sábado, 6 de setembro de 2008

Bélgica - Results & Coments [3]

Invertendo a lógica

Poucas surpresas no Q2. Equipes do meio no lugar que costumeiramente são delas. O que fez a diferença entre estar na superpole ou não, em muitos casos foi alguma diferença de experiência entre os pilotos. É o caso de Alonso-Piquet, por exemplo. Mas, há pilotos que andam invertendo esse lógica. Na RBR, o pré-aposentado David Coulthard, com todos os seus 14 anos de anos de F-1 e passagens por Williams e McLaren, ficou fora do Q3, enquanto o companheiro Mark Webber (que não é nenhum garotão, mas também não está há décadas na categoria) larga numa boa 7ª posição.

O caso acima parece muito particular. Coulthard, não é de hoje, já dá pinta de estar fora de forma. Já se envolveu em acidentes com praticamente todo o grid de Melbourne pra cá e vem sendo batido com certa regularidade até pelos jovens pilotos da filial de Red Bull, a Toro Rosso. E por essas e outras, especula-se que o veterano Coulthard esteja em sua penúltima corrida na F-1. Diz-se, a boca miúda, que Coulthard seria "convidado" a antecipar sua aposentadoria no GP Itália para que o futuro, representado por Vettel, assuma logo a vaga na RBR e deixe o passado definitavemente para trás. A expectativa da RBR é de que o alemãozinho Vettel já chegue em 2009 adaptado ao carro "energético".

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Num ano de honrosos pódios, a Toyota não levou nenhum de seus carros ao Q3. É até uma surpresa, já que os japoneses costumeiramente entram no Top-10. Porém, não há, pelo menos aparentemente, nenhuma queda de rendimento. O fato é que a briga das "médias" é muito acirrada e qualquer detalhe anda fazendo a diferença. E a evolução da STR está deixando a briga do pelotão intermediário ainda mais tensa.

11
Jarno Trulli
Toyota
1min46s949
12
Nelsinho Piquet
Renault
1min46s965
13
Timo Glock
Toyota
1min46s995
14
David Coulthard
Red Bull
1min74s018
15
Nico Rosberg
Williams
1min47s429

Bélgica - Results & Coments [2]

Invertendo a história

Agora, as notas tristes de Spa: as duas Honda, as duas Force India e uma Williams fora logo de cara. Force India e Honda de fora na primeira etapa da classificação é até normal. Triste, como muito bem foi observado na transmissão global, é ver a Williams (de tantas glórias no passado) patinando. Logo a Williams que começou o ano indo ao pódio no enganoso GP Austrália. Talvez é a equipe que, em contraste com a STR, mais tenha involuido do início da temporada pra cá.



16
Rubens Barrichello
Honda
1min48s153
17
Jenson Button
Honda
1min48s211
18
Adrian Sutil
Force India
1min48s226
19
Kazuki Nakajima
Williams
1min48s268
20
Giancarlo Fisichella
Force India
1min48s447

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

Moço do tempo

Não, eu não tenho os atrbutos físicos indispensáveis a um bom Weather Man (Homem do Tempo), mas como a previsão para o fim de semana anda deixando todo mundo em suspense, eu me arrisco nessa aventura...

Segundo site Weather Channel (Canal do Tempo) há 20% de chances de chover no domingo entre 14 e 15 horas (horário belga), quando a largada para a corrida em Spa deve ser dada. O tempo estará encoberto, a temperatura deverá estar em torno dos 14ºC e os ventos serão consideráveis, 23 km/h.

Essa é a previsão. Mas previsões nunca são 100% confiáveis (nós brasileiros sabemos bem disso), ainda mais em um lugar como Spa. A pista célebre por ser considerada a melhor do ano também é famosa pelas corridas chuvosas e pelas mudanças de tempo durante a prova. Há ainda um agravante que é a extensão da pista. Costuma chover em um local do traçado e não chover em outros, e isso complica qualquer estratégia.



Como deu para reparar, eu estou torcendo pela chuva. É promessa de uma corrida movimentadíssima!

Veremos no domingo.

