, 2 da madrugada aqui no Brasil, eu já estava no 5º sono;

- Portanto, não vou aqui falando sobre o que não vi. Vai em comentários rápidos baseados nos tempos aí de cima;

- Toyota fez bem o dever de casa para se apresentar bem em casa. Glock em 1º e Trulli em 10º. Mas não pense que o italiano passou um vexame frente ao companheiro de equipe: todo mundo andou muito perto nessa sexta-feira japonesa. Os dois pilotos da Toyota estão separados por míseros 5 décimos;

- O fim do grid trás ainda mais satisfação para a dona da casa: a arquirival Honda ficou com a última posição;

- O que são 0,028s ? A diferença entre a melhor volta de Lewis Hamilton e Felipe Massa, ou seja, nada. Os dois estão se enfrentando mentalmente há muito tempo e, com os carros que têm nas mãos, vão disputar a vitória palmo a palmo;

- Curioso o mau rendimento da BMW;

- E falando em curiosidade, os tempos mataram uma dúvida viva na minha cabeça desde o ano passado: qual seria o tempo de volta na pista de Fuji. Eu imaginava que o giro ficaria na casa do 1m12s ou 1m15s. Afinal, ano passado, no meio do dilúvio bíblico que caiu durante o fim de semana os tempos foram quase de 1m30s. Descobri que exagerei na conta, as voltas mais rápidas foram da ordem de 1m18 baixo;

- Agora o fim de semana começa pra valer. Na próxima madrugada acontece o treino classificatório, sem previsão de chuva;

- Meu relógio biológico entrará no fuso do Japão.

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

A mesma praça, outro jardim: Japão 2007

Depois do sabático período do inédito GP Cingapura, as seções do De Olho Na F-1 voltam à sua rotina normal. E pra começar o período pré-GP Japão, as lembranças da corrida do ano passado:

Em 2007 Hamilton também chegava ao Japão na liderança do campeonato. Possuía dois pontos de vantagem sobre Alonso, treze sobre Raikkonen e vinte pra cima de Massa, que só apresentava chances matemáticas.

O fim de semana em Monte Fuji foi extremamente chuvoso, e debaixo do dilúvio nipônico as McLaren dominaram a classificação. Hamilton foi pole, seguido por Alonso, Raikkonen e Massa. Ou seja, um treino classificatório sem surpresas.

Na hora da largada chovia muito e a partida foi dada com Safety Car, para que os pilotos pudessem se ambientar à pista encharcada. Porém, a medida que era cautelar foi prorrogada além do limite: o carro de segurança adiou o início real da corrida por 20 voltas, ou longos 40 minutos. Havia muita água e neblina na pista, condições nada seguras para a realização de um gp de F-1.

Mas automobilismo é feito de riscos, está na essência do esporte. Talvez entendendo isso, a direção de prova finalmente ordenou a saída do Safety Car da pista e, finalmente teve início o GP Japão. No momento da relargada ficou claro que a corrida seria muito confusa. A chuva forte só permitia ao líder enxergar com nitidez. O resto do grid teria de se guiar pela luz piscante dos carros da frente. O spray formado pela passagem dos carros era muito intenso.

Em meio ao temporal japonês, a Ferrari pagou mico (pra variar) e não equipou os carros de Massa e Raikkonen com pneus de chuva extrema. Mandou os dois à pista com calçados intermediários, uma decisão quase que homicida. É a prova de que o comando do time de Maranello já anda mal das pernas há um bom tempo. Os pilotos tiveram de ir aos boxes com a corrida já iniciada e voltaram à pista nos últimos lugares do grid.

E assim seguiu o GP Japão, que começava a revelar o talento do alemão Sebastian Vettel. O garoto se classificara em 8º no sábado, ganhara duas posições com o problemas das Ferrari e ao fim da 1ª volta “pra valer” já era o 3º. Com as paradas dos líderes Alonso e Hamilton, o alemãozinho liderou a corrida por algumas voltas. Pena que tenha se envolvido numa batida boba com Mark Webber, ficando sem condições de chegar ao sonhado pódio.

Na 34ª volta, um susto! A imagem de Hamilton fora da pista anima os torcedores de Alonso (e os secadores de plantão também). Para a sorte do inglês o toque com Kubica não trouxe maiores conseqüências para nenhum do dois. E na verdade, a vítima de um infortúnio na corrida de Fuji seria o principal rival de Lewis na briga pelo título.

Na volta 45 do Grande Prêmio do Japão 2007 o campeonato caiu no colo de Lewis Hamilton. O grande oponente que o inglês enfrentou desde o meio da temporada sucumbiu à chuva e rodou sozinho, batendo no muro de proteção. Alonso sairia de Fuji zerado, parado nos 95 pontos. Hamilton, o provável vencedor da corrida iria a 107, abrindo uma vantagem de 12 pontos a duas provas do final da temporada.

Na parte final da prova Kovalainen surgia em 2º com a Renault, beneficiado pela entrada do Safety Car. Raikkonen era o 3º e, dadas as circunstâncias do início da corrida, conseguia uma ótima posição, eu lhe rendia 6 valiosos pontos.

