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quarta-feira, 29 de abril de 2009

[OFF] Eu queria só uma...



Os caras afanaram uma infinidade de artigos da loja da Ferrari em Vila Velha, região metropolitana daqui da Grande Vitória.

Bem que eles podiam passar aqui em casa pra fazer uma entreguinha depois do que eles chamaram de "brincadeira." Eu queria só uma, tá?

Piadas a parte, é aquela típica reação da juventude classe média que acha bonito bancar o desajustado. Aprontam e quando vêem que a coisa vai feder, pedem desculpas de forma automática e acham que isso resolve. Papai contrata advogados e paga a fiança do filinho. E tudo é carnaval!

sexta-feira, 10 de abril de 2009

[OFF] Ócio Não-Criativo

Perguntas freqüentes que invariavelmente surgem depois que o blogueiro fica dois dias sem blogar:

- Você tá passando mal?

Não

- Você enjoou do blog?

Não

-Você viajou?

Não

- Você morreu?

Também não.

- Qual o motivo da ausência, então?

Ah, preguiça, tremenda falta de novidades, irritação com essa novela mexicana de última categoria que se formou em torno do Hamiltongate e etc. Vou jogar a real: enjoei foi de falar de casos extra-pista. Irrita-me esse ar de revista Contigo que os sites especializados ganham de tempos em tempos.

Não tenho vocação para tocar um blog sobre celebridades.

Imaginem então que eu sou uma espécie de Raikkonen, de bermudão, com um picolé Magnum numa mão e uma lata de Coca-Cola em outra, além, é claro, de um ovo de chocolate Garoto desembrulhado me esperando na mesa da cozinha. Saco cheio, joguei a toalha, vou curtir um fim de semana de ócio não-criativo.

Segunda-feira eu volto. Feliz páscoa! Mas se lembrem que chocolate demais tem potencial para um homérico piriri.

Boas coelhadas para todos!

*É tão bom ser seu próprio chefe. Tô me sentindo o rei da cocada preta. Eu mesmo me dei folga. Quero essa vida pra sempre!

segunda-feira, 2 de março de 2009

[OFF] Notinha do Busão (falsificada)

(Aham, outro dia eu me inspirei descaradamente numa seção do Continental Circus. Agora é a vez de prestar uma reverência ao amigo Ron Groo e pegar emprestado o nome de uma seção. Portanto, essa Notinha do Busão é falsificada. A verdadeira é lá com o Groo)

Acabo de chegar de viagem. Mas já tenho que sair de novo, só volto a noite e sem certeza de ter ânimo para blogar e botar o assunto em dia. Um corre-corre básico de início de semana e volta à rotina depois do carnaval.

Mas como eu havia prometido blogar na presente data, não deixarei meus ilustres leitores sem um mimo de última hora.

ATENÇÃO: os leitores busólogos irão se interessar por essa postagem com especial afinco.

Resolvi deixar aqui, para que vocês apreciem, fotos de dois exemplares dos ônibus em que viajei para o interior do estado.

Foram adoráveis 5 horas em cada uma dessas jóias, sempre pela adorada Viação Águia Branca.

Na ida, embarquei em um Vissta Buss faraônico como esse:

Não fui precisamente no 21550, fui no 22170. Não tenho certeza, mas acredito que esses carros eram leitos e foram “rebaixados” à categoria de executivos. Pelo menos no 22170 eram 50 os lugares disponíveis, coisa incomum a um Águia Branca, sempre com 46 lugares no serviço executivo. Creio que a empresa remodelou o espaço interno do busão e sobrou vaga para mais 2 pares de cadeiras.

Na volta, viajei num imponente Paradiso GV 1150:

A foto é “quase” do carro em que circulei hoje. Eu passei as últimas horas no 21160, irmão desse aí de cima, executivo de nascimento, pelo que me consta. Carro dotado de uma imponência encantadora. Apesar de não serem assim um super lançamento, esses carros ainda botam moral, em parte pela conservação impecável da Águia Branca.

Os créditos das fotos vão para Carlos Renato, dono de um sensacional fotolog sobre ônibus que você conhece clicando aqui.

