
segunda-feira, 30 de junho de 2008
Especulações S.A.

Vídeo da Semana
Domingo atrasado a sorte decidiu o Grande Prêmio da França de Fórmula-1 a favor de Felipe Massa. Faltando pouco mais de 30 voltas para o final, o líder Kimi Raikkonen teve um problema com o escapamento de sua Ferrari e o brasileiro seguiu tranquilo rumo a vitória. Algo muito parecido com um episódio ocorrido no GP Espanha de 2001.
Aquela era a 5ª etapa de um ano que já tinha pinta de Ferrari e de Schumacher. A corrida em sí foi monótona: Schumacher largou na pole e manteve a posição enquanto Mika Hakkinen era o 2º. Barrichello, o 3º, não ameaçou a posição do finlandês em nenhum momento da prova. As coisas só mudaram na volta 50. A McLaren alterou a estratégia de pit stops de Hakkinen deixando na pista por mais tempo. A opção por uma segunda "perna" mais longa foi acertada. Enquanto Schumacher, ja reabastecido e com tanque cheio, fazia voltas lentas, Hakkinen voava na pista de Barcelona. Quando Mika fez sua parada e voltou a pista já era líder.
Hakkinen acelerava rumo a vitória. Schumacher, com problemas em sua Ferrari, ja estava mais de 30 segundos atrás do finlandês e não o ameçava mais. Mais aquele 29 de abril não era o dia de Hakkinen. O bicampeão, ainda sem pontos àquela altura do campeonato, sofreu um dos lances de maior falta de sorte da história da F-1. Na 65ª e última volta do Grande Prêmio da Espanha, Mika Hakkinen bisonhamente vai ecostando sua McLaren. Inacreditavelmente Hakkinen abandona a corrida, na última volta, para perplexidade dos espectadores. A estrela do campeão Michael Schumacher brilha mais uma vez e o alemão vence a corrida. Schumi, porém, nem comemorou a vitória mais inesperada de sua carreira.
domingo, 29 de junho de 2008
Especial de Domingo
No ano passado a inglesa McLaren apresentou sua nova dupla de pilotos. Chegava a equipe, trazendo consigo o número 1, o bicampeão Fernando Alonso, encarregado de levar o time de volta ao topo da F-1. O outro integrante era um inglês, Lewis Hamilton, um garoto de impressionante velocidade nas categoria anteriores a Fórmula-1, festejado como a nova esperança britânica nas pistas.
Na McLaren do início do ano passado ninguém podia imaginar Hamilton andando mais que Alonso ou disputando vitória com o espanhol. O que se esperava era que Ron Dennis utilizasse a tática inteligente, a de definir com clareza a hierarquia dentro da equipe. Mas Dennis preferiu a burra estratégia da igualdade e deu aos dois pilotos condições iguais na pista. O que poderia ser uma cordial relação de apredizado descambou para uma explosão de ira do espanhol. Alonso, que esperava ser tratado como um reizinho, se ressentiu, estourou um escândalo de espionagem e a McLaren se perdeu em sua briga interna, entregando um título garantido ao azarão Kimi Raikkonen.
Na Williams de 86 uma situação parecida: Mansell era um piloto que, embora não fosse novato na F-1 como Hamilton, carregava a esperança da torcida inglesa nas costas. Rápido, arrojado e destemido, Mansell era capaz de fazer uma façanha monumental no começo da corrida mas perdê-la por acenar para a torcida na última volta, e se desconcentrar. Apesar de tudo era o que a Inglaterra, o país mais tradicional no automobilismo mundial, tinha de melhor na F-1. Como companheiro do inglês Mansell na inglesa Williams, Nelson Piquet (assim como Alonso na McLaren em 2007, bicampeão), era o piloto contratado a peso de ouro para ser o guia da equipe rumo a novas conquistas no campeonato. Tinha na gaveta um contrato que lhe garantia as “mordomias” de 1º piloto do time de Frank Williams. Mas...
Piquet não contava com o acidente de carro sofrido pelo chefão Frank. Sem o dono dando as cartas na casa, Patrick Head comandava a equipe e parecia não estar muito sintonizado com Piquet. Head não teve pulso nem para controlar a situação de litígio da dupla de pilotos nem para corrigir o comportamento dos mecânicos (ingleses), que claramente preferiam trabalhar para que Mansell fosse campeão ao invés de Piquet. Entre brigas internas e a agonia de Frank no hospital, a favorita Williams entregava o título ao azarão Alain Prost, da McLaren.
Avance no tempo, e chegue a 2007. Hamilton aparece na F-1 como o novato-sensação. Venceu quatro corridas, duas delas como um veterano: segurou Alonso durante todas as 73 voltas em Indianápolis e guiou como um campeão no encharcado circuito de Fuji. O garoto conquistou o coração da equipe e do patrão, que começou a dar sinais de que preferia o novato. Mas quando Hamilton se viu pressionado e obrigado a vencer para levar a taça, cometeu erros, arriscou corridas confortáveis e jogou o campeonato fora.