Bélgica - Results & Coments [1]

Melhores tempos da sexta-feira em Spa-Francorchamps:

1. Felipe Massa (Ferrari) 1min47s284
2. Kimi Raikkonen (Ferrari) 1min47s623
3. Lewis Hamilton (McLaren-Mercedes) 1min47s878
4. Heikki Kovalainen (McLaren-Mercedes) 1min47s932
5. Fernando Alonso (Renault) 1min48s104
6. Mark Webber (Red Bull-Renault) 1min48s428
7. Sebastien Bourdais (STR-Ferrari) 1min48s557
8. Sebastian Vettel (STR-Ferrari) 1min48s958
9. Timo Glock (Toyota) 1min48s997
10. Nelsinho Piquet (Renault) 1min49s068
11. Robert Kubica (BMW Sauber) 1min49s139
12. Nick Heidfeld (BMW Sauber) 1min49s185
13. Nico Rosberg (Williams-Toyota) 1min49s405
14. Adrian Sutil (Force India-Ferrari) 1min49s585
15. Jarno Trulli (Toyota) 1min49s625
16. David Coulthard (Red Bull-Renault) 1min49s849
17. Giancarlo Fisichella (Force India-Ferrari) 1min49s986
18. Kazuki Nakajima (Williams-Toyota) 1min50s125
19. Jenson Button (Honda) 1min50s464
20. Rubens Barrichello (Honda) 1min50s905

Notinhas belgas:

- Os tempos acima são, na maioria, da sessão 1. Porque na etapa verspertina o mar não esteve para peixe e a pista não esteve para carros. A temperatura baixa (em torno dos 15°C) e o sereno que insistia em cair manhosamente fizeram dos 7 km da pista de Spa um sabão;

- A Ferrari prova que, mesmo com a escolha da Bridgestone de levar pneus médios e duros para Spa (o que, em tese seria uma desvantagem para a equipe de Maranello), tem o melhor "conjunto da obra", ao menos com pista seca. Massa e Raikkonen dominaram interiamente a sessão matutina;

- A McLaren esteve ali, na segunda fila. A escolha dos pneus, como já foi observado, não trouxe, ao menos nesse primeiro momento, uma vantagem para a equipe inglesa. Porém, hoje ainda é sexta, cedo para se tirar conclusões definitivas. E é bom lembrar que a possibilidade de chuva, que em teoria favorece a McLaren, não está descartada para o restante do fim de semana;

- Alonso está se tornando expert em aprontar surpresas na sexta. Foi assim em Magny-Cours, em Valência e agora em Spa. O espanhol foi o melhor da tarde e o 5º melhor do dia. Lembrem-se que esse 1:48:104 de Fernandito foi conquistado a tarde, nos últimos 5 minutos do treino, quando a chuva cessou e todo mundo voltou para o asfalto. Foi, enfim, uma bela volta, mas que (infelizmente) não significa nada demais para o bicampeão e sua Renault;

- Falando em Renault, Piquet foi, junto com Raikkonen, Webber e Fisichella, vítima da pista escorregadia na sessão vespertina. Raikkonen e Físico foram os que bateram mais forte, mas sem grandes complicações para ambos. Se a temperatura continuar baixa até domingo, mesmo que não chova, muitas rodadas, rabeadas e saídas de pista serão vistas;

- Atenção para o bom desempenho da STR: Bourdais 7º, Vettel 8º;

- BMW, ao contrário, desceu a ladeira: Kubica 11º, Heidfeld 12º;

- E a grande surpresa do dia foi a última fila: a Force India, ocupante habitual, não ficou segurando a lanterna. Esse papel foi da Honda. Button e Barrichello foram os últimos, quase 4s atrás do melhor tempo do dia. Dizer que o desempenho dos japoneses é vergonhoso já é lugar-comum.

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

A mesma praça, outro jardim: Bélgica 2007

Há um ano atrás a Fórmula-1 chegava a Bélgica sob uma atmosfera de tensão. Na semana anterior ao gp, o Conselho Mundial da Federação Internacional de Automobilismo, reunido em Paris, havia decidido que a McLaren perderia todos os pontos conquistados até então e todos os que estavam por ser conquistados: em bom português, a equipe inglesa iria terminar o ano de 2007 zerada na tabela de construtores e ainda teria de pagar uma multa de 100 milhões de dólares. Apesar das duras sanções aplicadas à equipe, os pilotos não foram considerados culpados. As severas punições sofridas pelo time de Ron Dennis tinham origem no caso de espionagem que abalou a temporada 2007.