Apreciem sem moderação.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

[OFF]: Recesso Momesco

Enfim, chegou a folia de Momo. O rei provisório já recebeu as chaves simbólicas da cidade de Vitória das mãos do prefeito. Está decretado o carnaval.

Nos próximos dias, portanto, esse blog estará em recesso. O Olho-Chefe somente dará o ar da graça por aqui se algo muito excepcional acontecer. A parada momesca deve se estender até o dia 2 de março.

Enquanto eu estiver curtindo um decanso, Rio de Janeiro, Salvador e Recife darão conta de produzir os maiores carnavais do país. O triste, porém, é que em dois desses mega-eventos que são denominados populares, a festa já não é assim, tão povão.

No Rio o carnaval virou coisa para turista ver. O gigantismo da Marquês de Sapucaí transformou o desfile do carnaval carioca num super-evento, com renome internacional. Enche os olhos, é verdade. É algo hoje extremamente profissional. Mas o povo, povo mesmo, ficou meio de lado na festa. Hoje é festa para encantar e reafirmar o exotismo do país para os gringos.

Em Salvador a festa também se elitizou. E lá não é só festa para turista. É festa para turista rico, vide o preço dos pacotes para os principais blocos. Também hoje o carnaval soteropolitano é extremamente profissionalizado. Não há mais as “guerras” de trios (situação em que dois trios ficam muito próximos e o som de um se confunde com o do outro) e os percursos foram rigidamente estabelecidos. Porém a manifestação perdeu um pouco de seu romantismo, de sua ingenuidade. O carnaval da Bahia, até por englobar o principais nomes do show bussiness brasileiro (Ivete, Chiclete e as infinitas cópias que se seguiram), agigantou-se talvez além da conta. Tornou-se um pula-pula obrigatório e as vezes repetitivo.

A festa de Recife talvez seja a única que permanece acessível ao dono do carnaval, o povo. Ao som do frevo, os pernambucanos fazem a festa em seus tradicionais blocos. O mais famoso é o Galo da Madrugada, que arrasta a multidão desde cedo pelas ruas da Veneza Brasileira.

É claro, há alternativas para quem está em Salvador ou no Rio. Os blocos não morreram e o carnaval de rua ainda resiste nas duas primeiras capitais do Brasil.

E há festas menores por todo o Brasil. Quase toda cidadezinha, especialmente as litorâneas, possuem uma programação para o período. Então, aproveitem.

Fica aí uma demonstração de cada uma das super festas de encher os olhos:

Salgueiro 1993

Talvez o último dos sambas-enredo com personalidade. O “Explode-Coração”, como ficou conhecido, foi unanimidade no carnaval de 1993. Há quem arrisque dizer que nunca o público vibrou tanto com um samba-enredo. Letra de fácil compreensão aliada a uma competente exibição da escola fizeram a Sapucaí cantar em coro o refrão da campeã do ano de 1993.

We Are The World of Carnaval

Os baianos que animam os trios elétricos se auto-intitulam o mundo do carnaval. E não estão sem razão. O império do axé music construiu um domínio de nomes que você com certeza já ouviu falar, mesmo que não aprecie: Chiclete com Banana, Ivete Sangalo, Asa de Águia. Esses artistas lotam shows e micaretas pelo país e cobram dos mais altos cachês de que se tem notícia. Alguns deles até alcançaram reconhecimento pela qualidade instrumental (caso de Carlinhos Brawn) e/ou vocal de seus trabalhos (caso de Ivete Sangalo), mas a maioria continua dividindo opiniões. Uns amam, outros odeiam.

O Galo da Madrugada

É livre, é leve, é solto. O carnaval mais democrático do Brasil rola em Recife. O Galo da Madrugada arrasta dois milhões de pessoas entre os canais da capital de Pernambuco no sábado de carnaval. Sem cordão, sem isolamento, sem camarote para os bacanas.

Aproveitando o momento eleitoral pelo qual o blog passou na última semana, opine. Qual seu carnaval favorito? Sonha sair em um deles? Ou não, odeia carnaval?

Se você é dos que gostam, aproveite. Pule, grite, fantasie-se, sambe, saia atrás do trio, namore. Só não faça algo que traga arrependimento para o resto da vida.