Em 1987, na Williams, Piquet não estava disposto a brincar de gato e rato com Mansell. Sabendo que o rival copiava os seus acertos, Piquet passou a não revela-los à equipe. Apenas seus mecânicos mais chegados ficavam sabendo das configurações do carro. Mansell, inexperiente e mau acertador de carros, teria de se virar para dar uma condição rápida ao carro. Nelson também agiu no terreno psicológico: para tirar Mansell do sério, Piquet se valeu da fraca força mental de Nigel. Chamava a esposa do bigodudo de “a mais feia do paddock” e sempre tinha um comentário ácido para as situações em que Mansell não completava as corridas. Não se sabe com certeza se foi por conta das anedotas agressivas de Piquet, mas naquele ano o brasileiro sagrou-se tricampeão de Fórmula-1, enquanto Mansell teve que se contentar com o vice.

20 anos depois, em 2007, Alonso se valeu de artimanhas parecidas para tentar fazer o campeonato pender para o seu lado: sabendo que Hamilton não tinha grande experiência em desenvolver o carro e que o inglês copiava o seu acerto, Alonso não mais permitia que suas configurações fossem passadas a Hamilton. O espanhol, porém não conseguiu levar a taça em 2007 e não teve clima para permanecer na McLaren no ano seguinte. Depois que o chefe Ron Dennis disse que “a equipe correu contra Alonso”, o bicampeão achou melhor arrumar as malas e voltar para a Renault. Talvez esse seja o único ponto onde as histórias não se equivalem: enquanto Piquet se despediu da Williams como campeão em 1987, Alonso saiu da McLaren em 2007 sem nada a comemorar.
sexta-feira, 27 de junho de 2008
Medo do frio
Eu estou com os pilotos. Nem tanto pela questão da segurança, mas pela insistência da FIA em aplicar meios artificiais para tentar recuperar a "emoção" durante as corridas. Pegue como exemplo os treinos classificatórios de sábado. No atual modelo a pole perdeu totalemente o sentido. A volta, que deveria ser a mais rápida do fim de semana, não é, nem de longe, a melhor do dia. Os carros vão para o tal "Q3" com o combustível para a largada do dia seguinte. E eu pergunto: Ferrari e Mclaren deixaram de dominar as primeiras posições por causa dessa regra ridícula?
O que impede as ultrapassagens na F-1 hoje é a imensa carga aerodinâmica que os carros carregam e não é a falta de um cobertor que vai mudar isso.
Detalhes tão pequenos...

Que tal hein? Um detalhezinho miúdo desses causar um acidente sério como o do Kova. Chega a ser assustador.
Ainda não viu o acidente do Kova em Barcelona? Ta aí o vídeo:
quinta-feira, 26 de junho de 2008
1, 2, 3, Testando (agora em Silverstone)

