quarta-feira, 13 de agosto de 2008

Cadê as novidades?

De Cesare Fiorio, chefe de equipe anterior a Jean Todt na Ferrari, sobre a situação da equipe na temporada:

"Suspeito que eles continuem tendo o melhor carro, mas os problemas dos boxes e da dupla de corredores estão estragando tudo."

Tirando a parte do "melhor carro" (em que ainda não se chegou a um consenso) não há absolutamente nenhuma novidade na fala de Fiorio: o trabalho de box está (na maioria das vezes) sendo responsável por preciosas perdas de pontos para a Ferrari.

Olímpicas [1]

Nunca antes essa página havia tratado de um assunto que não fosse relacionado a Fórmula-1. Mas as férias da categoria e o desempenho assombroso de um certo atleta da delegação americana me motivam a fugir do assunto "F-1" pela primeira vez.

A Analogia Previsível

É a estrela da Olimpíada - 2008. É o grande nome, aquele que já entrou, inevitavelmente, para a história do esporte mundial. Reformulou os recordes, tornou-se o maior vencedor da história das olimpíadas e ainda não sabe o que é cair na água para perder em Pequim. Michael Phelps é um fenômeno, dono de uma superioridade indisputada. Soberano, faz com que os adversários só possam brigar pela prata, na melhor das hipóteses. É franco favorito a tudo o que disputar na natação.


A primeira reação de um fã de F-1 é comparar Phelps àquele que mais próximo esteve de conquistar tantos feitos. É um outro Michael, só que alemão, e de sobrenome Schumacher. Assim como Phelps, o alemão foi, por anos, favoritíssimo a tudo na Fórmula-1. Graças a superioridade do heptacampeão e de sua Ferrari, a F-1 tornou-se previsível, monótona, sem graça, dada a certeza de que, invariavelmente, a posição de número 1 terminaria nas mãos de Schumacher. E assim foram conquistados cinco dos sete títulos de Schumi: estraçalhando a concorrência.


Como Phelps, Schumacher foi o grande nome da F-1. Seus incríveis números não serão apagados tão cedo porque dificilmente surgirá alguém que consiga, por tanto tempo, se manter por cima dos adversários. Mas o que Phelps consegue na natação é ainda mais surpreendente que os feitos de Schumacher no automobilismo. Nem Schumi nem sua Ferrari, por mais superiores que fossem, jamais conseguiram ganhar todas as corridas em uma temporada. Phelps, ao contrário, tem a real chance de ganhar todas as provas que disputar nessa olimpíada. Com 5 ouros já conquistados, Phelps ainda cai na água três vezes em busca de três primeiros lugares. Se realmente vier a faturar tudo, Phelps sairá de Pequim com 14 (sim, você leu catorze) medalhas douradas na currículo (8 delas conquistadas nessa edição dos jogos e 6 em Atenas, quatro anos atrás), se credenciando como o maior vencedor da história das olimpíadas. O super-nadador terá conquistado, sozinho, mais medalhas de ouro do que muitas delegações inteiras (inclusive a brasileira).

Há, porém, algumas particularidades entre a hegemonia de Phelps na natação e a de Schumacher na F-1. Enquanto o americano é reconhecido como gênio do esporte no mundo inteiro, o xará alemão é, até hoje, espinafrado por aqueles que não se contentam com seus recordes. Culpam Schumacher de ser o "Dick Vigarista" (em boa parte por causa dos sapos que Schumi obrigava os companheiros de equipe a engolir, a exemplo de tantos outros multicampeões da F-1) e de se aproveitar de um carro excessivamente superior aos outros. Se essa última acusação realmente fizesse algum sentido, Phelps deveria sofrer com os mesmos comentários.