Se você não gosta, durma, tranque-se em casa, retire-se, descanse. Só não se esqueça de deixar um comentariozinho aí embaixo, nem que seja para mandar o carnaval para o inferno.

Enfim, aproveite os próximos dias do jeito que achar melhor.

E bom carnaval para todos!

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

[OFF] Sem Mais (muitas) Palavras Minhas [2]

No G1, portal de notícias da Globo na internet:


(Clique na imagem para ampliar)

Indústria mais poderosa do mundo? Só se for em outra época...

domingo, 15 de fevereiro de 2009

[OFF] A Capa da Capricho

Olhar-se no espelho e ver gordura em determinados pontos, apesar da evidente magreza que assusta a qualquer um com o mínimo bom senso. O bom senso, no entanto, já não faz parte do dia-a-dia do doente há meses. A maior obsessão torna-se emagrecer a todo custo, passar fome e ver as costelas ganhando aparência na pele, cada vez mais fina.

As refeições passam a ser adiadas, saltadas ou feitas de forma parcial. A família passa a se preocupar com o impiedoso transtorno psicológico que faz com que corpo se afine a um ponto mórbido. Os conselhos de nada valem e o jovem indivíduo adquire problemas de saúde incomuns a organismos antes tão viçosos: baixa imunidade e anemia o levam à internação num hospital. Os problemas fazem com que o risco de uma doença oportunista deixe os médicos temerosos.

Depois de algum sofrimento, o corpo antes bonito e saudável do auge da juventude dá lugar a um amontoado de ossos aparentes. A respiração se torna uma penosa obrigação. A morte vem em seguida e costuma atrair a atenção de jornais e revistas.


Esse é caminho habitual de jovens garotas com anorexia, distúrbio que ganhou fama e se tornou conhecido pelo mundo graças aos inúmeros casos de meninas, quase sempre adolescentes, que passam a considerar-se gordas mesmo estando pele e osso puros. É assunto recorrente em revistas dedicadas às adolescentes e também às mães. Mas, a continuar no ritmo que está, a anorexia pode em breve deixar de ser exclusividade das meninas e mulheres para habitar um ambiente dominantemente masculino: a Fórmula-1. A necessidade de adaptação ao KERS, que fornece um ganho de peso considerável aos carros, faz com que muitos pilotos se esforcem para emagrecer e tentar compensar o peso extra. Fernando Alonso, Nelsinho Piquet, Kimi Raikkonen, Timo Glock e Nico Rosberg já se disseram preocupados e declararam ter iniciado dietas no sentido de emagrecer. Ou seja, pilotos já baixinhos e franzinos vão ficar ainda menores graças ao sistema de recuperação de energia cinética.

O absurdo dos absurdos, porém, é o caso de Robert Kubica. O polonês de 1,84m já é reconhecidamente um dos mais fininhos do grid. Mas não está satisfeito com os atuais 72kg e deseja perder mais.

Logo logo, pais e mães de pilotos estarão enviando suas aflitas cartas às redações das revistas adolescentes e o assunto vai ganhar as capas.

Aguardem!

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

[OFF] Ainda não foi dessa vez

Bem, sempre fiz questão de deixar claro, inclusive na apresentação pessoal do blogger, que minha maior vontade na vida é cursar jornalismo. Na verdade não se trata só de uma vontade: é sim um sonho. Se pudesse já estava na faculdade particular. Mas é inviável. Me resta tentar a pública.

E eu ouso botar para fora uma mísera questão existencial no meio desse turbilhão que agita o mundão de meu Deus.

Saiu hoje o resultado do Vest-UFES 2009. E como eu gostaria de poder um post festivo, com direito a choro de alegria. Porque chorar, eu até chorei, escrevendo esse post, aliás. Pela 3ª vez, não deu. “Que pena”, “tenta de novo”, “fim do ano tem mais” são as palavras que a gente recebe numa hora dessas. Mas não é tão simples.

Se você tem um sonho e lutou para realizá-lo, sabe como é difícil encontrar uma barreira e tentar transpô-la. Ainda mais quando se bate na mesma barreira por 3 vezes. É sim, frustrante. É sim a hora em que você repensa sua vida, se vale a pena e, especialmente, se vai ter coragem de encarar tudo de novo. É a hora em que você projeta o futuro e sabe que vai ter de lidar, novamente, com a pressão invisível que existe em torno de você. Afinal, “esse cara tem 20 anos e ainda não decidiu o que quer.” Os olhares de rabo de olho de conhecidos, amigos e parentes pesam. Não é fácil.