Hamilton conseguiu pôr a McLaren muito a frente de sua principal rival, a Ferrari. Pela escuderia italiana Kimi Raikkonen marcou hoje o 3º tempo, 1m20s321. A diferença foi de quase 1,2s. É muita coisa.
E vale a nota: 10 mil pessoas foram a Silverstone assistir aos treinos. Em um dia de semana! A demonstração de apoio da torcida deixou Hamilton otimista. E olhe que o "prodígio" inglês ainda não ganhou em casa.
Testes de Quinta em Silverstone:
1. Lewis Hamilton - McLaren - 1min19s170
2. Timo Glock - Toyota - 1min19s815
3. Kimi Raikkonen - Ferrari - 1min20s321
4. Fernando Alonso - Renault - 1min20s862
5. Nick Heidfeld - BMW - 1min21s011
6. Kazuki Nakajima - Williams - 1min21s059
7. Adrian Sutil - Force India - 1min21s331
8. Rubens Barrichello - Honda - 1min21s344
9. Sebastien Bourdais - STR - 1min21s432
10. David Coulthard - RBR - 1min22s232
Notinhas dos treinos:
- Hamilton botou um temporal sobre Raikkonen. Aliás, a Ferrari (que dominou a terça-feira com Massa), ficou atrás até da Toyota de Timo Glock;
- Olha a Force India abandonando a última posição. Boa surpresa;
- E a RBR tomando tempo até da equipe "irmã". Coulthard ficou com a lanterna;
- Mas há um fato importante a ser considerado: treino é treino, jogo é jogo. Respostas definitivas só dia 6 de julho.
2009 vem aí...
Entre as outras mudanças, estão:
- O GP Turquia volta a ser disputado em agosto. Esse ano a F-1 experimentou correr em Istambul no início do ano, mas as baixas temperaturas da primavera turca dificultaram a apresentação do carros;
- Magny Cours, que todo ano sofre ameaças, continua ano que vem. Na verdade continua até 2010, pelo menos;
- Alemanha, obedecendo ao rodízio de circuitos, terá seu GP disputado em Nürburgring;
- Também com rodízio, o GP Japão volta a Suzuka (graças a Deus!);
- E o GP Brasil deixa de ser o último do ano. A corrida dos Emirados passa a encerrar o ano e a prova em Interlagos será a penúltima;
Na real
Com uma postura lúcida esse garoto vai conquistando mais e mais fãs.
Modestia faz bem
E Kubica não foi o único que analisou friamente a situação depois do GP França. Felipe Massa, o vencedor da prova e novo líder do campeonato, deu um banho de água fria em quem já se animava em proclamá-lo o novo Senna: disse que era apenas "pequenininho" perto de Ayrton e dos outros campeões tupiniquins (Emerson Fittipaldi e Nelson Piquet).
Aliás, Massa parece não criar sob sí a obrigação de ser o novo Senna (uma cobrança infantil de uma torcida cruel, que morre de amores quando enxerga êxito e cai de pau ao menor deslize). Essa cobrança talvez tenha sido o maior motivo para o insucesso de Rubens Barrichello. Barrica vestiu a fantasia que lhe ofereceram e o resultado está aí: ridicularizado por 9 entre 10 brasileiros, Barrichello amarga a passagem apagada por uma equipe nada competitiva. Massa, ao contrário, parece lidar bem com a traiçoeira torcida brasileira.

E Felipe, aliás, deve tomar cuidado com a fome global por um novo ídolo automobilístico. Na edição de segunda-feira, o Globo Esporte já esparramou Tema da Vitória pra todo lado e festejou "o primeiro brasileiro a liderar o mundial desde Senna". Alguém tem que lembrar ao Tino Marcos que o campeonato ainda não chegou nem a metade e que manter o ritmo de agora até Interlagos, última prova do ano, é o mais difícil. Deixem as matérias regadas a Tema da Vitória e lágrimas para quando o menino (se Deus quiser) for campeão.
Metendo a mão
É bom que se diga que é através desse dinheiro que a FIA se sustenta e organiza o mundial. Mas
justamente em tempos de cortes de custos a federação aparece com um aumento desse tamanho para as equipes! Ferraris, McLaren, Renaults e outras equipes com amplo capital aguentam o tranco numa boa. Mas e uma Force India da vida, como fica? Será que o recente exemplo da Super Aguri (que perdeu o apoio financeiro da Honda e foi obrigada a se retirar do mundial da F-1) não é suficiente?
Política e finanças andam ocupando um espaço muito grande na F-1. Nem parece que tratamos de um esporte, e sim de uma empresa.
quarta-feira, 25 de junho de 2008
Esclarecendo...
Por hora, aquele abraço