O caso teve início ainda na primeira metade do ano. Projetos do F-2007 foram encontrados na casa de Mike Coughlan, projetista e homem de confiança de Dennis na McLaren. Descobriu-se depois que os projetos confidenciais da Ferrari foram entregues a Coughlan por Nigel Stepney, engenheiro-chefe da escudeira italiana. Os dois foram demitidos assim que o escândalo se tornou público, mas os estragos a imagem da McLaren já estavam feitos.

O julgamento ocorreu na quinta-feira anterior ao gp belga. Jornalistas, câmeras, flashes, holofotes e o futuro de uma das mais importantes equipes da história da F-1 em jogo. Nos meses anteriores muito se falou sobre o caso. Alguns jornais chegaram a levantar a possibilidade de exclusão da McLaren da temporada de 2007. Envolto em brigas domésticas entre Alonso e Hamilton e correndo o risco de ficar de fora da atividade a qual dedicou boa parte de sua vida, Ron Dennis, o homem forte da equipe, viveu um ano de terror. Ao final da temporada ainda teria de amargar a derrota de Hamilton numa disputa que chegou a Interlagos praticamente decidida.


Depois da sessão-tapetão houve, enfim a corrida. Corrida que, aliás, foi dominada pela Ferrari. Primeira fila na classificação de sábado, dobradinha no domingo. A prova, no pelotão da frente, foi previsível. O único momento de tensão vivido entre os ponteiros foi na largada: as Ferrari lideraram sem problemas, porém, Alonso e Hamilton estiveram perto de se tocar.

Lado-a-lado na curva La Source, a primeira após a partida, os dois pilotos da equipe prateada dividiram cada centímetro da pista. Malandro, Alonso deixou o carro espalhar, mas não obteve vantagem imediata sobre Hamilton. O inglês aproveitou a área de escape asfaltada, conseguiu aderência e equilíbrio e ficou em paralelo com o espanhol. A manobra kamikaze dos dois ainda não havia terminado. A próxima curva era a famosa Eau Rouge. Hamilton e Alonso mergulham juntos no declive com o pé embaixo. Sob os gritos histéricos de “aí não cabem dois”, disparados por Galvão Bueno, as duas McLaren decidem a manobra na tangência seguinte. Com o lado preferencial, Alonso fica com a 3ª posição e, junto com Hamilton, protagoniza um dos grandes lances da temporada. Pode-se dizer que, para o “G4” (as duplas de Ferrari e McLaren), a corrida acabou aí. A Ferrari partiu para comandar as ações e a McLaren apenas completava os 4 primeiros lugares. No pelotão intermediário pegas animados movimentaram as 44 voltas na pista belga.

Mas lá na frente as coisas não mudaram. Raikkonen vencia mais uma em Spa, Massa completava a dobradinha e a Ferrari, sem sua principal rival na briga, sagrava-se campeã de construtores pela 15ª vez na história. O título de pilotos, porém, estaria indefinido até a última corrida.

Vídeo com o resumo e o contexto da prova, narrado em espanhol:

terça-feira, 2 de setembro de 2008

Quem será?

Escolher o favorito na briga pelo título agora ou deixar para mais tarde? Dilema ferrarista na Coluna do Fábio no EsporteZone.

Leia , comente aqui.

Ufa!

Atentos às criticas e manifestações contrárias a uma possível reforma, os administradores da pista de Spa-Francorchamps já desmentiram a notícia veiculada por um site ontem.

Segundo o F-1 Club, a pista estaria para ser reformada até 2010. A reforma diminuiria a extensão do traçado e, teoricamente, aumentaria a segurança dos pilotos.

A assessoria do autódromo, entretanto, tratou de tranqüilizar os fãs da F-1: "Spa tem sido sempre uma pista única. Nosso circuito é assim como está e não será alterado.”

Ufa!

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

Do outro lado do Atlântico

Nos EUA a IRL chega a seu momento decisivo. Ontem, na penúltima prova da categoria em 2008, um incidente aparentemente casual resultou em uma grande polêmica e na vitória de Justin Wilson (ele mesmo, o grandão que teve uma passagem pela Minardi em 2003).