Não é fácil ver o sacrifício de mãe e pai para pagar um cursinho. Não é fácil ver cotistas entrando com 20 pontos a menos do que você. Aliás, não fosse a reserva de 40% de vagas, eu estaria comemorando meu ingresso na universidade pública. E pensar que aqui em casa foi a maior luta para que eu pudesse estudar numa escola particular.

Eu poderia fazer um discurso emocionado contra as cotas, mas sequer é preciso. Fazer 84 pontos e não passar enquanto neguinho está entrando com 64 já dá a idéia da aberração que é o sistema com o qual estão tentando consertar as décadas (ou séculos) de descaso que atravessamos calados por essas bandas do planeta.

Porém, a consciência está tranqüila. Não faltou esforço, não faltou estudo. Se não deu é porque não deu. Afinal, eu e todos estávamos cientes de que eram mesmo só 60% das vagas. A guerra já se iniciou com o cenário desenhado. Botar a culpa nas cotas, na família, em Deus ou em qualquer outro seria por demais injusto de minha parte.

Chance de entrar ainda existe, mesmo que vaga: meus 84,73 pontos me credenciam como 6º suplente. Improvável, não impossível. Mas nem quero depositar muitas esperanças em uma possibilidade tão remota de 6 desistências.

Então chega de drama. No final das contas tudo o que vale são as palavras do começo do post: “no fim do ano tem mais.” Mesmo sem saber exatamente o que fazer, desistir não está nos meus planos. Porque quem desiste dos sonhos acaba levando uma vida incompleta, como um rascunho de algo que não saiu do papel. E eu não quero pertencer a esse grupo, jamais.

* Não sei ainda se tiro umas férias do blog. O mais certo é que não. “Trabalhar” aqui ajuda a manter a cabeça ocupada e longe de pensamentos menos nobres.

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

Isso Sim É Piloto!

Agora já com o problema de conexão com a internet resolvido, tenho algum tempo pra dedicar a um assunto que me deixou surpreendido desde o momento em que eu vi a 1ª manchete: o pouso do A320 da US Airways nas geladas águas do rio Hudson em Nova York.

Em primeiro lugar, um esclarecimento: não sou o que se pode chamar de apaixonado por aviões. “Apaixonado” é um termo um tanto quanto forte para quem não entende completamente o funcionamento de uma turbina e de outros apêndices das aeronaves. Dizer que sou um admirador dos aviões me parece mais apropriado.

Dito isso vamos àquilo que estremeceu o mundo inteiro: um avião modelo A320 da empresa americana US Airways realizou um pouso de emergência no rio Hudson, na cidade de Nova York. A aeronave realizava o vôo 1549 e acabara de decolar do aeroporto La Guardia com destino à Charlotte, na Carolina do Norte. Um possível choque contra pássaros teria causado danos às turbinas do avião e o piloto se viu na obrigação de retornar ao aeroporto. A manobra, porém, se revelou insustentável, o avião não ganhava altura de forma apropriada e o piloto tomou uma decisão perigosa e, ao mesmo tempo, corajosa: aterrissar uma aeronave de 70000 quilos no leito do rio Hudson. Era praticamente uma loteria.

Chesley Sullenberger era o homem encarregado de realizar com sucesso uma manobra extremamente arriscada e que colocava em risco, além da sua própria, a vida de mais 155 pessoas entre passageiros e tripulantes. Pousar aviões comerciais sobre corpos-d’água é uma operação que envolve uma generosa dose de sorte, além, claro, de competência. Praticamente inexistem registros de situações como a que foi enfrentada por Sullenberger. Levar um avião como o A320 sobre as águas em segurança foi uma tacada de mestre feita por esse americando com passagens pela Força Aérea dos Estados Unidos. Sullenberger conseguiu pousar o aparelho de forma magistral, provavelmente empinando o nariz e permitindo que a parte traseira do Airbus tocasse a água antes do restante do avião, evitando que a aeronave se desintegrasse e causasse danos muito mais sérios aos passageiros.