E a grande sensação da volta final de Fuji foi a disputa de posição entre Massa e Kubica. Uma disputa dura, com várias saídas de pista dos dois lados, que culminou na bela “esticada” que o ferrarista deu na pista japonesa. Massa levou clara vantagem na manobra ao usar uma área de escape, que naturalmente não faz parte da pista. Não merecia ser punido?

Alheio à disputa da 6ª posição, Hamilton venceu e convenceu em Fuji, se despedindo do Japão com 12 pontos de vantagem sobre Alonso. Foi, sem dúvidas, a vitória mais importante de sua carreira, numa pista molhada, em que o aclamado bicampeão cometeu um erro que praticamente entregou o título. Hamilton saiu da Terra do Sol como grande fenômeno. Porém, as duas últimas corridas do ano tratariam de desconstruir o mito.

Resumo da corrida, com narração de Galvão Bueno e comentários de Reginaldo Leme e Luciano Burti:

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Baboseira Ecológica

A F-1 se apressa para parecer ecologicamente correta nesse mundo cada vez mais (aparentemente) preocupado com poluição, efeito estufa, aquecimento global e tantos outros termos que a gente se habituou a ouvir e a falar nos últimos anos. E a próxima novidade desse green world são os pneus que a Bridgestone enviará ao GP Japão.

Os sulcos dos pneus serão pintados de verde, chamando a atenção do público para a campanha "Make Cars Green", Faça Carros Verdes, em tradução literal.

Deve ficar interessante com os carros na pista, mas é uma idéia no mínimo excêntrica. Chamar atenção para ecologia na F-1 me parece um pouco fora do lugar. Se quisessem mesmo diminuir a poluição, os eco-chatos deveriam protestar contra os aviões que lançam toneladas de carbono na atmosfera todos os dias. Perto dos boeings transatlânticos os 20 carros da F-1 são uns nanicos.

Fazendo a alegria de um blogueiro inconformado!

Não gosto de Eddie Irvine, o irlandês que é lembrado por ter sido companheiro de Schumacher na Ferrari, não ajudar o alemão a ser campeão e não ganhar o mundial quando o heptacampão fraturou a perna em 1999. Mas uma declaração dada pelo britânico teve tanta concordância com o que eu penso a respeito da pista de Monte Fuji, que eu me senti obrigado a trazer pra cá:

"Para mim, Fuji é um circuito de m****. É um lugar horrível e chato, no meio do nada. O clima sempre é ruim, e é simplesmente o pior lugar possível para se organizar uma corrida. Fuji não acrescenta nada à F-1 e, perto de Suzuka, é um lixo."

Ok, eu não pegaria tão pesado. Mas que foi delicioso ver alguém falando sem papas na língua (ainda que eu tenha que me rebaixar a considerar uma fala de Eddie Irvine), isso foi.

domingo, 21 de setembro de 2008

Quarteto Fantástico

Quatro corridas separam a Fórmula-1 de seu novo campeão. E o De Olho na F-1 faz uma prévia sobre as últimas etapas do mundial 2008.

Lewis Hamilton, Felipe Massa e o azarão Robert Kubica são os três pilotos com chances reais de título. Raikkonen, Heidfeld e Kovalainen têm chances matemáticas, mas estão fora da briga justamente por causa de seus companheiros de equipe.

No trio do título, Kubica é um improvável campeão. Possui chances, mas precisaria de uma combinação de resultados praticamente impossível para ser levar o título. Sua BMW, sabe-se, ainda não é carro para brigar por vitórias com McLaren e Ferrari. Mas, a STR também não tinha chances em Monza...

Portanto, para efeito prático, Kubica é zebra em todas as corridas. Mas lembrem-se do GP Itália e do fim da temporada passada. Fazer previsões é um risco.

- GP Cingapura (Cingapura) – A corrida do próximo domingo é uma grande incógnita para todos. Será a primeira vez na história que a F-1 entrará na pista para uma corrida noturna. O comportamento dos carros, a visibilidade e o nível de aquecimento dos pneus prometem ser pontos decisivos.

A pista é de rua e a vantagem teórica nesse tipo de traçado é da McLaren, com o MP4/23, que se sai melhor em pistas travadas. A favor da equipe inglesa ainda está a questão climática: o carro britânico obtém um desempenho melhor que o da Ferrari com temperaturas amenas. Com a ausência da luz solar, a temperatura da pista deve ficar próxima à temperatura ambiente, favorecendo o time de Lewis Hamilton.

Porém, o pneus, como sempre, podem ser fator ainda mais decisivo. Em Mônaco a vantagem teórica também era da McLaren mas a Ferrari fez a 1ª fila na classificação e teve boas chances na corrida. O motivo: os pneus macios e super-macios, os mesmos que a Bridgestone enviará para Cingapura. É justamente com esse tipo de pneu a Ferrari tem se saído melhor, ao contrário da McLaren, que se adaptou com mais eficiência aos pneus médios e duros. Esta escolha da fabricante dos “calçados” deve tornar a disputa um pouco mais equilibrada. Contudo, a vantagem ainda é da McLaren. Se chover então (e há possibilidades, segundo a previsão do tempo), o time de Woking é franco favorito.