A "Ferrari" de Phelps mede 193 cm de altura para 204 cm de envergadura. Ou seja, a distância de uma mão a outra, com os braços estendidos, é maior do que a altura do fenômeno americano, proporcionando-lhe incrível mobilidade com os braços. Phelps têm ainda pés-de-pato naturais: o número de seus calçados é 48 e seus pés são 15 graus mais flexíveis que a média! Phelps foi produzido pela natureza para nadar. Os teóricos da conspiração que arranjem um jeito de desmerecer a genética, por fabricar um atleta tão superior aos outros.

terça-feira, 12 de agosto de 2008

Falta um!

Lewis Hamilton, aparentemente, corre rumo ao título em 2008. Seria a dupla da Ferrari insuficiente para barrar o inglês? Se Alonso estivesse na briga, as coisas seriam diferentes?

Tema dessa semana da Coluna do Fábio Andrade no Esporte Zone.

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segunda-feira, 11 de agosto de 2008

Devagar e (nem) sempre!

Não será um período de férias reais, mas vai dar pra diminuir o ritmo. Por causa das "férias" (férias é um título muito pretenso. "Recesso" fica mais coerente, afinal são apenas três semanas sem atividades) da F-1 o ritmo das postagens está muito menor do que o normal. Afinal, não há tantas notícias a comentar.

E o recesso inclusive casou com o período da Olimpíada de Pequim. Portanto curta seus jogos olímpicos, mas passe aqui de vez em quando. Como eu não resisto ao computador ligado, devo inventar umas postagens só pra não deixar isso aqui parado.

Apareçam, mesmo nas férias de verão (para os europeus) da F-1.

*Fica de recordação uma foto digna do sossego que Hamilton, Alonso, Raikkonen e CIA devem estar curtindo nas praias do velho continente:

sexta-feira, 8 de agosto de 2008

2009: a chance de fazer a diferença

Piloto não carrega carro nas costas. Esse chavão do automobilismo anda tendo intensa relação com o momento de Fernando Alonso na F-1. O espanhol está numa temporada apagada, preso a um carro que não lhe fornece possibilidade de bom desempenho, mas luta para se manter motivado. E o bicampeão terá, em 2009, a chance de voltar ao páreo.

Quando a Renault surgiu como favorita em 2005, Alonso fez história. Não tomou conhecimento do heptacampeão Michael Schumacher (numa Ferrari irreconhecível), suplantou Kimi Raikkonen e sua McLaren e não deu chance ao companheiro de equipe Giancarlo Fisichella. Alonso, que seguiu ganhando em 2006, já era apontado com o sucessor do alemão e se tornava bicampeão.

Em 2007 Alonso levou o número 1 para a McLaren, deixando de ser favorito imediato na briga pelo título. A equipe de Woking não havia apresentado um bom desempenho em 2006, e as reais possibilidades dos ingleses eram uma incógnita. Mas Alonso, confirmando a teoria de que é mesmo o melhor da atualidade, trouxe "6 ou 7 décimos" à equipe, desenvolveu o carro e fez de 2007 um ano de incrível disputa entre McLaren e Ferrari.

Mas as brigas com Hamilton custaram a permanência de Alonso no time de Ron Dennis. Sem ter vaga em uma outra equipe grande (leia-se Ferrari) o espanhol foi obrigado a voltar para sua casa, a Renault. Só que o panorama de 2008 não é, nem de longe, o mesmo que se configurou em 2005 e 2006. A Renault sofre com um carro fraco e o melhor que pode ser oferecido ao bicampeão é o meio do grid. É louvável, entretanto, a motivação de Alonso, que continua com esperanças de arrancar um pódio, ou até uma vitória, do atual modelo da montadora francesa.

"Oras, mas se Alonso é o melhorzão, por que ele não leva a Renault de volta ao topo?"