Sullenberger foi promovido a herói nos EUA. E não era para menos. O homem já de cabelos brancos aos 57 anos realizou uma manobra de perícia cirúrgica.

Resumo do ato heróico de Chesley Sullenberger: dos 155 ocupantes do vôo 1549, nenhum se feriu com gravidade. As ocorrências mais sérias se deveram à hipotermia sofrida por alguns passageiros, graças a água gelada do rio Hudson no inverno.

Um feito que já entrou para os registros da aviação como um dos mais espetaculares de todos os tempos!

quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

Blog Fora da Lei


Ao contrário do meu amigo Felipão, este blogueiro não é o maior fã da tal reforma ortográfica que entrou em vigor hoje nos países de língua portuguesa. Pra ser bem sincero, acho que há mais problemas com a sintaxe do português do que com a ortografia. Velharias e regras sintáticas inúteis me parecem um alvo mais apropriado para uma reforma desse tipo. O pretexto de que a reforma é necessária “para tornar os países de língua portuguesa mais unidos e mais ‘fortes’” também não me convence. O português será forte a partir do momento em que um país que fale português for forte.

Enfim, estou é muito irado com a tal reforma. Passei 16 anos da minha vida penando para aprender o pouco que sei a respeito da língua-mãe na escola e agora tenho de reaprender boa parte do que já sei. A idéia (sim, ela continuará com acento neste blog) não me caiu bem. A sorte é que ainda tenho até o fim de 2012 para mudar de idéia.

Portanto, esse blog ficará relativamente fora da lei até que este blogueiro esteja mais ambientado ao tal acordo (que acordo? Ninguém me consultou antes de levá-lo à prática. Isso foi imposto, não acordado!).

E tenho dito!

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

HO!HO!HO!

Enfim o natal, com o esquema de sempre: casa de família, missa, muita comelança, presentes e descanso. É nesse ritmo que essa escriba se encontra desde a semana passada. Então é hora de desejar essa tranqüilidade e vida boa aos que me acompanham via internet.

A todos um feliz natal e um ótimo ano novo. Sáude, sucesso, felicidade e todos os tradicionais votos que o fim de ano inspira. Que Papai Noel venha com o "saco cheio" de coisas boas para todos.

Que em 2009 esse blog cresca mais e mais. E que quem me acompanha por aqui não enjoe desse blogueiro.
'
A página, portanto, ficará em ritmo semi-letárgico nos próximos dias. As passadas por aqui serão esporádicas.

Se você já escreveu sua cartinha ao Papai Noel, deixe seu sapatinho na janela. De repente esse ano o velho se inspira e trás um presentinho um pouco mais polpudo.

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

[Off] - Por Água Abaixo

Quem acompanhou o noticiário com alguma atenção nos últimos dias não pôde ignorar as tragédias que a chuva causou no estado de Santa Catarina. Inundações, enxurradas e deslizamentos de terra já provocaram mais de 50 mortes no estado do sul. A bela Florianópolis sofre com a chuva e um dos acessos a suas famosas praias foi obstruído pela queda de uma barreira. É, enfim, o começo da temporada de enchentes que assolam o Brasil a cada verão.

A hecatombe catarinense é perfeitamente justificável. Nos últimos dias choveu no estado um volume de água 4 vezes superior ao esperado para todo o mês de novembro. Em lugar algum do mundo, seja esse mundo o “desenvolvido” ou o “em desenvolvimento”, uma quantidade de água dessas cairia sem causar prejuízos. O que acontece em cidades como Blumenau, quase que totalmente submersa, teria de acontecer, independente da infra-estrutura da cidade. Simplesmente pelo fato de que a quantidade de água foi excessivamente exorbitante. Claro, sujeira nas ruas, assoreamento dos rios, tudo isso deve ter contribuído para o desastre, mas a enchente aconteceria, independente desses fatores.

Enquanto isso, aqui no meu modesto Espírito Santo, também chove de forma insistente desde a última sexta-feira. E não é porque esse blog diz que está "De Olho na F-1" em seu título que as impressões sobre o resto do mundo precisam ser ignoradas.