Mas, pistas de rua sempre reservam surpresas.

- GP Japão (Monte Fuji) – Fazer uma prévia do GP Japão sem pensar em chuva é praticamente impossível. A pista de Fuji, numa área montanhosa e aos pés do morro que lhe dá nome, é caracterizada pela presença constante de nuvens carregadas. E na chuva, a vantagem, como já foi salientado, é da McLaren. O carro inglês rende mais debaixo d’água porque possui maior facilidade em gerar calor e aderência nos pneus, ponto em que a Ferrari leva um baile. É curioso, porque a equipe italiana trabalhava com a Bridgestone mesmo enquanto haviam duas fornecedoras de pneus e ainda assim a McLaren (que corria com calçados da Michelin) é superior, demonstrando grande capacidade de adaptação.


- GP China (Xangai) – Depois de receber a Olimpíada e a Para-Olimpíada, a China abre as portas para a Fórmula-1, pela 5ª vez em sua história. O gp chinês é disputado desde 2004 na pista de Xangai, construída especialmente para abrigar a categoria, que está de olho no mercado que mais cresce no planeta.

Xangai é, talvez, a pista onde se nota o maior favoritismo da Ferrari. Das quatro corridas realizadas lá até hoje, a equipe italiana só perdeu uma, em 2005, quando disputou a temporada com um carro extremamente mal-nascido. O traçado é do jeito que o F-2008 gosta: retas longas e curvas de média e alta velocidade, privilegiando a eficiência aerodinâmica dos carros de Felipe Massa e Kimi Raikkonen.

E a pista já deu sorte a um brasileiro: Rubens Barrichello foi o primeiro vencedor do GP China, em 2004, com a Ferrari. Foi sua 9ª e última vitória na Ferrari, última de Rubinho desde então.


Porém, a chuva também não está descartada no autódromo projetado por Hermann Tilke. As duas últimas edições da corrida na China tiveram pista molhada em algum momento da prova, e nessas condições, repete-se a história: vantagem inglesa.

- GP Brasil (Interlagos) – Pela 4ª vez em sua história, o autódromo de Interlagos encerrará uma temporada de F-1 e, provavelmete, decidirá o título. Se a disputa chegar indefinida em São Paulo, será a 4ª vez consecutiva que Interlagos proclamará o campeão.

O traçado da pista brasileira é um caso curioso: com suas curvas lentas e seu miolo travado, em tese, deveria favorecer a McLaren. Mas nos dois últimos anos a Ferrari venceu com folga em São Paulo: em 2006, Felipe Massa não teve adversários, e em 2007 venceria de novo, não existisse a necessidade de fazer o jogo de equipe com Raikkonen.

O fato é que a pista tem um caráter um tanto quanto dúbio: o miolo, do “Laranjinha” até a Junção, é a parte travada, de média/baixa velocidade, privilegiando a aderência mecânica que favorece o modelo da McLaren. Já o “anel externo” (a denominação não é usual, mas faço uso para facilitar as coisas por aqui) é a parte de alta velocidade, que se estende desde a Subida do Boxes até voltar ao “Laranjinha”. É nessa parte do circuito que os carros atingem os maiores picos de velocidade e é onde, em teoria, a Ferrari leva vantagem.



Nos últimos 10 anos, Interlagos faz questão de se apresentar como território neutro: 4 vitórias da Ferrari (2000, 2002, 2006, 2007), 4 da McLaren (1998, 1999, 2001, 2005) e 2 triunfos de outras equipes. É a pista em que há a maior dificuldade em apontar em favorito, mas é a que pode ter sua corrida decidida na escolha dos pneus.

A Bridgestone trará compostos médios e duros para a corrida brasileira, ao contrário do ano passado, quando vieram os compostos macios e super-macios, e a McLaren passa a possuir uma pequena vantagem. Mas, 2008 já provou ser um ano em que fazer previsões é correr grande risco de errar.

Enfim, o campeonato está aberto. A McLaren parece levar vantagem na maioria das etapas restantes, mas o desenvolvimento dos carros é veloz e está perto do limite. As duas equipes estão muito próximas no desempenho geral e certamente a Ferrari trabalhou duro para minimizar suas deficiências com o aquecimento de pneus. Promessa de um fim de ano emocionante.

quarta-feira, 11 de junho de 2008

Massa, Two Moments

Os dois vídeos abaixo reproduzem aquelas que talvez sejam as mais bonitas ultrapassagens da Fórmula-1 nos últimos anos. As duas efetuadas por Felipe Massa, as duas com o brasileiro no cockpit de uma Ferrari, as duas refletindo o estilo agressivo desse piloto que já foi taxado de "afoito" por sua inconstância, mas que fez as pazes com a regularidade desde o GP Barhein.

No 1º vídeo, Massa X Kubica na última volta do GP Japão de 2007, valendo a 5ª posição;

No 2º vídeo, Massa ultrapassa Kovalainen e Barrichello ao mesmo tempo, no GP Canadá disputado no último domingo. Valeu a 4ª posição.