Para resumir a história, o fato é que o brasileiro Hélio Castroneves liderava a prova depois de uma bandeira amarela que tirou o líder do campeonato, o neozelandês Scott Dixon, da ponta. Sem o principal rival na luta pelo título por perto, Helinho tinha tudo para vencer a segunda corrida consecutiva no ano, mas uma manobra nas últimas voltas pôs tudo a perder: Wilson se aproxima de Castroneves para fazer a ultrapassagem mas o brasileiro fecha a porta duas vezes. Resultado: a direção de prova entendeu que o brasileiro teria de ceder o 1º lugar a Wilson, uma decisão polêmica e extremamente arbritária.

Wilson venceu sua primeira na IRL, mas quem gostou da confusão foi Dixon. O neozelandês ainda é líder com 606 pontos contra 576 de Castroneves, o 2º. No próximo fim-de-semana acontece a última e decisiva prova do ano, em Chicago, e Dixon tem uma boa margem para se considerar o quase-campeão.
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F-Indy-IRL em detalhes no blog Eu Sou Indy.

Rossi faz história (mais uma vez)

Bem, eu ia fazer um post sobre a vitória de Valentino Rossi na Moto GP. Mas o fera Rodrigo Mattar matou a pau no A Mil Por Hora, seu blog na rede mundial.

Uma prévia do que Mattar escreveu e que me tirou o fôlego:

"Justiça seja feita: Valentino Rossi, que já pertencia ao Olimpo do esporte mundial, pode ser considerado sem nenhum exagero o maior piloto de Motovelocidade da história. Um gênio que só aparece de quando em quando para encantar os mortais. Como Dante, Picasso, Beethoven, Michelangelo, Dalí, Pelé, Maradona, Mozart, Hendrix, Tiger Woods, Michael Jordan, Magic Johnson, Federer, Nadal, Senna, Schumacher, Agostini e, agora, Rossi."

Clique aqui e confira o post do Rodrigo na íntegra.

Spa-Tilke?

Um arrepio gelado cruzou a espinha dos F-1 maníacos: a notícia de que a pista belga de Spa-Francorchamps será alterada até 2010. A razão das mudanças seriam (sempre ele) o aumento da segurança e a diminuição da extensão da pista (atualmente a mais longa do calendário com pouco mais de 7 km).



É realmente uma pena. Spa é o último dos circuitos que resistem à pasteurização imposta pelas regras de segurança. É o último daqueles circuitos que ainda possuem alguma personalidade. A pista belga é uma exceção num mundo de retas mutiladas como em Hockenheim, na Alemanha, outra pista que ficou sem "alma" depois de sofrer uma reformulação de seu traçado. Em nome da segurança, o que havia de melhor na pista alemã (suas intermináveis retas) foi duramente removido, e o autódromo se tornou "mais um" no meio de tantos outros. Spa corre esse risco.


E é certo que, caso a notícia da reforma em Spa se confirme, Hermann Tilke, o arquiteto preferido de Bernie Ecclestone, será o resposável pela obra. Em seu currículo estão os circuitos de Sepang, Sakhir, Xangai e Istambul. Todos moderníssimos, claro, e todos sem personalidade alguma. Tilke ainda foi o responsável pela tal reforma em Hockenheim. Elogiadíssimo pelos cartolas, o arquiteto não é tão bem cotado entre o fãs do automobilismo.


A Fórmula-1 vai seguindo a tendência da segurança, mas será que em troca disso teremos circuitos todos iguais? Um giro rápido pelo calendário e o leitor encontrará poucas pistas realmente com "temperamento" próprio, características natas que de longe definem sua existência. Fazendo uma varredura em busca de pistas com esse perfil eu encontro apenas cinco: Mônaco (por razões que eu não preciso relatar aqui), Montreal (retas longas, freadas fortes), Spa (curvas de alta, de baixa, subidas, descidas e tangências desafiadoras), Monza (maior média horária do ano e a curva Parabólica, um desafio a ser contornado 53 vezes durante uma corrida) e Interlagos (maior diferença de altitude do calendário, longas retas contrastando com um miolo travado). Sem falar no circuito japonês de Suzuka, uma espécie de Spa do oriente, que nem está no calendário desse ano. O GP Japão agora está sediado na pista de Monte Fuji, por razões comerciais.


Fora esses exemplos o resto se torna apenas resto, um monte de retas misturadas com algumas curvas que não me dizem muita coisa. Um retrato tilkenizado de uma categoria que parece estar perdendo o melhor de sua história.