Ótimo, Alonso é o melhor do atual grid, mas não é santo milagreiro. Há de se lembrar que em 2005, quando o espanhol debutou no hall dos campeões, o regulamento tinha passado por severas alterações: trocas de pneu foram proibidas, regime de motores foram mudados e a Ferrari, que dominava a década até então, demorou um pouco a entender e a se adaptar aos novos tempos. Foi nesse ambiente de mudanças (em que as dificuldades foram as mesmas para todos, nivelando o desenvolvimento dos carros) que a Renault surgiu como novidade. É muito diferente do que acontece agora que as grandes Ferrari e McLaren já se adaptaram e voltaram a papar as vitórias. Porém, é muito parecido com o que vai acontecer ano que vem.


Em 2009 o regulamento sofrerá novas mudanças intensas. Os pneus voltam a ser slick, a aerodinamica será muito limitada e o tal KERS deve mesmo entrar em operação. Portanto, o jogo começa no zero a zero para todo mundo. É a chance que Alonso tem para voltar a fazer a diferença.

quarta-feira, 6 de agosto de 2008

O grito de resistência

"Tão cedo, não vamos vender a Williams. Negociamos ações, mas o resto não mudará".

Foi com essa resposta que sir Frank Williams encerrou os rumores sobre uma possível venda da Williams para grandes corporações e/ou montadoras. É um grito de resistência daquele que é o último remanescente da era dos garageiros. Frank, junto com Bruce McLaren, Ken Tyrrel e outros pilotos-engenheiros serão sempre lembrados por criarem equipes com seu próprio esforço e fazê-las campeãs no automobilismo. Frank é, na verdade, o último dessa era um tanto quanto romântica, um fóssil vivo, um peixe fora da onda que é a nova ordem econômica da F-1.

Dominada pelo grande capital de grandes empresas, a Fórmula-1 é uma espécie de sucursal do escritório dos executivos. O lucro anda subvertendo o esporte. Experimente abrir qualquer site especializado e perceba: haverá pelo menos uma matéria a respeito de política, jogo de interesses e outras coisas que não cabem muito bem em uma competição que julga ser um esporte.

Frank é um inadequado na atual forma de gerir a F-1. Ainda é um daqueles chefes de equipe personalistas, que concentram todo o poder da decisão. Ou então é apenas um velinho rico e dono de uma equipe de F-1. Talvez ele seja isso para os mais novos. Mas há de se lembrar que Frank já foi dono do maior império da F-1 por anos a fio. Sua Williams, hoje castigada pela falta de verba, já produziu campeões como Nelson Piquet, Nigel Mansell e Alain Prost. Sua Williams tem 7 títulos de pilotos e 9 de construtores na estante. Sua Williams já foi objeto de desejo e desavenças entre dois monstros da história do automobilismo: Senna e Prost guerrearam por uma vaga na equipe em 1993. Prost levou a melhor e sagrou-se tetracampeão no carro que Ayrton dizia ser "de outro mundo".

Hoje a equipe está numa entresafra, brigando para atingir os pontos. Talvez pela teimosia de Frank. Mas é uma teimosia válida. Eu torço para que as mudanças da próxima temporada, que devem fazer todo mundo começar mais ou menos do zero, tragam uma velha novidade para a Fórmula-1: a Williams de novo brigando pela ponta. Pode ser um sonho utópico, fora da realidade. Mas é muito bom de se sonhar.

Desculpem o desabafo, mas creio que é uma coisa que eu precisava dizer. O esporte que vemos hoje está ficando cada vez mais nas mãos de pessoas jurídicas e não físicas. Isso não é bom. Montadoras não têm muita preocupação com o esporte. Já tratei disso aqui. Montadoras, repito, têm preocupação com lucro, produtividade, coisas do mundo corporativo. No momento em que perceberem que a F-1 não é tão rentável, pularão fora. E aí terão de surgir novos Frank Williams e Kens Tyrrel para salvar a categoria. Pelo bem do esporte.