São quase 80 horas de chuva praticamente ininterrupta. E nesse tempo o caos se instalou nas principais cidades do estado. Em Vitória várias barreiras desabaram sobre casas e a defesa civil, abarrotada de chamados, não consegue atender a todas as ocorrências. Na Serra, a Lagoa de Carapebus subiu mais de 3 metros e ilhou os moradores do Balneário Carapebus. Em Vila Velha, cidade mais populosa do estado, os alagamentos se espalham com a velocidade de uma endemia. As principais avenidas da cidade, pólo turístico que guarda o monumento mais visitado do Espírito Santo, o Convento da Penha, se transformaram em rios, situação se repetiu na capital do estado.

A diferença entre a enchente catarinense e a capixaba é uma só: lá ela era inevitável. Aqui ela poderia, no mínimo ser amenizada. A chuva que cai no Espírito Santo é insistente, mas não forte. As pancadas mais violentas foram registradas apenas na sexta-feira. De lá pra cá a chuva cai de forma muito menos intensa. Qualquer cidade com um sistema de escoamento decente conseguiria atravessar esse período com menos problemas. Ao contrário, a região metropolitana de Vitória pára a cada chuvisco, se transformando numa São Paulo em escala muito reduzida. Bastam 5 minutos de chuva. Pára o trânsito, pára a vida do cidadão, que (sempre vale lembrar) trabalha quase 5 meses para encher o bolso do poder público e não recebe esse investimento de volta.

Na maior cara-de-pau, o governo do estado anda fazendo campanha para incentivar a emissão de nota fiscal. Parece piada.

Pra quem não conhece Vitória e suas artimanhas, vai uma pequena explicação: várias áreas da minúscula capital do Espírito Santo são frutos de aterros e outras tantas estão centímetros abaixo do nível do mar. Regiões como as da Avenida Maruípe e Leitão da Silva necessitam de um sistema de bombeamento para retirar a água das galerias e enviá-la até o mar. O grande problema é que essa bombas há muito estão defasadas e não dão conta de fazer o transporte de toda a água. Quando coincidem chuva forte e maré cheia, é caos na certa.

O resultado são os alagamentos faraônicos e os congestionamentos quilométricos. Na sexta-feira houve quem levasse 3 horas para cortar a Avenida Reta da Penha, com risíveis 2,5km de extensão. A situação mais grave, porém é a de Vila Velha, cidade localizada do outro lado da baía de Vitória. Com seus 400 mil habitantes e muitos cursos d’água convertidos em valões, a cidade amarga grandes prejuízos a cada chuva. Por se tratar de um município essencialmente plano, Vila Velha sofre com alagamentos que tomam bairros inteiros.

Lá, os efeitos da chuva são sentidos com mais força. Na Avenida Carlos Lindenberg, uma das principais ligações com a capital Vitória, a água atinge os joelhos de quem se arrisca a trafegar a pé. E a cidade continua parada.

Continua parada porque o poder público se omite, pra variar. A cada chuva, a cada sereno, a região de Vitória pára. A chuva dos últimos dias tem sido insistente, é inegável. Mas não tem sido forte. Soluções simples, como limpeza adequada de bueiros e valões, facilitariam a situação. A omissão de quem existe para garantir a boa ordem é assustadora. Na própria Carlos Lindenberg um senhor se enfiou num buraco com água até a cintura, tudo para sinalizar aos motoristas que naquele ponto, trafegar é impossível. Sinalização do trânsito é responsabilidade da prefeitura, mas é o cidadão quem precisa, mais uma vez, tomar a iniciativa de resolver o que os senhores (ir)responsáveis que lidam com as cidades não resolvem.

O que acontece aqui, senhores, é um descaso generalizado, não muito diferente do que acontece em outras regiões Brasil afora.

Um poder público que contribui para que a sociedade contabilize prejuízos dá um tiro em sua própria existência. Um poder público que não se mexe, permanece imóvel enquanto o cidadão perde casa e móveis, trai sua própria essência. Mas só reclamar da paralisia alheia é muito cômodo.

É esse o poder público que a gente legitima em cada eleição. O discurso é ridiculamente repetitivo, mas válido: num país em que se troca um voto por um saco de cimento, muita gente ainda vai ver esse cimento derreter na próxima enxurrada.