Notas Vermelhas

Dia cheio de comentários a respeito da Ferrari. Vamos a eles:

- Stefano Domenicali, chefão da Ferrari, disse que não se surpreendeu com a largada fulminante de Massa na Hungria. Segundo o italiano, a manobra da largada já havia sido treinada diversas vezes: "sabemos que as ultrapassagens na Hungria são muito difíceis e, por isso, só restava ao Felipe pular na frente e assumir a liderança logo nas primeiras curvas. Então fizemos algumas simulações de largadas e conseguimos um resultado perfeito nesse aspecto"- disse Domenicali.


Ok, ok. Parabéns a Ferrari pelo treinamento. Mas o tal teste não diminui em nenhum milímetro o mérito de Massa. Não sei se qualquer um teria o arrojo de frear no limite extremo, com os pneus e os freios frios e ainda arriscar a curva fazendo uma tomada por fora. Treinando ou não, Massa foi perfeito;

- Falando em treinos, continua o vai e volta de Schumacher com a Ferrari. Diários esportivos da Alemanha afirmam que o heptacamepão volta a sentar no cockpit da equipe no final do mês, nos testes coletivos em Monza. Não será a primeira vez que Schumacher volta a pilotar um F-1 depois de sua aposentadoria. O piloto já participou de diversos testes com a Ferrari (onde trabalha como consultor) na pré-temporada. É, na verdade, uma ajuda de luxo para desenvolver o carro;

- Por fim, Raikkonen fez hoje uma análise fria (grande novidade, hein!) da sua situação no campeonato. E, ao contrário de Massa, que costuma arranjar outros culpados para problemas de desempenho pessoal, Kimi foi extremamente realista: "não dá para pretender ganhar o título largando sempre na sexta posição", assumiu Raikkonen. É uma constatação válida, tendo 7 corridas pela frente. Aliás, se Kimi resolver acordar agora ainda há tempo de reverter o quadro no mundial, afinal, todo mundo lembra de 2007, quando o finlandês partiu para vencer o campeonato numa incrível reação na segunda metade do ano.

Adversários, tremei! A bela-adormecida parece estar acordando de seu sono hibernal...

terça-feira, 5 de agosto de 2008

O mundo gira!

A Ferrari sente saudade do dream team?

A trajetória da equipe italiana, da contratação de Jean Todt em 1993 ao atual momento do time, passando pelo apogeu da era Schumacher e pela decadência de 2005 e 2006 deixa no ar uma pergunta: a falta de estrutura pode prejudicar o desempenho da equipe?

É esse o tema da Coluna do Fábio Andrade essa semana no Esporte Zone.

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segunda-feira, 4 de agosto de 2008

Não viu? Veja agora!



Ta aí, a fenomenal largada de Massa ontem. Repito: uma das melhores dos últimos anos!

*Pequeno detalhe: acho que nem o Galvão Bueno iria se entusiasmar tanto quanto o narrador da rede italiana de tv Rai.

Hungria - Memories

Eixo frouxo

Se você acha que Felipe Massa é o único brasileiro a ficar a pé com um problema mecânico em Hungaroring, se enganou:



O vídeo é da edição 2003 da prova húngara. Barrichello sofre o acidente na 20ª volta. A causa do acidente até hoje não foi totalmente esclarecida pela Ferrari. Aliás a equipe, numa atitude muito da canastra, pôs a culpa em Barrichello. Em uma nota, a equipe Ferrari diz que "Barrichello atingiu a zebra por duas vezes em um ângulo não muito comum entre as voltas de número seis e sete". Não contente com o absurdo, a nota de esclarecimento é encerrada com a maior de todas as bobagens: "depois de uma forte freada na reta no começo da volta 20, essa parte (o triângulo da suspensão) cedeu".

A nota é uma espécie de retrato dos anos que Rubinho passou na Ferrari. Sempre tratado como material de segunda, Barrichello quase sempre tinha que se virar com um equipamento que, por vezes, era inferior ao de Schumacher.

Em tempo: o que um piloto pensa quando se depara com um muro se aproximando em alta velocidade?